A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.

A minha inocência foi esta:


Francisco Sarmento

Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/

domingo, 15 de maio de 2011

Enciclopédia Das Nações

Chacinas nas terras de ninguém,
onde ninguém governa mas é governado.
Chaves do contraste do além,
o sentimento não dá para ser falado.
Cheira a morte onde não há cadáveres,
só se sente almas onde não há vivos.
Chagas são verdades nestes terrenos,
onde as mães engravidam para devorarem os seus pequenos.
Crianças suicidam-se pela fome,
dos tantos pedregulhos afiados que se consome.
Cemitérios são as refeições dos homens
que são ensinados a assassinarem desde jovens.
Catacumbas do paraíso é nome do inferno
nesta cultura destinada ao eterno.
Conquistadas terras pela sua divisão,
quase zombies por não actuarem de coração.
Criados e servos da morte são vossos destinos,
se chegarem a velhos serão logo comidos.
Contados como lendas pela Humanidade,
parecendo não ser real esta verdade.

Chega o herói que salva inutilmente a população
mas ele o faz pelo orgulho e pela esperança de uma nova Nação.
Corajoso, chegou, para enfrentar as tempestades,
para trazer vida e luz às terras de Hades,
Condenado ao sacrifício do corpo e da mente,
alimentadando-os com o seu próprio sangue.
Crucificado em seu propósito,
mudou as mentalidades dessa gente.
Cravos foram criados pela a água do seu suor
em terras desertas mas floridas por um sonhador.
Carregou tudo e fez mais do que o seu melhor,
alimentado e morto pelo amor.
Cuidado de mudar um mundo,
assim o conseguiu e desapareceu moribundo.
Calhou escrito como início da História,
sofreu, lutou, morreu e ficou sem honra da memória.
Crê-se num presente sem passado,
o herói morto vê-se vilão, sentir-se-ia fracassado.

Dá-se então um novo capítulo,
a letra "D" é o seu vínculo.

Dinheiro é a nova desgraça,
nova história,
novos vilões,
novos heróis
aparecem por mais que se faça.

Ditadas pessoas pela sociedade,
que criticam a realidade.
Desgraçadas populações que toleram
as opressões que se impuseram.
Divulgando informações erradas,
precisam de atenção nas mentes encalhadas.
Dedicam-se insistentemente à competição
pelo poder que anseiam e nunca lhes dará razão.
Deduzam-se no espelho exterior
com medo da solidão que lhes causa dor.
Devoram-se no trabalho e se pisam
sem lembrarem-se da união que precisam.
Dívidas construídas pela esperança,
escravos durante anos em sonhos de criança.
Disturbadas mentalidades de filosofias
que agora se suicidam por não verem novas vias.
Desesperados até que acordem,
vão lutando contra a desordem.
Desiludidos por não verem um novo herói,
que os salve da miséria e do absurdo que são.
Deparam-se da realidade em que estão,
nesta sociedade onde há mais que um vilão.
Desesperados pelo herói que ainda não apareceu,
gritam e revoltam-se pensando que ele já morreu.
Desfrutam-se os tempos de espera,
em que o herói não aparece e que ninguém venera.
Denominam-se todos heróis mas a verdadeira cura
são os anti-heróis que virão para o fim da ditadura.
Desta sociedade em que vivemos, na opressão,
quem ganha e ganhará sempre é a nossa voz, a voz da razão.

sábado, 14 de maio de 2011

Calma e Paciência

Quase quase quase me perdi
pela de fora que entrou em mim
e me fez gritar sem fim.

Mas a tempo e com tempo
tive um ataque de lucidez
pois na raiva do momento
jurei não acontecer outra vez.

Talvez me teriam chamado louco
por nadar contra corrente
sem estar preparado em fazer-lhe frente
e ser levado por ela pouco a pouco.

Talvez eu tenha tido essa loucura
para me aperceber da realidade,
essa lei dos contrastes foi a minha cura
para manter limites à minha sensibilidade.

Não desisti, apenas tenho de ser inteligente
porque se me atiro sem saber usar um pára-quedas
acabo por ser comido por essa gente
e a fazer todas as suas merdas.

Devo fazer como na Batalha de Aljubarrota
trazer-me e não uma gigante frota,
pois sabemos como é que uma guerra se comporta
e antes de abrir a boca a minha mente já estará morta.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por aqui e por ali
acontecem novos por cá,
sem perceber o que vi
por nunca ter passado por lá.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sou A Nossa Voz

ATENÇÃO: "Se acha" é "se encontra".

Os meus poemas são
de um lunático
que se acha no meio de ouvidos,
de um apático
que se acha no meio dos sentimentos,
de um sonhador
que se acha no meio da realidade,
de uma criança
que se acha no meio da birra,
de um alérgico
que se acha no meio da mentira,
de um calado
que se acha no meio da ira,
de um psicotapa
que se acha no meio da má infância,
de uma escapa
que se acha no meio da poesia,
de um sábio
que se acha no meio da ignorância,
de um amor
que se acha no meio do ódio,
de um esperançado
que se acha no meio da morte,
de um sorriso
que se acha no meio da sorte,
de um ignorante
que se acha no meio da sapiência,
de um ansioso
que se acha no meio da paciência,
de um animal
que se acha no meio da fome,
de um soldado
que se acha no meio da sobrevivência,
de um anormal
que se acha no meio do comum,
de um revoltado
que se acha no meio do desespero,
de um um
que se acha no meio do nenhum,
de um diferente
que se acha no meio da igualdade,
de um falso moralista
que se acha no meio da verdade,
de um poeta
que se acha no meio do papel,
de uma morte
que se acha no meio da vida,
de uma solução
que se acha no meio do problema,
de uma gaveta desarrumada
que se acha num quarto arrumado,
de uma pena branca
que se acha no meio do fardo,
de uma iluminação
que se acha no meio da escuridão,
de um ouvinte
que se acha no meio do paleio,
de uma agulha
que se acha no meio do palheiro,
de uma imaginação
que se acha no meio do verdadeiro,
de um último
que se acha no meio do primeiro,
de um ninguém
que se acha no meio da fama,
de um acontecimento
que se acha no meio do improvável,
de uma contradição
que se acha no meio da ligação,
de uma sombra
que se acha no meio do sol,
de uma mãe
que se acha no meio da infertilidade,
de uma lágrima
que se acha no meio do sorriso,
de um maneta
que se acha no meio do público,
de uma memória
que se acha no meio do esquecimento,
de uma inocência
que se acha no meio da culpa,
de um esquecido
que se acha no meio da Constituição,
de um faminto
que se acha no meio da riqueza,
de um excluído
que se acha no meio da estatísctica,
de uma paz
que se acha no meio da vingança,
de um preguiçoso
que se acha no meio da revolução,
de um pacífico
que se acha no meio da destruição,
de uma penúria
que se acha no meio da penúria,
de um estranho
que se acha no meio da amizade,
de uma gota de água
que se acha no meio do deserto,
de uma grito
que se acha no meio do silêncio,
de uma realidade
que se acha no meio do impossível,
de um amigo
que se acha no meio da solidão,
de um hipócrita
que se acha no meio da crítica,
de um barco
que se acha no meio do fundo do mar,
de uma revolta
que se acha no meio da opressão,
de um segredo
que se acha no meio da descriminação,
de uma excepção
que se acha no meio do óbvio.

Palavras minhas onde tu és achado,
descrevi a minha vida e a minha pessoa.
Somos mais iguais do que diferentes,
não há tu e eu e outro e aquela, há nós,
por isso ouve com atenção:
quando falo uso a nossa voz.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pena Da Morte

Com as circuntâncias que foram apresentadas, perdoaram a minha cumplicidade de um crime muito antes de ser practicado. A maior confusão é dar resposta à pergunta: "De quem é culpa?". Bem, terei eu de resolver os meus (que não meus são) problemas sobre caminhos do qual nunca pus o pé ou poderia eu desprezar esses que me amam e influenciam vendo-os a cair na desgraça todos os dias (se não fosse eu humano nem pertencesse à Vida) ou os que estão à minha volta e conhecem tais votos pela minha boca não vivendo a história (mas uma história contada nunca é sentida) e darem abraços e dizerem frases que não animam gentes de lágrimas. Não é assim tão matemático, mas certamente há esperança ou alguém teria morrido e, se existe esperança quer dizer que algo ainda pode ser feito. Então, eles, pensando que mais nada poderão fazer têm somente pena. Ter pena é dar uma pistola a uma criança porque ela quer, é dar uma moeda a um mendigo em vez de arranjar-lhe trabalho, são meras atitudes, não actos...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Viver É A Nossa Causa - Revolução Individual

Saio de casa
à descoberta dum novo caminho,
de mala às costas,
vou sozinho,
com uns pares de cadernos e canetas,
não levo a minha pessoa,
memórias ou outras tretas.

Na direcção sem destino,
nesta aventura conquisto
o que não tenho visto,
como quando era pequenino
que não via acima da minha altura,
agora, ver para além do limite,
viajar na vida é a minha cura.

É fazer uma pausa
- viver é a nossa causa -
estar acima do que nos foi incutido
e elevar o que realmente tenho vivido.

Não tenho substantivo,
chama-me o que tu quiseres,
é-me completamente relativo.

Sem minutos, horas ou dias,
gosto muito de estar aqui,
tiremos uma fotografia para ti
que vou pôr-me nas vias
que ainda não vivi.

Em cada cidade ou aldeia,
saio com nova muda de roupa:
entro estranho, saio amigo,
mas sempre de uma nova maneira.

Sem objectivo para o futuro
sem lembrar o passado
mas sempre viver o presente
e assim me vou tornando puro.

Não ando a fugir à tortura
nem ao fisco,
até porque nestes novos tempos
nem sequer me apelam de Francisco.

O planeta roda,
sou uma célula nele perdida por aí
sem saber quantas vezes o planeta rodou
ou o que anda a acontecer e o que já mudou.

Tudo o que sei é de mim,
as pessoas que conheci,
os lugares onde dormi,
menos o tempo que já vivi.

Na minha mente já passou tanto tempo
que tenho de fazer um esforço
para me lembrar de cada momento.

Um dia voltarei ao meu lar,
com um diferente olhar,
mais crescido, mais vivido,
como assim era no início
em que se dizia que viver
era um vício.

Não é remédio, é a cura
para uma vida rotineira,
para quando te sentes uma máquina,
tudo o que fazes é de mente apática
e não aproveitas nada à tua volta
porque andas com a mudança automática.
Tomas logo partidos,
a desconfiança torna-se guarda-costas
contra os desconhecidos
e nem sequer sabes se deles gostas.
Foges do amor com medo da dor
e depois dizes que o mundo é escala de cinzentos
mas nunca tentaste encontrar uma nova cor.
Nem sequer pensaste nisso,
não estás num funeral,
assim sem razão,
manda mas é vir dum riso.
Não é sono, é cansaço.
Não é calma, é cansaço.
Não é por favor, é cansaço.
Não é passividade, é cansaço.
Não é tolerância, é cansaço.
Aproveita agora para dar mais que um passo
porque quando eu estiver mais descansado
vou fazer de mim o teu fardo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cidadãos Queixosos Incompetentes

Não me tratam como ser humano
nem sequer me sinto em Portugal,
um país desenvolvido?
Só se for para os ricos
porque aqui os da penúria
nem sequer têm chance,
se arriscam levam com uma série de bicos.
O problema
é que os que sentem
ficam sentados em vez de se levantarem
e gritarem que não gostam.
Nem sequer há a união,
todos se encostam.
No discurso todos levantam a mão
mas quando saiem vai cada um para seu lado.
Dizem que não percebem de política
mas os seus votos podem ser-me um fardo.
Depois claro se me revolto
dizem que a minha mentalidade está paralítica.
Mas para chegar a esse estado
é porque o corpo é escravizado
e quem é o culpado?
O povo calado.

A Minha Guerra Mundial

Revoltado,
em guerra com o mundo,
nesta minha trincheira
onde não deixo ninguém entrar
pois o inimigo entrou
e tentou me matar.
Estou seriamente armado,
choro por estar tão irritado,
as lágrimas não me deixam ver,
já estou a diparar para todo o lado.
Em guerra com tudo e todos
a vomitar os nervos de nojo
que tenho desta sociedade
por não ver a Humanidade.
Cada tiro é um grito,
louco por cada disparo,
sou um ser humano,
é subvivência, deixa-me frito.
Há quem mostre um branco pano
mas eu não sou de deixar-me ficar,
não vou desistir, com sangue ou suor,
sozinho, vou continuar a disparar.

