A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.

A minha inocência foi esta:


Francisco Sarmento

Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Algures neste planeta,
onde um casal de tigres se encontra,
onde milhares de milhões de células estão a multiplicar-se,
onde um político está a fazer promessas às gentes,
onde um pai está a chorar a morte do seu pai,
onde alguém atrasado está a dar início a um reunião,
onde está a haver sete guerras civis,
onde um avião está a preparar-se para nunca mais voltar,
onde duas pessoas estão a culpar-se no meio de um acidente de viação,
onde uma folha está a cair da sua árvore,
onde uma águia está a caçar,
onde um investigador de directa está a arquivar um caso de homicídio,
onde uma mãe está a sorrir ao seu recém-nascido,
onde um casal está a fazer juras de amor,
onde alguém está a ler este poema,
onde alguém acaba de acordar,
onde uma rosa está a florescer,
onde uma mãe está a receber a morte, na guerra, do seu filho,
onde um grupo de amigos está a ir para a discoteca,
onde um peixe está a desovar,
onde um pombo está a defecar,
onde uma onda está a rebentar,
onde alguém está a afogar as suas mágoas no álcool,
onde alguém está a ser preso e a está despedir-se da liberdade com o olhar,
onde alguém acaba de conquistar a carta de condução,
onde alguém está a planear um atentado,
onde alguém está a rezar,
agures neste planeta, estou eu,
entre prédios e janelas iluminadas,
a escrever as últimas palavras deste poema.
À margem do precipício,
as rochas caídas,
por baixo de mim,
levam com ondas,
os dedos dos pés estão preparados.

O horizonte de um mar,
uma lágrima reflecte as memórias,
como se tudo o que aconteceu
estivesse um único fim: estar ali.

Vem uma rajada de vento,
empurra-me para a queda,
a viagem é calma e lenta...
o céu parece aumentar.

Tudo começa a ficar claro desde o princípio,
o sorriso deixa uma lágrima a meio da falésia,
é esta a peça que me falta
na busca entre respostas incompletas,
darei por completo esta peripécia
quando chegar lá abaixo.

sábado, 6 de agosto de 2011

Trips Comerciais No Sistema Solar S.A. (Sem Publicidade)

Dão-me as boas-vindas
mal chego à:
Trips Comerciais
No Sistema Solar S.A.

Dão-me um fato
e umas botas especiais
com o grande logotipo
da "Trips Comerciais™".

Entro no vai-vém
que vai mas não vem,
aconchego-me no lugar VIP,
o capitão da estação mostra-se pelo ecrã,
faz-me continência e diz:
"Tenha uma boa Trip".

Na Lua a caminhar,
o movimento do meu andar
é que a faz girar
e eu vou a todo o lado
sem sair do mesmo lugar.

Na Terra caminho,
vou estando por aqui, por ali
mas nunca estou em mim.

Vou a andar em Plutão
numa rota desvairada
em completa desorganização.

A passos em Marte
a fazer flexões
e a marcar território
por toda a parte.

Com um pé em Vénus
e outro a meio do ar
a admirar as #$5(.)(.)]!"
e os #/!=(__)??"(#. .

Destino final: Sol,
uma espreguiçadeira
uns óculos, vodka
e um sorriso mole.

Trips Comerciais No Sistema Solar S.A. (Com Publicidade)

Dão-me as boas-vindas
mal chego à:
<<,,;;;::::Trips Comerciais
No Sistema Solar S.A®™::::;;;,,>>

Dão-me um fato
e umas botas especiais
com o grande logotipo
da "Trips Comerciais".

Entro no vai-vém
que vai mas não vem,
aconchego-me no lugar VIP,
o capitão da estação mostra-se pelo ecrã,
faz-me continência e diz:
"Tenha uma boa Trip".

----- // ------
Intervalo

Publicidade:

"Não tenha relações sexuais,
combata a doença da imortalidade!"

"Não seja estúpido!
O Amor não existe!
Seja Inteligente!
Compre a Boneca Paixão!
Ligue agora e receba
o chip "Eterna Versão"!"

"Seja moderna!
Use a maquilhagem Maqui-Age!
Mudança de cor
por cada segundo que passa
equivalente às novas modas!"

----- // -----

Na Lua a caminhar,
o movimento do meu andar
é que a faz girar
e eu vou a todo o lado
sem sair do mesmo lugar.

Na Terra caminho,
vou estando por aqui, por ali
mas nunca estou em mim.

Vou a andar em Plutão
numa rota desvairada
em completa desorganização.

A passos em Marte
a fazer flexões
e a marcar território
por toda a parte.

Com um pé em Vénus
e outro a meio do ar
a admirar as #$5(.)(.)]!"
e os #/!=(__)??"(#. .

Destino final: Sol,
uma espreguiçadeira
uns óculos, vodka
e um sorriso mole.

----- // -----

"Não quer publicidade a meio da leitura?
Por cinco euros terá a cura!
Ligue Já"

---- // ----

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O meu inferno grego é eu ter o teu sangue
a escorrer nas minhas veias,
assim,
ser obrigado a amar-te de modo natural
quando tu é que semeias o mal.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Carta Inter-Universal

Ei, Deus, deixa-me pedir-Te um desejo,
leva-me para a Figueira Da Foz
onde não precise de usar a voz
que aclama e reclama o amor
de uma dor no meio do oceano
pelas lágrimas que secam
e se transformam num ardor
de uma amargura que não esquece.

Ei, se ouves a minha prece,
pede ao amor para namorar comigo
e me faça o seu melhor amigo
que eu já não acho em mim
a força que resistia à tortura
de pensar não haver cura
de ser ele o meu inimigo.

