A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.
A minha inocência foi esta:
Francisco Sarmento
Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Sociedade
Para sempre crianças, é na infância que estão as raízes dos nossos sonhos e o sonho vive-se mais intensamente que a própria vida, por enquanto pois quantos somos nós os condenados.Os presos, atrás das grades da sociedade que nos educa com a tortura do relógio, esmaga ovos talentosos, impede as sementes de crescer, preenche os campos da solidão com crateras cinzentas e inférteis. A mim, deram-me uma chupeta para provar e mal a apreciei eles arrancaram-ma e disseram: agora sobrevive, ó desgraçado, uma vida inteira à procura dela e do seu culpado. E morremos à procura, mesmo sem procurar, procuramos o conforto do abraço trancados no quarto com o medo da opressão dos julgamentos insanos desses humanos desumanizados que fogem, covardes às suas próprias desgraças contando anedotas, fingindo falando com intelectualidade para ter a atenciosidade escassa que fracassa quando é esse o objectivo, ou na inveja que espreita nas janelas dos vencedores, ou na violência com que beijamos o nosso igual entre ferros quentes fascistas, ou justificar a ignorância desses merdosos inocentes que se preenchem com sexo e álcool que defecam a pensar na política e na História da sua Nação que não amam porque não a conhecem. Sociedade, é sua própria causa, é sua própria consequência e é a sua próxima há-de vir e eu sou filho dela, um filho duma grande puta.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Na Rua Do Meu Nome
De mãos escondidas nos bolsos,
de capuz a cobrir as faces
vou descendo a rua esquecida;
a memória desfocada transformou-a em noite;
nas janelas dos prédios fotografias ganham vida;
ao meu lado, na parede, os tags desenham palavras marcadas;
os candeeiros de rua projectam sombras de amigos que passam;
nos espaços confusos entre as pedras das duas calçadas
ramificam-se pensamentos, reflexões
e experiências de vida justificadas por opções;
ouve-se um forte eco de um pêndulo
a tocar a cada passo que dou...
e a cada passo que dou
passa o vento por mais uma ruga que ficou.
de capuz a cobrir as faces
vou descendo a rua esquecida;
a memória desfocada transformou-a em noite;
nas janelas dos prédios fotografias ganham vida;
ao meu lado, na parede, os tags desenham palavras marcadas;
os candeeiros de rua projectam sombras de amigos que passam;
nos espaços confusos entre as pedras das duas calçadas
ramificam-se pensamentos, reflexões
e experiências de vida justificadas por opções;
ouve-se um forte eco de um pêndulo
a tocar a cada passo que dou...
e a cada passo que dou
passa o vento por mais uma ruga que ficou.
sábado, 3 de dezembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
A flor amadureceu à medida que a minha infantilidade ia, tão lentamente, tão subtilmente, escapando-se de si própria... e na minha própria mão as suas raízes fundiam-se com os traços da minha face escondida na mão. Ela, ainda contendo apenas uma pena, reflectia uma viciante beleza eternamente mítica, eternamente mística... Alimentava-se dos sentimentos que faziam fechar e apertar a minha mão de uma força contrária à força da transformação que torna uma mulher mãe. Conhecia-a tão bem, já conseguia adivinhar o tempo e sabia perfeitamente onde estavam os astros. Tornara-se num ciclo diário fechado, óbvio, banal...
A qualquer momento a culpa passou a ser minha, eu dei o Presente ao Futuro vivendo com os rastos e os restos do Passado... se alguma vez as palavras tiveram significado então transformaram-se em palavras ditas por um péssimo actor, de uma palete monótona, de expressão forçada... e todas as cores passaram a ser vistas na escuridão, iguais, sem hipóteses de haver gostos... e o sol e a lua e tudo o que os rodeia passou numa janela de um comboio que bazou sem destino...