Descobrimentos: Novos Lugares, Novas Pessoas

Peço licença, menina,
para caminhar consigo
nesta calçada.
Não para estarmos juntos,
só a quero acompanhar
nesta caminhada.
Prometo não a abrandar,
vamos construir uma nova estrada
com o que a menina quiser,
novos horizontes,
novas pessoas,
novos lugares.

Deixe-me fazê-la rir
sabe, olhos diferentes
trazem algo para descobrir.

Peço perdão, minha senhora,
dá-me a sua mão para dançar?
Ria-se comigo na dança da vida
e veja no alto da felicidade,
aprecie no pico desta montanha
o que não viu na cidade
em que a menina anda.

Descubra a harmonia da Natureza,
vamos correr no meio dela,
ver animais, plantas
e tudo o que a torna bela.

Não pergunte quem sou,
faça da minha pessoa
a sua imaginação.

Esqueça as perguntas,
deixe-se levar,
vamos sentir o que é viver,
hoje conquistamos
o céu, a terra e o mar.

Aproveite este sonho
porque quando acordar
vai ver que foi uma ilusão
e que eu não vou voltar.
Estou sem inspiração,
já não sei o que fazer,
leio o que já escrevi
e não me estou a reconhecer.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Lutadores E Soldados: Novos Reforços

Acredita e tornarás possível
mas sê realista no teu sonho para seres credível.
Porque quando ganhas o poder da palavra ninguém te pára,
mesmo que para ti a factura seja muito cara.
Acredita e torna-o real,
porque à tua maneira conseguirás mudar o que sentes que está mal.
Faz-te ouvir, fala com alma de honestidade
e não precisas de morrer como um mártir.
Insiste vezes e vezes sem conta
e não desistas que senão começar foi em vão.
Acredita em ti mesmo e confia-te,
na rua verás como o sol brilha.
Luta para chegar à meta,
eles que digam que é uma ilusão,
mas para ti tem de ser sempre concreta.
Dispara, bate e espeta sem usar nenhuma arma,
luta com todas as forças que, de trunfos, terás o karma.
Não imponhas nenhuma condição à tua vida, ama-a,
leva-a para a cama, deita-te com ela e acorda com ela,
tudo é possível, é a única condição que tem e que a torna bela.
Não jogues com olhos fechados,
se chorares faz de olhos abertos
para que alguém sinta os teus apertos.
Não desistas,
se não tentares mais uma vez não conquistas.
Se te sentires na escuridão,
usa a Natureza à tua mão e ilumina a solidão.
Vê-me, eu, que costumo escrever sobre coisas más,
agora escrevo a dançar e a sentir a música,
com forças de confiança sei que sou capaz.
Sou novo, há muito para descobrir
e por não conhecer as opções todas e ser ignorante
não desisto enquanto não encontrar as curas
de tudo o que me está a ferir.
Parece que faço a revolução toda sozinho mas não,
sei que há muita gente que sente o bater do meu coração,
que nunca leram este poema e dão-me toda a razão.
A toda a malta que se sente numa grande confusão,
um abraço do Francisco Sarmento,
que vos diz que o dia não está cinzento!

Viver Para Morrer - Subviver Sem Viver

Se a vida estiver torta
te garanto que irei pô-la direita
porque acredito que existe sempre a opção de viver.
Isto, em termos de finanças está muito complicado
mas ser escravo do dinheiro, humm....
prefiro morrer a gitar do que sobreviver calado
porque não me vou afundar numa falsa bóia,
vou construir uma caravela e vai-se afundar no ar
para que todos assistam que toda a tolerância
de todos esses egos me lixaram com a sua ganância.

domingo, 1 de maio de 2011

Memórias Dos Velhos Tempos - Outros Tempos

Numa tarde de sol,
junto à janela da sala,
uma cadeira que baloiça
e uma música que embala.
Lendo um livro de 1963,
com os antigos óculos de ler,
sozinho, na minha plena casa.
Era hora de adormecer
para a minha cadela Rifa
que ao meu lado se deitava.
Ela lá durante o sono espirrava,
era do pó no ar da alcatifa.
As paredes da sala de estar
eram armários de prateleiras,
cheias de livros que herdei,
que me faziam viajar.
Bons tempos passei
durante a minha reforma,
anos assim foram
aos quais nunca me fartei.

sábado, 30 de abril de 2011

Aos ignorantes que não querem saber da política, vão à merda.
Aos que votam pelo que tem mais lábia, vão à merda.
Aos que roubam sem necessidade, vão à merda.
Aos que não querem saber da História da nossa Pátria, vão à merda.
Aos que nos chulam, vão à merda.
Aos que nos descriminam, vão à merda.
Aos que nos querem exterminar, vão à merda.
Aos que dizem não ter tempo, vão à merda.
Aos que não arriscam, vão à merda.
Aos categorizados, vão à merda.
Aos da massa, vão à merda.
Aos que não descrevi aqui, vão à merda.
Vão todos à merda
e depois de estarem todos na merda
digam-me se não se preocupam por quem nos anda a escrever os nossos destinos.

P.S.: Àqueles que continuarem desinteressados façam um favor à nossa História: suicidem-se. Agradecemos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os Verdadeiros Artistas

São insatisfeitos e felizes,
sonhadores feitos de conquistas
entregam-se à luta árdua
e nunca se deixam incapazes.
Eles são obras da Natureza,
dispertam a luz das mais cegas vistas
pois artistas brilham quando fazem arte,
santos superiores e inconsientes da sua beleza
e pela arte que amam,
quando não florescem
sentem dores de cabeça,
frustração pela mente presa
mas não desistem,
esses artistas que fazem do que são,
almas humanizadas, concerteza...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Virgem Da Morte

Não tinha percepção da vida
e para me tornarem homem deixaram-me numa situação fodida.

De ti só me vou lembrar da tua pessoa
e da tua morte que me deixou à toa
porque ontem estavas de boa saúde
e hoje deixaste-me a gritar por alguém que me acude.
É chocante quando vemos alguém partir de repente,
estar à frente daquele corpo que abraçava,
antes, dizia presente, agora... amava,
vejo rastos da sua alma na sua cara sorridente,
um aperto tão grande por me sentir imputente.

Raiva e ódio dessa morte egoísta,
que não nos deixa despedir,
que leva as almas sem nos avisar,
que assim do nada risca o nosso nome da lista.
Nada mais posso fazer por ti a não ser chorar,
continuar em frente e um dia, talvez, vá ter contigo.
Não consigo dizer que estás a olhar por mim,
não quero a tua morte no meu umbigo.

Se me estiveres a ouvir,
só te quero desejar uma boa morte,
como tua tão boa alma não há-de mais vir,
espero ter eu a mesma sorte.

Os Nosso Vizinhos, As Nossas Guerras Frias

Entro no autocarro, pessoas sérias,
parecendo estarem descontentes
parecendo estarem cansadas,
fingindo serem indiferentes
como se não passasse nada.

A menina sentada sorri para o telemóvel,
querendo fugir ao tempo real:
um autocarro do funeral.

O homem da gravata está direito,
até demasiado, cara de homem,
rapazito é com medo de ser tocado.

O silêncio é de morte,
pessoas olham pela janela fora,
à espera de ir embora.

O autocarro leva todos os dias
as mesmas pessoas e pelas mesmas vias,
eles partilham tempo e espaço
e não se conhecem,
vêm e fingem que se esquecem
dos seus vizinhos...

Ó grande guerra fria,
são estes meus vizinhos estéris?
Porque se perdeu ao que fora um dia
e que agora morreu?
Onde estão as cores
que fazem renascer as nossas flores?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Apetece-me escrever, não sei o que escrever mas como estou com vontade de o fazer vou simplesmente escrever.
Não tenho tema.
Já tenho tema, o meu tema agora é não ter tema. O facto de não ter é que provavelmente este texto não vai ter um grande sentido se não satisfazer o meu desejo de escrever.
Estava a contar quantas vezes já escrevi a palavra "escrever" e com esta vou em sete. Normalmente costumam dizer para não repetirmos a mesma palavra desta maneira mas o facto é que estou a escrever para satisfazer este desejo louco ou maluco ou até mesmo esquizofrénico. Esquizofrénico sim, porque me faz lembrar a palavra "frenético", o que vem mesmo a condizer com este texto em que escrevo freneticamente a palavra "escrever", é claro que não estou a fazer nenhuma obra. Na verdade estou a sentir que este texto está muito simples e algo parecido com vazio mas não estou minimamente preocupado, se for preciso ponho umas florezinhas e pinto o texto só para parecer "cool" ou "fixe" ou outra palavra estrageirista com um significado parecido com um tacho a cheirar a comida mas está vazio.
Sempre que ponho um ponto final e um parágrafo quer dizer que acabei um pensamento e fico à espera do próximo, sem pressas.
Neste momento estou à espera de um outro pensamento, enquanto não surge vou escrevendo esta ideia, às vezes escrever coisas sem sentido originam algo, como não está a acontecer agora.
Bem, já estou satisfeito, só escrevi estupidez.
Um abraço e até à próxima.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Simplesmente Nada

Adeus,
não moro na Amadora,
não fumo,
não tenho 17 anos,
não sou pobre,
tenho água,
tenho eletricidade,
vou onde quero,
faço o quero,
visto o que quero,
não dou valor à amizade,
a minha família não tem problemas,
não tenho esperança,
sou fútil,
sou um inútil,
sou insensível,
tenho um emprego bem seguro e bem pago,
não tenho sonhos porque já os concretizei,
não tenho sequer um problema na vida,
não sou poeta,
enfim,
não me chamo Francisco
e não me orgulho disto
nem luto para melhor.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Sonhadores No Meio Da Guerra

O livro que tenho escrito,
nasceu de um líder de uma ditadura,
nasceu de uma escrava sonhadora,
nasceu, e já havia na terra o orgulho másculo,
nasceu, e já havia na terra o ódio feminino,
nasceu no meio da guerra cujo o sangue foi oprimido.
Criado pela violência física do homem,
criado pela violência psicológica da mulher,
criado pelas festinhas da inveja e do ciúme,
criado pelas falsas bocas,
no entanto, foi criado sozinho,
escravo do sonho e da ilusão,
pois uma criança que não pode crer no real,
vira as costas e cai na desilusão,
porque concerteza lhe faz menos mal.

Fazendo Viver

O próprio pessimismo,
quando abraçado pelo amor,
brilham os seus olhos de lembrança
da felicidade que vive e viveu desde criança.

Momentos esses que não têm tempo,
pois tempos ninguém se lembra,
por ser profundo o momento
mais no coração do que na memória.

História essa não é escrita,
mas dita por uma boca convicta,
pois certeza tenho que a vivi
ou me não chamaria vida.

É certo sim,
pois dizem ter certeza da morte,
e o que é a morte sem a vida?
Então vivo, é certo,
como humano que sou,
como tudo o que vivi passou,
como sinto o que quero
e só por isso,
dou vida e realismo a tudo o que venero.

Sou feito dessas crenças
pois nelas me fio ao tomar opções,
desde que acredite e saiba responder
quando trazem dúvidas e questões.

Esta minha juventude de descobertas
as perguntas são demais
e as respostas não são certas.

Todas as minhas certezas
foram por mim achadas
e as certezas dos outros
somente me são relacionadas.

Só serei adulto
quando estiver construído o meu culto,
e por não o ser,
vou pensando a experimentar
para o meu ser eu achar.

