A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.
A minha inocência foi esta:
Francisco Sarmento
Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/
sábado, 3 de dezembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A flor amadureceu à medida que a minha infantilidade ia, tão lentamente, tão subtilmente, escapando-se de si própria... e na minha própria mão as suas raízes fundiam-se com os traços da minha face escondida na mão. Ela, ainda contendo apenas uma pena, reflectia uma viciante beleza eternamente mítica, eternamente mística... Alimentava-se dos sentimentos que faziam fechar e apertar a minha mão de uma força contrária à força da transformação que torna uma mulher mãe. Conhecia-a tão bem, já conseguia adivinhar o tempo e sabia perfeitamente onde estavam os astros. Tornara-se num ciclo diário fechado, óbvio, banal...
A qualquer momento a culpa passou a ser minha, eu dei o Presente ao Futuro vivendo com os rastos e os restos do Passado... se alguma vez as palavras tiveram significado então transformaram-se em palavras ditas por um péssimo actor, de uma palete monótona, de expressão forçada... e todas as cores passaram a ser vistas na escuridão, iguais, sem hipóteses de haver gostos... e o sol e a lua e tudo o que os rodeia passou numa janela de um comboio que bazou sem destino...
A qualquer momento a culpa passou a ser minha, eu dei o Presente ao Futuro vivendo com os rastos e os restos do Passado... se alguma vez as palavras tiveram significado então transformaram-se em palavras ditas por um péssimo actor, de uma palete monótona, de expressão forçada... e todas as cores passaram a ser vistas na escuridão, iguais, sem hipóteses de haver gostos... e o sol e a lua e tudo o que os rodeia passou numa janela de um comboio que bazou sem destino...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Tédio
Sentado no sofá
a ver o tempo passar lentamente,
não que queira passar para o lado de lá
mas sim por não ter nada em mente.
a ver o tempo passar lentamente,
não que queira passar para o lado de lá
mas sim por não ter nada em mente.
sábado, 19 de novembro de 2011
Maturidade
(...) porque o sofrimento requer o exercício da reflexão e sem nos apercebermos, por estarmos afogados nas lágrimas, começamos a reflectir intensamente, porque um problema não foge, é como um fantasma, acompanha-nos até nós descobrirmo-lo e sofremos por termos descoberto o problema e no meio disso tentamos achar uma solução, mas nada parece ter força, nada parece razoável, nenhuma acção deste mundo consegue pôr o nosso próprio cosmos em ordem e sofremos ainda mais, como se estivéssemos num poço escuro e gélido, tão profundo que deixamos de ver a luz do sol, aquele resto de luminosidade que nos guiava e dizia por onde sair e andamos ás voltas, na escuridão de um poço, a bater com força nas paredes procurando uma saída que não há e, cansados, desistimos e deitamo-nos no chão à espera que a morte nos venha resgatar, alucinando memórias felizes que nunca aconteceram, entre a fome desesperante de um simples abraço e a sede da troca de amar e ser amado, acabando por adormecer... e quando acordo, ao meu lado está uma bela e mágica pomba de penas brancas que iluminam uma parte do que estava escondido na escuridão, observando-me em silêncio à espera de uma minha acção mas o medo, os traumas que se tornaram experiência de vida criam hesitações e barreiras e escavam a cova. A pomba dá às asas e voa, voa para o céu mais alto obrigando-me a olhar para cima e, nesse momento, o meu peito alimenta-se das estrelas erguidas num mistério inalcançável e aí, a palidez ganha uma nova cor e recomeço a erguer-me do chão para um novo e diferente início. Numa luta incessante, de uma determinação extraordinária que faz cravar bem fundo os meus dedos nas paredes do poço, escalando com determinação, tendo como objectivo um lugar na superfície da Terra. A cada queda que dou, a revolta torna-se maior e maior e maior e maior... cada célula vai-se transformando num pedaço de monstro a cada centímetro que subo. A umas dezenas de metros da superfície, já todo eu transformado num mostro, com uma voz esganiçada pela raiva, com os olhos vermelhos de lágrimas que fervem, começo a expulsar o ódio entre ameaças temerosas... Chegado à superfície, irreconhecível, a revolta ganha atitudes e acções, a vingança de uma vida requer a ordem natural das coisas... a raiva, o ódio... tudo se perde quando um espelho se atravessa na minha frente e o choque do que vejo faz-me questionar no que me tornei eu... num monstro que afastou qualquer gesto... qualquer palavra de amor... todas estas questões trancam o monstro dentro de mim, porque quase ceguei... e então, sento-me na minha cama, pego o meu álbum de fotografias pousado na mesinha de cabeceira ao lado da cama e começo a folheá-lo recordando-me de tudo, de todas as memórias, de todos os meus pensamentos, de tudo o que fiz e me aconteceu... e todas as minhas misérias e desgraças dão vontade de rir, chorar de tanto rir, rir até não poder mais, rir até me deitar na cama e agarrar-me as dores dos abdominais e quando me acalmo, um sorriso se esboça para que no final diga: a sério? Levanto-me da cama e vou-me embora viver com as células que ainda me sobraram.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Estive dentro da tua mente,
nesse teu campo de concentração.
Ainda hoje sinto a sua respiração,
era tão nojento... tão repugnante...
abafado pelo cheiro da dor.
De tão asfixiante que era,
até mesmo de olhos fechados
conseguia ver cada pormenor de cada corredor:
o sangue raspado nas paredes,
ainda fresco, da carne desfeita em sangue
das caras que te afrontaram com a verdade,
raspadas nas paredes até ficarem só osso.
Ainda sinto o cheiro a lutas inúteis
contra o gás abafador do teu orgulho
nas câmaras... nas câmaras de gás,
onde a impaciência se exaltava
e se aclamava o silêncio da morte,
o silêncio que nos leva sem nos trazer...
Eu caminhei naqueles corredores húmidos,
dos seus tectos pingava água,
eram gotas de lágrimas, formavam poças...
delas, ecoavam gritos de ódio e tristeza
a cada trémulo passo atingido no chão.
No andar acima, torturas amarradas a cadeiras
dão forma à figura do horror
através do cheiro nauseabundo de pragas roucas
em pedaços perdidos numa imensidão de sangue seco.
Eu te digo, o inferno existe
e nele não há qualquer forma de esperança,
apenas reina o desespero e o medo,
a mentira de vida e a clemência pela morte.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
As pedras da calçada
sentem a leveza do terror
de um olhar fixado no interior
vendo nada do que é o seu redor.
Um impedimento consciencializado
não ganha resolução no coração
atormentando numa mentira...
os olhos querem abrir e sair deste horror
mas o maior pesadelo duma mentira está em vê-la
e não conseguir deixar de vivê-lo.
E eu sei, sei tão de cor
as letras da verdade desonesta,
tão certas como a água que vejo e saboreio
mas escorrega sempre das minhas rotas mãos
e quanto mais as fecho mais depressa me foge...
forjando espelhos de água deturpados.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Beethoven Sinfonia 05 Sonata 14 (Moonlight)
Acabaram-se as palavras,
os sonhos e as esperanças.
Já não há ventos nem espaços
não há silêncios nem tempos.
Morreram as árvores,
os artistas, as flores,
os céus, as núvens ténues…
É o fim da criação,
o choque da evolução.
As circunstâncias
destas estrelas
são cereais
saboreados
ao pequeno almoço,
são conversas banais…
Cidade sem alma,
aterrorizada subtilmente,
ignorada, desprezada
por formigas
ligadas a fios eléctricos,
que caminham
com pensamentos estéticos.
.
ligadas a fios eléctricos,
que caminham
com pensamentos estéticos.
.
Já não há telas brancas
nem folhas limpas,
o tempo é o relógio que o dita,
os horários fazem dos vivos mortos
e a noite é dominada pelo
desprezo.
A paisagem correu
na viagem de comboio
onde o tempo passa
esperando passar rapidamente,
se é que a paisagem já não morreu,
será que ela não existe
ou serei eu?
Eu, que sem alma
me encontro nesta cidade desencontrada,
que compra o amor em pacotes de plástico reciclado
sem saber de onde veio,
que acha saber sem viver
senão num comboio alimentado,
não pelo sonho, não pela esperança
mas pelo prazer mundano dos vícios
do acolhimento palpável
e materializado, falsamente materializado…
Somos bebés amamentados por chupetas
crescidos na deformação do amor
desconfiados de sabor…
somos nós as formigas
que trabalham para serem pisadas,
tão arduamente na casa de alguém,
de um rei qualquer que desconhece
a nossa existência,
a nossa tradição e cultura…
Somos galinhas secas
de muito sabemos contar
tão gordas de mentiras
condenadas a não saber voar…
A única glória é a mentira
de uma história contada
por nós, protagonistas falsos,
contada por alguém que de nada
tem do que podemos dizer ser nosso,
despegado de fantochada.
Vivemos nos calabouços dum castelo
feito de gente pisada como cartas,
numa tentativa absurda de ter importância
subindo escadas de degraus,
ou antes números de pessoas,
sim, massacrar a ganância
com ganância.
É esta a hora em que a fome
se tornou um prazer,
a morte um caminho presente
que tentamos tão desordenadamente
fingir não ser connosco a idade
avançada de memórias
guardadas em masmorras,
presas numa qualquer saudade
inexistente, puramente imaginária,
um total plágio do fracasso escondido,
amando o desconhecido mas real,
puro irreal mas sentido
um descobrimento fatal
de um destino
que aos comuns é sempre igual…
sábado, 29 de outubro de 2011
Eu vi-te, lá nas longes alturas,
lá nesse tempo perdido,
nesse caminho sem fim,
o meu olhar não te alcançava
apesar de te conseguir ver.
Mas havia um de nós que se afastava,
um, que se estava a perder.
Bem te quis, muito te quis,
mas lá, nesse universo desconhecido,
brilhavas tu na imensa escuridão,
fiquei apegado ao teu brilho,
parecias estar à distancia do meu braço
e eu esticava-o mas havia ainda muito espaço.
Oh! Se não te quis! Como te quis!
Apenas exististe quando eu, de olhos fechados,
te via, te sentia até ao dia
em que os meus olhos cegaram, obcecados,
mas nunca mais voltaste, nunca mais te pude ver,
ah! Como te queria... como te queria...
nunca te devia ter sonhado
para conseguir viver...
Bagageira Sem Malas
Conheces só palavras,
nada sabes do que falo.
Imaginas tão desonestamente
tal coisa que pode mas nada tem disso
e nada disso é.
São apenas palavras o que ouves
mas a mágoa é minha.
Para ti não é mais que uma letra
de uma canção sem música,
de uma flor sem cheiro,
de uma vida sem o tempo,
de um lugar sem espaço,
de uma foto sem fundamento,
de uma tela branca...
e um desabafo é um tormento,
um templo em ruínas
onde ganhei lugar,
lapidado pela tua memória
e sem chão onde me enterrar.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Segredos Trancados
Não te disse,
ainda não te disse
mas hei-de dizer
como digo na solidão
e te vejo comparecer.
Falas-me mas não me conheces
porque não te disse.
É um peso que carrego
à espera do momento certo
de um tempo incerto
desconhecido pelo teu ego.
Nem imaginas quantas mentiras
são as minhas reacções quando falas.
Ouço as tuas sábias teorias
desse orgulho de ser superior
e ponho-me a pensar
quantas lágrimas verterias
se eu dissesse a tua dor.
Nem te apercebes do meu silêncio
nessa toda tua avareza
onde te perdes na tua prepotência
esquecendo-te fatalmente da minha existência
e de como pode ela ser a desgraça da tua natureza.
Se soubesses terias medo dos meus olhos,
dos meus mais honestos olhos,
mas eu também tenho medo,
muito medo... porque eu sou tu,
criado por ti e pelo amor...
uma fera enjaulada berra ferozmente,
nesse mundo meu, onde vive um terror.
sábado, 22 de outubro de 2011
Percepção Alucinação
Sou eu que estou errado,
sou eu a escória que foge à razão,
sou uma bela maçã destinada à podridão
crescida nas terras nojentas,
porque cada acto meu
são mil olhos de interrogação.
Entrego o meu mistério de vida
aos julgamentos com pena antecipada,
não interessa a origem
nem se foi bem intencionada.
Juízes não se perguntam,
têm vertigens de onde vim,
não me conhecem
e já têm certezas de eu ser assim.
Que veneram eles que eu não sei,
serão os meus olhos assombrados
que os deixam assustados?
O que lêem eles em mim
que eu não leio?
Talvez sejam as minhas atitudes
mas isso eu não creio.
Se calhar sou um tormento
como uma catástrofe natural,
quando aparece todos fogem à dor
como se considera normal.
Querem que seja o vilão
que alguém tenha os defeitos deles
para se sentirem bem.
Convém julgar com alguém
para se afirmar e confirmar
que eles são o bem.
Não se passa nada,
eu sei quem foi a causa,
já vou na décima oitava vaza
e ainda tenho a alma marcada.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Os olhos desesperados,
desfocados pelas lágrimas,
no sofá, virado para a janela
onde a noite escura enche a solidão do lar.
O sentimento ganha forma no corpo
que se deita abraçado a si próprio
e uma respiração profunda e cansada
inicia os encantos dos sonhos
como os efeitos do ópio.
Adormece...
Acorda numa ressaca
de arrancar com uma faca,
mas algo mudou,
a esperança morreu,
o sol está vivo
já não sinto saudade,
o que morrera,
agora ressuscitou.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Foi Tudo Amor
Das vezes que escrevi sobre ti
escrevia mais sobre mim,
sabes porquê?
Porque somos nós
à distância de um coração.
Num mundo confuso
tu foste a minha razão
porque sempre que te via
assim sentia-me numa confusão.
Achei que fosse um fosso
mas afinal era só o fundo de um poço
e uma dessas vezes que acordei
percebi o quanto é possível
se houvesse mais um bocadinho de esforço.
Porque sei
o quanto me amaste, o quanto me amas
o quanto nos afastámos um do outro.
Porque fui o criador do rio Tejo
através das minhas lágrimas
por estares do outro lado da margem
e já me faltar a coragem.
Sim, tive o medo de me afogar,
o medo de atravessar a ponte da liberdade para te falar,
por isso fiquei aqui a tentar descobrir
na imensa saudade de te ver sorrir.
Quantos peixes, quantas gaivotas vi passar,
eles foram emigrar mas eu fiquei aqui a sonhar,
a olhar para as estrelas, à espera do teu regresso,
a re-viver as nossas memórias
e deitei-me,
aconcheguei-me na relva à espera de novas histórias.
Porque, apesar de distante, tão afastado,
sabes que sempre estive ao teu lado.
Nesta caminhada tropessámos em discussões,
mas sempre nos amámos e ainda o mostrámos
mesmo em alturas de rouquidões,
porque.eu sei, porque tu sabes,
que o nosso amor foi e é a razão das nossas razões.
escrevia mais sobre mim,
sabes porquê?
Porque somos nós
à distância de um coração.
Num mundo confuso
tu foste a minha razão
porque sempre que te via
assim sentia-me numa confusão.
Achei que fosse um fosso
mas afinal era só o fundo de um poço
e uma dessas vezes que acordei
percebi o quanto é possível
se houvesse mais um bocadinho de esforço.
Porque sei
o quanto me amaste, o quanto me amas
o quanto nos afastámos um do outro.
Porque fui o criador do rio Tejo
através das minhas lágrimas
por estares do outro lado da margem
e já me faltar a coragem.
Sim, tive o medo de me afogar,
o medo de atravessar a ponte da liberdade para te falar,
por isso fiquei aqui a tentar descobrir
na imensa saudade de te ver sorrir.
Quantos peixes, quantas gaivotas vi passar,
eles foram emigrar mas eu fiquei aqui a sonhar,
a olhar para as estrelas, à espera do teu regresso,
a re-viver as nossas memórias
e deitei-me,
aconcheguei-me na relva à espera de novas histórias.
Porque, apesar de distante, tão afastado,
sabes que sempre estive ao teu lado.
Nesta caminhada tropessámos em discussões,
mas sempre nos amámos e ainda o mostrámos
mesmo em alturas de rouquidões,
porque.eu sei, porque tu sabes,
que o nosso amor foi e é a razão das nossas razões.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
As Chagas Dos Nossos Pés
O mundo está num tal estado
que por onde caminhamos
a hipocrisia está sempre ao nosso lado.