Ei, faz aqui umas reparações, por favor,
o tecto está inteiro mas chove cá dentro,
a minha chave de casa entra na porta
mas não a sinto como o meu lar,
a minha almofada está encharcada
a água que nela há é amargurada,
sinto-lhe o sabor o cheiro
do que é mas não é verdadeiro,
a cama onde me deito
faz sufocar o meu peito,
as janelas são transparentes
mas o sol não parece ser real
e as luzes que ligo são tão intensas
como quando as desligo...
sabes que mais?
Isto está tudo mal.

Ei, diz lá o que é normal,
não me lembro das normas da sociedade,
dita-me aquelas que fazem parecer outra realidade
para não levar para a rua as paredes-mestras
ou transformam os traços da minha face nas suas arestas.

Ei, não tens por aí um anjo-da-guarda a mais
para que me possa ouvir?
Ou antes um paraíso para onde eu possa fugir?

Ei, por acaso não tens um cigarro?
É que eu estou um bocado frustrado
e estou farto de levar com merda em cima,
não espera, é melhor não fumar,
é que mal o acendo vai estar
alguém por trás a criticar,
foda-se, eu só quero relaxar, posso?
Ou vais dizer que tenho de ir trabalhar?
Estás preocupado com o quê?
Mete-te na tua vida que eu sei
que contas tenho para pagar!
Estou farto de ouvir o que tu farias
e dirias mas não fazes nada
nem sequer sabes o que é minha vida!
Mas o que estás aqui a fazer!?
Cala-te com as tuas hipocrisias
e vai mas é tu trabalhar!

Ei, Deus, desculpa lá,
mas é que fartei-me de gente má.
Estava aqui uma pessoa a deixar-me louco
sabes como é, falam muito mas sabem muito pouco.
Ei já agora, fá-la desaparecer,
é que sempre que ela fala
parece que eu estou a desfalecer.

Ei, Deus, dá-me uma caravela
que resista a tempestades
e me leve a experimentar
do que faz a vida bela.

Ei, Deus,
faz com que eu não precise nada disto
e Te diga adeus.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Liberdade De Estar

Escrevo sobre a escuridão
porque é nela que mais anseio a luz.
- É muito triste e profundo - dizem,
não, é esperançoso, é uma foto desfocada
que só eu consigo ver nitidamente,
que fui eu que a vivi ou a quis viver
e está penetrado na minha mente
mas todos esqueceram,
falaram mas não a viveram.
"Convém para teu bem
que finjas estar tudo bem."
Mas eu sou quem!?
Uma máquina que não ama?
Que por amar, não odeia?
Que por odiar, não chora?
Que por chorar, não se vai abaixo?
"Não te podes ir abaixo,
tens de ser forte e lutar"
Lutar contra o quê?
Contra a vida?
A vida sou eu
e mais o seu porquê.
Como posso liberta-me de lágrimas
quando as aprisiono aqui dentro?
Incomoda-te, ou convém não partilhar?
Para não sentires a tristeza?
Da tristeza há a beleza da nobreza
de não me ter assassinado.
Sim, apodera-te de mim
e deixa-me berrar tudo o que tenho silenciado
para não ter de ser perseguido,
para não ser acusado de um acto cometido
que no fundo foi uma consequência
da sociedade ter-me obrigado
a deixar as lágrimas de lado e ficar calado.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Desinspiração - Meios Poemas

Poemas meios,
são canetas encravadas
que tendem a escrever
o que já está escrito:
branco, invisível...
É o jeito da mão,
não forma novas palavras
senão as que já estão escritas.
Precisa-se de evolução,
leitura de instrução
e aumentar o vocabulário.
Ou ser fiel e acreditar no poema
como se nada mais existisse.

Ou nada disso, apenas escrever
e fazer desaparecer esse tema
irreal criado pela mente
que desmente a realidade
e nos quer transformar
com uma outra verdade.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Chega de escrever,
está na hora de fazer,
de resolver, de re-criar!
Chega de estar sentado,
é hora de andar!
Nada de luzes sintéticas,
é hora de caminhar ao sol!
Fora, fora todas as teorias,
é tempo de praticar!
Denunciem as calúnias do pensamento,
calem as declamações da alma!
Chega de embelezar a desgraça!
Façamos antes o belo!
A vontade de ser e estar.
Que se lixem essas personalidades
insanas e desvairadas!
Desmantelem as guerras complicadas!
O ponteiro das horas deu duas voltas
e nada de novo aconteceu...
é tempo de viver,
é tempo de provar,
é tempo de ser eu!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

?

Se tivesse de escolher entre ti e uma vida perfeita
menina do meu coração, sem ti não há nunca perfeição,
dançaria num ritmo frustrado da vida.

Sou cego, só os teus olhos é que me são visíveis,
traz-me as notas da tua voz para me embalares
num sono inocente entre os momentos mais horríveis,
insensível sou pois só tenho tacto para a tua pele.

Quero descrever-te mas sou apenas um barquinho,
cujas velas são sopradas por tão doce brisa
e guiadas pela voz do encanto.
Ai que já me perdi em tão magníficas águas!

Donde vens ó senhora da minha inspiração?
Serás real? Demasiada perfeição que vejo.
Não derivas com certeza da minha mente
ou eu seria demasiado humilde,
nem Aphrodite teria tanta ousadia
para se rebaixar a tamanha obra de arte!
Anjo não poderás ser pois és gigantesca tentação,
Semifará não te inventou, 
como é óbvio,
ou ele teria criado a sua própria morte.
Deves ser uma Deusa real,
real por não brilhares 
e Deusa por dares brilho.
Nem ponho em questão
se foste inventada pelo Homem,
que isso seria o fim de tudo
pois teríamos conquistado a perfeição.