No entanto,
quando tiver filhos e mulher,
juventude, parte do meu ser,
em mim vai continuar,
pois pelo significado que lhe dei,
jamais a deixarei de amar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ignorantes Tolerantes

Ver alguém a chorar e dizer que há alguém bem pior,
que não vale a pena chorar ou sofrer,
para se conformar com o que pode estar melhor,
olhem só a Cinderela, a madrasta dela também dizia o mesmo,
até que apareceu uma fada mostrando que essa frase era nada,
que piada, as crianças que a viram, agora adultas/máquinas levam esta chapada,
por deixarem de lutar porque nunca se puseram a pensar
sobre o que está mau e pode-se melhorar,
pois só a morte não se pode mudar,
eu até duvido que não dê,
não há conhecimento que diga ser impossível,
no máximo dos máximos pode-se dizer que é plausível
e eu não aplaudo à tolerância ignorante,
porque teorias dessas não fazem a prática,
muito antes pelo contrário,
números são da matemática
mas foram vidas humanas que os escreveram.
E de estatística não nos puseram a todos,
ou era duvidosa ou se esqueceram.
E os fatos que se fazem da nossa voz
não nos entendem porque nunca viveram a vida de todos nós
mas no entanto escrevem a nossa Constituição
e acabamos por ficar para último,
sendo nós a solução remediada,
injustiça, silêncio e escravidão.
Maior parte dos povos que lessem este poema
diriam que eu acertei na descrição deste tema,
mas o facto é que não fazem a revira-volta,
é esta a hipocrisia que me revolta,
estão sempre à volta na mesma rotunda,
dizem que é por medo
mas eu prefiro erguer a minha razão
do que estar sempre a olhar para o chão e ser corcunda.

Anedota Incompreensível

Tenho andado a nadar em sonhos e ilusões,
afogado por pedras agarradas às desilusões
que me afundam para debaixo de água,
onde o silêncio das memórias à nossa volta
como quem se aproxima da morte
cujos os pulmões asfixiam cheios de mágoa,
num mundo completamente aparte, submerso,
onde são poucos os que saem dispersos,
vivos como eu para escreverem novos versos,
versos ou uma cana de ar, como lhe quiserem chamar,
sei que dos poucos que chegaram à superfície
muito poucos não se atiraram do precipício
e desses poucos só um é que compreende o que estou a dizer,
sou eu, é tão insano e macabro que até parece fictício.
Pois então, há que se entreter no meio da solidão,
e eu e a minha consciência sentamo-nos e começamos a conversar
para tentar arranjar uma solução
mas não passa de um desvio da escuridão
visto que chegámos a nenhuma conclusão.
Ando tão perdido que descrevi o que não era o meu objectivo,
estou baralhado, penso demasiado mas é só metade do que sinto,
o que é que eu posso dizer?
Sentir é viver.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Para Ti, Minha Mãe

Eu acredito, por acreditar escrevo
e tenho esperança que alguém pegue no meu papel da mesma maneira que o peguei: com alma.

Deixa-me acreditar, pois certezas não as consigo sustentar,
deixa-me sonhar para fugir às realidades de luzes fundidas,
deixa-me parar, não quero me desorientar,
abre uma porta e mostra-me o que está do outro lado dela,
necessito de algo novo, algo que eu possa estranhar e descobrir,
não me deixes desistir, se eu chorar dá-me uma paisagem para sorrir,
não me proíbas nem obrigues, deixa-me aprender a andar,
cair faz parte da aprendizagem, não quero passar a vida a gatinhar.
Deixa-me cair na solidão para me lembrar que tenho amigos,
dá-me uma oportunidade, se eu falhar, dá-me mais chaves,
porque se calhar esta chave não pertence nesta fechadura.
Dá-me esperança, sem ela não posso lutar.
Dá-me zanga, para me lembrar que há alguém que continuo a amar.
Se eu morrer, não deixes a minha alma sofrer,
que morra somente o meu corpo, se me vires morto com um sorriso
é porque a minha vida foi um álbum de fotos que quando eu abria sorria.
No final saberei que o que tu me deste foi quase nada,
que toda a minha vida, minhas conquistas e meus falhanços,
foram pedras que eu próprio pus na minha caminhada.

sábado, 9 de abril de 2011

Dedicação Ao Meu Irmão João

Este é o João,
o lutador que faz de mim um guerreiro,
a pessoa que sempre me alegra ver,
o sonhador que me faz brindar a vida,
o estilo que me faz sentir foleiro,
a vida que estou sempre a aprender,
a luz que me deixa com os olhos a brilhar,
as lágrimas que me dão revolta,
o sorriso que me faz atrofiar.

O meu irmão é-me divino,
consegue transformar-me em assassino
que faz fugir qualquer cretino só com o olhar.
Se os políticos estiverem contra o meu irmão
eu queimarei a Constituição,
e vocês dar-me-ão razão
pois eles estarão contra os bons da população.
Aqui fica o aviso a quem lhe tocar,
não se metam com ele,
é que a seguir venho eu
para fazer perguntar quem é que morreu.
Ele é tecido do meu coração,
se me o tiram transformo-me em morto-vivo,
tornar-me-ei vingativo e provocarei a destruição
que os exércitos nunca conseguirão.
Vocês sabem como é o manbo,
atrás de uma grande pessoa
está sempre um grande invejoso,
atrás do meu irmão estão cem,
dele sinto-me orgulhoso!

->[Estas palavras não são só minhas,
são de todos os irmãos,
porque quando vemos o sofrimento do irmão,
tentamos satisfazer a revolta com o fechar da mão.]<-

Quem ele é? É mais que alguém.
Alguém que me dá ar para gritar
o nome de quem precisa e não tem.
Ele é o Pypoka,
aquele que dá-me uma lição de vida
tão grande que até fico com uma ganda moca.
Ele é adrenalina que escorre nas minhas veias
que entra na minha pulsação
quando as coisas estão muito feias.
Ele é músculo das minhas pernas
que me faz andar com segurança.
Ele é a esperança e a luta
que me faz cuspir a fruta
quando tenho o direito a ter melhor.
Faço continência a tamanha experiência e inteligência,
este é o meu hino do meu homem-mor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Gritos Loucos - Desabafo

Estou farto de não ser uma pessoa, mas uma consequência, estou farto de ser um número, um caso e não uma vida, estou farto de gritar e a minha voz ser abafada. Estou farto de dizerem que acham bonito o que digo e escrevo mas não lutam. Estou farto da miséria que as leis me entregaram, estou farto desses tribunais sem justiça, estou farto da amizade inimiga, estou farto da incompetência dos humanos e da sua democracia falsificada, estou farto dos que se queixam e têm mais do que eu, estou farto de ver pessoas que conseguem comer enquanto vêem na televisão outros a morrerem, estou farto do dinheiro que só traz problemas, estou farto do meu vizinho que me rouba, estou farto das pessoas que não valem a ponta de um corno. Estou revoltado com esta merda toda que só me lixa a cada dia que passa. Não há Humanidade, não há amor, não há compaixão, não há alma, não há fé, não há luta, não há confiança, não há inteligência, não há consciência, não há nada que eu me possa orgulhar de ser um ser humano, pois são estas as merdas que escrevo nos meus poemas, que tento que as pessoas me leiam uma vez que não me ouvem, mas dizem que gostam e eu não vejo nada a mudar. Estou farto de não ser levado a sério. Estou farto de estar farto e a partir de hoje, eu não irei desculpar, não irei tolerar, não vou morrer nem criar uma bomba, para que me ouçam, para que mudem. Se eu não conseguir, o próprio tempo vos dará prazo. Eu sou vítima, e quem é o culpado? Eu próprio por não mudar um planeta que já gira sem sentido? Aqueles que sem se aperceberem, ao escreverem as leis escrevem o meu destino? As amizades falsas? A família na lama? As lágrimas que não passam disso? MAS QUE PORRA DE BURACO É ESTE QUE VEJO NO CHÃO ONDE DURMO?? Que portas fechadas são estas que não me deixam escolher?? Que vida é esta sem água?? Que apatia é esta que me rodeia?? Que egoísmo é este?? Que gentes são estas que não têm personalidade?? Que humanos são estas que não têm consciência que nos matam?? Que desumanos nos transformaram iguais a eles?? Quem me roubou a vida antes de nascer?? Que sociedade é esta de egos e umbigos?? Que dinheiro é este que afasta as estrelas?? Onde estou? Não entendo...
Será que sou único que sente esta merda? Sou o único que está mal na vida? Sou o único que nasceu para morrer sem viver? Sou o único que está farto? Sou o único que já nem quer ver notícias? Sou o único que nada contra a corrente? Sou o único que sempre que abre os olhos chora? Sou o único que sonha desilusões? Foda-se!!! Estamos todos na merda e ninguém luta?? Mas para que é que o planeta gira se não existimos?? Qual é a importância de querermos ser se não podemos?? Para que raio escrevo?? Porque não nos matamos todos?? Já nem sequer existe alma!!! Quem nos roubou a alma?? É essa a pergunta... Quem nos robou a alma...

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Santinho

Dia santo, santinho dia
que eu acordei e não adivinhei o que viria,
qual o tempo que estaria em cima de mim.
Seria sol ou inverno?
Chuva não foi, a música não pingava,
apesar disso havia sempre aquela nuvem que ameaçava
mas a luz do sol não deixou,
inteligente foi pois não bazou.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Manifestações

Venho, venho à rua porque já estou farto,
farto de trabalhar demais e o dinheiro não chega ao final do mês,
farto de ver o outro bem na vida e eu não encontrar comida para os meus porquês.
Ergo, ergo a minha voz bem alto nas manifestações,
não os conheço de lado nenhum mas estamos unidos pelas mesmas razões:
obrigar os culpados e criadores destes problemas a encontrar soluções.

Vejam, vejam a união do povo a acontecer,
os soldados da vida que querem viver,
soldados da vida que não querem sobreviver,
isto é a democracia a acontecer.

Venho por este meio informar que o povo vai se manifestar,
na Avenida da Liberdade vai marchar,
e vocês, senhores, não têm alternativa
porque não há Pátria sem povo
por isso é bom que agente viva.

Manifestação, na Pátria bombeia o seu coração.
Manifestação, o povo e a sua união.
Manifestação, o voto da razão.
Manifestação, o silêncio está fora de questão.
Manifestação da voz do desempregado que não consegue emprego,
da voz do que trabalha demais e recebe pouco,
da voz do que não tem dinheiro na mão,
da voz do que estuda por um sonho que se torna desilusão,
da voz do que encalhou só lhe resta ficar louco,
da voz do que nem sequer tem água,
da voz do que não tem voz...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Fui acusado de viver para os meus poemas,
fui acusado de viver sempre dos mesmos temas,
mas essa gente que me acusa nunca foi poeta,
porque enquanto a comida dá vida ao corpo
a tinta e o papel dão luz e vida à minha alma,
não sabe que cada poema que escrevo me completa.
Escrevo com toda a minha solidão,
é uma conversa que tenho comigo.
O meu sentimento é de ante-mão,
por isso escrevo o que sinto,
e com o desenvolvimento da reflexão
sentir torna-se mais profundo,
por isso sinto o que escrevo.

domingo, 20 de março de 2011

Ao fundo do túnel há uma luz, é a lua, caminho em sua direcção para mergulhar nas estrelas, sonhos que durante a noite fazem acordar-me e perguntar-me porque é que ainda não adormeci, serão a inconsciência conscienlizada interligada à realidade que não percebo o seu significado e digo que é a vida? Serão recordações que não quis deixar colado no álbum e agora são fantasmas pálidos, iluminados pelo sol da noite? Será o stress que me ataca as veias do nervosismo? Serão falhas do meu cérebro que não quer descansar? Ou não será e eu tenho sono mas não quero dormir? Será que estava a organizar a minha cabeça e fui acordado? Será que foi a luz artificial que entra na minha janela? Será que é a minha cama que está sozinha? Será que fugi à minha rotina nocturna e nem me apercebi? Será que dormir tornou-se um tédio? Será porque eu estou ébrio? Será que não será mas foi? Então o que foi? Foi porque perdi um milésimo das vinte e quatro horas que tinha por dia? Foi porque não escrevi? Foi o que não fiz e devia ter feito? Não fiz a minha cama? Não fiz o jantar que queria? Não fiz a viagem que queria? Não falei com quem queria? Não fiz o queria? E o que é que eu queria? Queria o que não tenho? Queria o que tenho mas mais? Queria o que o outro tem e deixa-me a roer as unhas? Queria para quê? Para ter? Para não dar valor? Para dizer que tenho? Para perder-me em moedas falsas e egoístas? Para ter um carrão sem saber conduzir? Para ter um casarão e viver sozinho? Para ir para o céu e mergulhar nas estrelas? Mas que dinheiro compra as estrelas do céu? O dinheiro da minha espectacular mente que me leva à lua não precisa de moedas e todas essas merdas! Um pequeno momento, um grande sentimento, ilusão...

sábado, 19 de março de 2011

Obrigado E Até Daqui A Nada

Obrigado por marcares a diferença
defendendo a tua luz natural
pois nesta sociedade de luzes artificiais
tu elevas alto a tua presença
lutando pela tua moral.
Obrigado por não seres mais um
daqueles que diz que vai fazer
e fez tanto o quanto fez depois de morrer.
Obrigado por ergueres a tua voz,
votares na tua pessoa
e estares um passo à frente,
com a maioria da mesma cor mas tu és diferente.
Obrigado por escreveres o que sinto e senti,
identifico-me tanto nos teus escritos
que parece-me ter sido eu que escrevi.
Agradeço-te,
estou farto dessas gentes que querem ser protagonistas,
tão homogéneos, tão estereotipados, grandes pseudo-génios,
não passam de marionetas desinteressantes e sem graça,
por ironia, são personagens-tipo de uma farsa.
A ti, que desenhas a tua pessoa nas tuas palavras,
que és diferente dos restos,
parecido com os diferentes
e igual a ti próprio,
um enorme obrigado!
Agora vamos escrever...

terça-feira, 15 de março de 2011

Vou fazer uma pausa,
o que era ar que enchia o peito, agora não passa de comida sem sabor feita para ser mastigada. Por enquanto vou deixar de escrever poemas, os meus perderam o perfume que formava sentimentos no meu peito... agora passei a escrever matérias, objectos, coisas somente físicas. Fartei-me desse poeta apático que detesto, sempre disse que não consigo viver sem escrever mas prefiro ser assassino do meu poeta do que ver um poeta nojento.
Até logo.