Os nossos direitos foram cosidos com o sofrimento de alguém
e as roupas que tanto desejamos também.
As nossas conversas de revolta e mudança
não passam de falácias de esperança.
Este capitalismo criou um sistema
para que os planetas se encontrem
um de cada vez e de um intervalo de tempo
que nos faz esquecer a essência do problema.
O Universo não esquece o significado da universalidade
e os gananciosos que criaram uma virtual realidade
deparam-se agora com o fim da sua existencialidade,
porque o que é natural nunca deixará de ser natural
se a sua origem não chegar às mãos do mal.
Para concluir:
o meu País, ó economistas sem nome,
foi criado pelo Povo Português e chama-se Portugal.
que por onde caminhamos
a hipocrisia está sempre ao nosso lado.
Os nossos direitos foram cosidos com o sofrimento de alguém
e as roupas que tanto desejamos também.
As nossas conversas de revolta e mudança
não passam de falácias de esperança.
Este capitalismo criou um sistema
para que os planetas se encontrem
um de cada vez e de um intervalo de tempo
que nos faz esquecer a essência do problema.
O Universo não esquece o significado da universalidade
e os gananciosos que criaram uma virtual realidade
deparam-se agora com o fim da sua existencialidade,
porque o que é natural nunca deixará de ser natural
se a sua origem não chegar às mãos do mal.
Para concluir:
o meu País, ó economistas sem nome,
foi criado pelo Povo Português e chama-se Portugal.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
sábado, 17 de setembro de 2011
Quarto - Um Mundo
Quando se passa pela porta
entramos num mundo diferente,
como se, de repente,
tudo rodasse à volta deste quarto
e o resto deixasse de existir…
Está escuro,
estamos a ouvir gritos,
parecem ser de raiva,
tentamos falar com essa voz,
ligamos a luz… e o silêncio,
não está aqui ninguém senão nós.
Prosseguimos com a nossa investigação.
O tecto parece uma televisão,
transporta-nos para outros lugares,
parecem sonhos ou memórias,
uma qualquer outra dimensão.
O roupeiro está cheio,
parecem máscaras de receio,
contudo vazio, porque o que o enche
é o que não é verdadeiro.
Há aqui um espelho
que nos mostra distorcidos,
corruptos e bandidos,
faz-nos ver o que detestamos,
apesar de irreal
através da percepção seria um ideal.
As paredes estão pretas da humidade
pintadas com uma cor fingida
mas que não escapa à verdade.
A cama é gélida como um cadáver
mas está tapada por um cobertor
que se mexe quando se mexe a dor.
A almofada é nervosa,
talvez por estarmos aqui…
fazemos-lhe perguntas
mas a marca da cara permanece imóvel,
com um olhar distante,
apesar de escorrerem lágrimas.
Na secretária há fins inacabados,
fotos distorcidas… sem caras,
palavras caladas em papéis invencíveis.
Um mealheiro com elogios guardados,
uma gaveta misteriosa trancada mas sem fechadura,
os segredos, aqui, são invisíveis
mas sinto-lhes a presença.
Está aqui uma forca das palavras
e uma lista de sentenças…
nota-se rastos de água,
talvez lágrimas de tristeza
ou suor de cansaço.
Na mesinha de cabeceira
está uma caixinha que cabe na minha mão,
não sei porquê, chamou-nos a atenção,
abrimo-la e está lá um apaixonante sol,
pequeno e muito confortável,
com uma temperatura suportável,
que me deixa mole,
como se o meu corpo quisesse ficar,
dá-me esperança… acho que o vou levar.
Já acabámos a investigação, vamos embora.
Mal pomos os pés fora do quarto,
parece que algo ficou por desvendar,
quando olhamos para trás,
o quarto estava diferente,
talvez mais normal,
seja lá o que for que vimos,
nunca mais foi igual.
entramos num mundo diferente,
como se, de repente,
tudo rodasse à volta deste quarto
e o resto deixasse de existir…
Está escuro,
estamos a ouvir gritos,
parecem ser de raiva,
tentamos falar com essa voz,
ligamos a luz… e o silêncio,
não está aqui ninguém senão nós.
Prosseguimos com a nossa investigação.
O tecto parece uma televisão,
transporta-nos para outros lugares,
parecem sonhos ou memórias,
uma qualquer outra dimensão.
O roupeiro está cheio,
parecem máscaras de receio,
contudo vazio, porque o que o enche
é o que não é verdadeiro.
Há aqui um espelho
que nos mostra distorcidos,
corruptos e bandidos,
faz-nos ver o que detestamos,
apesar de irreal
através da percepção seria um ideal.
As paredes estão pretas da humidade
pintadas com uma cor fingida
mas que não escapa à verdade.
A cama é gélida como um cadáver
mas está tapada por um cobertor
que se mexe quando se mexe a dor.
A almofada é nervosa,
talvez por estarmos aqui…
fazemos-lhe perguntas
mas a marca da cara permanece imóvel,
com um olhar distante,
apesar de escorrerem lágrimas.
Na secretária há fins inacabados,
fotos distorcidas… sem caras,
palavras caladas em papéis invencíveis.
Um mealheiro com elogios guardados,
uma gaveta misteriosa trancada mas sem fechadura,
os segredos, aqui, são invisíveis
mas sinto-lhes a presença.
Está aqui uma forca das palavras
e uma lista de sentenças…
nota-se rastos de água,
talvez lágrimas de tristeza
ou suor de cansaço.
Na mesinha de cabeceira
está uma caixinha que cabe na minha mão,
não sei porquê, chamou-nos a atenção,
abrimo-la e está lá um apaixonante sol,
pequeno e muito confortável,
com uma temperatura suportável,
que me deixa mole,
como se o meu corpo quisesse ficar,
dá-me esperança… acho que o vou levar.
Já acabámos a investigação, vamos embora.
Mal pomos os pés fora do quarto,
parece que algo ficou por desvendar,
quando olhamos para trás,
o quarto estava diferente,
talvez mais normal,
seja lá o que for que vimos,
nunca mais foi igual.
domingo, 28 de agosto de 2011
sábado, 27 de agosto de 2011
A planta cresce...
entre as chuvas ácidas que a amarguram,
entre os raios de trovoada que a queimam,
entre as inundações que a asfixiam,
entre as abelhas que lhe roubam a essência,
entre os furacões que a assustam,
entre as larvas que lentamente a comem,
não foge por estar presa...
mas quem és tu, ó Natureza?
entre as chuvas ácidas que a amarguram,
entre os raios de trovoada que a queimam,
entre as inundações que a asfixiam,
entre as abelhas que lhe roubam a essência,
entre os furacões que a assustam,
entre as larvas que lentamente a comem,
não foge por estar presa...
mas quem és tu, ó Natureza?
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
O Baralho Do Século XXI
A realidade
é um gigantesco baralho de cartas em queda.
Sempre a cairem em cima de mim (!!!):
Reis a darem ordens, quando na verdade,
são uns mortaizinhos que só provocam desordens!
Os Príncipes! Os Príncipes!
Ah! Os Príncipes! Sempre têm tudo!
Nunca lhes falta nada!
Aliás!, problemas?, com eles!?
Só os de matemática e não são os da vida!
Viva a porra da igualdade, pá!!!
As Damas... ai as Damas!
Não sou Príncipe mas sei tratar duma Princesa!
Damas, tantas Damas! Que beleza!
Mas só me passam ao lado!!!
Sou um romântico frustrado...
Não não, sou mas é um desleixado!
E quem o diz é a porra do Joker!!
Esse então nunca se cala!! Sempre a gozar
sempre a gozar sempre a gozar!!!
Sempre armado em palhaço,
aquele palhaço da merda!
Sempre a falar da minha vida
como se fosse uma novela!!!
Com intrigas e difamações,
senão está a dormir está a falar mal de mim!
Cúmulo da superficialidade!
Como é um anormal e não tem amor próprio,
anda a ver se os outros se desamam!!!
Suicidem-no, porra!!!
A Manilha, a Manilha lá vai!
Aponta o dedo a tudo o que faço!
"Tudo perfeitinho tudo perfeitinho,
não podes falhar!"
Se me desvio por milímetros,
pimbas!! Lá está ele!
"Estás te a desviar! Estás-te a desviar!"
Parece uma sirene, foda-se!
Sempre que o oiço apaixono-me pelo meu despertador!
Burro, pois, eu sou o Burro!
Ando para aqui a falar,
mas quem é que me ouve?
Quem é me entende, hã?
Pois, ninguém responde!
Eu nem sei porque raio me estou a queixar,
nada muda, é sempre a mesma merda!
Esta merda é como a SIDA,
muda de forma com as gerações futuras
mas continua lá, nunca nos larga!
Estou farto de Palha!
A Palha, pá, está sempre a queixar-se!
Se não se queixa da sua vida
queixa-se da vida dos outros!!!
Mas também, sempre a lamuriam-se
mas não fazem nada por isso!!!
Palha... palha é para queimar!!
Contribuem para tudo,
para morrer mais depressa, para dar uma boa queca,
para destruir a Natureza, para os bolsos dos políticos,
só não contribuem é para a evolução da Humanidade!!!
Tanto paleio tanto paleio que o navio encalhou
e, claro, quem é que tem levar com esta merda toda?
Sou eu claro!!! Como é mais que óbvio!!!
Pá, ó Deus! Baralhaste isto muito mal baralhado, pá!
é um gigantesco baralho de cartas em queda.
Sempre a cairem em cima de mim (!!!):
Reis a darem ordens, quando na verdade,
são uns mortaizinhos que só provocam desordens!
Os Príncipes! Os Príncipes!
Ah! Os Príncipes! Sempre têm tudo!
Nunca lhes falta nada!
Aliás!, problemas?, com eles!?
Só os de matemática e não são os da vida!
Viva a porra da igualdade, pá!!!
As Damas... ai as Damas!
Não sou Príncipe mas sei tratar duma Princesa!
Damas, tantas Damas! Que beleza!
Mas só me passam ao lado!!!
Sou um romântico frustrado...
Não não, sou mas é um desleixado!
E quem o diz é a porra do Joker!!
Esse então nunca se cala!! Sempre a gozar
sempre a gozar sempre a gozar!!!
Sempre armado em palhaço,
aquele palhaço da merda!
Sempre a falar da minha vida
como se fosse uma novela!!!
Com intrigas e difamações,
senão está a dormir está a falar mal de mim!
Cúmulo da superficialidade!
Como é um anormal e não tem amor próprio,
anda a ver se os outros se desamam!!!
Suicidem-no, porra!!!
A Manilha, a Manilha lá vai!
Aponta o dedo a tudo o que faço!
"Tudo perfeitinho tudo perfeitinho,
não podes falhar!"
Se me desvio por milímetros,
pimbas!! Lá está ele!
"Estás te a desviar! Estás-te a desviar!"
Parece uma sirene, foda-se!
Sempre que o oiço apaixono-me pelo meu despertador!
Burro, pois, eu sou o Burro!
Ando para aqui a falar,
mas quem é que me ouve?
Quem é me entende, hã?
Pois, ninguém responde!
Eu nem sei porque raio me estou a queixar,
nada muda, é sempre a mesma merda!
Esta merda é como a SIDA,
muda de forma com as gerações futuras
mas continua lá, nunca nos larga!
Estou farto de Palha!
A Palha, pá, está sempre a queixar-se!
Se não se queixa da sua vida
queixa-se da vida dos outros!!!
Mas também, sempre a lamuriam-se
mas não fazem nada por isso!!!
Palha... palha é para queimar!!
Contribuem para tudo,
para morrer mais depressa, para dar uma boa queca,
para destruir a Natureza, para os bolsos dos políticos,
só não contribuem é para a evolução da Humanidade!!!
Tanto paleio tanto paleio que o navio encalhou
e, claro, quem é que tem levar com esta merda toda?
Sou eu claro!!! Como é mais que óbvio!!!
Pá, ó Deus! Baralhaste isto muito mal baralhado, pá!
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Purificando A Alma
Pintaste as paredes do meu mundo,
distorceste a minha visão com pesadelos,
fizeste de mim um louco ingénuo.
Operaste os meus inocentes olhos
com visões negras solidificadas com a solidão.
Manipulaste o espelho onde me via,
fechado em casa, enquanto fugia
a esses olhos onde alucinei perseguição
mas o anjo que aclamo Minha Mãe
me fez ver o irreal em que acreditei
ser real, esse pesadelo onde fui rei.
distorceste a minha visão com pesadelos,
fizeste de mim um louco ingénuo.
Operaste os meus inocentes olhos
com visões negras solidificadas com a solidão.
Manipulaste o espelho onde me via,
fechado em casa, enquanto fugia
a esses olhos onde alucinei perseguição
mas o anjo que aclamo Minha Mãe
me fez ver o irreal em que acreditei
ser real, esse pesadelo onde fui rei.
Um Tema Para Os Outros Tempos
Cigarro aceso no cinzeiro,
cama por fazer, quarto por arrumar,
roupa amontoada no chão,
cortinas fechadas, molduras partidas,
versos escritos nos armários,
café intornado, posters rasgados,
papeladas na secretária,
migalhas, luzes apagadas,
quarto desarrumado,
mas a janela está aberta,
o vento entra e fuma o cigarro
até ao filtro, faz a cama,
arruma o quarto,
abre as cortinas,
leva os cactos dos vidros partidos,
como se o tempo voltasse atrás,
põe o café intornado na chávena,
leva os posters, organiza os papeís,
transporta a roupa suja
e a luz do sol entra no quarto.
Entro sem saber o que aconteceu
e apercebo-me do amor da mãe que me concebeu.
cama por fazer, quarto por arrumar,
roupa amontoada no chão,
cortinas fechadas, molduras partidas,
versos escritos nos armários,
café intornado, posters rasgados,
papeladas na secretária,
migalhas, luzes apagadas,
quarto desarrumado,
mas a janela está aberta,
o vento entra e fuma o cigarro
até ao filtro, faz a cama,
arruma o quarto,
abre as cortinas,
leva os cactos dos vidros partidos,
como se o tempo voltasse atrás,
põe o café intornado na chávena,
leva os posters, organiza os papeís,
transporta a roupa suja
e a luz do sol entra no quarto.
Entro sem saber o que aconteceu
e apercebo-me do amor da mãe que me concebeu.
Família
Eu via o espelho do meu mundo desfocado,
achando eu vê-lo real, vivi absurdamente um fardo,
o fardo de ser eu nenhuma parte desse total:
família.
achando eu vê-lo real, vivi absurdamente um fardo,
o fardo de ser eu nenhuma parte desse total:
família.
A Forca Das Palavras
Na forca das palavras ninguém pode esconder-se,
porque elas assassinam em nome da ignorância.
É a crítica e o gozo de quem assiste,
atirando frutas contra ti e sem puderes fugir dali
és humilhada no teu mundo, onde só tu o conheces.
Presa na palavra que tanto desejas mas não vem,
tentas sair constantemente esperançando a salvação.
Na boca de todos, és mastigada vezes sem conta,
torturada por boatos e mentiras,
culpada por coisas que não aconteceram.
Perdes a força para tanta afronta,
deixas-te ficar, à espera do fim.
E quando tudo acaba,
quando todos já se foram embora,
Deus acende a tua alma
ou Jesus aparecer-te-á
dizendo estar já na hora.
domingo, 21 de agosto de 2011
Mulher De Armas
Deixa-me amparar o teu rosto
ó mulher de armas,
que encarregaste e carregaste o mundo
sem descanso, beijaste sempre os teus,
nas suas tristezas e nas suas alegrias
mas quem te beijou sem agradecimento
e com sentido fraterno?
Escorrem lágrimas de suor
sobre as tuas cicatrizes,
limpá-las-ei do teu ninho
e dar-te-ei o amor e o carinho
com que tu deste em troca,
somente, de varizes.
Sem te aperceberes,
lutaste contra o impossível
e tornaste-te invisível,
no entanto, demasiado importante,
pois tu, foste a base
onde bati as asas, tu, foste o carvão
para que eu sentisse o calor da água
e o chão onde dei os primeiros passos.
Eu fui a tua criação,
nascido para te levantar do chão,
mesmo sem quereres, mesmo sem admitires,
criaste-me com amor e nele te cuido com o meu coração.