Qual poema, qual palavra que te descreva?
Nada, bem tento mas tudo se dá
como menos que parecido.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vagabundo Nocturno

Um escuro adormecido pelos candeeiros da cidade sobre o silêncio do sono que tranquila gentes. Um carro ou outro passava, uma pessoa andava em direcção ao seu destino. Uma brisa tão suave e confortante aconchega o meu rosto. As estrelas lá estão, no céu. Os prédios à minha volta dizem-me o caminho, as folhas das árvores cantam com o vento. Os semáforos indicam a madrugada no seu piscar amarelo. Chego à praia, a lua ilumina-a, não era forte, era uma luz de presença, uma luz que fazia brilhar as ondas e as pedras da areia que estavam viradas para essa esfera, lua não egoísta ao ponto de não deixar que se veja as estrelas. Depois de tantos passos chegara perto das ondas, furiosas, enraivecidas mas respeitavam-me quando me tocavam nos meus pés acalmando-se. Deitei-me e os meus olhos fixaram-se no céu, numa estrela que, não sei porquê, me hipnotizava, por mais que quisesse não consiguia desviar os olhos mas também não queria. Deitado na praia e na água fina, de olhos abertos, adormecido, a sonhar....

Esta É A Carta Que Não Deves Ler

Não te posso dizer o que é pois o dinheiro não permite, o físico não permite, a mente não permite... a única coisa que tenho são estas palavras que lês e nem te apercebes que estou a falar de ti, dos teus belos olhos dos quais me fixo, dos teus lábios que desejo, da tua voz que me embala e da tua presença que, com a ignorância que tens sobre isto, me deixa nervoso, com as mãos nos bolsos e a olhar para o horizonte para não ser percebido. Um tema ao qual não consigo falar porque quando te digo olá tenho vontade de te dizer adeus e quando te digo adeus tenho vontade de te dizer olá. Sonho-te, crio a tua presença, assim, durmo sossegado, ando com um sorriso na cara pela rua e dá-me vontade de fazer nada. Sonhar-te implica desligar-me do mundo e da razão. E tu lês isto, do mais forte que tenho, palavras escritas, até gostas, até achas piada, até dizes que tenho jeito "pá" coisa mas... não te engasgues com o que vem depois: amo-te.

Doença

Ainda me lembro dos sabores da comida, de cada prato, de cada ingrediente... sabores únicos dos quais não dava valor, era tão rotineiro comer que para me alegrar teria de haver uma perfeita combinação de textura e de sabor. Agora para me castigar, não sinto na carne senão a sua textura que tão nojenta é sozinha, da massa que, não tendo sal, é tão salgada que nem dá vontade de beber água mas sim cuspir, do queijo no pão que salga tanto como a massa e da sobremesa, tão doce, tão aliciante, não, tão sem sabor, apenas textura... Todos os dias tento tão desesperadamente encontrar o sabor... falta açúcar? Pimenta? Oregãos? Salsa? Então ponham um quilo de cada e sirvam-me esse prato de Obèlix. Ah castigo! Que fiz eu? Para que me obrigas a ficar tão só em casa a assuar-me até sair sangue? Porque me obrigas tu, a ficar deitado para que não fique com tonturas? E acordar, fazes-me não querer acordar ou sinto o meu cérebro a rebentar... nem sono deixas que tome conta de mim no meio da tosse que já vomito... castigo, abafa-te em comprimidos, desaparece e deixa a cura comigo. Morre.

O Lar Antes Da Luz

Nasci por estes lados,
anos passaram, não me lembro,
são memórias nos confins da minha mente.
Foram as primeiras,
não devia estranhar mas estranho.
Reconheço um lugar parecido,
mas é diferente, agora são outras as maneiras.
Jurava que fosse maior,
tudo mudou, tenho a certeza...
mundo demasiado esquisito,
sinto saber esta fase toda de cor,
normal, sou marioneta da Natureza,
como tal, devo habituar-me à estranheza.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Felicidade

Felicidade seria conquistar o velho e descobrir o novo, seria convidar-te para tomarmos um café, seria desmontar as peças da minha personalidade e destinguir os defeitos dos traumas para reciclá-los, seria quebrar as regras da minha condição humana numa só conquista, seria acordar sem sono e contemplar cada raio do sol, seria ter calor e sentir uma brisa suave e fresca na face num planalto onde nenhum ser humano tenha estado, seria amar-te sem actos nem palavras nem pensamentos, seria sonhar em cima de sonhos realizados, seria não preocupar-me contigo nem com eles sem deixar de vos pensar, seria renascer em mim próprio sem ser novo mas diferente, seria morrer e dizer "fiz tudo o que podia para viver" com um sorriso de orelha a orelha... felicidade, seria não ter de escrever sobre ela.

sábado, 2 de julho de 2011

Não consigo chorar mais,
estou desidratado,
já não sinto amor...
Tirem-me a alma,
imploro de olhos inchados,
não quero sentir mais dor...

Grito nos vossos tímpanos,
brinco com as minhas mágoas,
tudo isto é uma farsa trágica...

Ajoelhado e rendido,
sem sequer te olhar
nesse teu olhar que não me vê
me vejo vencido...

Vencido na guerra
entre mim e a minha pedra
que se recusa, revoltada,
a encaixar nesta terra...
Que terra tão infértil, esta...
Que água tão salgada...
Que árvore tão seca...