Francisco Sarmento.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Wanna Be

Choro de tanto rir
desses wanna be's que querem ser grandes
mas não passam de uma grande merda.
Wanna be fala tanto mas não diz nada,
quer mostrar que sabe mas é gozado.
Wanna be quer ser G sem saber no que se está meter
diz que faz mas acaba a chorar só de levar uma chapada.
Wanna be quer mostrar que é rico
mas é tão podre de alma que está sempre a sofrer.
Wanna be quer ter tanto estilo e faz por isso
mas faz à toa e acaba por ser motivo de riso.
Wanna be quer ser o centro das atenções,
acabando por fugir ao que é realmente,
não percebe que todos sentem as suas intenções.
Não tem definição, é nómada na amizade,
muda de personalidade consoante o seu redor
para aplaudirem o seu ego para se sentir melhor.
Não andou de chupeta quando era pequeno,
sempre à procura de protagonismo, nunca está sereno,
sempre nervoso, contando histórias falsas só para se chamar corajoso.
Palhaço fracassado deve ser a razão da sua existência
pois choro de tanto rir pela ridícula insistência.
Mas o que é que se pode fazer?
A vida há-de dar-lhes inteligência,
até lá quem gosta ri-se deles
e quem não gosta... paciência.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Evolução Do Meu Poeta - Alma De Pais De Bebés

No meu primitivo riscava folhas até se rasgarem,
não pensava, literalmente riscava-as e rasgava-as,
eram sentimentos tão naturais e básicos
que se exprimiam da língua universal:
riscos em cima de riscos,
tão simples ao ponto de se desprezar o porquê,
que só tinham uma interpretação:
são os batimentos do coração.

Desses riscos formaram-se linhas soltas,
concretas e abstractas ao mesmo tempo,
contraditórias mas verdadeiras.
Estava fechado, não queria ver-me,
por isso não escrevia mais do que uma frase.
Como não há nada mais forte e real que o sentimento,
a minha mão, totalmente descontrolada,
possuída, como que tivesse a sua vida,
começou a escrever-me e a descrever-me,
e eu, com tristeza, angústia e pura raiva,
escrevia com a minha mente antes da tinta aparecer.
Nos primeiros poemas não aceitava,
eram espelho da minha alma,
rasgava-os, queimava-os, negava ser verdade.
Mas era teimosa a minha mão,
eu rasgava e ela voltava a escrever
eu voltava a rasgar e ela voltava a escrever...
depois de muitas voltas e re-vira-voltas,
foi então os meus olhos viram de maneira diferente,
em vez de regredir comecei a ir em frente
e em vez de negar, comecei a sorrir.

Agora, há partos meus dolorosos,
mas enquanto não parir não descanso,
de vez em quando, são sensibilidade duma jovem,
criança na sua essência,
outras, sai-me um bruto de um rapaz,
que vem ao mundo criticar as atitudes más.
Sou tão ignorante esperançado da inocência,
são meus partos, algo que me apraz.
Este é o crescimento contínuo do poeta que sou,
por um poema são lágrimas que dou,
mas dá-me alegria de os ter visto a crescerem.

Eu, Árvore

Uma árvore começara a crescer,
das suas raízes da casa,
do seu tronco de história influenciada,
pelos seus ramos de pensamentos,
das suas folhas, da personalidade,
e das suas flores, que largam pólen,
dependendo do ponto de vista,
coloridas ou acinzentadas,
podres ou por rebentar.

Como o Meu Sangue, Caderno Meu.

A minha vida foi dar vida ao papel,
era a única vida que tinha,
papéis em branco que pintei
até que um dia me cortei
e escorreu sangue, sangue meu.
Eu, sangue vivo,
sangue que caíra em papéis de desespero,
papéis de ódio,
papéis de felicidade,
papéis de revolta,
papéis de esperança,
papéis de vergonha,
papéis de amor,
papéis de criança,
papéis de alegria,
papéis de angústias,
papéis, papéis e montes de papéis.
Vivo desses papéis,
porque, por mais que os tente queimar,
esses papéis estão ensanguentados,
nunca hão-de se apagar...
Esses papéis,
desenhados por primeiros, segundos e terceiros,
são minha jovem alma...
Este papel onde escrevo
faz parte de um caderno
cheio de papéis desses que sou eu.

domingo, 6 de março de 2011

Estava concentrado ou se calhar distraído,
sei que quando olhei ela já me observava,
logo me despertou a curiosidade
de saber quem era aquele ser
que me fazia fixar o olhar.
Senti uma empatia,
não sei bem mas creio.
De belo ficou feio
pois ela levantou-se e foi-se embora,
deixou-me logo a pensar
será que ela irá voltar?
No dia seguinte ela lá estava,
mal entrei naquele café,
já me fixava,
nem me apercebi que eu ainda estava de pé,
era curioso,
o olhar dela não me deixava nervoso.
Observava-a num grande mistério,
sem pressa, dou ao tempo o seu critério.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Procura Sem Encontros

vejo pessoas nas suas casas certas.
Andando na rua,
procuro conforto para me aconchegar,
nova paisagem para apreciar,
espaço onde possa estar...

Procurar procurar procurar...
Neste poema de procuras
onde não se tenta encontrar.
Assim não encontro
pois os teus ouvidos de calados
são causa da minha procura
de irrealidades feitas para serem procuradas,
onde tu tão estupidamente nadas,
e magoas para tentares subir essas escadas.
Não me conheço,
não sei se sou,
não sei se tenho,
se tiver,
não sei a quem dou,
não os conheço.

terça-feira, 1 de março de 2011

Vida Paisagística

Nesta corrida da vida,
cada vez que chego a um horizonte
vejo outros mais e diferentes.
O meu está lá em cima
pois estou eu no meio de um vale,
deitado na lama,
olhando para esse horizonte onde vejo estrelas...
o sol... a lua... iluminando em mim o meu ser
e começo a subir antes do sol desaparecer.
Escureu, ainda não subi tudo
e a luz desapareceu.
Não posso viver o céu noturno
apesar da imensa vontade,
pois os meus braços já tremem
e se cair agora,
dias serão de movimentos em fragilidade,
por isso, e sem demora,
estico o braço, focando o olhar na pedra de cima,
mas não chego lá
e tento e tento e tento e tento
mas continuo cá e já estou sem alento,
por baixo não se vê o chão,
desfoco a racha da pedra
focando uma estrela,
escorrega uma mão,
vou caindo e mergulhando na escuridão.
A meio da queda agarro-me à parede,
pois para baixo conheço as fissuras,
voltando a subir, lutando sem desistir,
não sei o que me espera lá em cima
mas só espero que me deixe a sorrir...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Noites Da Natureza

Flores de cores variadas pintam a tela da Vida
nas terras do amor e da esperança
caminham os vivos à luz da estrela de fogo.

A harmonia e a paz soberanas erguem-se na Natureza
quando o sol se esconde no horizonte da cevada.
Cresce o brilho dos espíritos dos soldados
com o nascer a lua, gigante e iluminada,
iluminando o descanso das almas.
São multidões de perder a vista,
estão de pé, quietas e pacíficas,
sem expressão, olhando para a frente,
pombas brancas voam e pousam nas suas palmas,
folhas dançam com a brisa
à volta das estrelas da terra
que à vida tiveram de chamar guerra
sem dispararem nenhum tiro,
que lutaram sem dar um único suspiro.
Agora, transformam-se em luzes,
vão em direcção ao céu para serem estrelas,
confiantes nos nossos actos e atitudes,
apoiantes nas nossas crenças e esforços,
amantes nos nossos desesperos e remorsos...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Visões - Eu Imaginação, Nós Realidade

Renascer de uma nova visão
de um novo coração que bate,





















assim bate,





















bate sem parar,
bate com a leitura destas letras,
dos versos, deste poema que fala sem boca,
escritos por uma mão louca,
loucura consciente, sem fugir do real,
correndo para os braços da irrealidade,
da imaginação, da mentira honesta,
da qual tanto sinto que parece ser verdade.
Deito-me na cama, fecho os olhos
e começa uma nova viagem,
é de noite, o céu está nas estrelas,
a areia é fresca e a brisa também,
já mudei de miragem,
agora, estou em cima de uma nuvem,
sentado numa cadeira de praia,
a suspirar e a observar o sol a ir embora.
Mudo a paisagem,
agora ando a saltar de planeta em planeta
como se fossem pedras num riacho,
sento-me na Lua e com uma lupa observo a Terra,
faço desaparecer as armas numa guerra
com um estalar de dedos,
os soldados ficam confusos
levantam-se, olham à volta
e vêem o mal que têm feito,
casas destruídas, famílias em pânico a chorar,
crianças fuziladas, mães grávidas mutiladas,
pais com as suas filhas abraçadas,
os soldados apercebem-se do que fizeram,
choram e revoltam-se contra os seus superiores,
com um estalar de dedos,
ponho políticos a viver em pobreza extrema,
sem opção, sem escolha,
para sentirem na pele este problema,
eles sentem a desgraça
de dia para dia comer somente uma carcaça,
ficarem num dilema, dividir com o terceiro
ou verem-no morrer e continuar a ser interesseiro,
passam a discutir com alma este tema.
Um sorriso cresce, um suspiro de felicidade,
vou dormir que amanhã é uma diferente realidade.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Luz Do Soldado Da Vida

Como poderei eu ir lutar
se daqui a cinco minutos terei de ir trabalhar?
E quando chego a casa venho cansado
por ter vendido o meu corpo, troco esforço por dinheiro
para poder comer e ir trabalhar.
Já nem ligo a televisão,
estou farto de ouvir políticos interesseiros,
dessa corrupção imensa,
desse sistema que nos faz nascer com a visão distorcida.
E ao fim-de-semana, quando olho para o luar
e acendo um cigarro, pergunto o que vai ser da minha vida
e pergunto quantos sentem o mesmo.
Quantos sentem as injustiças nos tribunais,
estiveram à frente de um juiz
e essa máquina se esqueceu da sua raíz?
Quantos sentem as injustiças policiais,
que implantam sal na terra para não nascer plantas?
Quantos sentem a dor e a revolta do prego ignorante espetado pela sociedade?
Porque ninguém nasce para sofrer,
todos nascemos para viver.
Não é isso que vejo,
por isso dou meu sangue e meu suor
para acontecer um mundo melhor
que desde criança sonho e desejo.
Porque sozinho não consigo
ainda vou falando e passando a palavra
mas ela dissipa-se e quando estamos na merda
é que vemos o que está mal
O homem vive luxuosamente na terra
e o outro Homem permanece em guerra.
e não é de meu ser criar uma bomba,
rebentá-la no meio da praça
e assim muita gente tomba.
Mas mantenho a esperança que não se cala,
apesar de infinitas foram as vezes que me falaram da bala do silêncio
e dessas, finitas foram as vezes que fiquei mentalmente cansado,
revoltado e desesperado, por falar da razão e me quererem calado
e digo trinta mil ofensas em duas palavras: ignorante tolerante.
Vou continuar a discursar e a escrever destes temas sem parar
e quando um soldado bater na minha porta
vou expulsar um sorriso e passar à fase seguinte:
vamos lutar...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tenho um nó na garganta
que quer deitar lágrimas de tinta.
A merda já é tanta
só espero que não continue quando tiver trinta.
Ainda ontem tive a ver os meus poemas
e reparei que sobre mim são sempre os mesmos temas.
Eu até podia pensar que não tenho mais nada
mas são problemas destes que deixam a mente assada.
Já estou farto que me digam para não os pensar
isso seria se eu não fosse humano
e só esqueceria por momentos em momento bacano.
Amo, e por amar sofro,
mas não é nenhum abutre ou outro animal,
o amor tem destes momentos,
acabando por pôr à prova o egoísmo afinal...