ó mulher de armas,
que encarregaste e carregaste o mundo
sem descanso, beijaste sempre os teus,
nas suas tristezas e nas suas alegrias
mas quem te beijou sem agradecimento
e com sentido fraterno?
Escorrem lágrimas de suor
sobre as tuas cicatrizes,
limpá-las-ei do teu ninho
e dar-te-ei o amor e o carinho
com que tu deste em troca,
somente, de varizes.
Sem te aperceberes,
lutaste contra o impossível
e tornaste-te invisível,
no entanto, demasiado importante,
pois tu, foste a base
onde bati as asas, tu, foste o carvão
para que eu sentisse o calor da água
e o chão onde dei os primeiros passos.
Eu fui a tua criação,
nascido para te levantar do chão,
mesmo sem quereres, mesmo sem admitires,
criaste-me com amor e nele te cuido com o meu coração.
Em ti, poema, encontrei umas breves calçadas
que me mostraram os horizontes da liberdade,
por ti, poema, nasceu em mim a ansiedade
pela tua expulsão do meu ser,
de ti, poema, arranquei a sujidade
que a minha alma deixara reter,
para ti, poema, esta minha paixão
entrego-te do mais fundo do meu coração.
Porque tu, poema,
és o mundo onde sonhei,
a infecção que curei,
a verdade que revelei,
tu, poema, és o número ímpar
que completa a matemática da minha vida.
que me mostraram os horizontes da liberdade,
por ti, poema, nasceu em mim a ansiedade
pela tua expulsão do meu ser,
de ti, poema, arranquei a sujidade
que a minha alma deixara reter,
para ti, poema, esta minha paixão
entrego-te do mais fundo do meu coração.
Porque tu, poema,
és o mundo onde sonhei,
a infecção que curei,
a verdade que revelei,
tu, poema, és o número ímpar
que completa a matemática da minha vida.
De longe escrevi para ti,
tão perto fora por ter vindo de mim.
Encontrados no mesmo sonho e na mesma esperança,
neste planeta grande que é
mas pequeno no colo de uma criança.
Já me lês, leitor,
com os mesmos olhos com que vi o mundo,
irrigados pelo mesmo sentimento.
Escrevi amor entre palavras abraçadas
às que tu deste carinho, talvez pela felicidade
talvez por almofadas encharcadas.
Somos nós, meu irmão,
iguais à Humanidade,
porque ambos sentimos
a mesma respiração.
tão perto fora por ter vindo de mim.
Encontrados no mesmo sonho e na mesma esperança,
neste planeta grande que é
mas pequeno no colo de uma criança.
Já me lês, leitor,
com os mesmos olhos com que vi o mundo,
irrigados pelo mesmo sentimento.
Escrevi amor entre palavras abraçadas
às que tu deste carinho, talvez pela felicidade
talvez por almofadas encharcadas.
Somos nós, meu irmão,
iguais à Humanidade,
porque ambos sentimos
a mesma respiração.
domingo, 14 de agosto de 2011
Olá,
estava a passar por ali e decidi vir aqui.
Sei que te tenho falado mal
e hoje, que sou mais homem
que criança e sei pensar por mim (...)
mas tem estado em mim uma desordem.
Há desarrumações em gavetas e armários
que não foram das minhas decisões.(...)
Sei que te traí, vida,
nos momentos de tensão
fui eu quem ousou parar o coração,(...)
mas estás a esquecer-te de algo,
é que eu sou humano
e não fui quem me criou,
que nas minhas quedas
o mal quis amparar
as minhas lágrimas no seu peito
e eu nunca lhe dei esse direito,
mas claro, sentimentos?
Não existem pá,
não interessa pá,
que se foda
se foste ou se és,
a única coisa
que interessa é o trabalho,
por isso é que o governo
dá-te vacinas de borla
e é por isso que
existem instituições,
para continuares vivo
para trabalhares!
Porque raio
dás-te ao trabalho
de sentires!?
Dá-te mas é ao trabalho!
Ao verdadeiro trabalho!
Mas tudo bem,
eu vou arranjar-me,
pôr uns pregos,
uns chips, umas engrenagens,
umas placas enferrujadas,
uns fios eléctricos,
umas luzes,
vou arrancar de mim a alma,
o coração,
e vou trabalhar, que é essa
a gigantesca função
de toda a nossa vida
insignificante.
estava a passar por ali e decidi vir aqui.
Sei que te tenho falado mal
e hoje, que sou mais homem
que criança e sei pensar por mim (...)
mas tem estado em mim uma desordem.
Há desarrumações em gavetas e armários
que não foram das minhas decisões.(...)
Sei que te traí, vida,
nos momentos de tensão
fui eu quem ousou parar o coração,(...)
mas estás a esquecer-te de algo,
é que eu sou humano
e não fui quem me criou,
que nas minhas quedas
o mal quis amparar
as minhas lágrimas no seu peito
e eu nunca lhe dei esse direito,
mas claro, sentimentos?
Não existem pá,
não interessa pá,
que se foda
se foste ou se és,
a única coisa
que interessa é o trabalho,
por isso é que o governo
dá-te vacinas de borla
e é por isso que
existem instituições,
para continuares vivo
para trabalhares!
Porque raio
dás-te ao trabalho
de sentires!?
Dá-te mas é ao trabalho!
Ao verdadeiro trabalho!
Mas tudo bem,
eu vou arranjar-me,
pôr uns pregos,
uns chips, umas engrenagens,
umas placas enferrujadas,
uns fios eléctricos,
umas luzes,
vou arrancar de mim a alma,
o coração,
e vou trabalhar, que é essa
a gigantesca função
de toda a nossa vida
insignificante.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
A Origem Da Realidade
A toda a hora grito o teu nome na minha alma,
tenho-o cravado em crosta na minha palma
que sangra a morte da inocência
daquele que chorou enquanto implorava clemência,
tenho o terror de ter o teu sangue
que o meu coração esguincha em cada pulsação.
És a nicotina que fumo enquanto espero a tua vinda
para cumprir a promessa de vingança,
jurada à frente dos espelhos do demónio,
promessa feita em lágrimas caídas sobre o rosto de uma criança:
não irei morrer sem primeiro te ver sofrer.
Tu és o inferno que carrego sobre as costas
de hoje ver a minha mãe com a amargura da vida,
lágrimas alcoolizadas e ácidas que desejam a morte
por não conseguir pagar as contas da electricidade puxada,
das rendas atrasadas, da água roubada e da internet pirateada.
Não me esqueci,
não me esqueci das vezes tentaste eliminar
da minha mente a minha mamã,
das vezes que me bateste logo pela manhã,
das vezes que gritaste comigo
como se fosse eu o teu pior inimigo,
das vezes que levei porrada e não tive culpa,
das vezes que me deste com o metal
mesmo quando te pedia mil vezes desculpa,
das vezes que fechavas as janelas e a porta
que me arrepia a espinha por saber o que se avizinha,
das vezes me obrigavas a ficar na cama durante horas,
das vezes que ficava aliviado por saíres para ir beber café,
das vezes que não pude falar porque não me deixaste
mas a verdade e a razão estavam do meu lado,
das vezes que me deitaste a baixo nas minhas vitórias.
Eu era criança, ingénuo, e fiquei com a percepção
que o mundo fosse assim como tu foste comigo.
Eles dizem que és o meu pai,
eu digo que és a minha maldição,
eles dizem que foi amor,
eu digo que foi destruição,
eles não viveram o que eu vivi,
eles não sentiram o que eu senti,
eu é que tenho razão.
Porque tu criaste em mim a solidão que a opressão
cria quando nos pega pela depressão.
Tu quiseste-me em fatos
mas só me sufocaste em gravatas.
Nunca me disseste que me amavas,
só aparecias quando me espancavas.
Tu apelidaste-me de porco, irresponsável, marginal,
tu conheces-me mal, mas passo a apresentar-me:
eu sou a flôr murchada à pala do teu sal,
sou o rancor e o ressentimento
de quem foi castigado por dizer a verdade,
sou o ódio e a raiva de quem não viu a justiça
e foi obrigado a fingir o mau sentimento,
sou a tristeza de quem foi posto de parte pela sociedade,
sou o poeta que anseia o purgatório
sobre aqueles que crucifixaram a liberdade
com o que lhes conveio chamar de obrigatório,
sou o monstro do cão criado nas escuridões,
nas solidões, nas torturas e nos desafectos
que agora ladra e mata enraivecido
sem lhe terem deixado soluções,
sou a humildade e o medo impuros
torturados pela perseguição do ser vencido,
sou o desepero de quem chamou cura à morte
mas acordou a tempo e passou à margem da sorte,
sou o louco que vê no espelho um ser horrível
que todos riem eternamente, situação impercetível,
sou a revolta tresloucada de um terrorista
que chocou os seus conhecidos quando se tornou bombista.
Como vês, sou o produto e o resultado da vontade do teu alter-ego,
quando tudo o que eu quis foi um abraço, um beijo,
ou uma outra qualquer amostra de amor,
mas tu não, tu destruíste todo o meu ego,
assassinaste e roubaste a minha alma
e foste-te embora depois de teres semeado a dor
e ainda levaste qualquer memória de esperança.
Agora vives feliz
e eu arrastar-me na maldição
de toda a minha realidade ser da tua criação.
tenho-o cravado em crosta na minha palma
que sangra a morte da inocência
daquele que chorou enquanto implorava clemência,
tenho o terror de ter o teu sangue
que o meu coração esguincha em cada pulsação.
És a nicotina que fumo enquanto espero a tua vinda
para cumprir a promessa de vingança,
jurada à frente dos espelhos do demónio,
promessa feita em lágrimas caídas sobre o rosto de uma criança:
não irei morrer sem primeiro te ver sofrer.
Tu és o inferno que carrego sobre as costas
de hoje ver a minha mãe com a amargura da vida,
lágrimas alcoolizadas e ácidas que desejam a morte
por não conseguir pagar as contas da electricidade puxada,
das rendas atrasadas, da água roubada e da internet pirateada.
Não me esqueci,
não me esqueci das vezes tentaste eliminar
da minha mente a minha mamã,
das vezes que me bateste logo pela manhã,
das vezes que gritaste comigo
como se fosse eu o teu pior inimigo,
das vezes que levei porrada e não tive culpa,
das vezes que me deste com o metal
mesmo quando te pedia mil vezes desculpa,
das vezes que fechavas as janelas e a porta
que me arrepia a espinha por saber o que se avizinha,
das vezes me obrigavas a ficar na cama durante horas,
das vezes que ficava aliviado por saíres para ir beber café,
das vezes que não pude falar porque não me deixaste
mas a verdade e a razão estavam do meu lado,
das vezes que me deitaste a baixo nas minhas vitórias.
Eu era criança, ingénuo, e fiquei com a percepção
que o mundo fosse assim como tu foste comigo.
Eles dizem que és o meu pai,
eu digo que és a minha maldição,
eles dizem que foi amor,
eu digo que foi destruição,
eles não viveram o que eu vivi,
eles não sentiram o que eu senti,
eu é que tenho razão.
Porque tu criaste em mim a solidão que a opressão
cria quando nos pega pela depressão.
Tu quiseste-me em fatos
mas só me sufocaste em gravatas.
Nunca me disseste que me amavas,
só aparecias quando me espancavas.
Tu apelidaste-me de porco, irresponsável, marginal,
tu conheces-me mal, mas passo a apresentar-me:
eu sou a flôr murchada à pala do teu sal,
sou o rancor e o ressentimento
de quem foi castigado por dizer a verdade,
sou o ódio e a raiva de quem não viu a justiça
e foi obrigado a fingir o mau sentimento,
sou a tristeza de quem foi posto de parte pela sociedade,
sou o poeta que anseia o purgatório
sobre aqueles que crucifixaram a liberdade
com o que lhes conveio chamar de obrigatório,
sou o monstro do cão criado nas escuridões,
nas solidões, nas torturas e nos desafectos
que agora ladra e mata enraivecido
sem lhe terem deixado soluções,
sou a humildade e o medo impuros
torturados pela perseguição do ser vencido,
sou o desepero de quem chamou cura à morte
mas acordou a tempo e passou à margem da sorte,
sou o louco que vê no espelho um ser horrível
que todos riem eternamente, situação impercetível,
sou a revolta tresloucada de um terrorista
que chocou os seus conhecidos quando se tornou bombista.
Como vês, sou o produto e o resultado da vontade do teu alter-ego,
quando tudo o que eu quis foi um abraço, um beijo,
ou uma outra qualquer amostra de amor,
mas tu não, tu destruíste todo o meu ego,
assassinaste e roubaste a minha alma
e foste-te embora depois de teres semeado a dor
e ainda levaste qualquer memória de esperança.
Agora vives feliz
e eu arrastar-me na maldição
de toda a minha realidade ser da tua criação.
Dinheiro Ganancioso
Tu, dinheiro, és Semi-Deus-Pseudo-Poderoso,
brincas com a mente e o corpo humano,
adoeces os gananciosos sedados pelo poder
ainda depois de mortos continuam-nos a foder.
Tu vestiste e ergueste o homem da ambição,
deste-lhe um bom carro, sexo e muita influência
e para te rires dele atiraste-o ao pricipício
quando ele se apercebeu da máxima de solidão:
pisou toda gente que lhe fez frente.
Ele achava-se máquina mas entregou-se ao suicídio,
depois de se gabar que já tinha tudo
foi conquistado pela verdade que o tornou mudo
quando lhe pronunciou a harmonia:
"és mais um humanóidezinho que eu piso,
eu cheguei para te lembrar que tens alma,
precisas do amor honesto,
pois, eu tenho-te na minha palma
e agora vou diminuir-te com o meu riso".
Eu sei a tua fraqueza,
o teu poder não é verdadeiro,
és um jogo virtual:
pode demorar uma eternidade
mas voltamos sempre à realidade no final.
Somos humanos,
marionetas da Natureza,
obrigados a ser amados e a amar,
aconteça o que acontecer,
o amor verdadeiro estará sempre em primeiro lugar.
Consigo viver sem ti,
posso roubar-te, tu não sabes quem sou
mas eles amam-me pois eu o assim dou.
Tu não dás nada, só mandas matar,
tudo o que sabes fazer é desgovernar.
Eu sinto o teu prazo de validade,
és apenas um cancro na Humanidade.
brincas com a mente e o corpo humano,
adoeces os gananciosos sedados pelo poder
ainda depois de mortos continuam-nos a foder.
Tu vestiste e ergueste o homem da ambição,
deste-lhe um bom carro, sexo e muita influência
e para te rires dele atiraste-o ao pricipício
quando ele se apercebeu da máxima de solidão:
pisou toda gente que lhe fez frente.
Ele achava-se máquina mas entregou-se ao suicídio,
depois de se gabar que já tinha tudo
foi conquistado pela verdade que o tornou mudo
quando lhe pronunciou a harmonia:
"és mais um humanóidezinho que eu piso,
eu cheguei para te lembrar que tens alma,
precisas do amor honesto,
pois, eu tenho-te na minha palma
e agora vou diminuir-te com o meu riso".
Eu sei a tua fraqueza,
o teu poder não é verdadeiro,
és um jogo virtual:
pode demorar uma eternidade
mas voltamos sempre à realidade no final.
Somos humanos,
marionetas da Natureza,
obrigados a ser amados e a amar,
aconteça o que acontecer,
o amor verdadeiro estará sempre em primeiro lugar.
Consigo viver sem ti,
posso roubar-te, tu não sabes quem sou
mas eles amam-me pois eu o assim dou.
Tu não dás nada, só mandas matar,
tudo o que sabes fazer é desgovernar.
Eu sinto o teu prazo de validade,
és apenas um cancro na Humanidade.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Amante Das Estrelas E Do Sonho
O céu é um mar de estrelas,
passo noites inteiras a vê-las.
Tento construir uma canoa,
ainda sou criança,
não foi uma ideia boa,
a ignorância sonha,
cheio de esperança,
eu continuo a tentar arranjar
uma maneira de lá chegar.
Noites inteiras passadas pela adolescência,
entre a frustração e a impaciência.
Teimoso, a ciência não tem razão,
o sonho está por cima da verdade.
Tento uma nova construção
no prédio mais alto da cidade.