Sou uma mosca
que bate no vidro da janela,
sem o ver, mas insiste,
porque para lá dela
está uma vida livre e bela.
Um vidro que sinto mas não vejo...
o que me agarra àquilo, atrás de mim?
Ó mosquinha tontinha,
porque voas tão desenfreadamente
contra uma janela aberta?
Desesperas contra o nada,
pois nada será quando passares
para um dos três lados...
Talvez a vitória, talvez o fracasso,
seja qual for, voa,
voa pelo céu sonhador
ou pelas terras da realidade,
se tens asas cria-te...

Bem, estou farto,
ou matas ou vai morrendo,
já não quero saber,
apatia é, menos sofrer.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eu, Borboleta

Sou uma larva,
um projecto de borboleta no chão.
Infiltra-se na minha alma a luz
que me faz renascer de mim próprio,
transformando-me numa borboleta
a vaguear entre cidades de árvores,
entre relvas, entre campos floridos...
que se esforça para ser livre num bater de asas,
ao sabor ou contra o vento.
No cuidado mas não desconfiado,
entre a honestidade e a falsidade
de uma planta que me oferece o seu pólen
ou planta bela e atraente mas secretamente carnívora.
É absurdamente nobre, no tempo do Universo
sou uma borboleta que dura um dia,
entre vinte e quatro horas a voar
e morrer depois como uma brisa que veio sem ficar.

domingo, 26 de junho de 2011

A Cozinha

Deve ser o piar dos pássaros,
o silêncio dos móveis,
os moços a gritarem no rés-do-chão,
o som quase nulo da televisão,
o ruído da máquina de roupa tão constante
que acabamos por deixar de a ouvir
tornando-se hipnotizante,
a luz do sol a entrar pela janela indirectamente,
iluminando a cozinha suavemente,
o canto junto à porta com um banco
e a mesa do lado esquerdo a apoiar o copo.

É esta a física que vejo.
E tu, o que sentes?

Um ruído de fundo da televisão
que faz parecer a rua em movimento,
um silêncio que provoca o pensamento
que te transporta para as memórias do tempo,
os raios de sol desmascaram o pó
das coisas que não se mexem
ou a escuridão da noite que dá vida
a essas mesmas coisas que te deixam só.

Essa cozinha, onde te refugias,
vives um mundo que é passado,
onde vês coisas que não devias
e fazem do teu presente um fardo.
Num mar de descobertas
a levar com ondas de Pessoa,
de Agostinho, de Sérgio Ramos,
(de outros mais que virão)
me têm trazido tempestades
de dúvidas e de confusão.

É a destruição do meu ser
a navegar em alto-mar,
para o nada que sou, ter tudo,
e reconstruir-me na forma de escrever.

sábado, 25 de junho de 2011

A Vida Foi No Tempo

Uma lágrima baloiça na pálpebra
num olhar esperançando ser mentira,
mas o silêncio predomina
como se de um pedido de desculpa se tratasse
por ter dado notícia tão dolorosa.

A dor infiltra-se,
os olhos avermelham-se,
a lágrima ganha maturidade,
os olhos fecham-se:
é hora da lágrima sair do seu ninho.
Faz a viagem pela face
e vai morrendo pelo caminho,
evaporando-se aos poucos
enquanto aos poucos o seu progenitor
perde as forças nas pernas e vai caindo
no chão, num grito mudo querendo afastar a dor.
A tristeza apodera-se num riacho de lágrimas,
nos soluços constantes e nas meias interjeições.

Como uma flor que murcha
ou uma aranha a encolher as patas ao morrer,
o corpo fecha-se ao deitar-se no chão,
ganhando a forma de como foi antes de nascer
(como se quisesse regressar ao passado,
quando esteve no ventre de sua mãe),

os joelhos juntam-se no peito,
as mãos tapam a cara sem querer ver...

A lágrima de tristeza que se evaporou,
criou um ambiente pesado através do ar,
entranhou-se no corpo de quem a respirou,
partilhou a tristeza e fê-la chorar.

Vai ficando escuro,
tudo fica paralisado.

É o fim.

Ouvem-se os aplausos e os gritos,
as luzes acendem-se,
o público está de pé,
os actores voltam ao palco,
com sorrisos na cara,
para o agradecimento.

Foi esta a última peça
neste teatro apodrecido pelo esquecimento.
Estou numa das cadeiras da plateia
e, com os meus olhos,
transformo o que fora tudo,
com a memória, o que é nada.

Todos seguiram as suas vidas,
mas este teatro ficou,
à espera de ser acolhido por alguém,
é a morte de um passado cheio de glórias
e o fim do que aqui se vivera,
já não passam de memórias.

Ultramar - Abandonados No Oceano

Esquece esses malfeitores, irmão,
não te preocupes se eles te vierem buscar,
deixa a guerra e ensina-me a ser criador
de um mundo que nunca aparece na televisão.
Dá-me um abraço sempre ao acordar,
sais de casa descansado
mas logo podes não voltar.
Tens uma família que precisa de ti,
a guerra pode estar à nossa porta
mas ainda não entrou.
Não fujas, não te escondas,
a nossa casa não é segura
mas não há outro lugar
onde tu possas descansar.

Olho para a porta da casa
e sinto próximo o dia
em que a mesa terá um lugar vazio,
em que não conseguirei comer
por pensar que estás ao frio,
na noite escura, com uma arma na mão,
sozinho, a matar para não morrer.