(Des-)Respeito

O respeito pretendido pela violência
leva o nome a ser falado pela decadência.
Pode trazer medo e terror
mas acaba por ficar sozinho
achando, tu, estares no auge do esplendor
mas um dia acabas espancado
e quem te defende quando estiveres a sofrer?
A verdade é que o respeito só se encontra na personalidade
porque em questões físicas são todos da mesma igualdade.
Não vale a pena vires com bocas e dicas,
qualquer dia trincas a tua própria língua,
infiltra-se no teu sangue o teu próprio veneno
e de grandezinho passas a pequeno.
Queres respeito?
Então ergue o peito, não de ataque mas de defesa
e defende os teus ideais e a tua pessoa,
se não os tens vais andar sempre à toa,
colar-te nos pensamentos de terceiros,
e eles próprios que se colaram não são verdadeiros,
depois, quando te perguntarem porquê
tu dizes porque sim, porque é assim.
Cais na tolerância da ignorância,
pensas manipuladamente,
e sem te aperceberes,
eles roubaram a tua mente.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vida - Novas Perspectivas

Quando era puto olhava para o balcão,
aquele bolo que bem me sorria,
achava que era avareza
quando o pedia a minha mãe respondia-me pobreza.
Sonhava ser herói, só andar a practicar o bem,
nem pensava que teria de trabalhar,
que, para satisfazer as necessidades básicas,
teria de suar e sangrar.
Era-me indiferente as desgraças mostradas na TV,
a televisão era-me irreal, nem pensava no seu porquê.
Tinha tudo, nem precisava de esperança.

Cresci, deixei de ser criança,
comecei a tornar-me adulescente,
a roupa foi a primeira decisão pela minha mente,
apartir daí descobri a liberdade e a adrenalina,
desconhecia as suas consequências
e vivi de atitude cretina
por ter-me deixado levar pelas tendências.
No meu inconsciente a vida era um paraíso
e fazia merda sempre com um grande sorriso.
Mas de repente encalhei,
porque o dinheiro constrói um rei
à cultura da imagem,
mas imagem não é paisagem,
é pura miragem,
mas yah,
eu fiquei na pobreza,
perdi muitas gentes por sua causa,
quem queria saber de um puto que não marcava pausa?
Dei por mim destruído pela consciência pesada
descobrindo que a vida não é conto de fada,
até pode ser, mas depois é apresentada a conta.
Yah mãe, agora percebo quando dizias
que o dinheiro tem de ser estimado
não pela quantia mas pelo seu fardo.

Fui alvo de chacota,
um actor da TV famoso que tinha sido,
virara pobre, de repente já nada dava certo,
amizades, família e mais os olhares que me preconceituavam.
Já não sabia onde me virar no meio de tanta tristeza,
comecei a dar nas paças à procura da beleza
da vida que me atraiçoara,
como se eu tivesse tido opção,
e soubesse que esta vida me ía ser cara
pois o ser humano não tem como culto
uma criança fazer escolhas de adulto.
Já via sangue escorrer na minha mão,
os psicólogos chamavam-lhe depressão,
eu dizia que era doença sem solução:
solidão.
Estava numa grande confusão entre o assassinato
ou vender alma à morte em troca de um pacto,
ou os dois... mas... e depois?
Pois.
O ódio e amor tinham um ponto igual,
e quanto mais pensava nisso mais ficava mal.
Não havia coragem para enfrentar o amanhã,
já nem ía às aulas de manhã,
ficava sentado à espera do nada,
da pessoa que eu chamara mamã,
da outra que eu chamara irmã
do outro que chamara irmão.
No meio de tanta escuridão
pensava numa razão mas...
mais um dia passava
e eu me arrastava.
Saía com um sorriso,
mas foram mais as vezes que chorava.
Esta é a voz que foi oprimida da opinião,
tinha de gritar e espernear,
dar pulsação ao meu coração,
coser os tecidos,
encher a minha alma
dar cor à minha pele,
sarar feridas...

Cresci: jovem adulto,
comigo cresceu uma revolta
e com toda a revolta fiz revolução.
A vida é lixada?
Numa outra perspectiva,
ganhei, ganhei a qualidade da amizade,
e a consciência do seu valor,
ganhei o desprezo ao dinheiro
e a vontade do amor.
E então cresci como ser humano,
como pessoa, como homem,
como irmão, como amigo,
como desconhecido
e dei por mim um herói reconhecido
por quem me conhece,
vivendo com experiência e consciência,
sem esquecer-me da minha vivência
ganhar outra visibilidade sobre o mundo,
assim, à vagabundo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Poetiza

Poetiza, mãe das nossas gentes,
que acolhe os seus filhos de longa distância,
de diferentes estados e das Pátrias amadas.

Poetiza, a fusão das almas,
os que se descrevem e descrevem
e os que lêem e se lêem nos outros.

Poetiza, o berço das almas,
que tão desconhecidas são umas com as outras
mas se lêem com entendimento.

Poetiza, a junção do poeta com a poética,
mãe que nos alimenta a sede.

Poetiza não morre,
enquanto houver poetas não morre...

Amizade - Solstício Num Precipício

Agora corria sem parar
deixar o vento abraçar-me
e andar pelas ruas a pular e a gritar.
Agora, era capaz de fazer tudo,
e bem que faria com um grande sorriso!
Vou mas é fazer antes que se esgote,
a minha força triplicou,
agora que suguei todo os gás,
vou-te mostrar quem sou e do que sou capaz!
Olha para mim!
Tenho a capacidade de afastar as coisas más!
Percebes o que estou a dizer?
Senão entederes eu também não quero saber!
Não, espera! Estava a meter-me contigo!
Sabes bem que sou teu amigo,
diz-me o que te tortura...

Épah! Para isso não tenho cura!
Mas posso fazer esquecer-te disso por uns momentos,
e acredita,
grandes momentos que podes passar por esse mundo fora,
deixa isso, está na hora!
Não estamos nesse tempo nem nesse lugar,
vê esse estado de espírito que assim não resolve nada,
vem mas é comigo viver um conto de fada!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Capitalismo 0 - 99999(...) Sentimento

- Este vestido azul... -
"Não, este vestido é da cor do mar quando está calmo."
- ...fica a qualquer rapariga muito bem... -
"Não, este vestido fica bem com o amor de alguém."
- ...mas o seu preço era de ter muito cuidado. -
"Não, pelos bons que presenceasse o seu preço deixaria de ter significado."
- Achas que vale apena comprar? -
- Se realmente gostas, claro. -
- Não sei, é um bocado caro... -
- Com isso não tens de te preocupar... -

Descriminação - Perfumes da Sociedade Portuguesa

Como chegámos a este estado?
Descriminação em todo o lado,
pelo olhar, gesto e desconfiança.
"Foste assaltado? Eram quantos?
Nós seremos mais.
Estavam armados?
Nós estaremos e até demais.
Roubaram-te a carteira?
Eles vão-se arrepender e de que maneira!"
Violência quando era criança era só na TV,
agora, quando vou no metro,
além de ser vigiado, sou olhado,
e se os olhos fossem facas,
já eu estaria todo despedaçado.
Drogado, pelas minhas olheiras assim sou sustentado,
mas nas suas mentes nunca deram o avanço
de pensar que olheiras dessas são de cansaço e não de falhanço.
Pela maneira que me visto lançam-me estacas.
Mas são estacas com bicos nos dois lados,
porque se eles comentam é por estarem afectados.
Completamente manipulados,
não por conhecimentos próprios e contextualizados
mas sim por pensamentos incutidos,
não somos dos Estados Unidos da América,
"...é ali que vivem todos os bandidos..."
onde existe racismo e discriminação histérica.
Vão sempre para o pior em vez de darem outra hipótese.
E vou já provar, tu que lês isto és uma prótese,
se achares que me precupa o que outros pensam de mim,
digo-te que não é assim,
os outros em relação a eles mesmos é minha honesta preocupação
ou este poema não vinha do meu coração,
caso contrário sentir-me-ia um grande otário,
seria esquecer estes dezassete anos tenho
e quem me conhece sabe que não é dessa maneira que venho
a representar tudo o que há em meu ser,
aldrabar os meus poemas e deitar uma vida a perder...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cascas De Ovo - Para Galos (Cantares De Galos)

A imagem do estereótipo destrói da alma o seu valor,
querem dar paleta, mostrarem que têm cheta,
o único ritual que têm em comum é não terem opinião.
Vestem-se de igual com medo da solidão,
criam amizades falsas consoante o preço das calças.

Sujam os ideiais dos outros,
porque nem sempre um chunga é de confusão
e porque raio é que todos os betos têm de ter a mania?
Um encapuçado terá de ser ladrão?
E afinal, por ter um brinco ou cabelo comprido
já sou bandido ou sou de superioridades?

Porque é que os outros relatam personalidades?
Porque eu já vi dessa casca de ovo,
da tua brilhante pinta já não vejo nada de novo.

A imagem não tem valor,
e como diria o Valete,
é pura ilusão exterior.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tempo E Vida - Uma Carruagem

Há medida que o tempo avança,
avança o meu comboio, onde eu estou,
sentado, junto à janela.
De costas para o avanço,
vendo a paisagem que pertence ao passado,
ou de costas para o que já passou,
e olhar pela janela, à espera do que há-de vir,
ou apreciar o presente e sorrir,
dependendo do pensamento e sentimento que tiver sobre a situação.
As pessoas vão entrando e ficando conforme o tempo da interacção,
o desconhecido que entra e sai imediatamente,
a amizade que ao meu lado está presente ou inexistente.
Essa carruagem, o meu mundo em movimento,
que vai avançando enquanto envelheço, vivo e cresço.
Vou conduzindo-a conforme a minha opção
e aprendendo, erradamente ou certamente,
mas certamente dependerá da influência
da personalidade e consciência.
Há portas que não abrem a certas pessoas
que eu não deixo entrar pois assim ensinou a vivência.
Há luzes que estão fundidas,
são histórias que não ficaram resolvidas
e demasiadas luzes sem solução
deixa-nos desnorteados em plena escuridão.
Há em ti águas de mais, pobre Ophélia (...)
Tantas tristezas que passaste,
tantas ilusões que pensaste.
O Hamlet que te abandonou,
bem que o teu irmão te avisou.
E o seu pai, coitado,
fora inocente ou culpado?
A sua personalidade fê-lo enterrado.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Greve Dos Anjos

Hoje, os pássaros perderam as asas,
o céu ficou vemelho
e a chuva era sangue.
Hoje, as pessoas tinham olhares de morto,
os brancos eram pálidos como a neve
e os pretos eram eda cor da escuridão.
Hoje, o sol não nasceu,
a lua desapareceu
e as estrelas não brilharam.
Hoje, todos os animais cantaram a música da morte,
a eletrecidade desaparecera
e a Natureza cansada não ergueu catástrofes nem tempestades.
Hoje, os ratos mostraram-se em cima do solo,
as aranhas e as baratas emigraram
e as folhas e flores murcharam.
Hoje, as casas estavam vazias,
as ondas agitavam-se
e o planeta deixara de girar.
Hoje, vivi um pesadelo
e assim marquei ao mundo este selo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Política Sobrevivente

As estrelas estão lá durante o dia
mas pela rotina quem se lembraria?
Ninguém as vê, o sol é egoísta,
também à noite não há estrela que resiste,
porque a poluição luminosa diz que o dia presiste.
E tu, frustrado, queres descansar mas ainda não as viste,
a lua está sozinha, mas elas estão lá.
Pelos vistos os teus sentidos andam te a enganar,
e afinal nem acreditas, porque senão vês como vais acreditar?
No entanto estás com saudade
e procuras sempre nas mesmas janelas
em vez de ires para fora da cidade.

