A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.

A minha inocência foi esta:


Francisco Sarmento

Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/

sábado, 31 de março de 2012

Reflexos da Realidade

São tudo ideias
tão longe da realidade,
são ilusões
do outro lado da paisagem,
sonhos sem coragem,
histórias abstractas
de passar o tempo,
invenções paralelas,
de alma agarrada a trelas
a viver uma falsa vida
de falsidades
convivendo
somente com falsos,
a sofrer várias modulações
que alteram a maneira de ver
sem que se veja todo o jogo,
nunca somos justos e verdadeiros
mas vamos contribuindo
sem crédito a terceiros,
somos reais
porque o sangue é pesado,
cheio de memórias por contar,
prendendo-nos à terra,
não pesa a alma
mas dá-lhe peso
suficiente para se perder
nos laços do universo
sem que fuja do que se pode ver,
de verdades absolutas
onde se agarrar
com a morte por desvendar
vai tudo se apagar
ou se calhar
entrar em choque
porque nada mais foi real
que a própria morte.

São anos assim
até me perder
sem saber
quem mente a quem,
se sou eu à vida,
se é ela a mim.
E vivo à suspeita
de que haja algo de real
à espreita.

Magoam-se as crenças
porque as certezas gozam
e criam desavenças.
No entanto
as crenças
mandam matar,
torturar e desgraçar
os seus contrários
enquanto as certezas
deixam-nos a rir
e a sentir de como
os outros são otários.


E eu sou o otário
à procura de um barco
para poder ver um céu
com sol e luar.
Mas quanto mais certos estão
mais eu fico a desconfiar
e investigo falhas,
qualquer perturbação
ao esquema da Natureza.
Eu sei que estou vivo,
se estiver num sonho
não importa,
a morte há-de dizer-me
qual é a real porta.
Estou debaixo d'água
afogado numa tempestade irreal
na minha própria banheira,
a afogar a minha mágoa,
talvez a água substitua
este vazio espiritual.

Não posso dizer certezas
mas estou certo das reacções
previsíveis da sociedade.
Porque o que sinto
sobre as minhas interpretações
é mais real que a realidade
que a altera e luto
por ela mesmo se amanhã já era.

Tão certo como a morte
são os acontecimentos do passado
apesar de não ter a sorte
de descobrir como resolver
o que hoje me deixa calado:
a verdade dos factos
que me transformou
e me levou a este fado.

Sem me aperceber
já cheguei aqui,
nunca pensei em viver
mas a verdade
esconde-se no que sou
pelas ruelas das memórias que vivi.
E ninguém melhor que eu
pode contá-las,
não as viveu não pode analisá-las
ou a personalidade já morreu.

Hoje em dia nem há o Fogo de Prometeu,
as lágrimas invadiram a terra
sobre a Humanidade que já morreu
à espera de que a vida não fosse a guerra.
Rio-me lunaticamente
sobre o poder dos senhores,
são a sua própria desilusão
criam dores para ter dinheiro na mão,
mas a morte nunca lhes dará razão.

Estamos perdidos,
só se fala da corrupção
da solidão e da depressão,
agora que têm liberdade de expressão
perderam a razão.
Pensa-se sexualmente de famas
e falham o compromisso com eles mesmos
porque estão numa prateleira dos iguais num super-mercado
querem ser lembrados sendo mais uma folha em remos
para tirar fotocópias de sonhos iguais,
de tão banais que são que têm sempre os mesmo finais.
Tão falsos que quando se querem sobressair
percebem que estão a mais,
sem poderem sair começam a cair
e querem fugir com preguiça
porque acham que ainda estão a vencer
por terem conquistado algum tempo de atenção
enquanto as suas almas estão a morrer
e só ficam vivos por causa do coração.

Tudo o que quero é o amor,
acalma e conforta,
porque não há nada mais forte
que este sentimento,
mesmo que a vida esteja morta
conquista o Fogo por cada momento
em que o amor cicatriza a dor
e o resto conquista-se por consequência
porque amar tem sempre essa preferência.

sexta-feira, 30 de março de 2012

É Porque Sinto

É tudo confuso,
não sei se estou
às voltas nos lençóis
se a minha cabeça
é que está a andar à roda,
ou se é o mundo a girar
à minha volta.
Há algo que me pica
e eu não consigo coçar,
está dentro de mim
tão profundo que não consigo chegar,
sei que é no meu peito,
tão intenso que me encolho
e não consigo pensar direito,
quem me dera poder escolher
mas não sou eu que escolho,
tentar esquecer talvez
mas não posso deixar
de ver os porquês,
talvez por serem irreais
ou se calhar por
fazerem parte de mim,
mas eu não posso fugir deles
porque há algo a mais,
não sei se sou eu, a minha visão,
talvez me esconda na escuridão
do tempo,
porque por cada momento
que vai passando
vai-me pesando
sem me deixar
ir pelos ponteiros,
vai-me arrastando
nos meus passos verdadeiros
que apenas vão andando...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Eu, o Cognome e Eu.

Eu, o Desvio do Vento
e o Movimento Contrário ao Tempo.
Eu, Alguém que é Ninguém
e o Boneco Pousado na Prateleira dos "Sem".
Eu, a Roupa Fora de Moda
e a Mais Esquecida Foda.
Eu, o Poema Nunca Lido
e o Rio Mais Poluído.
Eu, o Dente Substituído por Baixo da Almofada
e o Mais do Menos do Nada.
Eu, a Pessoa que já Morreu
e o Minuto que já Desapareceu.
Eu, a Comida Fora da Validade
e a Desprezada Realidade.
Eu, o Sangue Derramado
e o Coração Parado.
Eu, o Grito Abafado
e o Nó da Garganta Apertado.
Eu, a Sombra mais Escura da Negra Solidão
e os Olhos que Nunca mais Abrirão.
Eu, a Morte da Calma.
Eu, o Despedaço d'Alma.

terça-feira, 27 de março de 2012

Linha de Partida

E assim chegara o terceiro dia,
ainda estava com a mesma euforia
e veio um gajo com bué-da lábia e mania,
a pavonear-se como se fosse um gigante
a querer falar que eu era um grande ignorante.
Eu sabia que mal entrasse na escola do rap iria ser espancado,
que sem preparação e experiência sairia fracassado,
que precisava de ter atitude em cada rima,
mas nunca fui convencido e a humildade vence auto-estima.
Mas mesmo assim decidi entrar sem estar preparado,
completamente desembolsado, 
passei vergonha, fui humilhado
e ainda fiquei calado, especado,
totalmente desinspirado,
mas é demasiado tarde, bazei ferido e triste,
mais uma vez virei as costas à cobarde
e recriei o inferno no meu quarto,
entristecido, dei por mim mais uma vez farto
desta vida que não me deixa em paz,
foda-se, eu ando a ser perseguido
por um guião à espera de me ver agradecido
para me descarregar situações tão más.
Mas quem fui no passado para ter de levar
com tanta merda? Eu sou apenas um rapaz,
estou cansado de estar sempre em guerra.
Já me tinha apercebido que sempre que algo corre mal
a minha reacção é sempre igual, estar deprimido.
E fiquei cansado de estar cansado,
de me lamentar como um desgraçado
e como nunca antes me tinha acontecido,
tive uma conversa comigo que nunca tinha tido:
Não sejas cobarde, essa gente é traste,
sê forte e resiste, que venha a má sorte, persiste,
se parares mano aí é que vais ser falhado,
nepia, não vou ficar calado,
que seja esta a minha linha de partida
para uma nova fase da minha vida,
esse bacano tentou me abafar
mas no final é ele quem vai ficar chorar,
é de mim que toda a gente vai falar
porque o meu rap vai ser a corda
com que ele se vai suicidar.


domingo, 25 de março de 2012

Infâncias

Figueira da Foz,
é onde está a minha voz,
é a foz e o início do Universo
e a origem do sonho sonhador
que suporta a insuportável dor.
Pedido subtil em cada verso
com que apelo em contrastes
quanto mais me afastas
mais o ódio se torna belo
sem nunca ter hastes castas.

É o mais doce doce lar
onde está a mais bela estrela a brilhar.
És inocência da minha infância,
quando enegreço tu és a discordância.
O sol que guardas ilumina a minha caminhada,
a lua que recordas liberta-me para ser mais conciso,
guardo-me ao teu desejo em cada hora desesperada
e aguardo a tua chegada enquanto improviso
na complicada vida que me desespera
até parar e observar o horizonte à tua espera.

Merdicida (Egotripping)

Vêm sempre para o meu lado
para armar confusão
e ainda fazem questão
de me ver irritado.
Acham que eu não faço nada,
a minha paciência é quase ilimitada
mas a verdade é quando se ultrapassa
eu transformo-me num monstro
e torno-me na vossa desgraça.
Esta música chama-se merdicida,
é um repelente para calar essa merda de gente
que me quer ver casado com a SIDA.
Mas essas gentalhas nem sequer têm vida,
só têm neurónios cancerisnos,
por mais que os critiquemos
só podemos ficar pelos eufemismos.
Não têm onde serem enterrados
nem onde descarregar a testosterona
e ficam todos incomodados
porque não preciso de dar na hormona.
Ao contrário de ti
eu uso a inteligência,
com essa burrice única
nem dá para te fazer concorrência.
Foda-se, tu és a piada do milénio,
no dicionário de antónimos
está lá o teu nome como contrário de génio.
Põem-se a falar, a criticar, a aconselhar,
mas a hipocrisia global deixou África por alimentar.
Ainda se dão para espertos
com muita fé de que estão certos
mas o que é certo
é que ainda não vi nada vosso em concreto.
Eu não tenho culpa da vossa falta de afecto.
Eu defeco na vossa cara,
porque em termos de inteligência
o meu chão é o vosso tecto.
Bro, eu nem egotriping sei fazer
mas também nem é preciso saber
porque ainda estou na introdução
e essas unhas já te estão a desaparecer.
És uma identidade falsificada,
não sabes o que hás-de ser,
natural, também não vales nada.
Como é que tens lata de gozar com os homossexuais
quando tu é que és a desgraça dos teus pais?
Vens para aqui armado em T-Rex
mas os meus pensamentos são vortex
e deixam o teu cérebro às voltas numa rotunda,
és duas vezes maior mas eu dou-te tanta porrada
até ficares cento e oitenta graus corcunda.
Tens uma mentalidade tão quadrada
que só sabes falar de sexo
mas é dos vídeos pornográficos com que ficas perplexo.
Tens um grande complexo de inferioridade,
isso não é complexo man,
isso é a mais pura realidade.
Andas armado em macho,
manda mas é a parte de baixo para o abate,
só usas isso a solo, nunca terá outra utilidade,
já estás vermelho como um tomate,
se tens vergonha desta verdade
vai mas é virar para frade.
Sê então bem-vindo
à outra margem da paciência,
vens armado em bandido
mas para ti eu cago irreverência.
Mas quem és tu?
Foda-se, devias abrir o olho
como a tua mãe abre o cu
porque enquanto me tentas espicaçar
a tua mãe chama-me de xuxu.
Vieste-me atiçar, chega,
antes de começares a falar
devias saber que a tua mãe é uma grande pêga.
Sozinha faz concorrência
ao parque Eduardo VII,
estou a brincar,
ela é tão feia que a tendência
é deixar-me céptico
por ela ser mãe.
Quer dizer, se pensar bem,
o desespero dela para ter alguém
obrigou-a a vomitar uma filha,
mas foi a um banco de esperma
pois nem um cego lhe abriu a braguilha.
Vens com grandes conversas
mas não passas de um grande fake,
é tanta a merda que dizes
que nem dá para fazer re-make.
Não passas de um fedelho,
eu nem precisava de te bifar
porque o facto
é que bastava trazer-te um espelho
e fazia logo xeque-mate.
Acha que faz sempre o que quer,
mas sempre é o complemento circunstancial
para o estado fechado do seu fecho éclair.
Mas ainda estás aqui?
O Valete é trezentos milhões de anos-luz
mais forte que eu, assim como eu sou para ti.
Porque é que andas armado em Fidalgo?
Para que é que fazes isto?
Queres ganhar algo? O quê, respeito?
Não é preciso saber muito disto
para te levar direito ao prémio da desgraça:
parabéns, ganhaste a taça
por seres a maior vergonha da nossa raça.
E já agora, agradeço-te por te ter conhecido,
assim nunca na vida irei me sentir vencido.
Achavas que eu não fazia nada, não era?
Então agora fica aí de boca aberta a ingerir a minha fera.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palavras Para Quê?