A qualquer momento a culpa passou a ser minha, eu dei o Presente ao Futuro vivendo com os rastos e os restos do Passado... se alguma vez as palavras tiveram significado então transformaram-se em palavras ditas por um péssimo actor, de uma palete monótona, de expressão forçada... e todas as cores passaram a ser vistas na escuridão, iguais, sem hipóteses de haver gostos... e o sol e a lua e tudo o que os rodeia passou numa janela de um comboio que bazou sem destino...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Tédio
Sentado no sofá
a ver o tempo passar lentamente,
não que queira passar para o lado de lá
mas sim por não ter nada em mente.
a ver o tempo passar lentamente,
não que queira passar para o lado de lá
mas sim por não ter nada em mente.
sábado, 19 de novembro de 2011
Maturidade
(...) porque o sofrimento requer o exercício da reflexão e sem nos apercebermos, por estarmos afogados nas lágrimas, começamos a reflectir intensamente, porque um problema não foge, é como um fantasma, acompanha-nos até nós descobrirmo-lo e sofremos por termos descoberto o problema e no meio disso tentamos achar uma solução, mas nada parece ter força, nada parece razoável, nenhuma acção deste mundo consegue pôr o nosso próprio cosmos em ordem e sofremos ainda mais, como se estivéssemos num poço escuro e gélido, tão profundo que deixamos de ver a luz do sol, aquele resto de luminosidade que nos guiava e dizia por onde sair e andamos ás voltas, na escuridão de um poço, a bater com força nas paredes procurando uma saída que não há e, cansados, desistimos e deitamo-nos no chão à espera que a morte nos venha resgatar, alucinando memórias felizes que nunca aconteceram, entre a fome desesperante de um simples abraço e a sede da troca de amar e ser amado, acabando por adormecer... e quando acordo, ao meu lado está uma bela e mágica pomba de penas brancas que iluminam uma parte do que estava escondido na escuridão, observando-me em silêncio à espera de uma minha acção mas o medo, os traumas que se tornaram experiência de vida criam hesitações e barreiras e escavam a cova. A pomba dá às asas e voa, voa para o céu mais alto obrigando-me a olhar para cima e, nesse momento, o meu peito alimenta-se das estrelas erguidas num mistério inalcançável e aí, a palidez ganha uma nova cor e recomeço a erguer-me do chão para um novo e diferente início. Numa luta incessante, de uma determinação extraordinária que faz cravar bem fundo os meus dedos nas paredes do poço, escalando com determinação, tendo como objectivo um lugar na superfície da Terra. A cada queda que dou, a revolta torna-se maior e maior e maior e maior... cada célula vai-se transformando num pedaço de monstro a cada centímetro que subo. A umas dezenas de metros da superfície, já todo eu transformado num mostro, com uma voz esganiçada pela raiva, com os olhos vermelhos de lágrimas que fervem, começo a expulsar o ódio entre ameaças temerosas... Chegado à superfície, irreconhecível, a revolta ganha atitudes e acções, a vingança de uma vida requer a ordem natural das coisas... a raiva, o ódio... tudo se perde quando um espelho se atravessa na minha frente e o choque do que vejo faz-me questionar no que me tornei eu... num monstro que afastou qualquer gesto... qualquer palavra de amor... todas estas questões trancam o monstro dentro de mim, porque quase ceguei... e então, sento-me na minha cama, pego o meu álbum de fotografias pousado na mesinha de cabeceira ao lado da cama e começo a folheá-lo recordando-me de tudo, de todas as memórias, de todos os meus pensamentos, de tudo o que fiz e me aconteceu... e todas as minhas misérias e desgraças dão vontade de rir, chorar de tanto rir, rir até não poder mais, rir até me deitar na cama e agarrar-me as dores dos abdominais e quando me acalmo, um sorriso se esboça para que no final diga: a sério? Levanto-me da cama e vou-me embora viver com as células que ainda me sobraram.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Estive dentro da tua mente,
nesse teu campo de concentração.
Ainda hoje sinto a sua respiração,
era tão nojento... tão repugnante...
abafado pelo cheiro da dor.
De tão asfixiante que era,
até mesmo de olhos fechados
conseguia ver cada pormenor de cada corredor:
o sangue raspado nas paredes,
ainda fresco, da carne desfeita em sangue
das caras que te afrontaram com a verdade,
raspadas nas paredes até ficarem só osso.
Ainda sinto o cheiro a lutas inúteis
contra o gás abafador do teu orgulho
nas câmaras... nas câmaras de gás,
onde a impaciência se exaltava
e se aclamava o silêncio da morte,
o silêncio que nos leva sem nos trazer...
Eu caminhei naqueles corredores húmidos,
dos seus tectos pingava água,
eram gotas de lágrimas, formavam poças...
delas, ecoavam gritos de ódio e tristeza
a cada trémulo passo atingido no chão.