Todos dizem que estou louco
mas eu sinto que já falta pouco,
só preciso de me pôr em bicos de pés e esticar o braço,
apercebo-me que ainda há algum espaço.
Deram-me sermões e mais trinta mil razões
para eu deixar de sonhar e fixar-me ao que é real,
já tinha tentado de tudo e escrito quinze cartas ao Pai Natal.
O sonho era grande mas obrigaram-me a ser normal.
Retenho o sonho dentro de mim,
sou um adulto homogéneo na caminhada da Humanidade
mas menos igual por ansear adormecer e voltar à irrealidade.
Até o sol se pôr vou sendo outra pessoa.
Os meus netos fazem-me lembrar os tempos da canoa,
eles gostam da história, querem sempre que eu a repita,
fiquei com uma pergunta deles na minha mente:
"Porque é que não conseguiste?"
"Porque desisti de tentar."
"Porquê?"
"Porque tornei-me uma pessoa diferente..."
Mas não, continuo igual a mim mesmo só que mascarado,
ainda hoje me pergunto, se tivesse continuado, teria conseguido?
No meio da reflexão apodera-se em mim um sono pesado e estranho,
adormeço e volto a ser criança,
é a mesma relva, a mesma única árvore, o mesmo lago...
estou no lugar onde costumava estar em criança.
Este sonho parece ser real...
A canoa está à minha frente,
completamente empoeirada,
observo-a, sento-me nela,
sinto-me no meu lar,
encosto-me, observo o céu estrelado,
um sorriso alegra-me e dá-me vontade de remar,
mal o faço, a canoa começa a voar...
passo noites inteiras a vê-las.
Tento construir uma canoa,
ainda sou criança,
não foi uma ideia boa,
a ignorância sonha,
cheio de esperança,
eu continuo a tentar arranjar
uma maneira de lá chegar.
Noites inteiras passadas pela adolescência,
entre a frustração e a impaciência.
Teimoso, a ciência não tem razão,
o sonho está por cima da verdade.
Tento uma nova construção
no prédio mais alto da cidade.
Todos dizem que estou louco
mas eu sinto que já falta pouco,
só preciso de me pôr em bicos de pés e esticar o braço,
apercebo-me que ainda há algum espaço.
Deram-me sermões e mais trinta mil razões
para eu deixar de sonhar e fixar-me ao que é real,
já tinha tentado de tudo e escrito quinze cartas ao Pai Natal.
O sonho era grande mas obrigaram-me a ser normal.
Retenho o sonho dentro de mim,
sou um adulto homogéneo na caminhada da Humanidade
mas menos igual por ansear adormecer e voltar à irrealidade.
Até o sol se pôr vou sendo outra pessoa.
Os meus netos fazem-me lembrar os tempos da canoa,
eles gostam da história, querem sempre que eu a repita,
fiquei com uma pergunta deles na minha mente:
"Porque é que não conseguiste?"
"Porque desisti de tentar."
"Porquê?"
"Porque tornei-me uma pessoa diferente..."
Mas não, continuo igual a mim mesmo só que mascarado,
ainda hoje me pergunto, se tivesse continuado, teria conseguido?
No meio da reflexão apodera-se em mim um sono pesado e estranho,
adormeço e volto a ser criança,
é a mesma relva, a mesma única árvore, o mesmo lago...
estou no lugar onde costumava estar em criança.
Este sonho parece ser real...
A canoa está à minha frente,
completamente empoeirada,
observo-a, sento-me nela,
sinto-me no meu lar,
encosto-me, observo o céu estrelado,
um sorriso alegra-me e dá-me vontade de remar,
mal o faço, a canoa começa a voar...
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Algures neste planeta,
onde um casal de tigres se encontra,
onde milhares de milhões de células estão a multiplicar-se,
onde um político está a fazer promessas às gentes,
onde um pai está a chorar a morte do seu pai,
onde alguém atrasado está a dar início a um reunião,
onde está a haver sete guerras civis,
onde um avião está a preparar-se para nunca mais voltar,
onde duas pessoas estão a culpar-se no meio de um acidente de viação,
onde uma folha está a cair da sua árvore,
onde uma águia está a caçar,
onde um investigador de directa está a arquivar um caso de homicídio,
onde uma mãe está a sorrir ao seu recém-nascido,
onde um casal está a fazer juras de amor,
onde alguém está a ler este poema,
onde alguém acaba de acordar,
onde uma rosa está a florescer,
onde uma mãe está a receber a morte, na guerra, do seu filho,
onde um grupo de amigos está a ir para a discoteca,
onde um peixe está a desovar,
onde um pombo está a defecar,
onde uma onda está a rebentar,
onde alguém está a afogar as suas mágoas no álcool,
onde alguém está a ser preso e a está despedir-se da liberdade com o olhar,
onde alguém acaba de conquistar a carta de condução,
onde alguém está a planear um atentado,
onde alguém está a rezar,
agures neste planeta, estou eu,
entre prédios e janelas iluminadas,
a escrever as últimas palavras deste poema.
onde um casal de tigres se encontra,
onde milhares de milhões de células estão a multiplicar-se,
onde um político está a fazer promessas às gentes,
onde um pai está a chorar a morte do seu pai,
onde alguém atrasado está a dar início a um reunião,
onde está a haver sete guerras civis,
onde um avião está a preparar-se para nunca mais voltar,
onde duas pessoas estão a culpar-se no meio de um acidente de viação,
onde uma folha está a cair da sua árvore,
onde uma águia está a caçar,
onde um investigador de directa está a arquivar um caso de homicídio,
onde uma mãe está a sorrir ao seu recém-nascido,
onde um casal está a fazer juras de amor,
onde alguém está a ler este poema,
onde alguém acaba de acordar,
onde uma rosa está a florescer,
onde uma mãe está a receber a morte, na guerra, do seu filho,
onde um grupo de amigos está a ir para a discoteca,
onde um peixe está a desovar,
onde um pombo está a defecar,
onde uma onda está a rebentar,
onde alguém está a afogar as suas mágoas no álcool,
onde alguém está a ser preso e a está despedir-se da liberdade com o olhar,
onde alguém acaba de conquistar a carta de condução,
onde alguém está a planear um atentado,
onde alguém está a rezar,
agures neste planeta, estou eu,
entre prédios e janelas iluminadas,
a escrever as últimas palavras deste poema.
À margem do precipício,
as rochas caídas,
por baixo de mim,
levam com ondas,
os dedos dos pés estão preparados.
O horizonte de um mar,
uma lágrima reflecte as memórias,
como se tudo o que aconteceu
estivesse um único fim: estar ali.
Vem uma rajada de vento,
empurra-me para a queda,
a viagem é calma e lenta...
o céu parece aumentar.
Tudo começa a ficar claro desde o princípio,
o sorriso deixa uma lágrima a meio da falésia,
é esta a peça que me falta
na busca entre respostas incompletas,
darei por completo esta peripécia
quando chegar lá abaixo.
as rochas caídas,
por baixo de mim,
levam com ondas,
os dedos dos pés estão preparados.
O horizonte de um mar,
uma lágrima reflecte as memórias,
como se tudo o que aconteceu
estivesse um único fim: estar ali.
Vem uma rajada de vento,
empurra-me para a queda,
a viagem é calma e lenta...
o céu parece aumentar.
Tudo começa a ficar claro desde o princípio,
o sorriso deixa uma lágrima a meio da falésia,
é esta a peça que me falta
na busca entre respostas incompletas,
darei por completo esta peripécia
quando chegar lá abaixo.
sábado, 6 de agosto de 2011
Trips Comerciais No Sistema Solar S.A. (Sem Publicidade)
Dão-me as boas-vindas
mal chego à:
Trips Comerciais
No Sistema Solar S.A.
Dão-me um fato
e umas botas especiais
com o grande logotipo
da "Trips Comerciais™".
Entro no vai-vém
que vai mas não vem,
aconchego-me no lugar VIP,
o capitão da estação mostra-se pelo ecrã,
faz-me continência e diz:
"Tenha uma boa Trip".
Na Lua a caminhar,
o movimento do meu andar
é que a faz girar
e eu vou a todo o lado
sem sair do mesmo lugar.
Na Terra caminho,
vou estando por aqui, por ali
mas nunca estou em mim.
Vou a andar em Plutão
numa rota desvairada
em completa desorganização.
A passos em Marte
a fazer flexões
e a marcar território
por toda a parte.
Com um pé em Vénus
e outro a meio do ar
a admirar as #$5(.)(.)]!"
e os #/!=(__)??"(#. .
Destino final: Sol,
uma espreguiçadeira
uns óculos, vodka
e um sorriso mole.
mal chego à:
Trips Comerciais
No Sistema Solar S.A.
Dão-me um fato
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com o grande logotipo
da "Trips Comerciais™".
Entro no vai-vém
que vai mas não vem,
aconchego-me no lugar VIP,
o capitão da estação mostra-se pelo ecrã,
faz-me continência e diz:
"Tenha uma boa Trip".
Na Lua a caminhar,
o movimento do meu andar
é que a faz girar
e eu vou a todo o lado
sem sair do mesmo lugar.
Na Terra caminho,
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
O meu inferno grego é eu ter o teu sangue
a escorrer nas minhas veias,
assim,
assim,
ser obrigado a amar-te de modo natural
quando tu é que semeias o mal.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Carta Inter-Universal
Ei, Deus, deixa-me pedir-Te um desejo,
leva-me para a Figueira Da Foz
onde não precise de usar a voz
que aclama e reclama o amor
de uma dor no meio do oceano
pelas lágrimas que secam
e se transformam num ardor
de uma amargura que não esquece.
Ei, se ouves a minha prece,
pede ao amor para namorar comigo
e me faça o seu melhor amigo
que eu já não acho em mim
a força que resistia à tortura
de pensar não haver cura
de ser ele o meu inimigo.
Ei, faz aqui umas reparações, por favor,
o tecto está inteiro mas chove cá dentro,
a minha chave de casa entra na porta
mas não a sinto como o meu lar,
a minha almofada está encharcada
a água que nela há é amargurada,
sinto-lhe o sabor o cheiro
do que é mas não é verdadeiro,
a cama onde me deito
faz sufocar o meu peito,
as janelas são transparentes
mas o sol não parece ser real
e as luzes que ligo são tão intensas
como quando as desligo...
sabes que mais?
Isto está tudo mal.
Ei, diz lá o que é normal,
não me lembro das normas da sociedade,
dita-me aquelas que fazem parecer outra realidade
para não levar para a rua as paredes-mestras
ou transformam os traços da minha face nas suas arestas.
Ei, não tens por aí um anjo-da-guarda a mais
para que me possa ouvir?
Ou antes um paraíso para onde eu possa fugir?
Ei, por acaso não tens um cigarro?
É que eu estou um bocado frustrado
e estou farto de levar com merda em cima,
não espera, é melhor não fumar,
é que mal o acendo vai estar
alguém por trás a criticar,
foda-se, eu só quero relaxar, posso?
Ou vais dizer que tenho de ir trabalhar?
Estás preocupado com o quê?
Mete-te na tua vida que eu sei
que contas tenho para pagar!
Estou farto de ouvir o que tu farias
e dirias mas não fazes nada
nem sequer sabes o que é minha vida!
Mas o que estás aqui a fazer!?
Cala-te com as tuas hipocrisias
e vai mas é tu trabalhar!
Ei, Deus, desculpa lá,
mas é que fartei-me de gente má.
Estava aqui uma pessoa a deixar-me louco
sabes como é, falam muito mas sabem muito pouco.
Ei já agora, fá-la desaparecer,
é que sempre que ela fala
parece que eu estou a desfalecer.
Ei, Deus, dá-me uma caravela
que resista a tempestades
e me leve a experimentar
do que faz a vida bela.
Ei, Deus,
faz com que eu não precise nada disto
e Te diga adeus.
leva-me para a Figueira Da Foz
onde não precise de usar a voz
que aclama e reclama o amor
de uma dor no meio do oceano
pelas lágrimas que secam
e se transformam num ardor
de uma amargura que não esquece.
Ei, se ouves a minha prece,
pede ao amor para namorar comigo
e me faça o seu melhor amigo
que eu já não acho em mim
a força que resistia à tortura
de pensar não haver cura
de ser ele o meu inimigo.
Ei, faz aqui umas reparações, por favor,
o tecto está inteiro mas chove cá dentro,
a minha chave de casa entra na porta
mas não a sinto como o meu lar,
a minha almofada está encharcada
a água que nela há é amargurada,
sinto-lhe o sabor o cheiro
do que é mas não é verdadeiro,
a cama onde me deito
faz sufocar o meu peito,
as janelas são transparentes
mas o sol não parece ser real
e as luzes que ligo são tão intensas
como quando as desligo...
sabes que mais?
Isto está tudo mal.
Ei, diz lá o que é normal,
não me lembro das normas da sociedade,
dita-me aquelas que fazem parecer outra realidade
para não levar para a rua as paredes-mestras
ou transformam os traços da minha face nas suas arestas.
Ei, não tens por aí um anjo-da-guarda a mais
para que me possa ouvir?
Ou antes um paraíso para onde eu possa fugir?
Ei, por acaso não tens um cigarro?
É que eu estou um bocado frustrado
e estou farto de levar com merda em cima,
não espera, é melhor não fumar,
é que mal o acendo vai estar
alguém por trás a criticar,
foda-se, eu só quero relaxar, posso?
Ou vais dizer que tenho de ir trabalhar?
Estás preocupado com o quê?
Mete-te na tua vida que eu sei
que contas tenho para pagar!
Estou farto de ouvir o que tu farias
e dirias mas não fazes nada
nem sequer sabes o que é minha vida!
Mas o que estás aqui a fazer!?
Cala-te com as tuas hipocrisias
e vai mas é tu trabalhar!
Ei, Deus, desculpa lá,
mas é que fartei-me de gente má.
Estava aqui uma pessoa a deixar-me louco
sabes como é, falam muito mas sabem muito pouco.
Ei já agora, fá-la desaparecer,
é que sempre que ela fala
parece que eu estou a desfalecer.
Ei, Deus, dá-me uma caravela
que resista a tempestades
e me leve a experimentar
do que faz a vida bela.
Ei, Deus,
faz com que eu não precise nada disto
e Te diga adeus.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Liberdade De Estar
Escrevo sobre a escuridão
porque é nela que mais anseio a luz.
- É muito triste e profundo - dizem,
não, é esperançoso, é uma foto desfocada
que só eu consigo ver nitidamente,
que fui eu que a vivi ou a quis viver
e está penetrado na minha mente
mas todos esqueceram,
falaram mas não a viveram.
"Convém para teu bem
que finjas estar tudo bem."
Mas eu sou quem!?
Uma máquina que não ama?
Que por amar, não odeia?
Que por odiar, não chora?
Que por chorar, não se vai abaixo?
"Não te podes ir abaixo,
tens de ser forte e lutar"
Lutar contra o quê?
Contra a vida?
A vida sou eu
e mais o seu porquê.
Como posso liberta-me de lágrimas
quando as aprisiono aqui dentro?
Incomoda-te, ou convém não partilhar?
Para não sentires a tristeza?
Da tristeza há a beleza da nobreza
de não me ter assassinado.
Sim, apodera-te de mim
e deixa-me berrar tudo o que tenho silenciado
para não ter de ser perseguido,
para não ser acusado de um acto cometido
que no fundo foi uma consequência
da sociedade ter-me obrigado
a deixar as lágrimas de lado e ficar calado.
porque é nela que mais anseio a luz.
- É muito triste e profundo - dizem,
não, é esperançoso, é uma foto desfocada
que só eu consigo ver nitidamente,
que fui eu que a vivi ou a quis viver
e está penetrado na minha mente
mas todos esqueceram,
falaram mas não a viveram.
"Convém para teu bem
que finjas estar tudo bem."
Mas eu sou quem!?
Uma máquina que não ama?
Que por amar, não odeia?
Que por odiar, não chora?
Que por chorar, não se vai abaixo?
"Não te podes ir abaixo,
tens de ser forte e lutar"
Lutar contra o quê?
Contra a vida?
A vida sou eu
e mais o seu porquê.
Como posso liberta-me de lágrimas
quando as aprisiono aqui dentro?
Incomoda-te, ou convém não partilhar?
Para não sentires a tristeza?
Da tristeza há a beleza da nobreza
de não me ter assassinado.