Sinto-me enjoado, meu irmão,
sempre foste anti-violência,
mas que lhes interessa?
Foste obrigado,
destruíram todas as tuas crenças,
criaram um cancro na tua alma,
os pesadelos, os sustos,
a apatia, as lágrimas,
a perna ferida...
agora não tens trabalho,
a guerra acabou,
a tua vida foi esquecida,
onze anos e o Estado não pagou.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Poemas Duvidados

Preciso de ti, inspiração,
estou estancado,
puseram em questão
a forma da minha mão,
já não passas de um caderno abandonado
onde outrora escrevi
mil poemas e projectos
perdidos, sem temas concretos.
Onde estás meu poeta, que te choro,
se és realmente, escrevo agora,
por não saber onde moro
com tantos poetas que há,
não quero ser um mas o poeta.
Tempos eram a apanhar outro cacho
do meu profundo afecto
mas agora parece que cheguei ao fim do tacho.
Tudo o que deixo por escrever
é desinteresse ou cansaço,
desinspiração ou fracasso?
O que é que eu faço?
Esperar em desespero
pela identidade que me confortei,
de um escape onde chorei,
senti e amei?
Vejo poemas amaldiçoados
por dúvidas, completamente desamados.
Triunfei-os numa outra hora
em que dava por finalizados,
agora, já não passam de palavras vazias
de alguém que fui, por amor que dei,
já nada tenho, já nada sei...

sábado, 18 de junho de 2011

O FMI pode me emprestar dinheiro? É que também fui enterrado (e foi em areia movediça: quanto mais me mexo, mais me enterro, mas se não me mexo sou enterrado) por causa das más vontades. Sei que o FMI ajuda-nos puxando-nos através de uma corda no pescoço, mas ao menos não vou ficar sem conseguir mexer-me debaixo da terra, é que debaixo da terra estão os mortos.

Para Anjo Lurdes

Chorei lágrimas sobre o teu corpo
na esperança que acordasses,
para que eu te dissesse adeus
ou outra qualquer despedida
que não fosse como fora:
um par de beijos na cara 
dum olhar inacabado.

Morreste a servir
um cadáver vivo,
que não fala nem sente,
e por ela te crucificaste,
anjo, e por ela
morreste inocentemente.

Agora que foste embora,
abandonaram esse corpo
ao qual prestaste serviço,
de nada foi teu meio século,
minha árvore da vida infértil,
meu sol sem planetas...

Tornaste-te um anjo,
só te faltava asas
e agora já as tens.

Nasce outra vez
e responde-me
se esta desumanidade 
demoníaca
tem os seus 
porquês.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ninguém destinou o que sonhei
na realidade que passei
onde não fui rei nem reinei
mas comando o sonho
que me faz viver
nesse mundo que só
me quis ver sofrer.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Meu Registo Mental

Sinto-me preso,
preso à realidade
desconhecendo a imaginação
que me traz inspiração.
Quem sou eu?
Serei realmente poeta?
Ou não passo de um profeta
da sociedade que me afecta?
Há poesia nos meus versos?
Duvido, não a sinto,
mas sei que já a senti,
também não me lembra de ter escrito
o sentimento com que escrevi.
Talvez sejam, poemas meus,
fases temporais do meu ser,
períodos que se desvanecem
no tempo em que estou a viver.
Não me atrai a poesia
por não a conhecer.
Vida que quero ter,
essa alegria não faz parte de mim.
Os meus poemas não são
senão meras palavras que dizem:
"Eu estou assim..."

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Guitarra Portuguesa

Preciso de Te ouvir, 
minha Guitarra Portuguesa,
entra no meu peito que Te quero sentir,
quando Te ouço sinto-me Português.
Canta para mim a Tua beleza, 
que me lembras a Pátria,
o orgulho das nossas conquistas,
do grito do nosso Povo, 
do amor à dor,
em tudo o que já passámos,
Portugal, olhos meus da Tua cor.

domingo, 12 de junho de 2011

Montanhas De Pessoas

Como um triângulo
de cima para baixo,
de uma pessoa para multidões,
o gelo está onde não batem corações.


As fontes são feitas das tristezas
de quem se encontra por baixo
e quanto mais abaixo mais riachos se juntam
formando rios, rios que separam montanhas iguais.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Criação Dos Meus Poemas

Arranquei as minhas próprias veias
para desenhar as linhas dos meus cadernos.
Vomitei o meu sangue para encher esferográficas
e pintei teias entre o mundo e a minha vida.
Fui para os maus caminhos
e espetei os pés entre agulhas e facas com firmeza.
Arranquei os meus dedos com os dentes,
engoli-os para pesar a minha culpa
entre a opressão e a fragilidade.
Recusei-me a respirar a poluição,
enfiei uma mão dentro da minha boca
e arranquei os meus pulmões.
Espanquei o meu crânio contra a parede
até ficar com a mente louca.
Arranquei toda a minha pele
para fazer dela o meu mundo da escrita.
Decapitei as minhas orelhas
para que não fosse influenciado pelas ovelhas.
Destruí todos os meu pêlos para ficar mais vulnerável
e sujeito a tudo o que não é palpável.
Retirei a minha carne e deixei só o esqueleto
para vestir o meu corpo com a minha alma.
Os grandes Anjos vieram dos infernos,
desenvolveram-se através do abandono do demónio,
vivos e alimentados pelo mais extremo ódio.
Desorientados pelo desamor,
criaram feridas existentes sem provocar dor.
Afogados nos mares da tortura,
perderam as asas e ganharam corpo
para pintarem o Mundo com alma e amor.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Poeta A Ler Leitores

O bêbado
na rua vai,
a descê-la,
apoiado na parede
vai o bêbado e cai.


O bêbado,
bebe ao vício
mas não é viciado.


O álcool,
o álcool que não cura feridas,
o álcool,
o álcool inflamável,
molha e apaga o sol.


Uma foto
um desgraçado
a desgraça
o álcool
comentários
lol.


Estupidez...
o leitor...
ri...
desgraça...