No andar acima, torturas amarradas a cadeiras
dão forma à figura do horror
através do cheiro nauseabundo de pragas roucas
em pedaços perdidos numa imensidão de sangue seco.
Eu te digo, o inferno existe
e nele não há qualquer forma de esperança,
apenas reina o desespero e o medo,
a mentira de vida e a clemência pela morte.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
As pedras da calçada
sentem a leveza do terror
de um olhar fixado no interior
vendo nada do que é o seu redor.
Um impedimento consciencializado
não ganha resolução no coração
atormentando numa mentira...
os olhos querem abrir e sair deste horror
mas o maior pesadelo duma mentira está em vê-la
e não conseguir deixar de vivê-lo.
E eu sei, sei tão de cor
as letras da verdade desonesta,
tão certas como a água que vejo e saboreio
mas escorrega sempre das minhas rotas mãos
e quanto mais as fecho mais depressa me foge...
forjando espelhos de água deturpados.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Beethoven Sinfonia 05 Sonata 14 (Moonlight)
Acabaram-se as palavras,
os sonhos e as esperanças.
Já não há ventos nem espaços
não há silêncios nem tempos.
Morreram as árvores,
os artistas, as flores,
os céus, as núvens ténues…
É o fim da criação,
o choque da evolução.
As circunstâncias
destas estrelas
são cereais
saboreados
ao pequeno almoço,
são conversas banais…
Cidade sem alma,
aterrorizada subtilmente,
ignorada, desprezada
por formigas
ligadas a fios eléctricos,
que caminham
com pensamentos estéticos.
.
ligadas a fios eléctricos,
que caminham
com pensamentos estéticos.
.
Já não há telas brancas
nem folhas limpas,
o tempo é o relógio que o dita,
os horários fazem dos vivos mortos
e a noite é dominada pelo
desprezo.
A paisagem correu
na viagem de comboio
onde o tempo passa
esperando passar rapidamente,
se é que a paisagem já não morreu,
será que ela não existe
ou serei eu?
Eu, que sem alma
me encontro nesta cidade desencontrada,
que compra o amor em pacotes de plástico reciclado
sem saber de onde veio,
que acha saber sem viver
senão num comboio alimentado,
não pelo sonho, não pela esperança
mas pelo prazer mundano dos vícios
do acolhimento palpável
e materializado, falsamente materializado…
Somos bebés amamentados por chupetas
crescidos na deformação do amor
desconfiados de sabor…
somos nós as formigas
que trabalham para serem pisadas,
tão arduamente na casa de alguém,
de um rei qualquer que desconhece
a nossa existência,
a nossa tradição e cultura…
Somos galinhas secas
de muito sabemos contar
tão gordas de mentiras
condenadas a não saber voar…
A única glória é a mentira
de uma história contada
por nós, protagonistas falsos,
contada por alguém que de nada
tem do que podemos dizer ser nosso,
despegado de fantochada.
Vivemos nos calabouços dum castelo
feito de gente pisada como cartas,
numa tentativa absurda de ter importância
subindo escadas de degraus,
ou antes números de pessoas,
sim, massacrar a ganância
com ganância.
É esta a hora em que a fome
se tornou um prazer,
a morte um caminho presente
que tentamos tão desordenadamente
fingir não ser connosco a idade
avançada de memórias
guardadas em masmorras,
presas numa qualquer saudade
inexistente, puramente imaginária,
um total plágio do fracasso escondido,
amando o desconhecido mas real,
puro irreal mas sentido
um descobrimento fatal
de um destino
que aos comuns é sempre igual…
sábado, 29 de outubro de 2011
Eu vi-te, lá nas longes alturas,
lá nesse tempo perdido,
nesse caminho sem fim,
o meu olhar não te alcançava
apesar de te conseguir ver.
Mas havia um de nós que se afastava,
um, que se estava a perder.
Bem te quis, muito te quis,
mas lá, nesse universo desconhecido,
brilhavas tu na imensa escuridão,
fiquei apegado ao teu brilho,
parecias estar à distancia do meu braço
e eu esticava-o mas havia ainda muito espaço.
Oh! Se não te quis! Como te quis!
Apenas exististe quando eu, de olhos fechados,
te via, te sentia até ao dia
em que os meus olhos cegaram, obcecados,
mas nunca mais voltaste, nunca mais te pude ver,
ah! Como te queria... como te queria...
nunca te devia ter sonhado
para conseguir viver...