Acompanhante Do Rastejo - O Vício

Não tenho pulmão para respirar
e o fígado está a morrer
mas eu quero fumar
para queimar os meus pulmões e a dor...
porra, vou beber!
pois o fumo só mata lentamente,
bebo para esquecer a minha mente.

É automático,
estou demasiadamente apático,
a mão já levou o vício à boca umas vinte vezes,
nem me lembro de ter fumado,
provavelmente o copo é o culpado.
Desculpe, queria um abcinto,
para parecer que vivi sem me lembrar,
como um sonho ou pesadelo
e no dia seguinte acordo
e já estou a sentir que estou a perdê-lo.
Estou com ressaca,
já dá para ver que há coisas que não resolvidas pela paka,
mas eu também não sei o que vem a seguir à estaca,
pego a faca, encosto-a ao coração,
e ele bate como uma criança que se baba ao balcão.
A vida não dá perdão,
o que foi está para tráz,
o bico afiado já perfurou a pele,
e o sangue já escorre,
o futuro diz que não sou capaz,
é incerto e não é concreto.
Será hoje?
Hoje não, hoje, o coração não morre.
Amanhã será igual,
vai ser tal e qual,
basta um pequeno mal
e começa a questão infernal...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Suicídio - Desespero

Adeus ó mundo vergonhoso,
que eu agora enrolo uma corda ao pescoço
e atiro-me de braços abertos.
Não fujo, apenas desejo descanso,
e desta vez, não caio involuntariamente,
desta vez, caio, atiro-me conscientemente.
Ou não, se calhar sou louco pela minha mente,
julguem-me por esta minha vertente,
mas foram vós, nas vozes do silêncio,
que não fizeram nada quando me viram ausente.
Covarde não sou, estou a dizer a minha despedida à vossa frente,
não vos culpo pela vossa ausência,
sei que são inocentes pela vossa inconsciência.
Mas é tarde, o escuro não deixa ver
e o meu coração deixou de bater.
Procuro conforto na caixão da eternidade,
encarar uma outra realidade,
que não seja minha,
atiro-me, pois sei o que se avizinha.

A cara está pálida, já nem consigo ver-me ao espelho,
pois vejo lá um caderno escrito com sangue de um fedelho.
Não quero... estou cansado... fizeram de mim assim...
Os pássaros voam no oceano em direcção ao pôr-do-sol,
o planeta está a dar mais uma volta enquanto o meu corpo fica mole.
Deito-me sem nunca pensar que me vou levantar,
que as estrelas vão desaperecer,
que um dia vai passar e eu sinto-me a morrer.
Não tenho esperança, no deserto não vai chover.
Não quero, não preciso que me venham socorrer,
vou para Plutão, tão descordenado, com tanta confusão.
Não há razão, não é problema pois não tem solução...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Algo Se Passa - Sem Miolo, Só Carcaça

O desprezo, a frieza dos olhares
a descriminação do pensamento,
o desvio dos olhos, da frontalidade...
Onde há tempo para ser,
para sentir, para pensar e para viver?
O cansaço que se transporta no final do dia,
a vontade enorme de ir para casa dormir
sem energia para rir.
Para quê ligar a televisão
se nos falam da corrupção
e continuamos a sobreviver na mesma opção?
Tantas pessoas à minha volta
e continuo a não sentir os seus corações a bater?
Liberdade, onde moras? Preciso de me queixar,
que há algo que está errado e que me anda a matar.
Não, não falo da solidão da incompreensão,
não falo da escuridão de tantos que não dão a mão,
não falo dos outros da minha relação nem vice-versa,
não falo de revolução, a Natureza,
o humano perdeu a essência da sua beleza.
E quem nos tirou tal?
Fomos nós que criticamos sem moral?
Serão os que governam Portugal?
Nada muda continua tudo igual.

sábado, 29 de janeiro de 2011

À Luz Do Inconsciente

Corre desenfreadamente sem poder ver,
choca contra as paredes,
um turbilhão de sons gritam aos ouvidos.
Cai, cai num buraco profundo,
vai caindo... caindo... caiu, caiu bem no fundo.
É chão? Levantou-se, deu dois passos para trás,
foi a correr pela desorientação da escuridão
e pelo barulho abafado pela solidão,
bateu, partiu e passou, com sangue a escorrer,
não conseguia ver, era da luz intensa do lado de fora,
era o Sol, o calor, tudo se via agora,
via-se as chacinas inexistentes,
as cinzas que não lá estavam,
as pessoas influentes,
via-se um diário e uma caneta,
nesse caderno de folhas brancas sujas, gastas, rasgadas,
não havia uma única linha de tinta,
mas estava cheio de vida... sentia-se,
sentia-se pensamentos e sentimentos,
sentia-se amores e ódios,
sentia-se alegrias e tristezas,
sentia-se desejos e medos,
sentia-se sonhos e pesadelos...
no meio da rua construída por memórias
e pintada por emoções,
estava um espelho rachado onde me observava,
por momentos de tensões.
Ergo a mão para tocar-lhe,
desfaz-se aos meus olhos
e em minha frente está um caminho por construir.
Vou, o tempo leva-nos como um tapete rolante
que leva a sua clientela parada... adeus, vou dormir...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Bora lá fazer a puta da Revolução,
mandar os culpados para a prisão,
aqueles que querem tornar um luxo o nosso pão,
aqueles que mandam os douturados lavar chão,
aqueles que dizem que os pobres devem ir para o caixão,
aqueles que lixam o nosso futuro com a corrupção,
aqueles que nos enganam e influenciam mal a nossa opinião,
aqueles que abusam da nossa electricidade e nos deixam com apagão
e fazer, pela primeira vez no Mundo, Democracia em primeira mão.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Terras Portuguesas Sem Portugal

Durante anos ninguém quis saber,
houve quem avisasse que viria uma tempestade,
haveria um apagão se usassem demasiada electricidade.
Mas votaram nos símbolos da ignorância,
políticos que faziam promessas de circunstância.
O dinheiro nem era nosso mas gastámos
e ainda esfolámos o saldo negativo.
Na Assembleia, corromper era o objectivo,
tudo a desviar preços e dinheiro,
as leis sobre justiça nunca estariam primeiro.
Tudo se comprava,
media? Eu compro.
Justiça? Eu compro.
Liberdade? Eu compro.
Boatos? Eu compro.
Tudo estava em leilão,
para os políticos era o Monopólio da Ilusão.
Chegara a altura,
a tempestade destruía Portugal, e mal souberam,
eles roubaram tanta cheta quanto puderam,
esvaziaram os nossos bancos,
levaram as nossas empresas à falência,
culparam-se uns aos outros falando de consequência,
fugiram do País e levaram os Lusíadas para vender,
o orgulho ficara no passado agora que é só sobreviver.
Roubaram as cores da nossa bandeira
e fugiram mal viram que fizeram asneira.
A asneira foi terem sido descobertos nos seus furtos,
terem feito dos nossos monumentos salões de chuto.
O povo descobriu quando morreu a comer frutos venenosos
das sementes plantadas pelos gananciosos.
Não posso reclamar os meus direitos ou sou despedido
mas os deveres são sempre perseguidos.
É tarde demais,
os meus sonhos foram desgraçados
pois foram esses os votos dos meus pais.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Alucinação Naturalista

Esta moca é pesada,
quero dormir mas não consigo,
a minha mente quer ser libertada
do crânio que agora é inimigo.

Tremo... tremo tão intensamente,
pois a alma bate nas paredes do corpo tentando sair,
a verdade é que isto é da minha mente
coisas da pedra, é alucinante...
O que é real? Não sei e é isso que a torna interessante.

Este frio é de corpo fantasma sem alma
e o calor faz-me sentir estranho,
perguntando qual é a temperatura que tem razão.

A visão é possuída pela pseudo-perseguição
e não pára de me dizer que sou alvo da descriminação,
fico bastante irrequieto apesar da moca não deixar-me irritar.

Estou a andar sem sequer ver os meus pés a passear,
a mente balança quando a minha visão é escura e sinto o mundo a rodar
mas abrindo os olhos, tão destorcidos, vejo tudo no mesmo lugar...

mmmmmmmmmgygymmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmygggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggjummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhkllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllgfggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggggssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssscccccccccccccccccccccccccccccccccccc... (adormeceu com o computador a fazer de almofada)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Esta É A Carta Que Não Deves Ler

Não te posso dizer o que é pois o dinheiro não permite, o físico não permite, a mente não permite... a única coisa que tenho são estas palavras que lês e nem te apercebes que estou a falar de ti, dos teus belos olhos dos quais me fixo, dos teus lábios que desejo, da tua voz que me embala e da tua presença que, com a ignorância que tens sobre isto, me deixa nervoso, com as mãos nos bolsos e a olhar para o horizonte para não ser percebido. Um tema ao qual não consigo falar porque quando te digo olá tenho vontade de te dizer adeus e quando te digo adeus tenho vontade de te dizer olá. Sonho-te, crio a tua presença, assim, durmo sossegado, ando com um sorriso na cara pela rua e dá-me vontade de fazer nada. Sonhar-te implica desligar-me do mundo e da razão. E tu lês isto, do mais forte que tenho, palavras escritas, até gostas, até achas piada, até dizes que tenho jeito "pá" coisa mas... não te engasgues com o que vem depois: amo-te.

A Irmandade

Quando te chamo Irmão,
digo que estou contigo,
dou-te a minha Irmandade,
estás no meu coração.
Porque quando te chamo Mano,
é a alma que fala
e um amor que não se cala.
É despir o meu corpo e mostrar-te as minhas marcas,
as cicatrizes, as feridas, o sangue que não é meu,
os corações que me confiaram, as estacas,
é dar-te a conhecer o mais puro eu
e abraçar-te nu, sem roupas de marca,
sem brilhos falsos, sem defesas
e com sentidos descalços.

Tu Da Minha Parte - Manifestações Sociais

O corpo é cansado,
a alma é pálida,
o coração é parado
e a mente é inválida.

A certa altura, a solidão é cura
para a colisão da falsa crença
e eis que a loucura passa a ter presença.

Louco por uma resposta que frustradamente não aparece
para uma pergunta que arrepia mas se desconhece.
É a alma iluminada no meio da escuridão partilhada pelas outras mentes.
Um escuro onde andam corpos sem almas pesentes,
onde todos vêem o mesmo: escuridão.
A alma que brilha mostra ser quem é:
humano com Humanidade, uma pessoa com própria personalidade.
Um humano completo, com sentidos e sentimentos.
O escuro tenta atacá-lo freneticamente
enquanto noutros corpos cresce a semente.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Eu Comigo e o Meu Momento

Não vou falar,vou simplesmente escrever...
não quero ser, não quero ter, quero apenas viver.
Sem bússula, nem mapa nem agenda
para que possa perder-me...
Quero beber, dá-me bebida,
se não tiveres... dá-me vida.

Sobre este rochedo molhado
onde várias vezes estive sentado
com a alma para lá do horizonte
e vendo o pôr-do-sol, a minha fonte...

Existe areia por baixo do mar
assim como existe dentro do meu corpo "amar".
Tão bom como gritar tão alto
no maior planalto do mundo
e ouvndo-me como quem ouve divagar de um vagabundo...