Poema...
ri...
desgraça...
leitor...
poeta...
chora...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Recrutamento Da Humanidade - Guerras Sociais

Se não aguentas com eles,
não te juntes a eles,
ATIRA-TE DE CABEÇA CONTRA ELES!!!!
Mas vai preparado,
com pilhas de memória carregadas,
para quando te sentires cansado.
Veste um colete de verdades
pois eles vão querer dar-te ilusão.
Usa capacete
pois as cabeças deles são de cimento,
Também vais precisar de uma arma
com balas anti-vento,
ou eles falam somente de momento.
Tatua no teu peito a Humanidade
pois em momentos de tensão,
vais sentir o medo que traz a opressão.
Arranja-me ai um lugar,
estamos juntos nesta luta
contra a guerra invisível,
não vou ficar a olhar,
a minha alma não é prostituta.

Eu Compreendo-Te E Te Abraço

Inúmeras foram as vezes
que não quis estar aqui,
que pensei não haver solução,
que chorei sem ver alegria,
que fiquei na cama sem me levantar,
que não vi o sol,
que não lutei,
que me deixei ir,
que simplesmente não tive vontade,
que senti o fim da vida,
que houve um vazio no corpo,
mas se estou aqui
é por alguma razão.
Se precisas de luz
então abre o teu coração
e deixa-me dar-te a minha mão.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Medo E Insegurança - Solidão, Eu Não



Nunca estou sozinho,

ainda escorre sangue nas minhas veias,

sangue do meu Povo e da minha Pátria,

ainda tenho coração feito pelo criador,

inventado pela Humanidade e pelo Amor,

estou sempre acompanhado,

nas minhas costas levo uma história,

das gentes que conheci, boas ou escória,

dos momentos que me fizeram quem sou.




Tomo banho com a solidão mas sei para onde vou.




O compasso da vida caminha com ritmos

que inspiraram músicos e compositores,

grandes profissionais ou amadores,

identificado-me na sua universalidade,

não ando sozinho, eles teceram a igualdade.




Conhecido ou desconhecido,

vencedor ou vencido,

justo ou bandido,

vão falando de mim,

sozinho não estou,

eles acompanham-me assim.




Não estou sozinho,

há sempre alguém disponível

para me tornar audível.




Estou sempre acompanhado

pois estou seguro de mim,

ando com determinação,

coração e razão,

é tudo o que preciso

para me ser conciso.




Nunca estou sozinho nem quando morrer,

alguém há-de chorar, sofrer...

Que interessa quando já estiver morto?

Façam o que quiserem,

eu já estarei completamente absorto.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A Desgraça De Alguém

És gozado e desonrado sem saberes,
por alguém que tens grande amizade,
te esfaqueia e tu, sem te aperceberes,
estás a sangrar nessa dança inunda de irrealidade
em que o teu inimigo te pôs a dançar.
Começas a juntar todas as peças
e desconfias das conversas,
então de repente,
ele pensa que estás de costas,
fala mal de ti a toda a gente,
mas tu viraste antes do tempo
e apanhas o gajo no momento
em que diz que tu és nojento
e fazes-lhe frente, ele atrapalha-se
e o cérebro dele fica dormente,
gagueja-se sempre por mais que tente,
vem com merdinhas a desculpar-se,
só está a queimar-se.

Tu descobres e fechas a mão,
queres dar-lhe um grande sopapo
e dizes: "disso eu não papo",
sabes que perdes toda razão,
mas que se lixe,
é o que merece esse cabrão,
esse bicho, que nem humano é,
a raiva é tanta,
já lhe estás a dar um pontapé,
não te dás conta do que estás a fazer
mas estás a espancá-lo com uma grande fé.
Queres vê-lo sofrer,
quanto mais lhe bates mais lhe queres bater,
ele já nem se levanta,
mas a raiva é tanta
que toda a gente se espanta
e levantam-se para parar
o cenário sangrento,
agarram-te, mas ninguém te pára,
tens um rio de lágrimas na cara,
a fúria deixou-te cheio de força,
à tua frente está um homem,
mas nem trinta deles te movem.
Tu mandas-lhe berros,
atiras-lhe com cadeiras,
encontras mil e uma maneiras
de lhe dar pancada,
a polícia aperece e dá-te uma cacetada,
mas tu não páras por nada deste mundo,
nem que visses o traidor completamente moribundo.

Entras no carro azul,
o outro vai na carrinha amarela,
ambos vão à boleia,
sabes que, para o teu lado, a coisa ficou feia,
começas a chorar em pânico,
aquele não eras tu,
era um monstro que te tornara mecânico.
Mostras a tua identificação na esquadra,
és identificado,
na escola todos olham-te de lado,
fazem mil perguntas
todas iguais, todas juntas.
Deixas de ir à escola,
os teus pais deixaram-te de dar esmola,
estás sozinho, ninguém te ajuda,
apercebes-te que sempre tiveste,
de que não valeu a pena teres-te irritado,
porque na verdade é o pão deles de cada dia,
mas agora és tu que estás queimado,
ainda faltava responder a tribunal
pela tua atitude mortal.
Estás no lugar do réu,
o sacana mente e as testemunhas não viram tudo,
o juiz já tinha tirado conclusões e fez de ti mudo.
Vais preso,
a tua mãe chora e o teu pai diz que és uma vergonha,
o teu irmão é que é um exemplo
mas tu sabes que ele anda a fumar maconha,
não dizes nada,
a tua vida foi queimada.

Na prisão,
és vítima de violação.
Tu e eles sabem que és fraco,
um dia rejeitas quando te põem a mão
e levas uma facada e mais um taco.
Começas então a fazer flexões,
a contar as razões
que te afastam as tuas últimas pulsações.
Começas a ganhar respeito
e a reclamar tudo a que tens direito.
Agora todos querem ser teu amigo,
mas tu já és amargo
e para ti, qualquer um é teu inimigo.