Bagageira Sem Malas
Conheces só palavras,
nada sabes do que falo.
Imaginas tão desonestamente
tal coisa que pode mas nada tem disso
e nada disso é.
São apenas palavras o que ouves
mas a mágoa é minha.
Para ti não é mais que uma letra
de uma canção sem música,
de uma flor sem cheiro,
de uma vida sem o tempo,
de um lugar sem espaço,
de uma foto sem fundamento,
de uma tela branca...
e um desabafo é um tormento,
um templo em ruínas
onde ganhei lugar,
lapidado pela tua memória
e sem chão onde me enterrar.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Segredos Trancados
Não te disse,
ainda não te disse
mas hei-de dizer
como digo na solidão
e te vejo comparecer.
Falas-me mas não me conheces
porque não te disse.
É um peso que carrego
à espera do momento certo
de um tempo incerto
desconhecido pelo teu ego.
Nem imaginas quantas mentiras
são as minhas reacções quando falas.
Ouço as tuas sábias teorias
desse orgulho de ser superior
e ponho-me a pensar
quantas lágrimas verterias
se eu dissesse a tua dor.
Nem te apercebes do meu silêncio
nessa toda tua avareza
onde te perdes na tua prepotência
esquecendo-te fatalmente da minha existência
e de como pode ela ser a desgraça da tua natureza.
Se soubesses terias medo dos meus olhos,
dos meus mais honestos olhos,
mas eu também tenho medo,
muito medo... porque eu sou tu,
criado por ti e pelo amor...
uma fera enjaulada berra ferozmente,
nesse mundo meu, onde vive um terror.
sábado, 22 de outubro de 2011
Percepção Alucinação
Sou eu que estou errado,
sou eu a escória que foge à razão,
sou uma bela maçã destinada à podridão
crescida nas terras nojentas,
porque cada acto meu
são mil olhos de interrogação.
Entrego o meu mistério de vida
aos julgamentos com pena antecipada,
não interessa a origem
nem se foi bem intencionada.
Juízes não se perguntam,
têm vertigens de onde vim,
não me conhecem
e já têm certezas de eu ser assim.
Que veneram eles que eu não sei,
serão os meus olhos assombrados
que os deixam assustados?
O que lêem eles em mim
que eu não leio?
Talvez sejam as minhas atitudes
mas isso eu não creio.
Se calhar sou um tormento
como uma catástrofe natural,
quando aparece todos fogem à dor
como se considera normal.
Querem que seja o vilão
que alguém tenha os defeitos deles
para se sentirem bem.
Convém julgar com alguém
para se afirmar e confirmar
que eles são o bem.
Não se passa nada,
eu sei quem foi a causa,
já vou na décima oitava vaza
e ainda tenho a alma marcada.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Os olhos desesperados,
desfocados pelas lágrimas,
no sofá, virado para a janela
onde a noite escura enche a solidão do lar.
O sentimento ganha forma no corpo
que se deita abraçado a si próprio
e uma respiração profunda e cansada
inicia os encantos dos sonhos
como os efeitos do ópio.
Adormece...
Acorda numa ressaca
de arrancar com uma faca,
mas algo mudou,
a esperança morreu,
o sol está vivo
já não sinto saudade,
o que morrera,
agora ressuscitou.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Foi Tudo Amor
Das vezes que escrevi sobre ti
escrevia mais sobre mim,
sabes porquê?
Porque somos nós
à distância de um coração.
Num mundo confuso
tu foste a minha razão
porque sempre que te via
assim sentia-me numa confusão.
Achei que fosse um fosso
mas afinal era só o fundo de um poço
e uma dessas vezes que acordei
percebi o quanto é possível
se houvesse mais um bocadinho de esforço.
Porque sei
o quanto me amaste, o quanto me amas
o quanto nos afastámos um do outro.
Porque fui o criador do rio Tejo
através das minhas lágrimas
por estares do outro lado da margem
e já me faltar a coragem.
Sim, tive o medo de me afogar,
o medo de atravessar a ponte da liberdade para te falar,
por isso fiquei aqui a tentar descobrir
na imensa saudade de te ver sorrir.
Quantos peixes, quantas gaivotas vi passar,
eles foram emigrar mas eu fiquei aqui a sonhar,
a olhar para as estrelas, à espera do teu regresso,
a re-viver as nossas memórias
e deitei-me,
aconcheguei-me na relva à espera de novas histórias.