Sim, apodera-te de mim
e deixa-me berrar tudo o que tenho silenciado
para não ter de ser perseguido,
para não ser acusado de um acto cometido
que no fundo foi uma consequência
da sociedade ter-me obrigado
a deixar as lágrimas de lado e ficar calado.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Desinspiração - Meios Poemas
Poemas meios,
são canetas encravadas
que tendem a escrever
o que já está escrito:
branco, invisível...
É o jeito da mão,
não forma novas palavras
senão as que já estão escritas.
Precisa-se de evolução,
leitura de instrução
e aumentar o vocabulário.
Ou ser fiel e acreditar no poema
como se nada mais existisse.
Ou nada disso, apenas escrever
e fazer desaparecer esse tema
irreal criado pela mente
que desmente a realidade
e nos quer transformar
com uma outra verdade.
que tendem a escrever
o que já está escrito:
branco, invisível...
É o jeito da mão,
não forma novas palavras
senão as que já estão escritas.
Precisa-se de evolução,
leitura de instrução
e aumentar o vocabulário.
Ou ser fiel e acreditar no poema
como se nada mais existisse.
Ou nada disso, apenas escrever
e fazer desaparecer esse tema
irreal criado pela mente
que desmente a realidade
e nos quer transformar
com uma outra verdade.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Chega de escrever,
está na hora de fazer,
de resolver, de re-criar!
Chega de estar sentado,
é hora de andar!
Nada de luzes sintéticas,
é hora de caminhar ao sol!
Fora, fora todas as teorias,
é tempo de praticar!
Denunciem as calúnias do pensamento,
calem as declamações da alma!
Chega de embelezar a desgraça!
Façamos antes o belo!
A vontade de ser e estar.
Que se lixem essas personalidades
insanas e desvairadas!
Desmantelem as guerras complicadas!
O ponteiro das horas deu duas voltas
e nada de novo aconteceu...
é tempo de viver,
é tempo de provar,
é tempo de ser eu!
está na hora de fazer,
de resolver, de re-criar!
Chega de estar sentado,
é hora de andar!
Nada de luzes sintéticas,
é hora de caminhar ao sol!
Fora, fora todas as teorias,
é tempo de praticar!
Denunciem as calúnias do pensamento,
calem as declamações da alma!
Chega de embelezar a desgraça!
Façamos antes o belo!
A vontade de ser e estar.
Que se lixem essas personalidades
insanas e desvairadas!
Desmantelem as guerras complicadas!
O ponteiro das horas deu duas voltas
e nada de novo aconteceu...
é tempo de viver,
é tempo de provar,
é tempo de ser eu!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
?
Se tivesse de escolher entre ti e uma vida perfeita
menina do meu coração, sem ti não há nunca perfeição,
dançaria num ritmo frustrado da vida.
Sou cego, só os teus olhos é que me são visíveis,
traz-me as notas da tua voz para me embalares
num sono inocente entre os momentos mais horríveis,
insensível sou pois só tenho tacto para a tua pele.
Quero descrever-te mas sou apenas um barquinho,
cujas velas são sopradas por tão doce brisa
e guiadas pela voz do encanto.
Ai que já me perdi em tão magníficas águas!
Donde vens ó senhora da minha inspiração?
Serás real? Demasiada perfeição que vejo.
Não derivas com certeza da minha mente
ou eu seria demasiado humilde,
nem Aphrodite teria tanta ousadia
para se rebaixar a tamanha obra de arte!
Anjo não poderás ser pois és gigantesca tentação,
Semifará não te inventou,
como é óbvio,
ou ele teria criado a sua própria morte.
Deves ser uma Deusa real,
real por não brilhares
e Deusa por dares brilho.
Nem ponho em questão
se foste inventada pelo Homem,
que isso seria o fim de tudo
pois teríamos conquistado a perfeição.
Qual poema, qual palavra que te descreva?
Nada, bem tento mas tudo se dá
como menos que parecido.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Vagabundo Nocturno
Um escuro adormecido pelos candeeiros da cidade sobre o silêncio do sono que tranquila gentes. Um carro ou outro passava, uma pessoa andava em direcção ao seu destino. Uma brisa tão suave e confortante aconchega o meu rosto. As estrelas lá estão, no céu. Os prédios à minha volta dizem-me o caminho, as folhas das árvores cantam com o vento. Os semáforos indicam a madrugada no seu piscar amarelo. Chego à praia, a lua ilumina-a, não era forte, era uma luz de presença, uma luz que fazia brilhar as ondas e as pedras da areia que estavam viradas para essa esfera, lua não egoísta ao ponto de não deixar que se veja as estrelas. Depois de tantos passos chegara perto das ondas, furiosas, enraivecidas mas respeitavam-me quando me tocavam nos meus pés acalmando-se. Deitei-me e os meus olhos fixaram-se no céu, numa estrela que, não sei porquê, me hipnotizava, por mais que quisesse não consiguia desviar os olhos mas também não queria. Deitado na praia e na água fina, de olhos abertos, adormecido, a sonhar....
Esta É A Carta Que Não Deves Ler
Não te posso dizer o que é pois o dinheiro não permite, o físico não permite, a mente não permite... a única coisa que tenho são estas palavras que lês e nem te apercebes que estou a falar de ti, dos teus belos olhos dos quais me fixo, dos teus lábios que desejo, da tua voz que me embala e da tua presença que, com a ignorância que tens sobre isto, me deixa nervoso, com as mãos nos bolsos e a olhar para o horizonte para não ser percebido. Um tema ao qual não consigo falar porque quando te digo olá tenho vontade de te dizer adeus e quando te digo adeus tenho vontade de te dizer olá. Sonho-te, crio a tua presença, assim, durmo sossegado, ando com um sorriso na cara pela rua e dá-me vontade de fazer nada. Sonhar-te implica desligar-me do mundo e da razão. E tu lês isto, do mais forte que tenho, palavras escritas, até gostas, até achas piada, até dizes que tenho jeito "pá" coisa mas... não te engasgues com o que vem depois: amo-te.
Doença
Ainda me lembro dos sabores da comida, de cada prato, de cada ingrediente... sabores únicos dos quais não dava valor, era tão rotineiro comer que para me alegrar teria de haver uma perfeita combinação de textura e de sabor. Agora para me castigar, não sinto na carne senão a sua textura que tão nojenta é sozinha, da massa que, não tendo sal, é tão salgada que nem dá vontade de beber água mas sim cuspir, do queijo no pão que salga tanto como a massa e da sobremesa, tão doce, tão aliciante, não, tão sem sabor, apenas textura... Todos os dias tento tão desesperadamente encontrar o sabor... falta açúcar? Pimenta? Oregãos? Salsa? Então ponham um quilo de cada e sirvam-me esse prato de Obèlix. Ah castigo! Que fiz eu? Para que me obrigas a ficar tão só em casa a assuar-me até sair sangue? Porque me obrigas tu, a ficar deitado para que não fique com tonturas? E acordar, fazes-me não querer acordar ou sinto o meu cérebro a rebentar... nem sono deixas que tome conta de mim no meio da tosse que já vomito... castigo, abafa-te em comprimidos, desaparece e deixa a cura comigo. Morre.
O Lar Antes Da Luz
Nasci por estes lados,
anos passaram, não me lembro,
são memórias nos confins da minha mente.
Foram as primeiras,
não devia estranhar mas estranho.
Reconheço um lugar parecido,
mas é diferente, agora são outras as maneiras.
Jurava que fosse maior,
tudo mudou, tenho a certeza...
mundo demasiado esquisito,
sinto saber esta fase toda de cor,
normal, sou marioneta da Natureza,
como tal, devo habituar-me à estranheza.
anos passaram, não me lembro,
são memórias nos confins da minha mente.
Foram as primeiras,
não devia estranhar mas estranho.
Reconheço um lugar parecido,
mas é diferente, agora são outras as maneiras.
Jurava que fosse maior,
tudo mudou, tenho a certeza...
mundo demasiado esquisito,
sinto saber esta fase toda de cor,
normal, sou marioneta da Natureza,
como tal, devo habituar-me à estranheza.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Felicidade
Felicidade seria conquistar o velho e descobrir o novo, seria convidar-te para tomarmos um café, seria desmontar as peças da minha personalidade e destinguir os defeitos dos traumas para reciclá-los, seria quebrar as regras da minha condição humana numa só conquista, seria acordar sem sono e contemplar cada raio do sol, seria ter calor e sentir uma brisa suave e fresca na face num planalto onde nenhum ser humano tenha estado, seria amar-te sem actos nem palavras nem pensamentos, seria sonhar em cima de sonhos realizados, seria não preocupar-me contigo nem com eles sem deixar de vos pensar, seria renascer em mim próprio sem ser novo mas diferente, seria morrer e dizer "fiz tudo o que podia para viver" com um sorriso de orelha a orelha... felicidade, seria não ter de escrever sobre ela.
sábado, 2 de julho de 2011
Não consigo chorar mais,
estou desidratado,
já não sinto amor...
Tirem-me a alma,
imploro de olhos inchados,
não quero sentir mais dor...
Grito nos vossos tímpanos,
brinco com as minhas mágoas,
tudo isto é uma farsa trágica...
Ajoelhado e rendido,
sem sequer te olhar
nesse teu olhar que não me vê
me vejo vencido...
Vencido na guerra
entre mim e a minha pedra
que se recusa, revoltada,
a encaixar nesta terra...
Que terra tão infértil, esta...
Que água tão salgada...
Que árvore tão seca...
Sou uma mosca
que bate no vidro da janela,
sem o ver, mas insiste,
porque para lá dela
está uma vida livre e bela.
Um vidro que sinto mas não vejo...
o que me agarra àquilo, atrás de mim?
Ó mosquinha tontinha,
porque voas tão desenfreadamente
contra uma janela aberta?
Desesperas contra o nada,
pois nada será quando passares
para um dos três lados...
Talvez a vitória, talvez o fracasso,
seja qual for, voa,
voa pelo céu sonhador
ou pelas terras da realidade,
se tens asas cria-te...
Bem, estou farto,
ou matas ou vai morrendo,
já não quero saber,
apatia é, menos sofrer.
estou desidratado,
já não sinto amor...
Tirem-me a alma,
imploro de olhos inchados,
não quero sentir mais dor...
Grito nos vossos tímpanos,
brinco com as minhas mágoas,
tudo isto é uma farsa trágica...
Ajoelhado e rendido,
sem sequer te olhar
nesse teu olhar que não me vê
me vejo vencido...
Vencido na guerra
entre mim e a minha pedra
que se recusa, revoltada,
a encaixar nesta terra...
Que terra tão infértil, esta...
Que água tão salgada...
Que árvore tão seca...
Sou uma mosca
que bate no vidro da janela,
sem o ver, mas insiste,
porque para lá dela
está uma vida livre e bela.
Um vidro que sinto mas não vejo...
o que me agarra àquilo, atrás de mim?
Ó mosquinha tontinha,
porque voas tão desenfreadamente
contra uma janela aberta?
Desesperas contra o nada,
pois nada será quando passares
para um dos três lados...
Talvez a vitória, talvez o fracasso,
seja qual for, voa,
voa pelo céu sonhador
ou pelas terras da realidade,
se tens asas cria-te...
Bem, estou farto,
ou matas ou vai morrendo,
já não quero saber,
apatia é, menos sofrer.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Eu, Borboleta
Sou uma larva,
um projecto de borboleta no chão.
Infiltra-se na minha alma a luz
que me faz renascer de mim próprio,
transformando-me numa borboleta
a vaguear entre cidades de árvores,
entre relvas, entre campos floridos...
que se esforça para ser livre num bater de asas,
ao sabor ou contra o vento.
No cuidado mas não desconfiado,
entre a honestidade e a falsidade
de uma planta que me oferece o seu pólen
ou planta bela e atraente mas secretamente carnívora.
É absurdamente nobre, no tempo do Universo
sou uma borboleta que dura um dia,
entre vinte e quatro horas a voar
e morrer depois como uma brisa que veio sem ficar.
um projecto de borboleta no chão.
Infiltra-se na minha alma a luz
que me faz renascer de mim próprio,
transformando-me numa borboleta
a vaguear entre cidades de árvores,
entre relvas, entre campos floridos...
que se esforça para ser livre num bater de asas,
ao sabor ou contra o vento.
No cuidado mas não desconfiado,
entre a honestidade e a falsidade
de uma planta que me oferece o seu pólen
ou planta bela e atraente mas secretamente carnívora.
É absurdamente nobre, no tempo do Universo
sou uma borboleta que dura um dia,
entre vinte e quatro horas a voar
e morrer depois como uma brisa que veio sem ficar.
domingo, 26 de junho de 2011
A Cozinha
Deve ser o piar dos pássaros,
o silêncio dos móveis,
os moços a gritarem no rés-do-chão,
o som quase nulo da televisão,
o ruído da máquina de roupa tão constante
que acabamos por deixar de a ouvir
tornando-se hipnotizante,
a luz do sol a entrar pela janela indirectamente,
iluminando a cozinha suavemente,
o canto junto à porta com um banco
e a mesa do lado esquerdo a apoiar o copo.
É esta a física que vejo.
E tu, o que sentes?
Um ruído de fundo da televisão
que faz parecer a rua em movimento,
um silêncio que provoca o pensamento
que te transporta para as memórias do tempo,
os raios de sol desmascaram o pó
das coisas que não se mexem
ou a escuridão da noite que dá vida
a essas mesmas coisas que te deixam só.
Essa cozinha, onde te refugias,
vives um mundo que é passado,
onde vês coisas que não devias
e fazem do teu presente um fardo.
o silêncio dos móveis,
os moços a gritarem no rés-do-chão,
o som quase nulo da televisão,
o ruído da máquina de roupa tão constante
que acabamos por deixar de a ouvir
tornando-se hipnotizante,
a luz do sol a entrar pela janela indirectamente,
iluminando a cozinha suavemente,
o canto junto à porta com um banco
e a mesa do lado esquerdo a apoiar o copo.
É esta a física que vejo.
E tu, o que sentes?
Um ruído de fundo da televisão
que faz parecer a rua em movimento,
um silêncio que provoca o pensamento
que te transporta para as memórias do tempo,
os raios de sol desmascaram o pó
das coisas que não se mexem
ou a escuridão da noite que dá vida
a essas mesmas coisas que te deixam só.
Essa cozinha, onde te refugias,
vives um mundo que é passado,
onde vês coisas que não devias
e fazem do teu presente um fardo.
sábado, 25 de junho de 2011
A Vida Foi No Tempo
Uma lágrima baloiça na pálpebra
num olhar esperançando ser mentira,
mas o silêncio predomina
como se de um pedido de desculpa se tratasse
por ter dado notícia tão dolorosa.
A dor infiltra-se,
os olhos avermelham-se,
a lágrima ganha maturidade,
os olhos fecham-se:
é hora da lágrima sair do seu ninho.
Faz a viagem pela face
e vai morrendo pelo caminho,
evaporando-se aos poucos
enquanto aos poucos o seu progenitor
perde as forças nas pernas e vai caindo
no chão, num grito mudo querendo afastar a dor.
A tristeza apodera-se num riacho de lágrimas,
nos soluços constantes e nas meias interjeições.
Como uma flor que murcha
ou uma aranha a encolher as patas ao morrer,
o corpo fecha-se ao deitar-se no chão,
ganhando a forma de como foi antes de nascer
(como se quisesse regressar ao passado,
quando esteve no ventre de sua mãe),
num olhar esperançando ser mentira,
mas o silêncio predomina
como se de um pedido de desculpa se tratasse
por ter dado notícia tão dolorosa.
A dor infiltra-se,
os olhos avermelham-se,
a lágrima ganha maturidade,
os olhos fecham-se:
é hora da lágrima sair do seu ninho.
Faz a viagem pela face
e vai morrendo pelo caminho,
evaporando-se aos poucos
enquanto aos poucos o seu progenitor
perde as forças nas pernas e vai caindo
no chão, num grito mudo querendo afastar a dor.
A tristeza apodera-se num riacho de lágrimas,
nos soluços constantes e nas meias interjeições.
Como uma flor que murcha
ou uma aranha a encolher as patas ao morrer,
o corpo fecha-se ao deitar-se no chão,
ganhando a forma de como foi antes de nascer
(como se quisesse regressar ao passado,
quando esteve no ventre de sua mãe),
os joelhos juntam-se no peito,
as mãos tapam a cara sem querer ver...