Dois anos e oito meses de bom comportamento
fizeram-te sair antes do tempo
e matares aquele gajo é o teu primeiro pensamento
mas lembras-te do que aconteceu,
quase que alguém morreu
e sabes que foste tu quem teve a culpa,
então decides encontrá-lo e pedir desculpa,
mas o anormal está enrolado com a tua irmã
e apercebes-te de que ele não mudou,
que fez com que a tua família se separasse,
que o teu irmão entrou na droga pesada,
que a tua mãe se suicidou,
que o teu pai se desgraçou na bebida,
lutaste mas a tua família está destruída.

Enfrentas o gajo,
começam numa grande discussão,
ele tem uma pistola na mão,
começam à pancada,
tu tiras-lhe a sua pistola
e no meio da confusão
dás-lhe um tiro na tola,
ele já não diz nada,
antes que a tua vida arde,
bazas de casa dele antes que seja tarde.

A tua irmã chora
e tu dizes que já estava na hora
desse gajo morrer,
ela começa a bater-te
e a gritar que nunca mais te quer ver,
que te ausentaste e que, o que tu fizeste,
só prova que nunca a amaste,
respondes que ela não está a compreender,
mas ela não quer saber
e grita para tu desapareceres,
antes de saires dizes-lhe que só a querias ajudar
e ela responde chamando-te máquina de matar.

E agora? Não sabes o que fazer,
a cada passo que deste só fizeste alguém sofrer.
Rejeitas e renegas tudo,
quem foste, quem conheceste, o que fizeste,
e pões-te a andar no caminho da vida
como se nunca te fosse conhecida.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sociedade - Pressão Da Opressão

Ainda há guerra,
caiem em cima de nós baldes de merda
nesta opressão de medo que nos enterra.

Medo, segredo e depois degredo,
são sequências da conveniência
que são ensinados desde cedo.

É preciso ter cuidado,
ela caminha ao nosso lado
sem se aperceber é-se enfeitiçado.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O Palco Da Minha Vida

A minha vida é vivida num palco,
o Diabo bate palmas na plateia
à medida que minha a vida se torna mais feia
e Deus foi à casa-de-banho,
não quis voltar e levou tudo o que tenho.

Agora é o intervalo,
eu grito esta dor mas não falo,
puseram por cima a publicidade
e ninguém me ouve nesta sociedade.

Estão todos completamente surdos
e o Diabo ri-se dos meus actos absurdos,
gritar não dá em nada,
Deus tinha-me dito que é um conto de fada
em que no final tudo acaba bem,
mas vejo no final a morte sem viver a felicidade,
mas os deuses prometeram-me essa realidade.

Aponto um revólver à cabeça,
o Diabo não quer já o final
e entrega-me esperança para que vença,
mas era mais uma mentira e eu continuo mal.

Alguém peguntou o que é que se passa,
eu respondo e não sabe o que se faça,
mais um dia, a morte dá mais uma paça
até a vida me deixar só em carcaça.

As luzes do teatro estão a desligar-se,
este é momento da escrita
em que Belzebu perde a pica e Deus cita:
o seu espírito a aproximar-se.

Agora só há uma luz ligada,
chamou a atenção de Deus
ficou logo com uma lágrima a cair,
sentou-se, estava a sorrir,
o Anjo Caído detesta essa iluminação,
diz adeus e começa a sair,
Esse nunca mais há-de vir.

Essa luz única que Deus ama
e tira ao Diabo a sua fama,
que aos dois afecta,
é o meu poeta,
que acaba de chegar à conclusão:
depois de ser vítima de tanta maldição,
de ter sido marioneta do Satanás,
mesmo afundado na solidão e na escuridão,
viver faz muito bem ao coração
e onde quer que vás,
leva a tua alma e luta com calma,
em vez de levares uma arma na mão,
leva a tua personalidade e a tua determinação.

Fecha-se o passado
e fecham-se as cortinas,
novo capítulo, novas rotinas,
pronto a amar, pronto a ser amado,
vida, vida, vida, vida, vida...
Gostava de não ter vivido esta vida,
de uma mãe de armas que ficou perdida,
de uma irmã que fria se apelida,
de um irmão que pareceu herói e agora morreu,
de um pai racista, ladrão e fugitivo,
de um padrasto que não me quis vivo,
de uma madrasta que fez da minha mente manipulada,
de uma família que nunca fora que é afastada,
de um amigo que me dera mais uma facada,
agora vão todos para o caralho,
a minha revolta é grande e grande é o trabalho
que vou dar ao que assina a certidão de óbito
porque já marcaram da morte cheio porquês:
está marcada na data de 24 de Julho de 93.

domingo, 22 de maio de 2011

22 De Maio De 2011- 23º Poema (1ª Parte - Poema)

Vinte e dois poemas escritos em vinte e dois dias
vinte e duas emoções desde o início deste mês,
vinte e dois momentos de revoltas e alegrias,
vinte, tira-se o dois, com este põe-se o três,
não sei se haverá mais depois
mas aproveito o presente
destes vinte e três que saíram do coração
e passaram pela mente,
aparece e escreve até esgotar a inspiração,
se não houver vou buscar outra razão,
seja a amizade ou a solidão,
seja a luz ou a escuridão,
seja o que estiver à mão.