Porque, apesar de distante, tão afastado,
sabes que sempre estive ao teu lado.
Nesta caminhada tropessámos em discussões,
mas sempre nos amámos e ainda o mostrámos
mesmo em alturas de rouquidões,
porque.eu sei, porque tu sabes,
que o nosso amor foi e é a razão das nossas razões.
escrevia mais sobre mim,
sabes porquê?
Porque somos nós
à distância de um coração.
Num mundo confuso
tu foste a minha razão
porque sempre que te via
assim sentia-me numa confusão.
Achei que fosse um fosso
mas afinal era só o fundo de um poço
e uma dessas vezes que acordei
percebi o quanto é possível
se houvesse mais um bocadinho de esforço.
Porque sei
o quanto me amaste, o quanto me amas
o quanto nos afastámos um do outro.
Porque fui o criador do rio Tejo
através das minhas lágrimas
por estares do outro lado da margem
e já me faltar a coragem.
Sim, tive o medo de me afogar,
o medo de atravessar a ponte da liberdade para te falar,
por isso fiquei aqui a tentar descobrir
na imensa saudade de te ver sorrir.
Quantos peixes, quantas gaivotas vi passar,
eles foram emigrar mas eu fiquei aqui a sonhar,
a olhar para as estrelas, à espera do teu regresso,
a re-viver as nossas memórias
e deitei-me,
aconcheguei-me na relva à espera de novas histórias.
Porque, apesar de distante, tão afastado,
sabes que sempre estive ao teu lado.
Nesta caminhada tropessámos em discussões,
mas sempre nos amámos e ainda o mostrámos
mesmo em alturas de rouquidões,
porque.eu sei, porque tu sabes,
que o nosso amor foi e é a razão das nossas razões.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
As Chagas Dos Nossos Pés
O mundo está num tal estado
que por onde caminhamos
a hipocrisia está sempre ao nosso lado.
Os nossos direitos foram cosidos com o sofrimento de alguém
e as roupas que tanto desejamos também.
As nossas conversas de revolta e mudança
não passam de falácias de esperança.
Este capitalismo criou um sistema
para que os planetas se encontrem
um de cada vez e de um intervalo de tempo
que nos faz esquecer a essência do problema.
O Universo não esquece o significado da universalidade
e os gananciosos que criaram uma virtual realidade
deparam-se agora com o fim da sua existencialidade,
porque o que é natural nunca deixará de ser natural
se a sua origem não chegar às mãos do mal.
Para concluir:
o meu País, ó economistas sem nome,
foi criado pelo Povo Português e chama-se Portugal.
que por onde caminhamos
a hipocrisia está sempre ao nosso lado.
Os nossos direitos foram cosidos com o sofrimento de alguém
e as roupas que tanto desejamos também.
As nossas conversas de revolta e mudança
não passam de falácias de esperança.
Este capitalismo criou um sistema
para que os planetas se encontrem
um de cada vez e de um intervalo de tempo
que nos faz esquecer a essência do problema.
O Universo não esquece o significado da universalidade
e os gananciosos que criaram uma virtual realidade
deparam-se agora com o fim da sua existencialidade,
porque o que é natural nunca deixará de ser natural
se a sua origem não chegar às mãos do mal.
Para concluir:
o meu País, ó economistas sem nome,
foi criado pelo Povo Português e chama-se Portugal.
sábado, 17 de setembro de 2011
Quarto - Um Mundo
Quando se passa pela porta
entramos num mundo diferente,
como se, de repente,
tudo rodasse à volta deste quarto
e o resto deixasse de existir…
Está escuro,
estamos a ouvir gritos,
parecem ser de raiva,
tentamos falar com essa voz,
ligamos a luz… e o silêncio,
não está aqui ninguém senão nós.
Prosseguimos com a nossa investigação.
O tecto parece uma televisão,
transporta-nos para outros lugares,
parecem sonhos ou memórias,
uma qualquer outra dimensão.
O roupeiro está cheio,
parecem máscaras de receio,
contudo vazio, porque o que o enche
é o que não é verdadeiro.
Há aqui um espelho
que nos mostra distorcidos,
corruptos e bandidos,
faz-nos ver o que detestamos,
apesar de irreal
através da percepção seria um ideal.
As paredes estão pretas da humidade
pintadas com uma cor fingida
mas que não escapa à verdade.