A Humanidade descobriu o sol
e recriou-o no teu corpo,
se é mito talvez
mas no meu olhar torna-se um ritual,
quando surges eu derreto
para ser o oceano que reflecte
a perfeição do teu brilho,
nem branco nem preto,
não precisamos de ver
para saber o que o outro há-de querer,
não precisamos de crer,
já a temos a certeza
do que a Natureza requer,
é simples, eu sou o teu homem
e tu és a minha mulher,
és espelho re-criado
da obra do amor
 e eu sou aquela parte
aparte da dor,
juntos fazemos rituais únicos
e torna-mo-los recordações,
por cada vez que nos juntamos
celebramos a cerimónia
bebendo o planeta num copo de champanhe
e reformulamos a teoria da relatividade
porque não há palavras,
só há olhares e momentos intensos,
entre nós não há razões,
como deuses activistas, tu e eu,
somos criadores da realidade,
somos sonhos realizados
e sem se saber,
alteramos toda e qualquer verdade,
criamos o efeito borbuleta
através de acções em pequenas proporções,
nós é que ditamos o que é treta,
hoje tornamos a ilusão, o sonho,
a miragem, o abstracto, o surreal,
em algo bem real,
tão real que quase considero
ser fatal,
o universo não passa de uma meia anedota
quando existe algo como isto entre nós
que a toda a hora torna a hora morta,
fomos feitos um para o outro,
para lá destas quatro paredes
está um resto de um mundo louco...

sábado, 17 de março de 2012

Eu sempre quis ter o intelecto do Valete
e o afecto com que Sam pega no papel
mas nada me surgia em concreto
também não tinha instrumental
só queria cantar, 'tou-me a cagar
se cantar mal,
porque sinceramente,
é só mesmo para desabafar
mas o meu cérebro anda dormente
porque eu sofri bullying na escola da vida,
ela quase que me tornou suicida
mas depois da tristeza vem o ódio
que nos quer monstro e homicida,
não para ter poder por qualquer pódio
mas sim para fazer sofrer,
porque quando o mundo desaba
desaba em grande só para uma pessoa
e raiva torna-se uma voz que soa
constantemente no ser ignorante.
Vivi na escuridão,
no escuro não consigo ver o caminho,
bato e tropeço em tudo
e o que nos resta na solidão
é a imaginação
por isso ficava mudo,
aparte deste mundo.
É como cair no Universo,
as estrelas passam por mim
e eu não sei se a vida me mata ou o inverso
porque resumidamente é assim:
a morte anda a perseguir-me,
a vida não me quer,
a natureza tranquila esconde-se no horizonte
e entre mim e amar
está um mar imenso
com a ilusão de uma ponte,
a rua deixa-me sempre tenso
porque eu penso
com tanta merda que sucede
a morte está no outro lado da esquina
a pedir a uma alma para me vir chatear,
o que eu acho? É que na vida anterior fui Hitler
e agora vingam-se causando-me dor,
neste mundo eu não encaixo,
não há espaço para o meu corpo
já está demasiado abafado,
não consigo respirar,
já estou quase a chorar
eu quero gritar,
parem de me agarrar,
deixem-me andar,
deixem-me respirar
eu vou estoirar!
Tremo todo de nervosismo
e o mundo nem sequer reparou que eu explodi,
aqui, caído no chão,
mas esta canção é vigarice
porque o que eu disse é um eufemismo.
Estou farto, vou mas é dormir para o meu caixão,
ao menos lá estou sossegado,
se perguntarem se eu estou vivo digam que não,
eu estou cansado de estar cansado...
só quero dormir e achar-me achado...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Eu conheci um rapaz
fraquinho e incapaz
de enfrentar situações más
apenas queria paz.
Era calado e tinha postura de cocado,
qualquer um metia-se com ele
todos lhe encostavam a roupa ao pêlo
até ao dia em que se virou
contra um pseudo-ganster
e espancou-o com tanta força
que passou a ser respeitado,
ficou tão mocado com a vitória,
a histeria fora tanta
que se virou contra uma faca
e foi conhecer Florbela Espanca.

Pátria Fraqueja

Choro, ó minha Pátria,
choro o nosso Povo.
Que outrora fora rei com o mundo
e hoje está num declínio profundo.
De ignorantes nos fizeram
achar-mo-nos grandes.
Teve, o nosso triste Tejo, a premonição
da desgraça da entrega do nosso Povo à escravidão.
Mas acha-mo-nos inteligentes,
mas acha-mo-nos livres,
mas preguiçosamente desfazemos frentes
que tão orgulhosamente inspiraram livros.

Ó Povo, meu Povo,
que lágrimas te hei-de chorar?
Se quando te exalto
queres-me calar.
Continuamos analfabetos
iludidos do mar alto,
pois não se conhecem,
se à memória
se não conhece a nossa História.

O Tejo implica
as lágrimas dos marinheiros
cujos corpos estão
enterrados no esquecimento
que sem voz se complica
a escrita da nossa Nação.

Adivinhaste, Tejo,
que, por quantas palavras choraste,
nenhuma conquista veio para ficar
senão somente a escuridão no profundo mar
com que abrigaste a rotina
que ao turista se vai lembrar.

Já não te conheço, país,
mas sei onde ficas
e mais os restos
de conversa que o político diz.

Abandonámos D.Sebastião,
ao vendermos a nossa Pátria e Nação
para sermos tratados por País
na cobiça da globalização
engolidos pelas suas acções vis.

terça-feira, 13 de março de 2012

Roupas d'Alma

Visto um casaco grande e forte
para esconder o que sinto falta
mesmo assim não escapo à má sorte
quando me encontro no meio da malta.

Para não me lembrar uso um gorro,
mas o tempo está a passar para ver se morro
e eu não quero andar
porque a felicidade nunca há-de chegar.

Ponho uns óculos para não chorar
porque a dor é tanta
e as lágrimas começam a fraquejar
e toda a gente se espanta.

E fazem perguntas sem parar
e puxam assuntos que eu não quero pensar
mas as memórias não me deixam sorrir
e eu escondo-me sem conseguir fugir.

Calço um par de sapatos
para conseguir andar direito
mas depois de uns desacatos
abraço e encolho com o meu peito.


Como jovem sonho
clareando o meu olhar
mas a velha preguiça
não me deixa ir.
E para mais me perder
dos meus actos me envergonho
sem sítio por onde esconder.
Mas não sei se é preguiça
se é medo de aventura
se são brancas de viver
ou fantasias sem estrutura.
São poemas diferentes
com palavras iguais
pois não consigo dizer
o que em mim está a mais.
Quando tento falar
sai em meias palavras,
o silêncio está a guardar
algo, talvez um sentimento
que se desvendará com o tempo...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Na estrada passa um comboio
que vagueia no paredão
à espera de algo,
talvez de ondas
ou de um pôr-de-sol perfeito,
um comboio que vai e volta,
sem saber para onde ir
passa, devagar ou depressa,
para a frente, para trás,
para a esquerda, para a direita,
um comboio sem direcçao perfeita,
vai e volta como um ciclo de uma ceita...

domingo, 11 de março de 2012

Nos meus dedos estão os oprimidos
que outrora ousaram construir torre de Babel,
toda a vossa desgraça
está profetizada no meu papel.

A tinta que gasto são as feridas
com que deito heróis por terra,
por cada palavra que escrevo
crio nas vossas vidas uma nova guerra,
por cada ponto final
dito o fim das vossas vidas,
por cada ponto de exclamação
abraço uma nova catástrofe
da qual vocês não têm explicação,
no meu quarto fabricam-se
histórias macabras, insanas,
que fazem das vossas almas desumanas,
eu dou-vos um bocado de inteligência
para vos ver matar por poder
para fazerem o resto do mundo sofrer
e no final, quando morrerem,
vão-me conhecer,
e quando se aperceberem
vão sentir da minha força,
da minha frustração, da minha ira,
e vou-me rir da vossa desgraça
de toda a vossa vida ter sido
uma grande mentira!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Rasgos No Caderno

Imaginei-te de longe,
um pesadelo fora
na realidade confusa
onde me encontro
sem me achar.
De facto, por cada acto
que sai de mim
pergunto-me se sou eu
ou consequência do que aconteceu.
É torturante quando sabemos
que o sub-consciente mente na sua percepção
e queremos do consciente o coração
mas nesta guerra solitária somos nós quem perdemos.
Criamos um passatempo por necessidade,
não pela carência mas pelo medo da sociedade,
entre as imitações, opiniões e o lazer
perdemos totalmente a nossa identidade,
passamos a ser mais uma marioneta
com tantas exigências esquecem-se
de que a morte é o único profeta.

É no início do fim ou no fim do início
quando já perdemos qualquer noção da realidade,
quando não nos apercebemos que não há nada de nós connosco,
quando o tempo conta-se em comboios que vão por vício,
tudo o que se repete em todo o lado torna-se verdade
e tudo o que não nos faz pensar é o nosso indiscutível encosto,
passamos a ser mais um entre muitos na vala comum
onde todo o mundo é da mesma cor, sem sabor e sem gosto.
A alma única perde-se dentro do seu próprio corpo
e o talento apodrece dentro do seu próprio ovo
porque a inteligência resume-se a um tanto faz,
festeja-se o que é bom e reclama-se das coisas más.
Mas há quem viva no razoável que é a vida reles,
eu torturo-me porque involuntariamente visto outras peles
e não consigo travar, será que devo falar ou calar?
"Olá o meu nome é anónimo
e eu dou-te a conhecer o meu heterónimo.
A cara verdadeira do meu marionetista é desfigurada,
ele vive nas sombras do universo,
talvez só de veres a minha atitude
julgas-me uma personagem rude
mas o meu criador é-me completamente adverso,
ele está a afogar-se em ódios de cadernos
nas suas linhas descrevem-se mil infernos,
nada de especial, ele cresceu entre três portões
e está a tentar divorciar-se das razões."
Vem, desconhecido, vem-me julgar, isso é tão normal
como a naturalidade com que julgo o mundo
julgar-me e atacar-me e sei que vejo mal
mas ainda continuo a sentir-me um moribundo.