E assim escrevo, entre terra e o mar,
assim sonho como uma águia a voar
enquanto ouço as ondas a rebentar,
aqui, entre a terra e o mar,
escrevendo e a sonhar...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pensava que tinha acabado
mas o demónio desarrumou o que eu tnha arrumado.
Agora, como sempre e como das outras vezes,
caio em lágrimas, mas já nem me apetece escrever
como sempre e como das outras vezes, apetece-me desaparecer.
O que se passa? "Olá, o meu nome é..."
Ergo o peito,
olho para a frente
e vou para lá direito.
Se errar, o que poderei fazer?
É passado que não está presente
por isso, com licença,
é que ainda tenho muito para viver.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ressacado Por Falta de Ressaca

Já dou por mim a chorar como uma criança,
a alucinação torna-se mais real à medida que o tempo avança.
Todo o meu desejo está concentrado
na falta da ressaca que está a deixar-me ressacado.
Eu preciso, eu tenho necessidade,
se não tiver afundo em lágrimas esta cidade.
Já não sei o que é real,
com tanta irrealidade só vai é acabar mal.
Necessito dessa droga preciosa,
do charro de papel e caneta,
que me é coisa valiosa...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Mar Morto (Funeral)

Alguém se foi embora
por injustiça ou porque já chegara a hora.
O mar que é alimentado pelas lágrimas dos vivos
e pela Natureza que deixa outros desactivos.

Na praia desse mar
vivem-se as hiocrisias e os arrependimentos
de quem nunca quis saber
e de quem se sentiu em tormentos.

Lá estiveram uns quantos que quiseram mergulhar
para trazer os seus à vida mas quem vai não vai voltar.
E outros quantos foram à praia para não parecer mal
sem saberem que o karma lhes há-de ser igual.

Não há luz naquele local
e o silêncio predomina do último adeus.
O mar do descanso eterno
onde são mitos os nadadores
que partiram e deixaram-nos com dores.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Em Tempos De Guerra

Sara, meu amor,
em tempos maus e em tempos de dor
dá-me vontade de desistir de tudo
e ser cego, surdo e mudo.

Nesses tempos de podre trigo
penso para comigo
que só ando, não por mim,
mas porque sou amigo.

Nesses tempos de tristeza,
onde a rotina já não bate certo,
não vejo neste mundo beleza
senão almofada em que me aperto.

Nesses tempos de negra humildade,
choro em meu ser fragilidade,
onde o gesto e a palavra ganham outro ideal
das pessoas em que me confio e não fizeram por mal.

Nesses tempos de solidão,
onde sobrevivo em quatro paredes,
não há senão escuridão,
deito-me no chão por não sentir solução.

Nesses tempos de cansaço,
onde sinto que para o meu nome não existe espaço,
choro a desgraça de me sentir um fracasso.

Esses tempos, são tempos de guerra,
onde não luto contra a vida nem contra a morte,
onde frustradamente espero que acabe a má sorte.

Esses tempos, são tempos do passado irreversível,
onde não consegues esquecer,
onde terás de aprender.

Dá esperança ao futuro,
pois é incerto
e nem sempre será duro.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Um Par De Amor

Dois pares de olhos cruzam-se,
Um par de mãos entrelaça-se,
Dois pares de braços abraçam-se,
Dois pares de lábios tocam-se,
Um par de corações sentem-se...

Um par de corpos
cruzam-se,
entrelaçam-se,
abraçam-se,
tocam-se,
sentem-se...

Descriminação - Um Olhar Fechado

Correm vozes velozes
pelas montanhas da verdade.
Abafam gritos sangrentos escritos
atrás das janelas da cidade.
Cantam olhares de descriminação
fingindo não ver a desgraça no chão.
Desviam pernas de reino
quando se aproximam jovens de fato de treino.
Ignoram, os três macacos,
os crimes contra os mais fracos.
E exclama a boca e o pensamnto
sobre feses no chão como se fosse um grande tormento.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Poeta, o Francisco.

Dizem lá eles que escrevo bem,
como se escrevesse coisas do além.
Eles lá dizem que escrevo bem
no papel onde escrevo e continuo a ser ninguém.
Como se eu não existisse,
nesse medo que os outros têm de me falar,
como se as minhas palavras fizessem chorar.
Não, as palavras que escrevo não têm importância,
tem sim o porquê da sua fragância,
mas isso, lá parece escasso.
"Francisco, o Poeta" lá dizem eles...
e o resto é fracasso.

sábado, 25 de dezembro de 2010

O Animal e o Ser Humano Mortal

Antes fora tudo diferente,
antes, tinha tecto, carinho, comida...
Agora, num futuro imprevisível, tudo mudou,
por uma dona que foi bandida, que lhe tirou a vida.
Abandonou-o, deixou-o à mercê do seu próprio corpo,
ele, a cada dia que passava, a fome aumentava,
até que um dia tudo deu para o torto.
Ele não caçou por prazer mas sim para comer,
e por isso julgaram-no morto.
Não foi a injecção letal que o matou,
foram os que na desgraça o viram,
nada fizeram e tudo fingiram.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Uma Página Da Vida - Peluche

Estava na cama, dei por mim deitado de lado agarrado aos lençóis. Rapidamente viajei no tempo, num meu tempo em que, quando era pequeno o suficiente para caber numa cama de grades, dormia com um peluche do meu pequeno tamanho. O peluche não era mágico mas fazia magia... a magia de adormecer sem me lembrar. Aquele monte de pêlo superficial que ganhava vida à noite. Fazia-me festas sem se mexer e eu agarrava-me ao seu reconfortante conforto. No quentinho do ser que é vivo, na sua branca cor na escuridão, no sorriso do conforto e do amor... amor de uma criança que não se dava conta do tempo. Mas esse meu tão querido peluche desaparecera sem deixar rasto na história, alguém o levou e esse alguém não se deve ter lembrado o que é viver criança para me ter feito tal desilusão, para me ter roubado esse meu ser que em mim era ser.
Com este último pensamento voltei rapidamente ao tempo presente, num frio que me fazia tremer, numa escuridão que me arrepiava, num silêncio de morte... estava eu, na noite e na cama, abraçado a um lençol fino e frio, de olhos abertos e de olhos vazios, esperando algo, algo enchia a minha cama, menos de espaço e mais da outra dimensão... um isqueiro sem gás, gastando desenfreadamente a sua pedra, para ver a beleza da chama e sentir o seu calor... e uma das duas velas do meu quarto está acesa, a outra... ficara pelo caminho. Roubaram-me o sono, não tenho sono e se durmo é porque estou cansado.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Humildade

Um mito corre nas ruas,
fala-se por aí de uma lenda viva que vagueia na noite da cidade.
Dizem que tem muito boa personalidade.
Fala-se de uma esperança que nem esperança tem.
Dizem que mudou, muda e mudará.
Dizem que, como ele, no mundo, só existem cem.
Dizem que deve ser ouvido e respeitado.
Dão opiniões de boa pessoa e de bom grado.
Mas esse de que tanto se fala,
chama-se Humildade... e enfiou nele uma bala
com olhos de desgraça, sem Humanidade...
seco, como uma carcaça.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Insanidade Mental Dos Julgamentos

Esse ser humano, o cúmulo dos comuns, atira pedras contra mim, eu, amarrado a um marco no meio da praça, sem conseguir largar-me da vergonha, olhado por todos os ignorantes que passam. Eu, no meu pesar de consciência em que estou amarrado, vejo nos outros espelhos das acções por mim praticadas. Insultado, desonrado, destroçado pela hipocrisia dos praticantes quotidianos. A minha consciência obriga-me a chorar arrependimentos e vergonhas mas nem por muito tempo isso acontece pois pedras são atiradas, doendo, não por dentro mas por fora, constantemente a maltratarem o meu corpo trazendo em mim ira sobre o mundo, apontando o dedo como se de uma pistola se tratasse e, de repente, vejo-me num cómico-trágico tiroteio de cowboys. Podia eu ter-me castigado sob o pior inferno de todos - a consciência - mas os outros reles, tão iguais a mim, tão terrestres e não santos, anseiam o poder de torturar os outros, de disparar opiniões da mais extrema ignorância e hipocrisia, falando como se grandes sábios fossem, como se ilesos ao pecado e à tentação fossem... então, já que criticam com tanta ciência e asas de anjo, porque estão cá!? É que asas... ao demónio também lhe serve e as possui.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Lugar Da Minha Alma

Esse deserto mirabulante,
onde caminho sozinho,
num mundo distante.
Onde estou seco,
ando à procura de água,
para que possa chorar
e afogar a minha mágua.
Olho à minha volta e só vejo areia,
quente, luto contra ela.
Corro corro corro,
gritando por socorro.
Deito-me e o sol queima a minha cara,
e uma tempestade de areia sufoca-me.
Atira-me para trás,
sinto-me a fraquejar,
já não sou capaz.
Puro ódio, grito perante essas pedras,
a batalhar por qualquer pódio.
Corre corre corre,
sobre as pedras que me dizem morre.
Sozinho, nesse cansaço que me consome,
com tantos dias que apanho com esta fome.
À minha semelhança, crio miragens,
confio fielmente mas são sempre desilusões de passagem.
Não consigo matar,
não tenho nada com que morrer,
é só areia por onde caminhar.
Tenho fome sede calor
não tenho liberdade para acabar com este sofrimento,
sinto-me preso abandonado num tormento
afogado numa dor.
Todos os dias são iguais,
não durmo, não posso adormecer
com esses perigos à espreita e os seus demais.
Louco, escavo a minha cova pouco a pouco,
essa criança, lá no fundo,
sem esperança, tornou-se num moribundo.
Esse é o meu mundo...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Crime Da Amizade

Estou farto de não ser ouvido,
porque não falo sem palavras
mas mesmo assim o meu amigo é bandido,
rouba-me a expressão de liberdade.
Onde está a amizade? Onde está a realidade?
Quando o maior crime do amigo é não ouvir
e ainda querem me ver a sorrir.
Mas, dessas atitudes eu não venero.
Querem o meu perdão e depois ser tratado como cão?
Desses esquemas não tolero.
Para fechar este poema acabarei com o real ditado:
"Antes sozinho do que mal acompanhado"...

Almofada

Conta-me uma história de fada
para me fazer adormecer, almofada.
Aconchega esta minha cabeça cansada.
Estás no meu mundo, no quarto,
onde choro, grito e digo que já estou farto.
Nesse meio vagabundo não reagiste,
não falaste, não exclamaste, não, nada.
Onde vagueio nesse pensamento
e tu não dizes, ouves e ficas calada.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Real Amizade

A honesta e real Amizade,
por mais longe que esteja do horizonte,
vai sempre mais longe que o infinito.
Não são precisas palavras, basta cumplicidade.
É o meu abraço quando choro,
é o meu abraço quando trago um sorriso,
não hesita, é sempre preciso,
basta um mínimo aviso, sabe onde moro.
Está ao meu lado todo o tempo,
porque os nossos pensamentos se cruzam.
Este poema é para mim o que é para ele,
como tal, também é meu e dele.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

(...)Não consigo esperar... "esperar" deriva da palavra "esperança" por isso não consigo esperar. Para esperar é preciso ter esperança e eu espero sem esperança... e quem assim faz só lhe traz ansiedade e frustração... é melhor desistir dessa esperança que é mau caminho... se calhar em vez de esperar vou actuar... ou representar, porque o ser humano e a vida dele passa-se num teatro: com luzes, sons, reacções e quantidade do público... bem, se calhar vou escrever, pois escrevo desprezando os outros e nos meus textos sou intocável e assim não terei de sofrer... e não espero.(...)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Meu Corpo, Minha Alma, Minha Vida... - escrito pelo pensamento emocional

Dói-me o corpo todo,
dor berrante das células
que não chegam a acordo...
As minhas pernas tremem de cansaço,
dezassete anos a caminhar
e já estou a dar outro passo.
Passeando de pensamento vadio
de alma profundamente a balançar
entre a esperança do futuro imprevisível,
entre a lembrança do passado irreversível,
é assim que vivo o presente.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Viemos Viver E Vamos A Recordar

17 anos e um livro de mil e uma páginas,
lá vão anos de risos e lágrimas.
Uma longa caminhada,
onde pomos pedras na nossa calçada.
As pessoas que marcam um pedaço da nossa história,
os muitos lugares que estivemos
e que agora só existem na nossa memória.
Criança... quem se lembra de ser criança?
Tínhamos tudo, não precisávamos de esperança...
Somos livros onde escrevemos sentimentos.
Cada vida é uma rosa,
com picos que fazem aos outros dor
e com pétalas lindíssimas
com cheiro incansável... o amor.
A caule crescerá até o coração deixar de bater,
por isso, os meus parabéns aos Irmãos Palma
por mais um ano de crescimento à vossa alma!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dúvida