A lágrima de tristeza que se evaporou,
criou um ambiente pesado através do ar,
entranhou-se no corpo de quem a respirou,
partilhou a tristeza e fê-la chorar.
Vai ficando escuro,
tudo fica paralisado.
É o fim.
Ouvem-se os aplausos e os gritos,
as luzes acendem-se,
o público está de pé,
os actores voltam ao palco,
com sorrisos na cara,
para o agradecimento.
Foi esta a última peça
neste teatro apodrecido pelo esquecimento.
Estou numa das cadeiras da plateia
e, com os meus olhos,
transformo o que fora tudo,
com a memória, o que é nada.
Todos seguiram as suas vidas,
mas este teatro ficou,
à espera de ser acolhido por alguém,
é a morte de um passado cheio de glórias
e o fim do que aqui se vivera,
já não passam de memórias.
Ultramar - Abandonados No Oceano
Esquece esses malfeitores, irmão,
não te preocupes se eles te vierem buscar,
deixa a guerra e ensina-me a ser criador
de um mundo que nunca aparece na televisão.
Dá-me um abraço sempre ao acordar,
sais de casa descansado
mas logo podes não voltar.
Tens uma família que precisa de ti,
a guerra pode estar à nossa porta
mas ainda não entrou.
Não fujas, não te escondas,
a nossa casa não é segura
mas não há outro lugar
onde tu possas descansar.
Olho para a porta da casa
e sinto próximo o dia
em que a mesa terá um lugar vazio,
em que não conseguirei comer
por pensar que estás ao frio,
na noite escura, com uma arma na mão,
sozinho, a matar para não morrer.
Sinto-me enjoado, meu irmão,
sempre foste anti-violência,
mas que lhes interessa?
Foste obrigado,
destruíram todas as tuas crenças,
criaram um cancro na tua alma,
os pesadelos, os sustos,
a apatia, as lágrimas,
a perna ferida...
agora não tens trabalho,
a guerra acabou,
a tua vida foi esquecida,
onze anos e o Estado não pagou.
não te preocupes se eles te vierem buscar,
deixa a guerra e ensina-me a ser criador
de um mundo que nunca aparece na televisão.
Dá-me um abraço sempre ao acordar,
sais de casa descansado
mas logo podes não voltar.
Tens uma família que precisa de ti,
a guerra pode estar à nossa porta
mas ainda não entrou.
Não fujas, não te escondas,
a nossa casa não é segura
mas não há outro lugar
onde tu possas descansar.
Olho para a porta da casa
e sinto próximo o dia
em que a mesa terá um lugar vazio,
em que não conseguirei comer
por pensar que estás ao frio,
na noite escura, com uma arma na mão,
sozinho, a matar para não morrer.
Sinto-me enjoado, meu irmão,
sempre foste anti-violência,
mas que lhes interessa?
Foste obrigado,
destruíram todas as tuas crenças,
criaram um cancro na tua alma,
os pesadelos, os sustos,
a apatia, as lágrimas,
a perna ferida...
agora não tens trabalho,
a guerra acabou,
a tua vida foi esquecida,
onze anos e o Estado não pagou.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Poemas Duvidados
Preciso de ti, inspiração,
estou estancado,
puseram em questão
a forma da minha mão,
já não passas de um caderno abandonado
onde outrora escrevi
mil poemas e projectos
perdidos, sem temas concretos.
Onde estás meu poeta, que te choro,
se és realmente, escrevo agora,
por não saber onde moro
com tantos poetas que há,
não quero ser um mas o poeta.
Tempos eram a apanhar outro cacho
do meu profundo afecto
mas agora parece que cheguei ao fim do tacho.
Tudo o que deixo por escrever
é desinteresse ou cansaço,
desinspiração ou fracasso?
O que é que eu faço?
Esperar em desespero
pela identidade que me confortei,
de um escape onde chorei,
senti e amei?
Vejo poemas amaldiçoados
por dúvidas, completamente desamados.
Triunfei-os numa outra hora
em que dava por finalizados,
agora, já não passam de palavras vazias
de alguém que fui, por amor que dei,
já nada tenho, já nada sei...
estou estancado,
puseram em questão
a forma da minha mão,
já não passas de um caderno abandonado
onde outrora escrevi
mil poemas e projectos
perdidos, sem temas concretos.
Onde estás meu poeta, que te choro,
se és realmente, escrevo agora,
por não saber onde moro
com tantos poetas que há,
não quero ser um mas o poeta.
Tempos eram a apanhar outro cacho
do meu profundo afecto
mas agora parece que cheguei ao fim do tacho.
Tudo o que deixo por escrever
é desinteresse ou cansaço,
desinspiração ou fracasso?
O que é que eu faço?
Esperar em desespero
pela identidade que me confortei,
de um escape onde chorei,
senti e amei?
Vejo poemas amaldiçoados
por dúvidas, completamente desamados.
Triunfei-os numa outra hora
em que dava por finalizados,
agora, já não passam de palavras vazias
de alguém que fui, por amor que dei,
já nada tenho, já nada sei...
sábado, 18 de junho de 2011
O FMI pode me emprestar dinheiro? É que também fui enterrado (e foi em areia movediça: quanto mais me mexo, mais me enterro, mas se não me mexo sou enterrado) por causa das más vontades. Sei que o FMI ajuda-nos puxando-nos através de uma corda no pescoço, mas ao menos não vou ficar sem conseguir mexer-me debaixo da terra, é que debaixo da terra estão os mortos.
Para Anjo Lurdes
Chorei lágrimas sobre o teu corpo
na esperança que acordasses,
para que eu te dissesse adeus
ou outra qualquer despedida
que não fosse como fora:
um par de beijos na cara
dum olhar inacabado.
Morreste a servir
um cadáver vivo,
que não fala nem sente,
e por ela te crucificaste,
anjo, e por ela
morreste inocentemente.
Agora que foste embora,
abandonaram esse corpo
ao qual prestaste serviço,
de nada foi teu meio século,
minha árvore da vida infértil,
meu sol sem planetas...
Tornaste-te um anjo,
só te faltava asas
e agora já as tens.
Nasce outra vez
e responde-me
se esta desumanidade
demoníaca
tem os seus
porquês.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Ninguém destinou o que sonhei
na realidade que passei
onde não fui rei nem reinei
mas comando o sonho
que me faz viver
nesse mundo que só
me quis ver sofrer.
na realidade que passei
onde não fui rei nem reinei
mas comando o sonho
que me faz viver
nesse mundo que só
me quis ver sofrer.
terça-feira, 14 de junho de 2011
O Meu Registo Mental
Sinto-me preso,
preso à realidade
desconhecendo a imaginação
que me traz inspiração.
Quem sou eu?
Serei realmente poeta?
Ou não passo de um profeta
da sociedade que me afecta?
Há poesia nos meus versos?
Duvido, não a sinto,
mas sei que já a senti,
também não me lembra de ter escrito
o sentimento com que escrevi.
Talvez sejam, poemas meus,
fases temporais do meu ser,
períodos que se desvanecem
no tempo em que estou a viver.
Não me atrai a poesia
por não a conhecer.
Vida que quero ter,
essa alegria não faz parte de mim.
Os meus poemas não são
senão meras palavras que dizem:
"Eu estou assim..."
preso à realidade
desconhecendo a imaginação
que me traz inspiração.
Quem sou eu?
Serei realmente poeta?
Ou não passo de um profeta
da sociedade que me afecta?
Há poesia nos meus versos?
Duvido, não a sinto,
mas sei que já a senti,
também não me lembra de ter escrito
o sentimento com que escrevi.
Talvez sejam, poemas meus,
fases temporais do meu ser,
períodos que se desvanecem
no tempo em que estou a viver.
Não me atrai a poesia
por não a conhecer.
Vida que quero ter,
essa alegria não faz parte de mim.
Os meus poemas não são
senão meras palavras que dizem:
"Eu estou assim..."
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Guitarra Portuguesa
Preciso de Te ouvir,
minha Guitarra Portuguesa,
entra no meu peito que Te quero sentir,
quando Te ouço sinto-me Português.
Canta para mim a Tua beleza,
que me lembras a Pátria,
o orgulho das nossas conquistas,
do grito do nosso Povo,
do amor à dor,
em tudo o que já passámos,
Portugal, olhos meus da Tua cor.
minha Guitarra Portuguesa,
entra no meu peito que Te quero sentir,
quando Te ouço sinto-me Português.
Canta para mim a Tua beleza,
que me lembras a Pátria,
o orgulho das nossas conquistas,
do grito do nosso Povo,
do amor à dor,
em tudo o que já passámos,
Portugal, olhos meus da Tua cor.
domingo, 12 de junho de 2011
Montanhas De Pessoas
Como um triângulo
de cima para baixo,
de uma pessoa para multidões,
o gelo está onde não batem corações.
As fontes são feitas das tristezas
de quem se encontra por baixo
e quanto mais abaixo mais riachos se juntam
formando rios, rios que separam montanhas iguais.
de cima para baixo,
de uma pessoa para multidões,
o gelo está onde não batem corações.
As fontes são feitas das tristezas
de quem se encontra por baixo
e quanto mais abaixo mais riachos se juntam
formando rios, rios que separam montanhas iguais.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
A Criação Dos Meus Poemas
Arranquei as minhas próprias veias
para desenhar as linhas dos meus cadernos.
Vomitei o meu sangue para encher esferográficas
e pintei teias entre o mundo e a minha vida.
Fui para os maus caminhos
e espetei os pés entre agulhas e facas com firmeza.
Arranquei os meus dedos com os dentes,
engoli-os para pesar a minha culpa
entre a opressão e a fragilidade.
Recusei-me a respirar a poluição,
enfiei uma mão dentro da minha boca
e arranquei os meus pulmões.
Espanquei o meu crânio contra a parede
até ficar com a mente louca.
Arranquei toda a minha pele
para fazer dela o meu mundo da escrita.
Decapitei as minhas orelhas
para que não fosse influenciado pelas ovelhas.
Destruí todos os meu pêlos para ficar mais vulnerável
e sujeito a tudo o que não é palpável.
Retirei a minha carne e deixei só o esqueleto
para vestir o meu corpo com a minha alma.
para desenhar as linhas dos meus cadernos.
Vomitei o meu sangue para encher esferográficas
e pintei teias entre o mundo e a minha vida.
Fui para os maus caminhos
e espetei os pés entre agulhas e facas com firmeza.
Arranquei os meus dedos com os dentes,
engoli-os para pesar a minha culpa
entre a opressão e a fragilidade.
Recusei-me a respirar a poluição,
enfiei uma mão dentro da minha boca
e arranquei os meus pulmões.
Espanquei o meu crânio contra a parede
até ficar com a mente louca.
Arranquei toda a minha pele
para fazer dela o meu mundo da escrita.
Decapitei as minhas orelhas
para que não fosse influenciado pelas ovelhas.
Destruí todos os meu pêlos para ficar mais vulnerável
e sujeito a tudo o que não é palpável.
Retirei a minha carne e deixei só o esqueleto
para vestir o meu corpo com a minha alma.
Os grandes Anjos vieram dos infernos,
desenvolveram-se através do abandono do demónio,
vivos e alimentados pelo mais extremo ódio.
Desorientados pelo desamor,
criaram feridas existentes sem provocar dor.
Afogados nos mares da tortura,
perderam as asas e ganharam corpo
para pintarem o Mundo com alma e amor.
desenvolveram-se através do abandono do demónio,
vivos e alimentados pelo mais extremo ódio.
Desorientados pelo desamor,
criaram feridas existentes sem provocar dor.
Afogados nos mares da tortura,
perderam as asas e ganharam corpo
para pintarem o Mundo com alma e amor.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Poeta A Ler Leitores
O bêbado
na rua vai,
a descê-la,
apoiado na parede
vai o bêbado e cai.
O bêbado,
bebe ao vício
mas não é viciado.
O álcool,
o álcool que não cura feridas,
o álcool,
o álcool inflamável,
molha e apaga o sol.
Uma foto
um desgraçado
a desgraça
o álcool
comentários
lol.
Estupidez...
o leitor...
ri...
desgraça...
Poema...
ri...
desgraça...
leitor...
poeta...
chora...
na rua vai,
a descê-la,
apoiado na parede
vai o bêbado e cai.
O bêbado,
bebe ao vício
mas não é viciado.
O álcool,
o álcool que não cura feridas,
o álcool,
o álcool inflamável,
molha e apaga o sol.
Uma foto
um desgraçado
a desgraça
o álcool
comentários
lol.
Estupidez...
o leitor...
ri...
desgraça...
Poema...
ri...
desgraça...
leitor...
poeta...
chora...
terça-feira, 7 de junho de 2011
Recrutamento Da Humanidade - Guerras Sociais
Se não aguentas com eles,
não te juntes a eles,
ATIRA-TE DE CABEÇA CONTRA ELES!!!!
Mas vai preparado,
com pilhas de memória carregadas,
para quando te sentires cansado.
Veste um colete de verdades
pois eles vão querer dar-te ilusão.
Usa capacete
pois as cabeças deles são de cimento,
Também vais precisar de uma arma
com balas anti-vento,
ou eles falam somente de momento.
Tatua no teu peito a Humanidade
pois em momentos de tensão,
vais sentir o medo que traz a opressão.
Arranja-me ai um lugar,
estamos juntos nesta luta
contra a guerra invisível,
não vou ficar a olhar,
a minha alma não é prostituta.
não te juntes a eles,
ATIRA-TE DE CABEÇA CONTRA ELES!!!!
Mas vai preparado,
com pilhas de memória carregadas,
para quando te sentires cansado.
Veste um colete de verdades
pois eles vão querer dar-te ilusão.
Usa capacete
pois as cabeças deles são de cimento,
Também vais precisar de uma arma
com balas anti-vento,
ou eles falam somente de momento.
Tatua no teu peito a Humanidade
pois em momentos de tensão,
vais sentir o medo que traz a opressão.
Arranja-me ai um lugar,
estamos juntos nesta luta
contra a guerra invisível,
não vou ficar a olhar,
a minha alma não é prostituta.
Eu Compreendo-Te E Te Abraço
Inúmeras foram as vezes
que não quis estar aqui,
que pensei não haver solução,
que chorei sem ver alegria,
que fiquei na cama sem me levantar,
que não vi o sol,
que não lutei,
que me deixei ir,
que simplesmente não tive vontade,
que senti o fim da vida,
que houve um vazio no corpo,
mas se estou aqui
é por alguma razão.
Se precisas de luz
então abre o teu coração
e deixa-me dar-te a minha mão.
que não quis estar aqui,
que pensei não haver solução,
que chorei sem ver alegria,
que fiquei na cama sem me levantar,
que não vi o sol,
que não lutei,
que me deixei ir,
que simplesmente não tive vontade,
que senti o fim da vida,
que houve um vazio no corpo,
mas se estou aqui
é por alguma razão.
Se precisas de luz
então abre o teu coração
e deixa-me dar-te a minha mão.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Medo E Insegurança - Solidão, Eu Não
Nunca estou sozinho,
ainda escorre sangue nas minhas veias,
sangue do meu Povo e da minha Pátria,
ainda tenho coração feito pelo criador,
inventado pela Humanidade e pelo Amor,
estou sempre acompanhado,
nas minhas costas levo uma história,
das gentes que conheci, boas ou escória,
dos momentos que me fizeram quem sou.
Tomo banho com a solidão mas sei para onde vou.
O compasso da vida caminha com ritmos
que inspiraram músicos e compositores,
grandes profissionais ou amadores,
identificado-me na sua universalidade,
não ando sozinho, eles teceram a igualdade.
Conhecido ou desconhecido,
vencedor ou vencido,
justo ou bandido,
vão falando de mim,
sozinho não estou,
eles acompanham-me assim.
Não estou sozinho,
há sempre alguém disponível
para me tornar audível.
Estou sempre acompanhado
pois estou seguro de mim,
ando com determinação,
coração e razão,
é tudo o que preciso
para me ser conciso.
Nunca estou sozinho nem quando morrer,
alguém há-de chorar, sofrer...
Que interessa quando já estiver morto?