As contas são de ser humano
e às contas do tempo não paro de me torturar
na dor de outros a quem devo amar,
poderia lutar, de facto, sei as razões e as soluções
mas fiquei frágil, cheio de rugas invisíveis
do esforço que fiz para sorrir,
agora estou fraco, já não aguento discussões tais
que me façam sofrer mais.
Apesar de tudo, tenho consciência que fugir e fingir
não existem em relação a estes fantasmas
porque eles comem-nos a vida, trincam-nos lentamente,
além disso, este é o século vinte e um,
não nos podemos falhar com este presente.
É tempo de deitar fora o que já morreu
e de entender o que fazer quando na minha vida
há mais que um protagonista (não sou só eu,
é também o sangue que o meu coração bombeia)
e se me for abaixo, que se foda,
alguém tem de estar acima desta merda toda,
alguém tem de empurrar o barco quando os ventos são desfavoráveis,
alguém tem de sacrificar a sua própria infelicidade
para contornar os problemas incontornáveis.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Foder A Vida É Parir A Morte

O meu melhor amigo é perfeito
ele dá-me os parabéns em tudo o que faço,
mesmo que não o faça direito
ele aplaude sempre o meu fracasso.
Mesmo que eu seja palhaço,
tudo bem, ele gosta de mim,
vai comigo por aqui e além,
porque a verdade é que eu sou boa pessoa
mesmo que realmente não seja assim.
Porque eu sou um grande playboy
dou coro e conquisto qualquer fada,
pratico orgulhosamente a traição
enquanto não topo que ando a ser encornado
porque a minha namorada
gosta de ter mais do que um namorado.
Porque, tropas, eu sou da pior zona,
tenham cuidado, temam-me,
eu sou o vilão, eu roubo, eu espanco,
eu mato e já estive na prisão,
o que não contei é como matei o mano do meu bairro,
começou com uma discussão sobre um charro,
discussão puxa discussão e já eu tinha pistola na mão,
e ele disse: "Onde é que desencantaste essa merda?
Agora usas armas porque não aguentas uma guerra!
És grande playboy mas a tua dama já rodou o bairro inteiro,
dizes que és ganster mas todos te querem fora desta terra!
Falas muito mas na hora da verdade encolhes os colhões!"
e eu respondi-lhe: "Continuas a falar! Ainda cais tu primeiro!"
Ele veio contra mim e eu disparei sem razões,
com um tiro desfiz mil corações
e passei a ser totalmente respeitado
ninguém me falava, todos olhavam-me de lado.
Porque eu sou invencível,
abordei um magricelas
achando eu ser impossível responder-me,
perguntei-lhe as horas
e ele, sem demoras, partiu-me duas costelas,
mas só me venceu porque atacou mais cedo,
por isso continuem a ter medo.
Porque eu sou muito rico,
tenho dinheiro para nikes,
para saídas, noitadas e fumo muitos pipes,
através de extras como roubos
e muitas ganzas feitas.

Tem sido muito divertido viver,
a vida anda a fazer-me bicos
e eu tenho suspirado na boca dela
com satisfação desta vinda, a vida é bela,
eu estava quase a ter um orgasmo quando a vida parou,
e zangado reclamei: "O que estás a fazer!?",
três gajos tinham três caçadeiras
com três cartuchos apontadas a mim, sem eu me aperceber,
e disseram três palavras "Fizeste demasiadas asneiras.",
assustei-me e pensei que iria morrer,
olhei para eles e quando voltei-me para a vida
já se tinha transformado em morte, estava a sorrir,
e perguntou-me se ainda me queria vir,
desesperadamente tentei soltar-me mas não estava a conseguir,
não sei se isto é real ou a cabeça está toda fodida,
até os gajos começarem a disparar nas minhas costas
durante três minutos até me transformar em três bostas
E lá fiquei estendido no chão a apodrecer,
porque eu fui rei e ninguém quis saber.

O sol a queimar à noite
é sonhar de olhos abertos
e se alcançar água na areia do deserto
prova então o erro do que é certo,
tornando a certeza incompleta
quando o coração aperta
a lutar para que tenha
o esforço uma barriga prenha
com vitória numa fotografia
para calar quem se opôs
com fofocas e histeria.

terça-feira, 6 de março de 2012

Pátria, Nação, País e Pocilga

O que foi que não dissemos ao mundo?

Será que sou eu que sou louco
ou são eles, que louco me querem?
Será assim tão absurdo erguer-me
e gritar a quem não me quer ouvir
enquanto estão a dizer-me
que me estão a sentir?
Será assim tão patético espernear contra tudo e todos,
enquanto nos vendem um sonho de felicidade
que nunca haveremos de alcançar?
É assim tão pouco importante aonde trabalhar
desde que se consiga algum trabalho
para ter com que pôr os meus intestinos a funcionar,
desde que seja eu o bandalho
e tu estejas feliz a defecar
então tudo fica bem na nossa verdade.
Escravo nos escombros da cidade,
a limpar sapatos dos graxistas
que engraxam os sapatos dos oportunistas
que põem a brilhar os sapatos dos senhores materialistas,
que negoceiam sapatos com os senhores parlamentaristas,
que parleiam sapatos a seu gosto e batem palmas
e dão panos comerciais para o resto das almas
enquanto os meus pés feridos fedorentos
feios famintos falhados crescem e criam
nas honradas e benzidas terras dos tormentos,
desprezados e orgulhosos da Pátria saberiam
mas estão ocupados a improvisar uma sola de sapato
para não se esburacarem nesta espécie de quase chão
que os senhores, grandes doutores, dizem que é inacto
e nós abençoamos a sua opinião sem saber o fundamento,
sem inocentemente nos apercebemos que somos nós a razão,
mas desde que haja droga, sexo, vinho e muito contentamento,
quem precisará de comer sequer um pão?

sábado, 3 de março de 2012

Repudio tudo o que me ensinaste,
cuspo sobre tudo o que vivi,
trago nas minhas costas o peso do mundo,
se isto é o inferno então as chamas da minha mágoa
trazem o calor do sol à minha boca
e se é a desgraça que me espera,
então garanto-te que me vais ver em cada sombra,
em cada lágrima, em cada sorriso triste,
em cada grito, em cada choro,
e sem ninguém saber,
o meu nome vai ser aclamado
em cada ódio, em cada revolta.

Na mínima esperança que haja,
construir-se-á um mundo escondido,
um mundo amado e desprezado,
e nesse pequeno mundo,
verás soldados, verás a maior das guerras,
verás o sangue subvertido,
onde a morte mata por pena...
e aí, sentirás nos teus ossos
as almas nascidas e criadas pela desgraça,
chorarás por cada campa de porcos
onde nos deram de comer,
desconfiarás do que vês,
desacreditarás nas tuas crenças,
chorarás sobre a tua ignorância,
vomitarás, de nojo, o teu próprio coração,
quererás arrancar a tua língua
sobre os julgamentos com que fizeste sexo,
e morrerás louco, mergulhado na vergonha
de teres vivido no céu sem teres vindo à terra.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Estou farto de vos ver e ouvir falar da humildade
como se fosse característica de santos e divinos!
Vocês sabem lá o que é ser humilde!
Honras!? Prémios!? Melhor pessoa do mundo!?
Seus cães! Eu digo-vos o que é ser humilde!
Ser humilde é ser traidor!
É trair a vida e todos aqueles que nos amam!
É rir na cara dos que nos amam!
É cortar a nossa própria garganta
quando somos aplaudidos!
É ser escravo dos que amamos!
Não falem de humildade suas galinhas secas!
Ser humilde!? Ser humilde é deixar-mo-nos morrer, 
morrer lenta e dolorosamente
prevendo as inesperadas desgraças
e mais aquelas que nunca irão acontecer!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Volta para mim por favor...
quem foste nas minhas recordações
obriga-me a fugir do teu real por entre ilusões
acabando sempre por chocar contra a inevitável dor.
E como uma criança que chora a morte dos pais,
eu falho, eu fracasso, caio e deixo-me ficar
de olhar vazio no meio da confusão dos tempos
e das horas, a sangrar...
não sei se da queda, se do coração,
e espero, eternamente espero o teu regresso...
o meu corpo envelhece e morre
e o minha alma continua à espera,
à espera sem fim do fim da tua loucura
para que a minha possa finalmente começar...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sou um sonho incompleto
que a Natureza pariu,
um quadro talvez incerto
se ninguém me viu.

Sou um destino sem fim
com mãos cheias de ar,
de peito encolhido
sem braços para abraçar.

Sou um poema que escrevi,
sou vazio... sou cheio...
perdido no que vivi.

Sou uma paixão vazia
de um sorriso pesado.
Pesado pelas rugas tristes
de um passado.
Sou um passado no presente
e vivo vivendo ausente.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Somos nós Pátria, teus servos,
os culpados. Não sei o que viveste
minha velha Pátria mas escorres
no meu sangue. Minha Pátria,
como eu olho pela janela
chocado, magoado,
enquanto morres,
mas tenho esperança,
acredito, as minhas veias
contam as histórias
que estão para acontecer,
mas não estamos sós,
quero ver,
quando for a nossa vez,
se a Humanidade existe
ou é só um preconceito
sem porquês...

Roubaram a alma
da arte de escrever,
governados por ignorantes
vejo a escrita a empalidecer...

Amor

Quero encontrar-te
mas esqueci-me
aonde é que te perdi
e esforço-me
na procura,
mas tudo o que vem
vem vazio...
vazio... impalpável... invisível...
escapando-se das minhas mãos
como se alguma vez lhe tivesse tocado...

Na rotina dos caminhos
perdi gotas de suor
secando-me a cor
do gosto de outros vinhos.
Ando numa rotunda,
ao contrário do tempo
para desfazê-lo já que não posso fugir,
além disso não sei por onde sair,
há tantos sinais de perigo em todo o lado,
mas também não posso ficar quieto,
tenho de me agarrar a algo,
às migalhas da desgraça,
às pegadas rotineiras...
quem me dera voar
mas sou humano...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Vazias são estas as palavras que te entrego
quando me perguntas se está tudo bem,
na esperança de que não estejas cego
e te apercebas que estou a precisar de alguém.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Extracto Bancário Cerebral Português

Baseiam-se muito em números,
uns muito desafogados, outros desesperados,
outros com muitos cuidados,
esses capitalistas, esses políticos,
esses soldados, esses pobres
e ainda mais os ignorantes que se baseiam em factos contados
e tornam verdadeiras as mais repetidas opiniões,
esses todos que vivem à base de números e suposições
não sabem a ponta de um corno sobre o que é viver,
ainda vêm dizer que nós não sabemos o que é sofrer,
mas a verdade é que conheci alguém que se suicidou
sobre números infinitos de dívidas que herdou,
também conheci um outro que acampou na manifestação
de 19 de Maio de 2011 e foi tratado como cão,
mais outro que não virou terrorista
porque viu nos grafittis a derradeira conquista,
outro que andava a traficar para a ganhar pão,
preferia arriscar a prisão que ser escravo de um patrão,
para ele, estava fora de questão ser escravo por um tostão,
também fui abordado por um ladrão,
acabámos a confusão a conversar
e explicou-me ele que tinha vinte anos,
uma família por sustentar
e a verdade é que não era ele o culpado,
ele achava que o diabo tinha-se-lhe cruzado
quando o atestaram como desempregado,
encheu em mim a raiva, até me deu vontade de chorar,
só de pensar em que estado nos deixa o nosso Estado.
Apesar de tudo, vou fazendo a minha parte,
palavra aqui, acto ali como me manda a minha arte,
sou só um e faço aos poucos e aos bocados,
passando um bocado ao lado de quase todos
mas há pessoas que agradecem a minha passagem
porque sou um soldado desarmado
e também tenho a minha história
que, sempre que ponho o pé na rua,
surge-se na minha memória
e vêem nomes dos culpados
que tornaram a minha vida nua,
sem roupa para me aquecer,
a sentir aquele frio de quem está a morrer.
E porque números, factos e massas não resolvem problemas,
eles comem muita cultura e vomitam muitos temas
e eu assisto gentes a beberem do seu próprio suor,
eles dizem que é sempre para melhor
e que é o nosso país que está em jogo,
já nem lhe chamam Pátria,
porque a História da nossa Nação morreu
porque o Povo Português há muito adoeceu.
Eu sou hipócrita mas a maior hipocrisia
está nesta espécie de democracia,
que já Salazar dizia que nem para isso o povo não estava preparado
e no final de contas, o que é que mudou?
O Povo prefere estar pouco informado
e pouco se lhe dá sobre o que pensa da política
e quando não damos valor ao poder, alguém dá por nós, 
é esta a nossa sociedade mentalmente paralítica
que se deixa confortar por uma voz que soe bem ao ouvido,
tenha bom aspecto, um sorriso charmoso, uma boa propaganda
e já é um político bem vendido, é garantido...