A cama é gélida como um cadáver
mas está tapada por um cobertor
que se mexe quando se mexe a dor.
A almofada é nervosa,
talvez por estarmos aqui…
fazemos-lhe perguntas
mas a marca da cara permanece imóvel,
com um olhar distante,
apesar de escorrerem lágrimas.
Na secretária há fins inacabados,
fotos distorcidas… sem caras,
palavras caladas em papéis invencíveis.
Um mealheiro com elogios guardados,
uma gaveta misteriosa trancada mas sem fechadura,
os segredos, aqui, são invisíveis
mas sinto-lhes a presença.
Está aqui uma forca das palavras
e uma lista de sentenças…
nota-se rastos de água,
talvez lágrimas de tristeza
ou suor de cansaço.
Na mesinha de cabeceira
está uma caixinha que cabe na minha mão,
não sei porquê, chamou-nos a atenção,
abrimo-la e está lá um apaixonante sol,
pequeno e muito confortável,
com uma temperatura suportável,
que me deixa mole,
como se o meu corpo quisesse ficar,
dá-me esperança… acho que o vou levar.
Já acabámos a investigação, vamos embora.
Mal pomos os pés fora do quarto,
parece que algo ficou por desvendar,
quando olhamos para trás,
o quarto estava diferente,
talvez mais normal,
seja lá o que for que vimos,
nunca mais foi igual.
entramos num mundo diferente,
como se, de repente,
tudo rodasse à volta deste quarto
e o resto deixasse de existir…
Está escuro,
estamos a ouvir gritos,
parecem ser de raiva,
tentamos falar com essa voz,
ligamos a luz… e o silêncio,
não está aqui ninguém senão nós.
Prosseguimos com a nossa investigação.
O tecto parece uma televisão,
transporta-nos para outros lugares,
parecem sonhos ou memórias,
uma qualquer outra dimensão.
O roupeiro está cheio,
parecem máscaras de receio,
contudo vazio, porque o que o enche
é o que não é verdadeiro.
Há aqui um espelho
que nos mostra distorcidos,
corruptos e bandidos,
faz-nos ver o que detestamos,
apesar de irreal
através da percepção seria um ideal.
As paredes estão pretas da humidade
pintadas com uma cor fingida
mas que não escapa à verdade.
A cama é gélida como um cadáver
mas está tapada por um cobertor
que se mexe quando se mexe a dor.
A almofada é nervosa,
talvez por estarmos aqui…
fazemos-lhe perguntas
mas a marca da cara permanece imóvel,
com um olhar distante,
apesar de escorrerem lágrimas.
Na secretária há fins inacabados,
fotos distorcidas… sem caras,
palavras caladas em papéis invencíveis.
Um mealheiro com elogios guardados,
uma gaveta misteriosa trancada mas sem fechadura,
os segredos, aqui, são invisíveis
mas sinto-lhes a presença.
Está aqui uma forca das palavras
e uma lista de sentenças…
nota-se rastos de água,
talvez lágrimas de tristeza
ou suor de cansaço.
Na mesinha de cabeceira
está uma caixinha que cabe na minha mão,
não sei porquê, chamou-nos a atenção,
abrimo-la e está lá um apaixonante sol,
pequeno e muito confortável,
com uma temperatura suportável,
que me deixa mole,
como se o meu corpo quisesse ficar,
dá-me esperança… acho que o vou levar.
Já acabámos a investigação, vamos embora.
Mal pomos os pés fora do quarto,
parece que algo ficou por desvendar,
quando olhamos para trás,
o quarto estava diferente,
talvez mais normal,
seja lá o que for que vimos,
nunca mais foi igual.
sábado, 27 de agosto de 2011
A planta cresce...
entre as chuvas ácidas que a amarguram,
entre os raios de trovoada que a queimam,
entre as inundações que a asfixiam,
entre as abelhas que lhe roubam a essência,
entre os furacões que a assustam,
entre as larvas que lentamente a comem,
não foge por estar presa...
mas quem és tu, ó Natureza?
entre as chuvas ácidas que a amarguram,
entre os raios de trovoada que a queimam,
entre as inundações que a asfixiam,
entre as abelhas que lhe roubam a essência,
entre os furacões que a assustam,
entre as larvas que lentamente a comem,
não foge por estar presa...
mas quem és tu, ó Natureza?
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