Façam o que quiserem,
eu já estarei completamente absorto.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A Desgraça De Alguém
És gozado e desonrado sem saberes,
por alguém que tens grande amizade,
te esfaqueia e tu, sem te aperceberes,
estás a sangrar nessa dança inunda de irrealidade
em que o teu inimigo te pôs a dançar.
Começas a juntar todas as peças
e desconfias das conversas,
então de repente,
ele pensa que estás de costas,
fala mal de ti a toda a gente,
mas tu viraste antes do tempo
e apanhas o gajo no momento
em que diz que tu és nojento
e fazes-lhe frente, ele atrapalha-se
e o cérebro dele fica dormente,
gagueja-se sempre por mais que tente,
vem com merdinhas a desculpar-se,
só está a queimar-se.
Tu descobres e fechas a mão,
queres dar-lhe um grande sopapo
e dizes: "disso eu não papo",
sabes que perdes toda razão,
mas que se lixe,
é o que merece esse cabrão,
esse bicho, que nem humano é,
a raiva é tanta,
já lhe estás a dar um pontapé,
não te dás conta do que estás a fazer
mas estás a espancá-lo com uma grande fé.
Queres vê-lo sofrer,
quanto mais lhe bates mais lhe queres bater,
ele já nem se levanta,
mas a raiva é tanta
que toda a gente se espanta
e levantam-se para parar
o cenário sangrento,
agarram-te, mas ninguém te pára,
tens um rio de lágrimas na cara,
a fúria deixou-te cheio de força,
à tua frente está um homem,
mas nem trinta deles te movem.
Tu mandas-lhe berros,
atiras-lhe com cadeiras,
encontras mil e uma maneiras
de lhe dar pancada,
a polícia aperece e dá-te uma cacetada,
mas tu não páras por nada deste mundo,
nem que visses o traidor completamente moribundo.
Entras no carro azul,
o outro vai na carrinha amarela,
ambos vão à boleia,
sabes que, para o teu lado, a coisa ficou feia,
começas a chorar em pânico,
aquele não eras tu,
era um monstro que te tornara mecânico.
Mostras a tua identificação na esquadra,
és identificado,
na escola todos olham-te de lado,
fazem mil perguntas
todas iguais, todas juntas.
Deixas de ir à escola,
os teus pais deixaram-te de dar esmola,
estás sozinho, ninguém te ajuda,
apercebes-te que sempre tiveste,
de que não valeu a pena teres-te irritado,
porque na verdade é o pão deles de cada dia,
mas agora és tu que estás queimado,
ainda faltava responder a tribunal
pela tua atitude mortal.
Estás no lugar do réu,
o sacana mente e as testemunhas não viram tudo,
o juiz já tinha tirado conclusões e fez de ti mudo.
Vais preso,
a tua mãe chora e o teu pai diz que és uma vergonha,
o teu irmão é que é um exemplo
mas tu sabes que ele anda a fumar maconha,
não dizes nada,
a tua vida foi queimada.
Na prisão,
és vítima de violação.
Tu e eles sabem que és fraco,
um dia rejeitas quando te põem a mão
e levas uma facada e mais um taco.
Começas então a fazer flexões,
a contar as razões
que te afastam as tuas últimas pulsações.
Começas a ganhar respeito
e a reclamar tudo a que tens direito.
Agora todos querem ser teu amigo,
mas tu já és amargo
e para ti, qualquer um é teu inimigo.
Dois anos e oito meses de bom comportamento
fizeram-te sair antes do tempo
e matares aquele gajo é o teu primeiro pensamento
mas lembras-te do que aconteceu,
quase que alguém morreu
e sabes que foste tu quem teve a culpa,
então decides encontrá-lo e pedir desculpa,
mas o anormal está enrolado com a tua irmã
e apercebes-te de que ele não mudou,
que fez com que a tua família se separasse,
que o teu irmão entrou na droga pesada,
que a tua mãe se suicidou,
que o teu pai se desgraçou na bebida,
lutaste mas a tua família está destruída.
Enfrentas o gajo,
começam numa grande discussão,
ele tem uma pistola na mão,
começam à pancada,
tu tiras-lhe a sua pistola
e no meio da confusão
dás-lhe um tiro na tola,
ele já não diz nada,
antes que a tua vida arde,
bazas de casa dele antes que seja tarde.
A tua irmã chora
e tu dizes que já estava na hora
desse gajo morrer,
ela começa a bater-te
e a gritar que nunca mais te quer ver,
que te ausentaste e que, o que tu fizeste,
só prova que nunca a amaste,
respondes que ela não está a compreender,
mas ela não quer saber
e grita para tu desapareceres,
antes de saires dizes-lhe que só a querias ajudar
e ela responde chamando-te máquina de matar.
E agora? Não sabes o que fazer,
a cada passo que deste só fizeste alguém sofrer.
Rejeitas e renegas tudo,
quem foste, quem conheceste, o que fizeste,
e pões-te a andar no caminho da vida
como se nunca te fosse conhecida.
por alguém que tens grande amizade,
te esfaqueia e tu, sem te aperceberes,
estás a sangrar nessa dança inunda de irrealidade
em que o teu inimigo te pôs a dançar.
Começas a juntar todas as peças
e desconfias das conversas,
então de repente,
ele pensa que estás de costas,
fala mal de ti a toda a gente,
mas tu viraste antes do tempo
e apanhas o gajo no momento
em que diz que tu és nojento
e fazes-lhe frente, ele atrapalha-se
e o cérebro dele fica dormente,
gagueja-se sempre por mais que tente,
vem com merdinhas a desculpar-se,
só está a queimar-se.
Tu descobres e fechas a mão,
queres dar-lhe um grande sopapo
e dizes: "disso eu não papo",
sabes que perdes toda razão,
mas que se lixe,
é o que merece esse cabrão,
esse bicho, que nem humano é,
a raiva é tanta,
já lhe estás a dar um pontapé,
não te dás conta do que estás a fazer
mas estás a espancá-lo com uma grande fé.
Queres vê-lo sofrer,
quanto mais lhe bates mais lhe queres bater,
ele já nem se levanta,
mas a raiva é tanta
que toda a gente se espanta
e levantam-se para parar
o cenário sangrento,
agarram-te, mas ninguém te pára,
tens um rio de lágrimas na cara,
a fúria deixou-te cheio de força,
à tua frente está um homem,
mas nem trinta deles te movem.
Tu mandas-lhe berros,
atiras-lhe com cadeiras,
encontras mil e uma maneiras
de lhe dar pancada,
a polícia aperece e dá-te uma cacetada,
mas tu não páras por nada deste mundo,
nem que visses o traidor completamente moribundo.
Entras no carro azul,
o outro vai na carrinha amarela,
ambos vão à boleia,
sabes que, para o teu lado, a coisa ficou feia,
começas a chorar em pânico,
aquele não eras tu,
era um monstro que te tornara mecânico.
Mostras a tua identificação na esquadra,
és identificado,
na escola todos olham-te de lado,
fazem mil perguntas
todas iguais, todas juntas.
Deixas de ir à escola,
os teus pais deixaram-te de dar esmola,
estás sozinho, ninguém te ajuda,
apercebes-te que sempre tiveste,
de que não valeu a pena teres-te irritado,
porque na verdade é o pão deles de cada dia,
mas agora és tu que estás queimado,
ainda faltava responder a tribunal
pela tua atitude mortal.
Estás no lugar do réu,
o sacana mente e as testemunhas não viram tudo,
o juiz já tinha tirado conclusões e fez de ti mudo.
Vais preso,
a tua mãe chora e o teu pai diz que és uma vergonha,
o teu irmão é que é um exemplo
mas tu sabes que ele anda a fumar maconha,
não dizes nada,
a tua vida foi queimada.
Na prisão,
és vítima de violação.
Tu e eles sabem que és fraco,
um dia rejeitas quando te põem a mão
e levas uma facada e mais um taco.
Começas então a fazer flexões,
a contar as razões
que te afastam as tuas últimas pulsações.
Começas a ganhar respeito
e a reclamar tudo a que tens direito.
Agora todos querem ser teu amigo,
mas tu já és amargo
e para ti, qualquer um é teu inimigo.
Dois anos e oito meses de bom comportamento
fizeram-te sair antes do tempo
e matares aquele gajo é o teu primeiro pensamento
mas lembras-te do que aconteceu,
quase que alguém morreu
e sabes que foste tu quem teve a culpa,
então decides encontrá-lo e pedir desculpa,
mas o anormal está enrolado com a tua irmã
e apercebes-te de que ele não mudou,
que fez com que a tua família se separasse,
que o teu irmão entrou na droga pesada,
que a tua mãe se suicidou,
que o teu pai se desgraçou na bebida,
lutaste mas a tua família está destruída.
Enfrentas o gajo,
começam numa grande discussão,
ele tem uma pistola na mão,
começam à pancada,
tu tiras-lhe a sua pistola
e no meio da confusão
dás-lhe um tiro na tola,
ele já não diz nada,
antes que a tua vida arde,
bazas de casa dele antes que seja tarde.
A tua irmã chora
e tu dizes que já estava na hora
desse gajo morrer,
ela começa a bater-te
e a gritar que nunca mais te quer ver,
que te ausentaste e que, o que tu fizeste,
só prova que nunca a amaste,
respondes que ela não está a compreender,
mas ela não quer saber
e grita para tu desapareceres,
antes de saires dizes-lhe que só a querias ajudar
e ela responde chamando-te máquina de matar.
E agora? Não sabes o que fazer,
a cada passo que deste só fizeste alguém sofrer.
Rejeitas e renegas tudo,
quem foste, quem conheceste, o que fizeste,
e pões-te a andar no caminho da vida
como se nunca te fosse conhecida.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Sociedade - Pressão Da Opressão
Ainda há guerra,
caiem em cima de nós baldes de merda
nesta opressão de medo que nos enterra.
Medo, segredo e depois degredo,
são sequências da conveniência
que são ensinados desde cedo.
É preciso ter cuidado,
ela caminha ao nosso lado
sem se aperceber é-se enfeitiçado.
caiem em cima de nós baldes de merda
nesta opressão de medo que nos enterra.
Medo, segredo e depois degredo,
são sequências da conveniência
que são ensinados desde cedo.
É preciso ter cuidado,
ela caminha ao nosso lado
sem se aperceber é-se enfeitiçado.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
O Palco Da Minha Vida
A minha vida é vivida num palco,
o Diabo bate palmas na plateia
à medida que minha a vida se torna mais feia
e Deus foi à casa-de-banho,
não quis voltar e levou tudo o que tenho.
Agora é o intervalo,
eu grito esta dor mas não falo,
puseram por cima a publicidade
e ninguém me ouve nesta sociedade.
Estão todos completamente surdos
e o Diabo ri-se dos meus actos absurdos,
gritar não dá em nada,
Deus tinha-me dito que é um conto de fada
em que no final tudo acaba bem,
mas vejo no final a morte sem viver a felicidade,
mas os deuses prometeram-me essa realidade.
Aponto um revólver à cabeça,
o Diabo não quer já o final
e entrega-me esperança para que vença,
mas era mais uma mentira e eu continuo mal.
Alguém peguntou o que é que se passa,
eu respondo e não sabe o que se faça,
mais um dia, a morte dá mais uma paça
até a vida me deixar só em carcaça.
As luzes do teatro estão a desligar-se,
este é momento da escrita
em que Belzebu perde a pica e Deus cita:
o seu espírito a aproximar-se.
Agora só há uma luz ligada,
chamou a atenção de Deus
ficou logo com uma lágrima a cair,
sentou-se, estava a sorrir,
o Anjo Caído detesta essa iluminação,
diz adeus e começa a sair,
Esse nunca mais há-de vir.
Essa luz única que Deus ama
e tira ao Diabo a sua fama,
que aos dois afecta,
é o meu poeta,
que acaba de chegar à conclusão:
depois de ser vítima de tanta maldição,
de ter sido marioneta do Satanás,
mesmo afundado na solidão e na escuridão,
viver faz muito bem ao coração
e onde quer que vás,
leva a tua alma e luta com calma,
em vez de levares uma arma na mão,
leva a tua personalidade e a tua determinação.
Fecha-se o passado
e fecham-se as cortinas,
novo capítulo, novas rotinas,
pronto a amar, pronto a ser amado,
vida, vida, vida, vida, vida...
o Diabo bate palmas na plateia
à medida que minha a vida se torna mais feia
e Deus foi à casa-de-banho,
não quis voltar e levou tudo o que tenho.
Agora é o intervalo,
eu grito esta dor mas não falo,
puseram por cima a publicidade
e ninguém me ouve nesta sociedade.
Estão todos completamente surdos
e o Diabo ri-se dos meus actos absurdos,
gritar não dá em nada,
Deus tinha-me dito que é um conto de fada
em que no final tudo acaba bem,
mas vejo no final a morte sem viver a felicidade,
mas os deuses prometeram-me essa realidade.
Aponto um revólver à cabeça,
o Diabo não quer já o final
e entrega-me esperança para que vença,
mas era mais uma mentira e eu continuo mal.
Alguém peguntou o que é que se passa,
eu respondo e não sabe o que se faça,
mais um dia, a morte dá mais uma paça
até a vida me deixar só em carcaça.
As luzes do teatro estão a desligar-se,
este é momento da escrita
em que Belzebu perde a pica e Deus cita:
o seu espírito a aproximar-se.
Agora só há uma luz ligada,
chamou a atenção de Deus
ficou logo com uma lágrima a cair,
sentou-se, estava a sorrir,
o Anjo Caído detesta essa iluminação,
diz adeus e começa a sair,
Esse nunca mais há-de vir.
Essa luz única que Deus ama
e tira ao Diabo a sua fama,
que aos dois afecta,
é o meu poeta,
que acaba de chegar à conclusão:
depois de ser vítima de tanta maldição,
de ter sido marioneta do Satanás,
mesmo afundado na solidão e na escuridão,
viver faz muito bem ao coração
e onde quer que vás,
leva a tua alma e luta com calma,
em vez de levares uma arma na mão,
leva a tua personalidade e a tua determinação.
Fecha-se o passado
e fecham-se as cortinas,
novo capítulo, novas rotinas,
pronto a amar, pronto a ser amado,
vida, vida, vida, vida, vida...
Gostava de não ter vivido esta vida,
de uma mãe de armas que ficou perdida,
de uma irmã que fria se apelida,
de um irmão que pareceu herói e agora morreu,
de um pai racista, ladrão e fugitivo,
de um padrasto que não me quis vivo,
de uma madrasta que fez da minha mente manipulada,
de uma família que nunca fora que é afastada,
de um amigo que me dera mais uma facada,
agora vão todos para o caralho,
a minha revolta é grande e grande é o trabalho
que vou dar ao que assina a certidão de óbito
porque já marcaram da morte cheio porquês:
está marcada na data de 24 de Julho de 93.
de uma mãe de armas que ficou perdida,
de uma irmã que fria se apelida,
de um irmão que pareceu herói e agora morreu,
de um pai racista, ladrão e fugitivo,
de um padrasto que não me quis vivo,
de uma madrasta que fez da minha mente manipulada,
de uma família que nunca fora que é afastada,
de um amigo que me dera mais uma facada,
agora vão todos para o caralho,
a minha revolta é grande e grande é o trabalho
que vou dar ao que assina a certidão de óbito
porque já marcaram da morte cheio porquês:
está marcada na data de 24 de Julho de 93.
domingo, 22 de maio de 2011
22 De Maio De 2011- 23º Poema (1ª Parte - Poema)
Vinte e dois poemas escritos em vinte e dois dias
vinte e duas emoções desde o início deste mês,
vinte e dois momentos de revoltas e alegrias,
vinte, tira-se o dois, com este põe-se o três,
não sei se haverá mais depois
mas aproveito o presente
destes vinte e três que saíram do coração
e passaram pela mente,
aparece e escreve até esgotar a inspiração,
se não houver vou buscar outra razão,
seja a amizade ou a solidão,
seja a luz ou a escuridão,
seja o que estiver à mão.
vinte e duas emoções desde o início deste mês,
vinte e dois momentos de revoltas e alegrias,
vinte, tira-se o dois, com este põe-se o três,
não sei se haverá mais depois
mas aproveito o presente
destes vinte e três que saíram do coração
e passaram pela mente,
aparece e escreve até esgotar a inspiração,
se não houver vou buscar outra razão,
seja a amizade ou a solidão,
seja a luz ou a escuridão,
seja o que estiver à mão.