Também é garantido que quem me conhece vai ver-me a praguejar,
porque eu vivo nos confins do mundo
e sei muito bem quais os preconceitos que gostam de nos desprezar
pois a Assembleia da República rodeia-se de algarismos,
vivendo numa dimensão aparte da realidade, 
numa lua só para o capitalismo,
com muitos histerismos vão se acusando com falas muito bem ensaiadas,
num diz que disse e que não deve fazer,
mas a oposição seja ele o partido que for,
só o é à grande - e mesquinhez - para ganhar poder
à boa maneira do político provinciano português,
como o Passos Coelho fez, era contra o PEC
para ganhar uns bons pares de votos
veio dizer que se fosse eleito
não iria mexer o décimo terceiro mês,
que não iria mexer nas pensões,
esse cão nem merece o meu respeito,
lutámos pela liberdade e este Primeiro-Ministro
andou na mesma cama que Salazar,
dizendo agora que impõe e que é necessário,
então para quê democracia, meu grandessíssimo otário?
Se é necessário impor como tu andas a espalhar,
porque é que há democracia se tu sabes perfeitamente o que estás a fazer,
saberias mas nem és tu que estás a sofrer.
Quem diria, a direita em maioria,
garanto-vos eu que vamos ficar como a Grécia,
com a Troika, nossa amiga, eu até tenho inércia em levantar-me...
Oh! Quem me dera ser um super-assassino profissional,
é necessário um anti-herói para acabar com tanto mal.
Eles vieram contar que andam para ai a conspirar
com abraços cheios de força e de sorrisos
mas nas costas e nas sombras só sabem falar mal de mim
que ameaçam mas são apenas histórias sem nenhum fim.
Mas eu vou contar como é que vai ser
eu não quero saber o que é que eles têm para dizer
porque a verdade é que existe um dedo do meio em cada mão
que tem a função de se levantar neste tipo de situação.
Um minuto de silêncio para essas pessoas sem vida
e que vagueiam nas terras dos vivos porque não têm onde cair mortas,
por isso andam a ver se sugam quem faz alguma coisa de jeito,
são vírus e andam às tropas,
mas também para as dispersar basta só levantar o peito
porque quem se dá ao respeito sabe ir a direito.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Onde tudo o que parece não é,
falam-se mal, insultam-se, gritam os amigos,
lá vão eles argumentando para o vazio
dos crânios das supostas boas gentalhas,
porque lá só se ganham medalhas
se não se contar factos,
é mais ou menos como cá
onde as opiniões repetidas
tornam-se parecidamente reais,
e as verdades esgotadas
de uma história com poucos actos.

Quando eu era criança sonhava ser herói,
fiel ao sonho acreditei num mundo
que até então me esperava para o salvar.

Sem sangue batalhar o vilão,
salvar inocentes e uma donzela
e viver feliz para sempre
num mundo de boa gente.

Nada era mais real para mim
do que um campo belo de belas rosas,
mas desde muito cedo vi que nada era assim.

Qual campo belo de belas flores fui eu encontrar
ao acreditar que o mundo esperava de mim um herói
quando o que me esperou foi um número de estatística falsa a representar
que eu desconheço e tenho de me preocupar,
mas nem é isso que mais me dói,
pior é a irónica desgraça 
de ver que isto tudo é mentira
e que não passa de uma farsa,
assim vai atiçando a minha ira
sobre o mundo ladrão
onde nos deixamos ir
e, como sempre,
há quem se esteja a rir...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Eu na escrita tenho muito jeito
como os outros falhados a cem por cento
que gostam de dizer que eu tenho talento.
Porra!
Estou-me nas tintas,
é só rabiscos e rabiscos por acabar
tudo porque me ponho vaguear
entre rotas sem retorno de pensamentos
acabando por devastar
quaisquer ameaças de rebentos...
Mas que problema,
não consigo escrever direito,
sempre que começo um tema
dou por mim de caminho desviado,
é de mim ou de como sou,
sou torto nas ditas palavras
que teimam em resistir
e rodo invariavelmente
acabando por não ter escrito
palavras que não ousaram sair...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Fui parido em dores,
cresci dorido
e vivo a sarar...

a sensibilidade de gostar
perdeu-se entre desilusões
que combati com questões
loucamente entrelaçando
pontas soltas, no meu coração,
sobre o sentido da vida,
para que este não espirrasse sangue
dissolvido entre ódio tristeza e confusão...
mas há um vazio, um vazio perturbante,
um vazio que como o Universo
nos obriga a entrar num mundo fantasioso
porque ninguém nos deu sentido ao real
onde todos definiram e incutiram o normal
presenciei, eu, para me questionar do natural,
o natural da Natureza, que assim nos prometeu
como que corações cheios de beleza...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Desparasitação

Cala-te mundo,
fazes tantas perguntas,
és uma contradição,
demonstração de hipocrisia,
com tanta informação
já sinto o cérebro a rebentar,
com tanto crime santificado
só me queres tornar criminal
e ainda voltas para julgar
se tenho um par de sapatos
com ar condicionado
como se eu quisesse saber da tua opinião,
quando só me fazes chorar
sempre que ligo a televisão,
estou farto de ti,
só ladras só ladras
seu mundo cão
com mil promessas
como se eu estudasse
para ser patrão,
estou farto de ti,
já enjoa tantas palavras bonitas
e acções caridosas para
satisfazer os ignorantes
vítimas de gentes más,
até já mundo esquizofrénico,
vou mas é relaxar,
vou pôr os phones
e uma música a rolar
para não te ouvir
durante um bocado
e quando o faço,
fica avisado,
é porque estou no ir.
Agora podes ficar
a falar sozinho
que eu vou
continuar no
meu caminho.

Excertos Dos Ghettos

Aqui fabricam-se histórias,
aqui, nas nossas ruas amaldiçoadas.
Nas ruas do desfalque,
dos crimes e dos historiadores ignorantes
que desmontam-se ao contar
a inexistencialidade do estar.
Aqui, nas nossas ruelas,
contam perigos mas só os dos seus inimigos
que os fazem parecer serem grandes,
mas aqui, nas nossas paredes
cheira a sangue seco da confiança
sobre quem os outros nunca ousaram acusar.
Aqui, os inocentes são culpados
e os culpados são profanados
sem que haja prova a constar.
Aqui, nas tenras manhãs
onde nos sentamos todos
exercendo a amizade,
aqui, onde maldição
das lágrimas gera
infertilidades 
na nossa felicidade.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sonhos

Deve-mo-nos perguntar a razão, talvez um motivo para tanta malvadez? É melhor não sabermos, podemos enlouquecer... já não somos loucos? Sustentados por sonhos e esperanças, por sorrisos falsos e aparências... somos loucos por omitirmos o que realmente queremos? Somos loucos quando um animal nasce satisfeito e nós vivemos uma vida inteira nas bases de uma construção de um passado baseado no carácter de outras personagens, querendo remediar o irremediável, tentando absurdamente com que o mundo e as nossas vidas aconteçam à nossa vontade e desejo, para procurarmos o encaixe que retire o prefixo da imperfeição, somos sonhadores, os sonhadores que sonham por cima da realidade, os sonhadores que sem quererem deixam passar o tempo. Loucos somos nós, os que se vagueiam por entre esperanças e vontades deixando a realidade estupefacta. E que culpa temos nós se sonhamos inocentemente? Nós, os loucos sonhadores inconscientes inocentes momentaneamente contentes. Não pode haver em nós culpa por imaginarmos um barco voador se estão sempre a dizer que isso é impossível. Não podem acusar-nos de sonhar, ao menos nos nossos sonhos somos nós quem mandamos, somos nós que criamos, somos nós quem ama, somos nós os realizados, sim, os sonhadores sentem-se mais realizados que os realistas, porque sonhamos sonhos e deles vivemos bêbados. E dos sonhos não restam memórias nem tentativas, não existem concretizações, existe mais vida nos sonhos que na realidade! Nos sonhos, não há morte, não profanação, há simplesmente a beleza idealizada por nós e ninguém nos impede. Sonhar é conquistar, é saborear a conquista, é a máxima do desejo, sonhar é perfeição. Mas que raio, tudo isto é um pesadelo, um pesadelo com sonhos, como o céu nocturno, escuro mas com estrelas, sim, o pesadelo escuro do céu faz-nos ver o sonho das estrelas...
Vêem agora, agora...
vêm tarde...
atrasado, humano,
pois chegou a minha hora...
é engraçado,
das tantas vezes
que tentei falar vocês
não quiseram ouvir-me
e agora,
agora que me vou calar
para sempre,
apareceram todos
de gesto fúnebre
para ouvirem
o meu eterno silêncio...
os inimigos surgem das sombras
para apresentarem-me as condolências
e a paz,
os meus queridos vieram chorar
as lágrimas do meu corpo sem alma
outrora choradas por mim...
agora, agora que apodreço sem saber,
que apodreço sem sentir,
sabe-se lá onde,
e o que vos resta é acreditar e esquecer,
como foi que fizeram
quando estava entre vós...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Estes somos nós,
os verdadeiros crentes e fiéis à porcalhota,
os grandes depreciadores do estrume no seu estado puro
e a melhor clientela que há de museus bastonários de estrume cerebral,
somos a melhor, não pela qualidade mas pela quantidade.
E eis mais três factos dos quais nos podemos orgulhar:
primeiro, porque sabemos dar a opinião,
principalmente aquela que é repetida em todo o lado,
segundo, porque sabemos ouvir a opinião dos outros
que é a mesma opinião que a nossa e a de todos os camaradas
que neste momento estão a ter um grande prazer aliviante na casa-de-banho,
terceiro, porque de acordo com as elitíssimas mortas e vivas,
somos portugueses, o que justifica os factos anteriormente escritos.
Outro facto português, que só está na moda quando estamos enrascados,
é que somos desenrascados, com este facto, já podemos comer
restos de ração para porcos com orgulho!
E como todos nós continuamos infalivelmente a perguntar-mo-nos
para que raio queremos saber do que se passou nosso País
antes de nascermos, podemos então dar aso a um senhor governante
que nos cale com restos de trabalho, 
restos não pela carga horária, mas sim pelo ordenado.
De facto há um meio-português que diz que este,
ai como é que se chama ele? O coiso, pá!
Bem, o não-se-quantas que tem tiques salazaristas,
mas que me interessa isso, entre perceber quem foi Salazar
e como se constrói uma democracia,
prefiro ir à casa-de-banho.

Como mudaram as nossas crianças
que as conheci e abracei na sua pureza
em toda a sua inocência espantei-me com tanta beleza.
Mas elas crescem e com elas cresce a espontaneidade
de escolhas para lá do instinto por cada nova idade,
e começam os primeiros passos
que passaram a ser atravessados
por uma educação que retira,
que molda, que condiciona,
para se poder ser livre em liberdade...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Como te quis
mas as minhas palavras
nunca corresponderam ao que te fiz,
porque te amo mais a cada revolta
entre palavras gritadas, confusas
onde tentaste ouvir mas não percebeste
porque também não encontro a paz
que me abandona por cada olhar teu,
que me cobiça entre pragas
de um ser que não é meu
e sonho pacífico à espera de te ver chegar
na minha porta onde nunca entraste
nem sequer olhaste um bocadinho que seja,
e quanto mais a realidade se distorce
mais sonho se deseja
e contempla-se o que não se tem
de uma saudade que lembra
o que nunca tivemos
que sempre quisemos
e faz parecer já termos tido,
foram promessas bebidas
na infância de uma luta pelo futuro
para um poder garantido...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Já nem me lembro da última vez em que te disse que te amo... acho que foi por o amor ter-se tornado tão óbvio, tão banal que já nem nos apercebemos da sua escassez... um amor quase morto por já não se declarar amor um ao outro... apesar da falta dele ser constante tendo me alterado as ideias e a adrenalina da vida se tornara mínima... tudo porque não dissemos amar... não sei do que foi, não sei se tu acabaste por te transformares numa mobília que está sempre lá no seu lugar... ou talvez por me ter deixado levar pelo cansaço das preocupações rotineiras... sim, deixámos a ferrugem consumir o nosso amor... lembras-te?... Lembras-te dos tempos felizes e coloridos? Daqueles dias em que cada dia era um dia novo...? Deles só nos restam um sorriso de lembrança e... nada mais, senão um adeus.
Adeus, amor...