Alguém me diga, alguém me responda...
Está a apertar-me o coração com a força de uma anaconda.
Não encontro resposta, não quero saber,
poderá, pior que a tortuosa pergunta, fazer-me sofrer.
A curiosidade é pior,
sempre que pergunto o silêncio instala-se na sala,
enquanto na minha cabeça o fantasma não se cala.
Se calhar ficar-me pela ignorância será melhor...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Carta Ao Adolescente

(...) Nesta sociedade não se estranha o pensamento, estranha-se o sentimento conversado pela terceira pessoa.
Qualquer relação precisa de conversa aberta, mas este século é fechado por cujas pessoas desconhecem essa luz que fortalece laços, que nos descarga mas quando a vêem, vivem melhor, mais felizes e mais confortáveis.
Devemos experimentar o que o conservador nos nega, porque o conservador conserva-se com sal, congela-se, é um conservado numa lata escura e negra, distante da realidade, comprimida numa lata cheia de imagens comerciais, tão igual às outras latas, não se permitindo abrir. Ao conservador é substituido o seu coração e a sua alma por uma lata. Destruindo-se, porque vai contra a beleza da sua natureza, um bebé chamado ser humano. (...)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Carta ao omem (sem "h")

Regredimos enquanto o tempo avança,
porque preferes encher a pança a saber da nossa História,
não queres aprender com os erros que nos reservou a memória.
Somos a desilusão do revolucionário que se entregou às balas,
em nome da nossa liberdade de expressão fundamentada,
coisa que tu não sabes usar mas que tanto falas.
Quantas pessoas morreram por ti? Em nome de nada.
Reclamas sem inteligência com tanta frequência
que violam a tua vida como consequência.
A tua opinião, ovelha, é pré-comprada,
comentas no café sobre a notícia do telejornal
feita por alguém a quem foi comprada a moral.
Falas de corrupção!?
Quando foste tu que corrompeste a evolução humana.
Com essa atitude matas o futuro das crianças,
inocentes. Tu sim, devias ir de cana.
Devias ser fuzilado, torturado, roubado,
vandalizado, violado, calado, condenado, gozado,
mal-tratado, descriminado, incriminado
para perceberes o que é ser preso,
indefeso, trabalhar sol a sol e estar sempre teso,
andar na rua sem nunca estar ileso.
Milhões de pessoas crucificadas por injustiças
mas até à última pulsação sonharam por um futuro melhor.
E apareces tu, cheio de preguiças,
tu te espreguiças no chão de quem deixou sangue e dor,
brincas nos cemitérios de quem lutou,
sepulturas pisas com frases comerciais que tu frisas.
Quantos viram-se mortos sem razão,
e tu julgas sem fundamento na opinião.
Os lutadores morreram em nome da Humanidade
enquanto os seus netos são rebanhos na sua mentalidade

domingo, 21 de novembro de 2010

Eu (No Ponto De Vista Do Meu Mundo No Mundo De Todos)

:
(...)O que tu me dizes são meras caganeiras
as tuas críticas são espelho das tuas asneiras.
Mas enquanto falas das minhas atitudes,
só espero, no meio desse teu paleio, que também tu mudes
porque tu acusas-me na praça pública
e tu vendes essa tua imagem como se só houvesse a parte púdica.
Até porque, contra as marés das maiores violências eu luto,
não quero saber das razões das desistências,
num mundo inteligente onde a palavra de ordem é luto.
Onde se diz que se tinha o mesmo pensamento quando se era puto,
onde a minha luta não se fica só pelo que eu não curto.
Abrangendo sempre muito mais do que isso,
com toda a minha alma, cérebro e coração presto serviço.
Construo com nada mas quando acabo tenho tudo,
porque não me faço de cego, surdo nem mudo.
Espalho por todos o meu pensamento,
insisto atingindo o meu sentimento.
Sei que sopro contra o vento,
estupidamente sozinho,
mas continuo porque amanhã terei o meu vizinho.
Procuro ser e estar melhor,
não me esqueço do seu contra,
apesar da minha parte pior,
nunca deixo a minha mensagem na montra.
Contra o Matrix do jardim,
planto sementes sem fim à espera que descubram o real ruim.
Tenho consciência de que não sou perfeito,
contra os meus males, só eu posso erguer o peito.
Mas não sou comparável aos crimes que no trono são feitos,
eu paro,
e ponho o preço do sem querer do meu crime muito caro.(...)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Guerra ≠ Humanidade

O sol brilha sobre as jovens rosas,
o vento leva consigo o pólen das suas cores.
Ouve-se a ausência da pessoa,
as plantas dançam como lhes manda o maestro vento.
As almas tomam conta da beleza do acontecimento.

Agora o cenário é diferente,
as cinzas demonstram a destruição,
a guerra infértil, os bombardeamentos,
uma orquestra de tiros, gritos de dor,
desespero, tormentos.
Tantos alguéns abandonados,
muitos outros alguéns os tinham como amados.
E tudo isto para quê? Luta de interesses,
quem apoia na tv não está lá,
não sabe o que é lá estar
recebe dinheiro e poder por nos matar?
Os nossos antepassados,
se soubessem deste teatro destroçado,
teriam eles se suicidado
para não haver estes fracassados?
Não deveríamos pertencer todos à Humanidade?
Onde estão os que tanto falam em defesa de uma nação?
Soldado defende a paz criando guerras?
O político manda matar em nome da sua cidade?
Onde está a Constituição?
Onde se encaixa o povo com a sua opinião?
Isto não é a Humanidade pois não sinto o seu coração.
Se calhar porque já não bate
numa pele fria sobre um corpo doente
que só serve para o abate.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma Carta Depois Da Morte

Não tenhas receio,
larga esse sentimento feio.
Todo o humano tem direito a ser amado,
morrer sozinho é uma questão,
mas já reparaste que em toda a tua vida gente veio e foi?
Será que morres depois da morte?
Permanecerás nas mentes da salvaguarda
porque o mais difícil é o vivo não que suporta nada,
mas que viva com a tua ausência na almofada.
As lágrimas do sentimento e da memória
de não saber para onde foste mas ter fé?
E agora...? Como é...?
Tenho saudade de viver a nossa imensa história...

Só uma dezena de pessoas no teu funeral choraram
e o resto do mundo desconhece o teu nome,
mas que interessa esse reconhecimento?
A tua partida bateu forte aos que te amaram.
As coisas más esqueci,
só me recordo dos bons momentos que me lembro de ti.
Com passar do tempo és esquecido
para dar lugar a outro desse sentimento.
Vivemos, sofremos, morremos,
porquê tanto sofrimento?
Para aprendermos?
Ou simplesmente porque os humanos são causa de si mesmos?
Porque é que culpamos a vida?
Quando é ela que dá oportunidades
e a morte é que é bandida?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Espelho Da Realidade

Prudência,
oiçam esta audiência,
os mais desgraçados sabem a realidade,
mas esses foram para outra cidade,
enviados pelos polícias que controlam as minhas ruas,
enviados por selvagens que deram facadas nuas e cruas,
agora na prisão percebem que a vida não lhes dará mais nada.

Enquanto o povo é embalado por um canto de fada,
esperança aldrabada, uma tela sempre branca
pintada por palhaços que fazem o que lhes mandar a panca.
O cheiro do egoísmo de quem vejo a cama feita,
por causa desses, muitos tiveram a vida desfeita.
Por uma realidade mais que imperfeita
construída pela arte da manha,
sugam a minha vida para alimentar a sua banha.
Enchem à ignorância com acontecimentos
que não são do nosso país
mas afectam os nossos monumentos.
Ninguém percebe com doze horas de trabalho e doze de dormida,
os trabalhadores com falsas chupetas,
jovens que mamam dos seus pais as suas tetas.

Hoje é menos mau e amanhã será melhor,
ontem é que foi pior,
dizem no meio dos seus discursos,
enquanto pescam votos como ursos.
Vejo a minha gente querer fazer frente
mas são julgados pelo lugar do seu nascimento,
reclamando serem incriminados,
no início do julgamento são abafados.
Com falsas políticas e justiças,
o povo ignorante afoga-se nas suas preguiças,
os cirurgiões disfarçam com as suas pinças.
Agora, que sentiram um cheirinho da panela,
atiram bocas como se vissem uma novela.
Está na hora de parar para pensar, acreditar e lutar.

Dedico aos poetas e "cantores de discursos", meus amigos e meus desconhecidos que se sentam na cadeira, pensam, acreditam, lutam e escrevem.

O Prazer

O prazer é irmão do vício,
o podre da inteligência,
o desespero da alegria,
a poluição da alma,
a morte do poder,
é uma deficiência excessiva,
é egoísta, é crime,
é o gesto ignorante do ser humano.

sábado, 13 de novembro de 2010

0,10€ -> Compro uma pastilha elástica
10€ -> Compro uma saída à noite
100€ -> Compro um móvel
1000€ -> Compro um pc
10.000€ -> Compro pequenos interesseiros
100.000€ -> Compro um establecimento;
1.000.000€ -> Compro uma casa;
10.000.000€ -> Compro 7 folgas por semana;
100.000.000€ -> Compro grandes interesseiros;
1.000.000.000€ -> Compro políticos;
10.000.000.000€ -> Compro países;
100.000.000.000€ -> Compro poder mundial;
1.000.000.000.000€ -> Compro a desgraça humana;
10.000.000.000.000€ -> Destruo o planeta.
100.000.000.000.000€ -> Compro a minha cova.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempos Passados

O tempo é um passo que dou,
um passo entre muitos que já passou,
um passo após outro de consequências em sequência.
Um passo, uma opção, uma queda e um fracasso.
Um momento onde passo a ser criança,
um passo que mostrou a minha ignorância,
mas dando direito a mais um passo,
mais seguro ou não, sempre com esperança.
Um passo que deixou uma pegada,
de qualidade ou uma real cagada,
não interessa, com o tempo há-de ser apagada,
mas, o tempo foi meu e de quem partilhei,
uma pegada influenciada, influenciei alguém,
alguém que pegou a indiferença, ou o mal ou o bem.
Um passo dado consoante o pensar do sentimento,
um passo esquecido mas marcado no tempo.
Um passo, uma esperança, um acto numa duna de fé
onde todos deixamos a marca do nosso pé.
Um passo, um tempo de uma vida que foi
e uma vida que agora é.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Evitando o Destino

Bate bate coração por asfixia,
pela presença de alguém que ao meu lado queria,
o amor é sentimento incompreensível,
ansioso, a esperança do sonho irreal,
de um beijo depois do sexo,
o amor é algo bem complexo.

Olho sempe para ti como um reflexo do olhar
o meu corpo a balançar,
o miolo a fritar,
o pensamento a especular.
sinto-me a desmaiar,
já estou a andar de lado.
O amor deixa-me mocado,
e queimado porque não é amado.

Ba-beri-bó-pa-parri,
e já sorri comigo gago,
no final sou eu que pago,
acabo por pedir conselhos ao mago.

Bora lá tentar outra vez,
Pa-dleik-lofex-ês,
não vai à primeira nem à segunda nem à terceira,
ti-bua-ki-polti-eira,
e com dois Xanax voltei a fazer asneira.
Bem, vou então apanhar uma bubadeira,
não conheço outra maneira,
Um-mais-um-igual-a-laranjas,
nem assim, dizem que é canja,
pois eu vomito com mil canjas.

Lá enchi com ar o peito,
lá lhe disse e lá fiquei a chorar por este feito.

domingo, 7 de novembro de 2010

Saturday Nights

Saturday nights,
the body fights inside the soul
and the mind write the rule.
The music is the moment of transe,
diving in the waters of lights,
giving the freedom to dance,
and these are my rights.
Pumping sound to heart,
tonight, nothing can't hurt.
I am on the top,
nobody can't stop.
The column is energy
for the world that only i can see.
No feelings, just feel,
drink and don't think.
You with you and nothing more,
on Saturday nights,
on the sky's floor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não sei para onde ir nem por onde andar
quando a vejo com alguém, sinto-me a fracassar.
Hoje em dia, o amor não existe ao primeiro olhar,
é preciso conviver, conversar, rir para poder juntar.
Mas ao teu lado não tenho palavras interessantes para falar
e fico frustrado porque deixei mais uma oportunidade voar.
Os teus olhos deixam-me preso
e a tua voz põe-me indefeso.
Não te posso dizer o que me está a acontecer,
se disser, perco a oportunidade de te ter como minha mulher.