Carta Para Quem Parou Na Vida
Sonhas voar mas estás cá em baixo,
das trezentas tentativas que tentaste
mas foram todas iguais e tu ficas cabis-baixo.
Porque não tentas de maneira diferente, já pensaste?
Já experimentaste usar as tuas pernas?
Então deixa-te de merdas,
luta sem grandes guerras,
porque se falhares, tudo bem, tu também erras.
Há que tentar com determinação
porque nesta sociedade
se és fraco és tratado como um cão,
ajudam-te mas deixam-te na solidão,
é a verdade,
ninguém vai à casa-de-banho por ti,
por isso em vez de chorares
sente mas é este pensamento
e vem por aqui.
O que tu precisas é de uma dose de orgulho,
olha as pessoas à tua volta,
é quase tudo entulho,
eles querem mas não sejas como eles,
não vivas a vida deles.
Tu tens a tua vida e cada um tem a sua,
tenta mas é, não procures,
ganha firmeza nesse pé,
porque cada passo que dás já passou,
tens de saber para onde vais e o que queres
porque senão vais andar a comer merda às colheres.
Mas tem cuidado com o que desejas, que o amor é cego,
há coisas que não sabes e talvez nem as vejas.
Que não seja a preguiça que tu bocejas,
sê tu em qualquer sítio que estejas
porque há sempre alguém
que nunca vai querer o teu bem
e vai esperar que tu erres
para te poder criticar,
por isso faz o que te compete
para os poderes mandar calar.
No comboio da vida
vais conhecer pessoas que te vão querer escravizar,
vais conhecer pessoas que te vão amar,
não podes parar, a não ser que estejas a errar,
então assim pára para pensar,
porque vais ter de pedir desculpa,
porque se calhar foste tu quem teve culpa.
Bem, já sabes como é,
ninguém vai à boleia
e aprecias melhor a paisagem se fores a pé.
das trezentas tentativas que tentaste
mas foram todas iguais e tu ficas cabis-baixo.
Porque não tentas de maneira diferente, já pensaste?
Já experimentaste usar as tuas pernas?
Então deixa-te de merdas,
luta sem grandes guerras,
porque se falhares, tudo bem, tu também erras.
Há que tentar com determinação
porque nesta sociedade
se és fraco és tratado como um cão,
ajudam-te mas deixam-te na solidão,
é a verdade,
ninguém vai à casa-de-banho por ti,
por isso em vez de chorares
sente mas é este pensamento
e vem por aqui.
O que tu precisas é de uma dose de orgulho,
olha as pessoas à tua volta,
é quase tudo entulho,
eles querem mas não sejas como eles,
não vivas a vida deles.
Tu tens a tua vida e cada um tem a sua,
tenta mas é, não procures,
ganha firmeza nesse pé,
porque cada passo que dás já passou,
tens de saber para onde vais e o que queres
porque senão vais andar a comer merda às colheres.
Mas tem cuidado com o que desejas, que o amor é cego,
há coisas que não sabes e talvez nem as vejas.
Que não seja a preguiça que tu bocejas,
sê tu em qualquer sítio que estejas
porque há sempre alguém
que nunca vai querer o teu bem
e vai esperar que tu erres
para te poder criticar,
por isso faz o que te compete
para os poderes mandar calar.
No comboio da vida
vais conhecer pessoas que te vão querer escravizar,
vais conhecer pessoas que te vão amar,
não podes parar, a não ser que estejas a errar,
então assim pára para pensar,
porque vais ter de pedir desculpa,
porque se calhar foste tu quem teve culpa.
Bem, já sabes como é,
ninguém vai à boleia
e aprecias melhor a paisagem se fores a pé.
Cumplicidade De Amar
Esta é a hora que vem sem demora
para te dizer que me deixas completamente à nora,
porque à tua frente sinto-me incompleto,
a pensar que nós seríamos a perfeição, de certo.
És a música que preciso para os meus poemas,
a solução para todos os meus problemas,
porque quando olho para ti vejo a simplicidade,
até já acho absurdo ter preocupações, para dizer a verdade.
Há tentações que não podemos tocar,
não posso dizer a razão ou seria apanhado na esquina,
por isso prefiro que fiques a pensar
enquanto escrevo subtilmente para a minha menina.
Que azar, deixaste alguém ocupado,
enquanto reagimos e agimos
numa sensação em que rimos e sorrimos,
é uma questão de tempo, espero-te sentado.
As coisas fazem-se com calma,
é na boa, eu espero mas actuo,
a ansiedade é alguma mas eu seguro
a ver-te a passear na minha palma.
Andamos a viver a cumplicidade,
jogando sempre pela honestidade,
sem cinderelas nem príncipes encantados,
apenas somos seres humanos apaixonados.
Conheço-te muito bem,
esse teu sorriso é o número três
que esboças quando te interessas por alguém
e não tenho nenhuma cábula, como vês.
para te dizer que me deixas completamente à nora,
porque à tua frente sinto-me incompleto,
a pensar que nós seríamos a perfeição, de certo.
És a música que preciso para os meus poemas,
a solução para todos os meus problemas,
porque quando olho para ti vejo a simplicidade,
até já acho absurdo ter preocupações, para dizer a verdade.
Há tentações que não podemos tocar,
não posso dizer a razão ou seria apanhado na esquina,
por isso prefiro que fiques a pensar
enquanto escrevo subtilmente para a minha menina.
Que azar, deixaste alguém ocupado,
enquanto reagimos e agimos
numa sensação em que rimos e sorrimos,
é uma questão de tempo, espero-te sentado.
As coisas fazem-se com calma,
é na boa, eu espero mas actuo,
a ansiedade é alguma mas eu seguro
a ver-te a passear na minha palma.
Andamos a viver a cumplicidade,
jogando sempre pela honestidade,
sem cinderelas nem príncipes encantados,
apenas somos seres humanos apaixonados.
Conheço-te muito bem,
esse teu sorriso é o número três
que esboças quando te interessas por alguém
e não tenho nenhuma cábula, como vês.
sábado, 21 de maio de 2011
A Graça Do Diabo
Em dias de semana,
eu cou sempre de cana,
pedindo ajuda à minha mana
mas ela não se preocupa,
só lhe interessa a grana.
Mas sou eu que chego a casa
e já nem reconheço a mamã que eu abraçara um dia,
em que lhe chamava querida, linda e tonta,
velhos tempos de criança em que ela sorria.
Agora já não tenho forças para tanta afronta,
de tantas tentativas, já perdi a conta.
Leva essa mulher de armas num vício,
tento-a ajudar mas é cair num precipício
e rebolar até ao fundo onde não há luz,
onde as feridas não conseguem deitar pus.
A cada dia que passa vejo a carcaça da minha mãe,
que a beijo sem perceber se ela é alguém,
alguém que eu amara, que à vida me providenciara.
Agora parece que a vida está cara,
não é dinheiro com que se paga,
é a desertificação que traz a vara
da bandeira branca da desistência,
da memória que tinha dela que se torna vaga,
em que eu odeio, não venero nem creio.
Não há ser humano com tanta paciência
da morte que a vejo levar desta maneira.
Os sorrisos que perdi das vezes que abri a porta
e encontrei a desgraça em pessoa com a sua bebedeira.
De vez em quando pergunto-me o que devia ser diferente,
se amanhã vai ser tudo diferente,
mas acordo desabituado e adormeço habituado
e durante o sono sinto-me cansado,
pela porrada que dou em mim,
pela raiva que tenho desta vida ruim...
eu cou sempre de cana,
pedindo ajuda à minha mana
mas ela não se preocupa,
só lhe interessa a grana.
Mas sou eu que chego a casa
e já nem reconheço a mamã que eu abraçara um dia,
em que lhe chamava querida, linda e tonta,
velhos tempos de criança em que ela sorria.
Agora já não tenho forças para tanta afronta,
de tantas tentativas, já perdi a conta.
Leva essa mulher de armas num vício,
tento-a ajudar mas é cair num precipício
e rebolar até ao fundo onde não há luz,
onde as feridas não conseguem deitar pus.
A cada dia que passa vejo a carcaça da minha mãe,
que a beijo sem perceber se ela é alguém,
alguém que eu amara, que à vida me providenciara.
Agora parece que a vida está cara,
não é dinheiro com que se paga,
é a desertificação que traz a vara
da bandeira branca da desistência,
da memória que tinha dela que se torna vaga,
em que eu odeio, não venero nem creio.
Não há ser humano com tanta paciência
da morte que a vejo levar desta maneira.
Os sorrisos que perdi das vezes que abri a porta
e encontrei a desgraça em pessoa com a sua bebedeira.
De vez em quando pergunto-me o que devia ser diferente,
se amanhã vai ser tudo diferente,
mas acordo desabituado e adormeço habituado
e durante o sono sinto-me cansado,
pela porrada que dou em mim,
pela raiva que tenho desta vida ruim...
Adeus Amor, Que Me Vou
Já está tudo pronto para embarcar,
escreverei cartas todos os dias,
mandar-te-ei também fotografias...
tenho-te saudades,
encosta-te no meu peito
para que te rodeie com os meus braços
não vou ter mais este direito...
o barco quer ir, tenho de me despachar...
cuida do meu coração, é em ti que vai ficar...
dá-me a tua mão e olha-me na cara, por favor...
Meu amor...
não te conseguirei trair,
amo-te demais para que qualquer
outra mulher me seja tentação...
Deixa-me pôr este anel no teu dedo,
hei-de voltar, meu coração,
mas se encontrares outra pessoa
enterra o anel ou atira-o ao mar.
Beija-me agora meu amor,
que o barco pede para partir...
não chores, quero te ver sorrir...
a vida continua...
gostava que não houvesse despedida...
um futuro chama por mim, tenho de ir.
Adeus, amor, e ama a tua vida,
esquece-me se assim tiver de ser...
passarão anos até te voltar a ver...
Adeus minha essência,
foste tu quem me ensinou
que nem sempre é fria, a continência...
amo-te... mas agora vou...
escreverei cartas todos os dias,
mandar-te-ei também fotografias...
tenho-te saudades,
encosta-te no meu peito
para que te rodeie com os meus braços
não vou ter mais este direito...
o barco quer ir, tenho de me despachar...
cuida do meu coração, é em ti que vai ficar...
dá-me a tua mão e olha-me na cara, por favor...
Meu amor...
não te conseguirei trair,
amo-te demais para que qualquer
outra mulher me seja tentação...
Deixa-me pôr este anel no teu dedo,
hei-de voltar, meu coração,
mas se encontrares outra pessoa
enterra o anel ou atira-o ao mar.
Beija-me agora meu amor,
que o barco pede para partir...
não chores, quero te ver sorrir...
a vida continua...
gostava que não houvesse despedida...
um futuro chama por mim, tenho de ir.
Adeus, amor, e ama a tua vida,
esquece-me se assim tiver de ser...
passarão anos até te voltar a ver...
Adeus minha essência,
foste tu quem me ensinou
que nem sempre é fria, a continência...
amo-te... mas agora vou...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
O Demais É Demais
Já me perdi,
já nem sei se estou num sonho ou na realidade,
não sei se realmente estou aqui,
pois se estou, posso ao mesmo tempo não estar.
Estou perdido entre a imaginação e a verdade,
se nisto que vivo é realmente de se amar.
Não percebo, não entendo,
mas tento e nunca percebo o que se está a passar.
Não consigo parar, sou assim,
sonhador, aquele que sonha a dor,
não é explicável a poesia em mim
mas sei que lhe tenho amor,
ou se não é amor, é vício,
ou se não é vício é sensibilidade,
pois sinto o amor sofrendo.
Mas sorrio à vida e a abraço,
sem egoísmo, abrindo espaço,
nesta maneira a que digo vivendo
para que, depois de uma vida de experiências,
de memórias re-vividas,
de lágrimas e sorrisos,
de paixões e ódios,
te possa dizer:
sou humano,
assim vivo e assim irei viver.
já nem sei se estou num sonho ou na realidade,
não sei se realmente estou aqui,
pois se estou, posso ao mesmo tempo não estar.
Estou perdido entre a imaginação e a verdade,
se nisto que vivo é realmente de se amar.
Não percebo, não entendo,
mas tento e nunca percebo o que se está a passar.
Não consigo parar, sou assim,
sonhador, aquele que sonha a dor,
não é explicável a poesia em mim
mas sei que lhe tenho amor,
ou se não é amor, é vício,
ou se não é vício é sensibilidade,
pois sinto o amor sofrendo.
Mas sorrio à vida e a abraço,
sem egoísmo, abrindo espaço,
nesta maneira a que digo vivendo
para que, depois de uma vida de experiências,
de memórias re-vividas,
de lágrimas e sorrisos,
de paixões e ódios,
te possa dizer:
sou humano,
assim vivo e assim irei viver.
Agora e para sempre,
antes de nacer,
depois de morrer,
agora e para sempre,
amar.
antes de nacer,
depois de morrer,
agora e para sempre,
amar.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Vamos descnfiar,
desconfiar do ar que respiramos,
vamos, vamos desconfiar
do amor, de amar.
Vamos deconfiar do que vemos,
dos sorrisos, das perfeições.
Vamos desconfiar dos espelhos,
vamos desconfiar do que escrevo,
desconfiem e pensem.
Vamos confiar na desconfiança,
confiemos na exoberância
e na ignorância,
vamos desconfiar da confiança.
É agora, pensemos em pensar,
pensamos na mudança,
pensemos e reflectimos,
e avançamos aos bocadinhos,
e desconfiamos dos nosso pés.
Desconfia de ti, mais um bocado,
não acredites, aliás, desacredita,
desacredita no que te irrita,
não desconfies, confia,
acredita, mas absorve a desconfiança,
e não confies.
Confia em mim, não confies,
anda a passo cuidado,
desconfia tanto até andares desordenado.
Confia, desconfia até ficares todo baralhado.
Não confies,
pensa,
não confies,
achas que é?
Desconfia mas é.
desconfiar do ar que respiramos,
vamos, vamos desconfiar
do amor, de amar.
Vamos deconfiar do que vemos,
dos sorrisos, das perfeições.
Vamos desconfiar dos espelhos,
vamos desconfiar do que escrevo,
desconfiem e pensem.
Vamos confiar na desconfiança,
confiemos na exoberância
e na ignorância,
vamos desconfiar da confiança.
É agora, pensemos em pensar,
pensamos na mudança,
pensemos e reflectimos,
e avançamos aos bocadinhos,
e desconfiamos dos nosso pés.
Desconfia de ti, mais um bocado,
não acredites, aliás, desacredita,
desacredita no que te irrita,
não desconfies, confia,
acredita, mas absorve a desconfiança,
e não confies.
Confia em mim, não confies,
anda a passo cuidado,
desconfia tanto até andares desordenado.
Confia, desconfia até ficares todo baralhado.
Não confies,
pensa,
não confies,
achas que é?
Desconfia mas é.
O Arrependimento
Podera eu não ser quem sou, não ter este nome desonrado, este coração que bombeou com demasiada força e pressionou a cabeça... Oh! Devia eu ter sido castrado à nascença! Devia era nem ter nascido... maldito encontro que foi do quando e onde... parecia estar à espera de mim este destino, esta tragédia! Oh! Tragédia! Como és a estratégia de Belzebu usada quando estamos deitados no conforto do acto contra a Natureza! Queria eu ter sido comum... tantos que por aí andam ambicionando o protagonismo pelo poder e eu, somente entregue ao amor cego, sem ambições... determinado sem ambições, vejo-me numa tragédia, condenado à desgraça e a uma vida sem escolhas, sem honra, sem oportunidades... completamente esquecido por Deus e pelos homens como se a morte fosse mais do que aquilo que se diz... de um corpo sem espírito... e grande espírito que fora... nunca recusando os pedidos de ajuda, sempre dando de mim, sem nunca ter fugido à lei, sem nunca ter espreitado o crime... simplesmente fiquei cego neste meu coração puro e foi o suficiente para cair no abismo, entre trambulhões de medo e desepero... da irracionalidade do sentimento que escolheu antes de entender as consequências... como se possuído estivesse pelo Destino... agora, agora vivo o Destino... e sem destino para viver.
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