Conclusão Pré-Introduzida

Estava a ver a Assembleia da República Tv
e uma mosca começa a andar no ecrã sem parar
e em cinco minutos haviam cinco moscas no ecrã
até que eu mudei de canal
e as moscas começaram a voar
e pus-me a pensar se as suas asas ficam cansadas
e que têm veias tão pequeninas que nem dá para injectar
mas elas voam atrofiadas sempre no mesmo sítio
se calhar é porque têm trezentos olhos 
e com aquele tamanho não devem ter memória
e por isso encontram sempre algo de novo no mesmo lugar,
o meu cérebro parou e teve uma branca,
mas que raio estou a pensar?
Comecei a rir-me e a meio fechei os olhos
e quando abri tinha a sala às escuras
e eu no escuro tornei-me ignorante
e as moscas passaram a dar luz
e passaram a chamar-se pirilampos
e tornei-me um estúpido massificante.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Tu não choras, não,
tu não choras lágrimas,
tu és seco e insensível,
não, o que tu choras
são gotas de sangue,
tu não choras,
estás manchado do que não é teu,
mas mesmo assim choras
e articulas o passado
em busca de uma peça
em falta onde vives confuso
e matas e destróis e dissecas
e desmembras sem lágrimas,
forte? Não, ninguém é forte
quando a guerra é só,
Ninguém é forte quando se é mortal,
ninguém é forte quando se é esquecido,
não há fracos, há consequências
que são causas de consequências.
Não somos nós almas?
Esfaqueia-me, assusta-me,
mas não és imortal,
eu rio-me de ti
enquanto me matas
porque também morrerás,
vai gozando vai gozando
que eu morro contigo ao pé
e tu morrerás sozinho...
Entre os meus caminhos
perdi gotas de suor
roubando-me a cor
do gosto de outros vinhos.

Quero encontrar-te
mas esqueci-me
em que lugar te perdi.
E esforço-me na procura
mas tudo o que vem
vem vazio...
escapando-me do dedos
como se alguma vez tivesse tocado...

Re-pulça-ções Nas Máquinas

Veremos um fim?
Um final feliz como quando me contavas, mamã,
quando eu era criança, para me adormeceres,
para dormir descansado sobre um novo amanhã,
com o conforto de um peluche ao meu lado?
Porque hoje durmo entre insónias
tremendo sobre arrepios do amanhã deste mundo,
agarrado a um fino lençol que não me aquece,
entregue ao stress do relógio e das paranóias
desta sociedade esquizofrénica que não envelhece.
Estar de olhos abertos é um pesadelo
mas pesadelo maior será adormecer
porque sonho nem vê-lo
e tempo só o tenho para trabalhar e morrer.
Sou eu culpado desta merda toda?
Só quero é fechar os olhos
e deixar-me levar, deixar-me ir
que o tempo de ontem não me fez sorrir.
Fugir não posso,
afinal sou mortal
e quer queira, quer não,
o tempo sente-se imortal
e voltam as sete da manhã
à espera que cheguem as sete da tarde...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Crónica À Burguesia Portuguesa

Este é o bêbado,
que bebe para dizer o que não disse
quando estava sóbrio e calado,
de pudor ao mundo injusto
não sabe como resolver
e a procurar vai tornando-se cansado.
É o bêbado,
que bebe por se sentir incompleto
do facto que o que estudou não
lhe paga os buracos do seu tecto,
o orgulhoso diploma da faculdade
só lhe trouxe desemprego com facilidade.
O bêbado:
cujas besanas são as gorjetas
dadas solidariamente
para lhe distorcer a mente
e ser coerente com tretas.
Lá vai o bêbado,
sentado na ponta
do banquete redondo,
não diz nada de jeito,
engasga-se a falar com tanta baba
enquanto perde mais um direito.
E o álcool!
Que nunca mais acaba!
Há festa no banquete,
todos numa grande diversão!
Está cá o médico que manda
nos seus criados enfermeiros,
cujo irmão é o político-ó-empresário
que se reformou da política para ser
pai e patrão de banqueiros,
o irmão do irmão dele, analfabeto, é patrão
de um shopping numa área verde protegida,
e trouxe o seu outro irmão,
um politico que é esquerdino
mas escreve e assina leis com a direita,
este passou a ser irmão de facto
do outro da oposição
desde o dia em que a corrupção
passou a ser uma irmandade por pacto.
Mas que grande divertimento
entre a maior minoria populacional,
lá nas televisões todos dão-se mal
mas aqui todos se tratam por igual,
como uma verdadeira família
que se junta para se servir
do nosso grotesco restaurante "Portugal".
É claro que nos convites
referimos os veículos comprados pelo estabelecimento
que há quase três anos não são usados,
quer dizer, pelo menos são palpites
das gentalhas dos outros lados.
Nem mais nem menos,
serve-se aqui, o menu
"Lhá Bullshetê dá Prropagandê Porrtuguê"
que é sempre o mais votado,
este inclui sopa,
"Supá di Palavrre à Cágàlhóf Póplhóv",
como prato principal servimos
"Míólhuú de Pófo Strrágàdú"
acompanhado com
"Mérrdrre Prrá Crraíne Vazíe"
também servimos outro
para o caso de o anterior acabar,
que é: "Perrdición: Lhá Ópuziciôn Di Palhêiotê",
e finalmente, e o mais importante, a sobremesa,
"Obrrigadó Porrtugal Purr Térres Sydo Quéné Fusstês:
Lhá Bòrra Bórra Boa Reforméx",
na sobremesa pode-se escolher canela "Carraíbas Forever",
açúcar em pó "Olá Empresê Séne Côncurrêciôn"
e ainda "Tumá Dinhérro Ê Una Fiághem Sã Voltáa",
este menu é gratuito por acharmos que o deve ser,
simplesmente porque sim,
é claro que os empregados de "Portugal" é que pagam,
mas isso não se põe em dúvida,
aliás, cá, no nosso restaurante,
somos muito democráticos cá,
os empregados votam livremente nesta matéria
desde que este menu seja de borla
senão são despedidos
e nunca mais encontram trabalho.
De quatro em quatro temos clientes habituais,
sem contar com aqueles que já cá estiveram
e que de vez em quando vêem a convite.
Hoje,
hoje parece que houve uma revolução,
o bêbado, que bêbado não estava,
para nossa grande admiração,
entrou por aqui a dentro de arma na mão
a ladrar mais que um cão,
a gritar, vejam lá, que a culpa era nossa
por ele estar sempre teso,
mas agente com um pequeno esquema
e ele foi acusado de ser inteligenciador
acabando por ir preso,
portanto,
continuamos à volta do mesmo tema.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Uma Chama Leve - Ingratidão

Será que não há mais nada a dizer
senão apenas um gosto?
Um mero e instantâneo gosto?
Entrego-me todo, esponho-me todo,
mais nu que uma prostituta
que se despe sem despir a sua pessoa
para no final me dizeres que gostas!?
Para no final me citares uma
merda de um par de versos!?
Mas que porra de pessoa és tu!?
A dizeres que gostas, que escrevo bem,
para eu morrer porque cheguei ao meu limite
sem haver mais nada para melhorar,
ultrapassar ou até mesmo conquistar!?
É esta a paga que recebo? Um gosto!?
Depois de ter vivido mais intensamente
esse pedaço de papel nas tuas mãos
que a minha própria vida?
Por acaso ocultas a verdade
fingindo gostares da minha reles qualidade?
Ousas dizer-me para eu deixar de escrever
porque sou um insulto à poesia!?
Sabes quantos danos eu sofreria?
Sabes o quanto deixaria eu de sonhar
para acabar envenenado na realidade?
Sabes? Não, não quero saber,
prefiro que fiques pelo gosto,
que seja antes o sonho uma mentira.
Pelo menos, que viva eu feliz
numa ilusão que não passa
do que o que eu sempre quis...
Há tanto para dizer!
tanto para contar!
que já me perdi
só de começar!

A Morte Dos Burros De Carga

Bate... bate... bate à porta
o fim que vivi sem pensar...
Toca... toca... toca à campainha
o mistério que me veio buscar...
Anuncia... anuncia...
e eu sou obrigado a ir...
Está na hora... está na hora...
e eu não sei se hei-de ir a sorrir,
ou se hei-de ir a chorar...

É tudo falso, é tudo uma mentira,
quando sabemos que a morte se aproxima...
Como se, de repente, uma vida inteira fosse irreal,
e só naquele momento, só naquele instante
em que sabemos que é o fim que nos bate à porta
e que temos de atravessá-la
sem sabermos quantos passos ainda nos restam,
que nada mais importa...
Tudo e todos foram meras fantasias
porque já nada disso nos vale,
e somos só nós, apenas nós sem mais ninguém,
que existimos, que realmente existimos para deixarmos de existir.
E as crenças, as fracas subjectivas e abstractas crenças
sobre o que é ou não a morte,
onde passámos décadas sem lhes tocar,
tornam-se a única almofada onde nos podemos agarrar
como crianças no meio e com medo do escuro...
É agora, na última idade,
que a nossa consciência dita o estado de espírito
num balanço de memórias vivas,
na ingenuidade incerta do que fomos,
abrigando-se em nós um peso no coração:
um breve julgamento de nós próprios
sobre se vamos morrer calmos...
ou não...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Respostas Em Silêncio

No teu olhar vi caminhar
uma solidão em silêncio,
ouvi a tua vontade de falar
entre espaços de palavras.
Há uma verdade que nunca contaste,
entre as tuas tantas palavras referidas
o fingimento é sempre constante.
Entre tons falsos que dás as palavras,
só o silêncio entre elas é que demonstram
quantas foram as vezes que choraste.
Senti a tua sombra,
com uma posição diferente
embora és tu que estás aqui
a tua sombra é que está mais presente.
Ela fala através de gestos subtis
contando-me os teus segredos
e é deles que tu te ris
como se fossem outros os teus medos.
Os teus olhos escapam-te na mentira
com que respondes está tudo bem
de um segredo escondido
que não confias a ninguém.
Não te conheço, mas o teu olhar revela
quantos socorros a tua alma apela...
Traição!
Gritai traição!
Gritai traição
que as montanhas calarão o seu sussurrar,
os riachos não mais se moverão,
os predadores erguem as cabeças,
o vento somente paira no ar,
o mundo já não tem mais beleza,
porque hoje, tu traíste, tu traíste,
foste contra tudo o que é a Natureza...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Nas Veias De Um Rei Perdido

Se sonhar sonhei
em te amar pensei
que tudo fosse um céu
de um mundo não meu.
Mas nada conheço
porque receio
quando penso
que nem em mim creio.
Sem altas marés,
queres tu, 
ó ser que penso conhecer,
navegar nas minhas veias?
Então traz uma luz
pois aqui não há amanhecer.
Fiquei preso num dia perdido
e não consigo e sei
que o que vivo é o que tenho vivido.
Queres conquistar as terras
onde aclamam ser eu o rei
mas o que governo
são cactos da minha queda,
o meu povo sou eu desfeito em vários "eu's". 

O meu reino é uma paisagem
borrada pelas minhas lágrimas.

Nos meus campos só florescem plantas mortas e podres.

Mandei matar toda a cor,
porque tudo o que não é escuridão,
é dor.

Cheira a morte amarga na floresta carbonizada
- um deserto cinzento com figuras de pó de cinza,
à espera do fim do tempo.

Entre o fumo dum sol desaparecido,
estas terras áridas e geladas
são inóspitas e cansadas
onde eu próprio não sou bem-vindo.

Não sonhes porque o meu povo é sonhador
mas são desilusões de ilusões devido ao amor,
transformados em canibais pela fome,
comendo-se uns aos outros de consciência perdida
esperando pelo fim das suas vidas.
Não ames o que eu odeio,
porque eu sei quem criou e de onde veio
e tento travar a luta contra fantasmas
onde os meus soldados lutam confusos,
trespassando-os com as suas espadas
acabam assassinando-se uns aos outros,
sem esperança de saber se sou eu que os acuso.

Governo uma cidade cheia de casas vazias,
não há lares, o povo vive nas ruas

O meu conselheiro pergunta-me o que fazer
mas eu estou sentado no meu trono empoeirado,
desligado da realidade, com meia coroa caída
e uma capa com buracos por coser,
de um olhar perdido para um horizonte desfocado
sem que veja alguma saída
onde o sol não deseja amanhecer...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Inconsistências

Vivo do pior castigo - a consciência.
Esta alimenta-se duma única terra:
o inconsciente, o maior professor
que pesa o amor e a dor
entre memórias de infância.
Não que realmente tenha sido criminoso
mas no meu olhar há um culpado
sobre crimes inexistentes
e através dos meus olhos
surgem inscrições de outras gentes
que me odeiam sem me odiar,
que me repudiam sem me repudiar,
que me abandonam sem me abandonar
que gostam de mim e que me amam
mas isso não consigo perceber
mesmo percebendo
não sinto o meu coração a bater...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Carrocel da Orgulhosa Ignorância

Olá palhaço,
aqui publicar um livro está escasso
mas se gostas de poesia
então ler-me de borla dar-te-á alegria.
Deixo-te aqui uma à profeta:
a tua fama será mais rápida que um atleta.
Deixa-me lá adivinhar:
mostraste o que é ser poeta
e eles deram-te um altar
dizendo que tens muito talento,
deram-te um contrato,
tu leste, viste números mas nem percebeste
pois eles encantaram-te com elogios
mas eu vou contar-te um facto:
dinheiro infecta-lhes as mentes,
não estão interessados na qualidade,
está nas prateleiras à venda
a bosta desprezada por leitores inteligentes
e fazes orgulhosamente publicidade
através da mais fraca encomenda,
mas a verdade a verdade
é que só tu é que a fazes
porque livros não têm prazo
e com a quantidade editada
nem dá para cobrir todo o País
por isso venha mais uma edição
porque excepção não é o teu caso.
É triste ver o autor
a ser o único a publicitar-se
sozinho e com todo o amor
por baixo da alçada
dos que estão a cagar-se
para a sua alma encantada.

Frustrações Da Revolução

Devo acreditar
num mundo
seguro e controlado
em que se permite matar?
Das depravações do ser humano
repugnantes, mas quem sou eu?
Sou o maior criminoso
porque sonho e padeço
injustamente sobre quem morreu.
E tenho consciência dos factos
que nos trouxeram às crenças,
aos ódios dos inferiores
entre conversas de actos
nas falsas avenças
atentadas por gentes superiores.
E quantas dores,
mas quantas dores
terão de sofrer o Manel,
o Pedro, o João, a Isabel,
o Carlos, a Catarina,
vítimas entre milhões
que passam por mim
e eu nem dou cinco tostões
para pelo menos um aviso
que não venha apenas por improviso
e que não acabe entre risos.
Já falo para ninguém
como se houvesse um fantasma
que nem repara presença
e tem mais que fazer?
E que mais posso dizer
se vivo nas sombras
de um mundo urbano
que já nem diferencia
um mercado de um ser humano?
Tenho de te conquistar
para tu me conquistares de novo
ó meu querido Povo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Vem, trazer certezas, que somos inocentes,
que a culpa não está nas palavras que não dissemos,
nas promessas de um amanhã diferente,
nos actos que não fizemos...
Vem, diz-me que não sou eu o culpado
da secura de uma eterna planta...
Vem, abraça-me, conta-me ao ouvido
que tentei tudo, que não sobrou
uma gota de suor, de esforço...
Vem, desresponsabiliza-me por ter ficado calado,
por ter tolerado tais acções...
Vem, conta-me de como não sou culpado,
que este peso não tem razões...
Vem... peço-te... vem....

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sátira Ao Conformismo

Em tempo foi
fora o tempo
em que fora Coelho
porque agora é boi,
mais uma medida
mais um momento
para uma quebra de vida
quando estudo e tento
e não tenho saída.
E assim é,
vamos andando
com Passos
vamos chegando,
com muita esperança
e fé.
É melhor sentarmo-nos
do que ficarmos em pé.
Não é que doa,
não vai doer,
eu não tenho carteira
por isso não sei saber
de notícias de primeira.
Quando chegar 
o momento chegará, 
porque eu estarei longe
e os portugueses ainda lá
a desenroscar
os intestinos
com outros
coelhos cretinos.
Por isso não há problema
a gente bebe mais um café
enquanto falamos deste tema.
Ah! Olha! Afinal não,
afinal tenho de ir trabalhar 
porque essa é a solução
é este o lema da nossa
liberdade de expressão
porque a próxima geração
trabalhará para a escravização,
pois então,
ainda faltam anos
para o sol rebentar
por isso podemos continuar
aqui a conversar
sobre as fraldas
do outro que foi morto
por ser baldas.
Quem? Um político?
Claro que não!
Foi o Zé Povão!
Ah! Já não é nada de novo
já não é primeira vez
que se vai ao rabinho do povo!
Olha as asneiras,
as da gente são primeiras
mas os da assembleia são as derradeiras.
É preciso dinheiro em casa,
vem trabalhar comigo irmão.
E então o Zé Manel?
A gente dá-lhe o baza
a empresa está com falta de papel.
Ah ok tudo bem!
Espera só um bocadinho
vou pôr minha mãe
num lar,
que coitadinha 
anda muito sozinha,
eu não tenho tempo,
venho cansado de trabalhar
e esta é a hora do descanso
de comer e dormir
porque amanhã 
tenho de acordar manso
já nem tenho tempo
para curtir
com era antigamente, 
no séc. XXI.
Não posso perder
mais nenhum minuto
ou o meu País 
já não dará fruto.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Olhos fechados,
sem os conseguir abrir,
de real não vejo nada
entre pesadelos abandonados
e fantasias de sorrir.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Estou perdido,
com tudo o que aconteceu,
ainda não me dei por vencido
mas derrotado sou eu
de cabeça erguida
como o tempo que passa
passa o tempo
a pedir desculpas à vida.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cânticos De Julgamentos

Viver num mundo que não é meu.
Não encontro o meu mundo,
escondo-me em subterfúgios
e danço loucamente o sonho
gritando Ah's sobre ecos,
sendo olhado como louco
porque não quero chorar
e faço de tudo para não o fazer,
até me entrego às vergonhas dos actos
que tendem a não ser justificados...
exausto, suado,
continuo dançando
e todos se riem de mim,
nem uma alma pura
entende a coreografia
que justifica os porquês
oriundos de outras gentes...
Danço porque tenho sede,
preciso de água,
tenho pavor de pedir por favor,
de mostrar o que sou,
ser frágil, ser frágil...
dança Francisco dança
para que os maus fiquem
de longe a gozar contigo
e dessa maneira não se aproximam
com abraços confortáveis e traiçoeiros,
não pares de dançar
não pares de dançar
ou eles falarão de ti,
dança para eles falarem
do louco que dançou
das humilhações eternas
de um ser qualquer
que não tu
mas uma personagem que em ti há.
Dança, porque se parares
a corda vai lá estar
para abraçar as tuas lágrimas.
Foge, Francisco, dançando
pela mentira, pela fuga
à realidade, dança,
Francisco deixa-me possuir-te
deixa-me arrancar de ti
a tua alma...
Não passas do que és
porque não o deixas ser,
tens medo de viver
pelo teu verdadeiro nome.
Dança Francisco,
foge fugindo escondido no sonho
que te faz dançar sobre música irreal,
eu te dou o compasso
da mentira, do verdadeiro sentimento
da ira que construíste nessa fortaleza
tão gigante que auto-guarda
um ser tão pequenino...
é isso que tu és, não é?
Pequenino... "o pequenino Francisco"
como te chamavam,
NÃO É?
É disso que foges,
da lembrança dos abraços
traiçoeiros que tatuavam em ti o amor
mas que te abandonaram em criança
que te deixaram à mercê das maldades,
e tu, minha criança, não te sabias defender
das pancadarias que não entendias,
e só choravas, porque era a única
coisa que sabias fazer,
não é Francisco? NÃO É?
RESPONDE! PORQUE CHORAS
EM VEZ DE DANÇARES?
Olha para ti,
encravaste a alegria
por teres parado de dançar, vez?
Fizeste com que os risos
se tornassem em silêncios incomodados,
OLHA! Choras como a criança
que nunca conseguiste largar!
DANÇA FRANCISCO DANÇA
ou cairás na solidão
onde as nuvens tapam
o brilho das estrelas!
Não podes parar para beber água
as tuas pernas já tremem de cansaço
e os restos de água que tinhas
estão a desaparecer,
estás a ficar desidratado
mas não podes parar de dançar,
não podes parar de sonhar,
vê, a água que ainda guardas
só poderá sair pelos olhos
mas para isso terás de parar
de dançar e tu não podes parar de dançar
mas essas lágrimas estão azedas
porque não foram desabafadas,
não é Francisco?
NÃO É? RESPONDE!
RESPONDE A DANÇAR!
És amargo como um velho rabugento
que o é por não ser amado,
olha as rugas Francisco,
dança! DANÇA!
Estás desidratado
precisas de água mágica,
tão simples de pedir,
mas terias de olhar para os olhos
dessa pessoa para lhe pedir
e tu não consegues!
DANÇA POR NÃO CONSEGUIRES!
Mas ninguém ouve o teu socorro,
não vale a pena, eles não compreendem,
não querem saber de ti,
as lágrimas que queres chorar
fazem parte do passado,
JÁ NÃO TENS IDADE PARA
CHORAR TAIS LÁGRIMAS!
Não é, Francisco? Não é?
Olha para ti, danças como uma tábua!
DANÇAS PORQUE ÉS UM FRACASSO!
Para não tentares nada mais do que dançar!
Dança rapaz! Sente o sonho...
mas que sonho? O sonho da felicidade?
TU SONHAS A FELICIDADE?
AHAHAHAHAH
ÉS UM INFELIZ!
UM GRANDESSÍSSIMO INFELIZ!
AHAHAHAHAHAH!!
Francisco Francisco...
Danças sobre a tua desgraça
os teus pés já sangram,
estão em carne viva
mas o sonho não te deixa sentir
a realidade, estás escondido!
Estás escondido em
passos sobre passos de dança!
Dança! Quero te ver dançar...
Dança para te aproximares
dos quem tu tanto precisas!
Tu precisas de todos, não é verdade?
Já não destinges o que queres das pessoas
com o que elas realmente são!
É por isso que danças,
não é Francisco?
DANÇAS PORQUE NÃO CONSEGUES
DIFERENCIAR O SONHO DA REALIDADE!
Alucinado, danças com fantasmas,
andando para aí a saltitar de desilusão para desilusão!
DANÇAS! DANÇAS!
Só os loucos é que apreciam
a beleza da tua dança,
não é? SÓ OS LOUCOS
É QUE REALMENTE PERCEBEM
O QUE SE ESTÁ A PASSAR!
Mas os loucos suicidam-se
e tu receias esse fim
porque sabes que poderá não haver fim,
que a dança poderá não chegar ao fim
por isso ignoras os aplausos dos loucos
em vez de parares para agradecer
a sua compreensão, não é?
DIZ-ME FRANCISCO
É OU NÃO É?
CONTINUA A DANÇAR!
NÃO PARES!
NÃO PARES DE DANÇAR!
OH! Os teus olhos estão fechados?
ENTÃO MINHA MARIONETA,
PARECES UM MORTO A DANÇAR!
TU ESTÁS MORTO!
JÁ MORRESTE! E TU BEM O SABES!
DANÇA! DANÇA DANÇA!
MEU MORTO BELO!
MEU CADÁVER CHEIO DE PUREZA!
Mas porque fechas os olhos?
Não queres ver as caras de gozo deles?
Sabes que eles são inocentes
nas suas atitudes de gozo,
eles gozam com tudo o que há e é a tua vida
mas tu não lhes fazes nada por
saberes que são inocentes, NÃO É?
Porque TU é que estás errado!
Porque danças no teu mundo desconcertado!
AHAHAHAHAHAH
DAAAAAAAANNNÇA!
Danças porque não descobres o culpado!
Tu não consegues atingir o culpado
não é?
AHAHAHAHAH!
DANÇAS PORQUE
NÃO CONSEGUES DESCOBRIR
O CULPADO!
ASSASSINO DANÇANTE!
DANÇA HOMICIDA!
DANÇA SOBRE O
CHÃO ENLAMEADO DE SANGUE!
DO SANGUE QUE
JORRA DO TEU CORAÇÃO ESFAQUEADO!
MAS QUE POÇA!
DANÇA SOBRE A POÇA DE SANGUE!
Olha-te, vê-te!
Tu bem vês que te vês
mas não queres ver!
AHAHAHAHAH!
DANÇA MEU GREGO PERFEITO!
GOSTO! GOSTO!
NÃO PARES DE DANÇAR!
CONTINUA A DANÇAR!
AHAHAHAHAH!
BAILARINO DE MERDA!
ESTÁS A PISAR A TUA PRÓPRIA
MERDA MEU BELO RAPAZ?
Não consegues disfarçar o cheiro
nauseabundo da tristeza e do ódio!
És puro de mais para tornares
os teus pensamentos de ódio
em acções!
E por isso danças!
Tu sabe-lo, rapaz! Tu sabe-lo!
Poderias destruir o teu ódio
se pedisses, como um gato
domesticado, uma festa!
Mas tu tens medo,
prevês reacções não é!
Toda a gente se riria de ti!
"FRANCISCO, O CÃO DOMESTICADO"!
SERIA ESSE O SLOGAN PARA TODA A TUA VIDA!
ESTARIAS CARIMBADO A FERROS QUENTES
ATÉ AOS RESTOS DOS TEUS DIAS!
POR ISSO DANÇAS!
DANÇAS PORQUE SENÃO DESTRUIRIAS
A TUA VIDA NA PRISÃO, INCOMPREENDIDO,
JULGADO POR AQUELES INOCENTES QUE NÃO TE ENTENDEM!
POSTO À PARTE, PARA SEMPRE!
AHAHAHAHAHAHAH!
AÍ JAMAIS TE AMARIAM!
A tua alma seria espancada
como fora!... e como ainda É!
SIM! ESPANCAS A TUA ALMA
PORQUE FOI O QUE TE ENSINARAM
EM CRIANÇA NÃO É VERDADE?
AHAHAHAHAHAHAHAH
DANÇA MINHA CRIANCINHA VIOLENTA!
DANÇA! DANÇA PARA NÃO
SERES VIOLENTO, PARA NÃO TE CASTIGARES
ETERNAMENTE, PARA NÃO TERES
DE NÃO TE PERDOARES!
És tu, Francisco, o primeiro a atacar-te,
ainda antes de fazeres algo, já te castigas!
JÁ TE INCRIMINAS!
ANTES DE ACONTECER
JÁ TE JULGAS COMO SE FOSSES
UMA OUTRA PESSOA QUALQUER!
E ficas tão centrado nisso,
que esqueces que as tuas acções
são banais, são comuns
e que não existe ninguém
que seja tão rígido
como tu! Mas TU crias
esse cancro em ti!
AHAHAHAHAHAH!
CRIAS O CANCRO
ANTES DE RESPIRARES!
AHAHAHAHAHAHA
E DANÇAS PARA NÃO O FAZERES!
PASSAS A TUA VIDA NUMA ÚNICA
MERDOSA ACÇÃO: DANÇAR!
AHAHAHAHAHAHAHAH!
DANÇA MINHA LÁSTIMA!
DANÇA PARA NÃO TE JULGARES
NO TRIBUNAL DAS CULPAS INOCENTES!
AHAHAHAHAHAHAH!
DANÇA DESGRAÇADO!
DANÇA PARA NÃO
MUTILARES A TUA ALMA!
DANÇA PARA NÃO
TORTURARES A TUA CABEÇA
COM LEMBRANÇAS DE DANÇAS
HUMILHANTES E DEGRANDANTES!
AHAHAHAHAHAHAHAHAH
Sonhos à noite
são pesadelos durante o dia!
Ahahahahahahahahah!
Danças em palcos
para não dançares
no meio da Natureza!
Tu sabes que as árvores
fariam silêncio reconfortante
para te ouvir!
Por isso foges delas!
E chorarias!
TU SABES!
Não fazes os teus passos
merdosos no meio de árvores
porque elas te iriam ouvir!
AHAHAHAHAHAHAHAH
DANÇA MINHA PRESA!
DANÇA! DANÇA O SILÊNCIO!
As folhas delas iriam acompanhar
os teus movimentos! Terias atenção,
uma atenção tão equilibrada!
DANÇAS PORQUE RECEIAS
QUE TE VEJAM; O TEU VERDADEIRO EU!
AHAHAHAHAHAHAHAHAH!
DANÇAS COM MÁSCARAS
E VESTIDOS ABSURDOS!
AHAHAHAHAHAHAH!
DANÇA! MEU ACTORZINHO DE MERDA!
És um péssimo actor!
Tentas representar-te
mas não consegues
porque não te conheces!
AHAHAAHAHAH
DANÇAS PORQUE
NÂO CONHECES O PORQUÊ!
AHAHAHAHAHAH!
És um fraco! És um reles fraco!
SERÁ QUE TENS ALMA?
RESPONDE! NÃO RESPONDES?
CONTINUAS DANÇANDO?
DANÇAS PARA NÃO SENTIRES
O TEU CORPO CHEIO DE VAZIO!
AHAHAHAHAHAHAH!
ESTÁS CONDENADO!
MORRE! FAZ A COREOGRAFIA
DA TUA MORTE NA DANÇA!
Quero ver-te abandonares
o teu corpo DANÇANDO!
AHAHAHAHAHAHAHAH
MORRE DANÇANDO!
SERIA BELO! SERIA PERFEITO!
NINGUÉM NESTE MUNDO
JAMAIS IRIA CONSEGUIR
ESCREVER ALGO TÃO BELO!
AHAHAHAHAHAHAHA
MAS NINGUÉM IRIA SABÊ-LO
PORQUE NINGUÉM DEU CONTA!
E tu sabes como é que eu sei
que ninguém deu conta?
Porque TU JÁ ESTÁS MORTO!
AHAHAHAHAHAH
E NINGUÉM se apercebeu!
Sabes porque é que ninguém
se apercebeu? Sabes PORQUÊ?
Porque TU TAMBÉM NÃO
TE APERCEBESTE QUE
JÁ ESTÁS MORTO!
AHAHAAHAHAAHAH
BEM VINDO AO INFERNO!
MEU CABRÃO DE MERDA!
AHAHAHAAHAHAHAH



Isto nunca aconteceu, o que vocês leram foi apenas um momento de silêncio.

Em Defesa do Suicídio

Afastei-me do mundo,
cansei-me do cheiro nauseabundo
da ganância e da hipocrisia,
da tolerância sádica da ironia.
Fartei-me dessa humanidade desumanizada,
talvez, talvez tenha sido covardia,
mas eu não suportei mais,
afinal, o amor deixa limitado
de um sorriso à dor.
Tive de virar as costas
sem sequer me despedir,
não quis o vício que tu és,
nem a alucinação me deixara sorrir.

Posso morrer aqui... só...

Que maneira há, de sentir dó,
por alguém que abraçou a morte,
sem direito à honra de uma vala?
A culpa de uma corda ao pescoço
de uma voz que não fala,
igual à de um morto,
numa tortura desigual
que acaba por abafá-la...

Quem tem o direito de apontar o dedo
a uma pessoa que se suicidou sem medo,
quando a voz era calada?
Qual hipócrita,
que não lhe deu ouvidos,
chora no funeral,
entre marés dos arrependidos?
Ele amou a vida,
mas antes dela já amava a sua alma,
e como um cavalo de corrida,
prefere correr até morrer,
do que levar pancada
e ele, na vida,
seria obrigado a sofrer?
Que choras, ó tu,
que as tuas palavras lhe foram nada?
Quantas mentiras lhe pregaste,
prometendo-lhe amor,
quando o amaste
mas só lhe causaste dor?
Qual lhe foi a escapatória
se foi preso na vida,
desgraçado na sua própria memória?
Quantas lágrimas derramou
por não ver nem uma conquista,
nem uma glória?
Que futuro lhe esperaria,
se o passado fora desgraçado?
Quem se riria e sorriria
quando tudo o que conhece da vida
é nada mais que um corpo fracassado?
Que medo teve ele quando se matou,
contraste de quem és,
se a ele o sofrimento não mudou
e tu foges da morte a sete pés?
Sim, agora já é alguém para ti,
agora, choras por não teres tido presença,
agora? Agora que ele já ditou a sua sentença.
Mas onde estavas tu na maldita hora?
Preocupado com quem?
Preocupado com o quê?
Amáva-lo? Não o conhecias bem
se nunca respondeste ao seu porquê.
Que morte criticas tu?
A morte da felicidade
ou das feridas da alma
que teimaram em não sarar?
A morte da sua liberdade!?
Sentia-se impotente perante a sua realidade...
Não venhas falar de pessimismo
se ele nunca conhecera outra cultura
senão a sua própria tortura?
Com tanta gente,
ele nasceu sozinho,
ele sofreu sozinho,
ele sobreviveu na guerra sozinho
e claro, morreu... partiu sozinho...

Que outro caminho da morte seria diferente
ao da sua própria vida?
Ele fez do seu próprio corpo uma mensagem
que tu não quiseste ver,
ele chorou e gritou e tu não lhe falaste,
ainda o acusas de morrer?
Com que direito?

Tu choras durante dois ou três dias,
ele chorou estes anos todos...

Suicidou-se inocente,
suicidou-se por ser ser humano.
Enquanto a cidade se movimentava
ele nunca fora mais que um rato num cano,
por baixo da superfície,
num labirinto sem fim,
procurando soluções
numa terra sem planície...
Ele foi somente uma alma,
indiferente ao corpo,
por isso se suicidou
ao encontro da sua calma...
Sou um estranho só, completamente só,
apenas me sinto encaixado aquando de um abraço.
Sou um estranho só, completamente só,
vivo demais sobre sonhos irreais.
Sou um estranho só, completamente só,
mas nada faz sentido embora sentido faça
refugio-me nos sonhos,
completamente sozinho,
sem sentido, sou estranho ao real
porque vivo só, só pelo sonho...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Proíbem-me de salivar a sua morte!?
Enquanto foi ele que usurpou sorrisos,
sentenciou felicidades,
roubou os corações
dos cavaleiros e sonhadores,
tornou a tristeza uma doença incurável,
alimentou a besta da ira
transformou pais em anti-naturais,
destruiu as vidas dos que estão para nascer,
fez à vida parir a dor de querer morrer,
é ele o cancro do medo 
escondido do outro lado da esquina,
é ele o criador do bicho da faca afiada,
é ele a depressão que ceifou heróis,
é ele que irradia a desgraça que os deuses
não conseguiram travar,
ele é a prova do falhanço da Natureza,

AH! 
Até tenho vergonha de te pronunciar,
a cada passo que dás 
dá-me vontade de pedir desculpa
à Humanidade por teres nascido
antes fosse que assim não fora
se dependesse da minha vida 
seria eu próprio a cavar a minha cova
sem esperar pela demora...

É tua a vitória pela tua liberdade
é nossa a derrota da Humanidade.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Tudo bem? Olha, não sei quem és,
o que tu foste revela o contrário dos teus pés,
esse sorriso não combina com estas feridas,
vestes camadas sobre camadas camufladas de vidas
com adjectivos contraditórios
como rir em momentos irrisórios
entre desespero de esperança.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Fugas


Procuras uma solução
sem perceber o problema,
corres sem pernas, rapaz,
mas ainda assim tentas fugir,
escapar da terra que tanto desconfias
tentando correr em cima de oceanos
mas a água é como o teu espelho
e quando o vês parte-se aos bocados
absorvendo-te, engolindo-te, mastigando-te
e lutas absurdamente para voltar à luz da superfície
enxovalhando as memórias à tua volta
e como areia movediça
quanto mais lutas contra ti próprio mais te sufoca
e deixas-te desmaiar para não sentir a dor
que fez de ti um desertor e um drogado:
injectas sonhos à desesperado
tentando alcançar a conquista do sentido do amor
mas quando te aproximas surge em ti o maior pavor
e corres sem pernas
mesmo assim tentas fugir,
escapar à terra que tanto desconfias
mas estás num pesadelo
onde outrora tão puramente te rias...
Queria compreender
mas nem as palavras
conseguem entender.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Encoberto De Pensamentos - A Minha Fuga

Vazio, como água, como ar,
quando estou a pensar,
a pensar no andar daquele,
a pensar no que aconteceu,
a pensar no porquê,
a pensar que estou a pensar demais
e ainda estou a andar
sem me lembrar por onde caminhei,
a pensar porque não me lembrei,
já estou a pensar em não pensar
sem conseguir parar de pensar
como contas sem contas contar
e a lua passa e eu já não sei qual é a vaza,
quando vai já não vai tempo
por cada momento que passa,
passa passou e já foi passado
passado estou eu por não
conseguir ficar parado.
Não é energia a mais
é simplesmente...
Desculpa-me lá ó eu
é sem querer que acontece
mas a pausa já morreu,
já estás a pensar, esquece.

Mas eu sei o que se passa
porque eu sou a tua consciência
e digo-te porque tens essa tendência,
é para preencheres o vazio:
na retina nada se passa
para não veres que te vêem
para não sentires o que te pariu,
mas bem que podes fugir
que eu sei quem te sorriu
e sei que vais reflectir
na estupidez de não reagir
à frente do olhar
que te penetrou,
ficaste incomodado
e pôs-te a pensar
na arma que tens na mão
contra ti próprio de anti-perdão.
Acomoda-te à solidão
como um animal
e serás instinto
antes de chegares ao para-normal.
Agora já tentas e tentas e tentas
e enfrentas com vergonha não comentas,
sei do que falo e tu sabes bem,
consegues-me ouvir?
Então ouve, não é nenhuma receita,
não escondas segredos de ti próprio,
lutas sozinho sem ocupar espaço
nem posição, lutas contra o quê, então?
Porque eu não entendo, simplesmente,
porque quando tentas falar não consegues
e tentas absurdamente passar à frente.
Caos, como uma fénix,
ruíste com a vida,
afundado entre dentes cerrados,
estéril com tantos fardos,
quem és tu?
Mudaste de personalidade, foste obrigado,
ou não eras fera ou eras espancado.
Quem és tu afinal?
Não percebo, que fim terás?
Porque o tempo passa
e eu ainda não entendi se o verás
antes de abandonares essa caça.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sempre que olho à minha volta
dá-me vontade de voltar a ser criança
e estar do lado da lua, do sonho,
pois caiem-me as lágrimas
de não conseguir nada com a revolta.
Quando acabo de escrever perco a esperança
porque foi mais desabafo entre muitas páginas
de um livro que não foi aberto.
Às vezes dou por mim com um sorriso belo,
o de sonhar com olhos brilhantes,
ganho asas e voo entre a beleza da Natureza,
as conquistas esquecidas e falhadas,
e no teu sorriso feliz de um conto de fadas
e assim, por instantes, vivo cinco vidas
que a realidade as tomou como vencidas
mas enquanto o meu coração bater
e eu senti-lo, nunca irão consegui-lo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O tempo faz colecções,
na minha pele estão as razões
de um movimento fingido
e as cicatrizes tornam-me fugido
do toque suave e acolhedor de alguém
que me arrepia só de pensar que me quer bem...

de dentro para fora surgem borbulhas preguiçosas
secas pelo tempo de uns ventos laterais...
mãos com cales desenhadas por lutas impiedosas,
e que mãos, de dedos paralisados por cansaços imortais...

das rugas do sorriso pertencem outras de tristeza,
notam-se olhos distantes de lágrimas invisíveis,
tatuagens sem tinta contam histórias imperceptíveis
de toda uma vida desnatural da Natureza.

Escondido no meio de milhões de pêlos camuflados
da cor das outras espécies de humanos
como uma flôr, uma flôr pendurada numa árvore
que suspira pedaços seus de pólen
escondido entre as próprias folhas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ó homem, tu, que trazes
a arte, a cultura, a história
de uma Pátria tão longínqua,
tão longe da minha imaginação
mas igual ao tecido do meu coração.

O teu olhar, o teu falar,
a tua maneira de estar
desenham a História do teu Povo.

As nossas histórias são diferentes,
somos de origens distantes,
de educações diferentes...
o que é irreal para mim
já tu assististe e
o que tu imaginavas não ser
vejo eu como algo banal,
as nossas diferenças são tantas
como os quilómetros de espaço
entre os nossos lares,
mas a igualdade que supera
e cala todas as diferenças
está naquele momento
em que olhámos para a mesma paisagem
e sentimos a sua beleza reconfortante,
e isso, é alma de ser humano.


Somos nós o reencontro
de uma esperança
esquecida nas banalidades
da liderança.
Estou à janela à espera
de ser levado aonde não quero ir,
trancado atrás das grades do silêncio
na prisão que é o pavor
de qualquer palavra poder ser
a fonte e origem de uma cena de terror.
Dominado por ventos mortos no peito,
o cérebro quer desmaiar para não sentir,
para não saber o que virá a seguir
mas sou obrigado a ir a direito.
Hoje, é Sexta-Feira,
daqueles inícios de fim-de-semana
de mau presságio,
onde eu e a minha mana,
íamos para um pequeno estágio,
ser vítimas do fascismo.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Fujo, fujo desesperadamente de algo,
num pânico enorme as palavras fogem-me
e fico a olhar, a olhar, a olhar, a olhar,
tentando vezes e vezes sem conta
atirar-me para os braços da honestidade
de ser quem sou mas não consigo.

Mas qual palavra... mas qual peito...
balançando entre a raiva e a frustração...
Porque me impedes e me deixas perdido no tempo?

Vou matando quem se aproxima
com o medo de violarem o meu coração
 e no meio das multidões vou sufocando
porque um desgosto marca um espelho
de antiguidades recordadas
que não esquecem quem sofreu.

E qual desgraça vens tu, ó estrangeiro,
dar a vitória e uma conquista que nunca conheci.
Ou invariável vida, quase a única real, dum sorriso falso.

Não, eu não procuro os podres da sociedade,
eu revejo-me nela sem me ver
e fujo dela para não sofrer,
porque os males se atacanham
entre os sorrisos honestos...

Mas a mim, ensinaram-me
que a honestidade tem um interesse,
tem um cancro num dente afiado
que num abraço, num beijo, numa carícia
torna o sangue podre e espreme o coração.

Afasta toda a gente!!! Desconfia!!!
Desconfia!!!! Ah!!! DESCONFIA!!!!....
Mas eu não posso mais sozinho
viver deste cancro d'alma...
não posso mais sozinho...
apodreci...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sociedade. Odeio-te. Odeio os filhos que pariste. Odeio-me por te pertencer. E tantas, mas tantas são as vezes que te observo só para me certificar que sou diferente. Quase que já é instinto. Às vezes dou por mim a profanar-te com tanta profundidade que me esqueço de mim. É frustrante estar para aqui a gritar contigo e tu estares à minha volta a desprezar-me. Odeio-te mais por isso. Quanto mais me desprezas mais te odeio. De vez em quando fico rouco sem sequer ter falado. Mas quanto mais te espanco mais tu te apoderas de mim. E quanto mais diferente tento ser mais igual fico a ti. Esgotas-me como um cigarro. Mas ainda não me venceste, ainda estou vivo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sociedade

Para sempre crianças, é na infância que estão as raízes dos nossos sonhos e o sonho vive-se mais intensamente que a própria vida, por enquanto pois quantos somos nós os condenados.Os presos, atrás das grades da sociedade que nos educa com a tortura do relógio, esmaga ovos talentosos, impede as sementes de crescer, preenche os campos da solidão com crateras cinzentas e inférteis. A mim, deram-me uma chupeta para provar e mal a apreciei eles arrancaram-ma e disseram: agora sobrevive, ó desgraçado, uma vida inteira à procura dela e do seu culpado. E morremos à procura, mesmo sem procurar, procuramos o conforto do abraço trancados no quarto com o medo da opressão dos julgamentos insanos desses humanos desumanizados que fogem, covardes às suas próprias desgraças contando anedotas, fingindo falando com intelectualidade para ter a atenciosidade escassa que fracassa quando é esse o objectivo, ou na inveja que espreita nas janelas dos vencedores, ou na violência com que beijamos o nosso igual entre ferros quentes fascistas, ou justificar a ignorância desses merdosos inocentes que se preenchem com sexo e álcool que defecam a pensar na política e na História da sua Nação que não amam porque não a conhecem. Sociedade, é sua própria causa, é sua própria consequência e é a sua próxima há-de vir e eu sou filho dela, um filho duma grande puta.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Na Rua Do Meu Nome

De mãos escondidas nos bolsos,
de capuz a cobrir as faces
vou descendo a rua esquecida;
a memória desfocada transformou-a em noite;
nas janelas dos prédios fotografias ganham vida;
ao meu lado, na parede, os tags desenham palavras marcadas;
os candeeiros de rua projectam sombras de amigos que passam;
nos espaços confusos entre as pedras das duas calçadas
ramificam-se pensamentos, reflexões
e experiências de vida justificadas por opções;
ouve-se um forte eco de um pêndulo
a tocar a cada passo que dou...
e a cada passo que dou
passa o vento por mais uma ruga que ficou.

sábado, 3 de dezembro de 2011


Só uma mãe louca e perdida na razão
morre de amores pelo seu filho vilão.
O teu carácter é o teu abismo,
os teus actos são a tua desgraça,
tudo o que fazes, tudo o que dizes,
transformam-se em reflexos
que te atacam como corvos esfomeados,
assim vai o tempo sugando os restos da tua alma.