Carta Para Quem Parou Na Vida

Sonhas voar mas estás cá em baixo,
das trezentas tentativas que tentaste
mas foram todas iguais e tu ficas cabis-baixo.
Porque não tentas de maneira diferente, já pensaste?
Já experimentaste usar as tuas pernas?
Então deixa-te de merdas,
luta sem grandes guerras,
porque se falhares, tudo bem, tu também erras.
Há que tentar com determinação
porque nesta sociedade
se és fraco és tratado como um cão,
ajudam-te mas deixam-te na solidão,
é a verdade,
ninguém vai à casa-de-banho por ti,
por isso em vez de chorares
sente mas é este pensamento
e vem por aqui.
O que tu precisas é de uma dose de orgulho,
olha as pessoas à tua volta,
é quase tudo entulho,
eles querem mas não sejas como eles,
não vivas a vida deles.
Tu tens a tua vida e cada um tem a sua,
tenta mas é, não procures,
ganha firmeza nesse pé,
porque cada passo que dás já passou,
tens de saber para onde vais e o que queres
porque senão vais andar a comer merda às colheres.
Mas tem cuidado com o que desejas, que o amor é cego,
há coisas que não sabes e talvez nem as vejas.
Que não seja a preguiça que tu bocejas,
sê tu em qualquer sítio que estejas
porque há sempre alguém
que nunca vai querer o teu bem
e vai esperar que tu erres
para te poder criticar,
por isso faz o que te compete
para os poderes mandar calar.
No comboio da vida
vais conhecer pessoas que te vão querer escravizar,
vais conhecer pessoas que te vão amar,
não podes parar, a não ser que estejas a errar,
então assim pára para pensar,
porque vais ter de pedir desculpa,
porque se calhar foste tu quem teve culpa.
Bem, já sabes como é,
ninguém vai à boleia
e aprecias melhor a paisagem se fores a pé.

Cumplicidade De Amar

Esta é a hora que vem sem demora
para te dizer que me deixas completamente à nora,
porque à tua frente sinto-me incompleto,
a pensar que nós seríamos a perfeição, de certo.

És a música que preciso para os meus poemas,
a solução para todos os meus problemas,
porque quando olho para ti vejo a simplicidade,
até já acho absurdo ter preocupações, para dizer a verdade.

Há tentações que não podemos tocar,
não posso dizer a razão ou seria apanhado na esquina,
por isso prefiro que fiques a pensar
enquanto escrevo subtilmente para a minha menina.

Que azar, deixaste alguém ocupado,
enquanto reagimos e agimos
numa sensação em que rimos e sorrimos,
é uma questão de tempo, espero-te sentado.

As coisas fazem-se com calma,
é na boa, eu espero mas actuo,
a ansiedade é alguma mas eu seguro
a ver-te a passear na minha palma.

Andamos a viver a cumplicidade,
jogando sempre pela honestidade,
sem cinderelas nem príncipes encantados,
apenas somos seres humanos apaixonados.

Conheço-te muito bem,
esse teu sorriso é o número três
que esboças quando te interessas por alguém
e não tenho nenhuma cábula, como vês.

sábado, 21 de maio de 2011

A Graça Do Diabo

Em dias de semana,
eu cou sempre de cana,
pedindo ajuda à minha mana
mas ela não se preocupa,
só lhe interessa a grana.
Mas sou eu que chego a casa
e já nem reconheço a mamã que eu abraçara um dia,
em que lhe chamava querida, linda e tonta,
velhos tempos de criança em que ela sorria.
Agora já não tenho forças para tanta afronta,
de tantas tentativas, já perdi a conta.
Leva essa mulher de armas num vício,
tento-a ajudar mas é cair num precipício
e rebolar até ao fundo onde não há luz,
onde as feridas não conseguem deitar pus.
A cada dia que passa vejo a carcaça da minha mãe,
que a beijo sem perceber se ela é alguém,
alguém que eu amara, que à vida me providenciara.
Agora parece que a vida está cara,
não é dinheiro com que se paga,
é a desertificação que traz a vara
da bandeira branca da desistência,
da memória que tinha dela que se torna vaga,
em que eu odeio, não venero nem creio.
Não há ser humano com tanta paciência
da morte que a vejo levar desta maneira.
Os sorrisos que perdi das vezes que abri a porta
e encontrei a desgraça em pessoa com a sua bebedeira.
De vez em quando pergunto-me o que devia ser diferente,
se amanhã vai ser tudo diferente,
mas acordo desabituado e adormeço habituado
e durante o sono sinto-me cansado,
pela porrada que dou em mim,
pela raiva que tenho desta vida ruim...

Adeus Amor, Que Me Vou

Já está tudo pronto para embarcar,
escreverei cartas todos os dias,
mandar-te-ei também fotografias...
tenho-te saudades,
encosta-te no meu peito
para que te rodeie com os meus braços
não vou ter mais este direito...
o barco quer ir, tenho de me despachar...
cuida do meu coração, é em ti que vai ficar...
dá-me a tua mão e olha-me na cara, por favor...
Meu amor...
não te conseguirei trair,
amo-te demais para que qualquer
outra mulher me seja tentação...
Deixa-me pôr este anel no teu dedo,
hei-de voltar, meu coração,
mas se encontrares outra pessoa
enterra o anel ou atira-o ao mar.
Beija-me agora meu amor,
que o barco pede para partir...
não chores, quero te ver sorrir...
a vida continua...
gostava que não houvesse despedida...
um futuro chama por mim, tenho de ir.
Adeus, amor, e ama a tua vida,
esquece-me se assim tiver de ser...
passarão anos até te voltar a ver...
Adeus minha essência,
foste tu quem me ensinou
que nem sempre é fria, a continência...
amo-te... mas agora vou...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Demais É Demais

Já me perdi,
já nem sei se estou num sonho ou na realidade,
não sei se realmente estou aqui,
pois se estou, posso ao mesmo tempo não estar.
Estou perdido entre a imaginação e a verdade,
se nisto que vivo é realmente de se amar.
Não percebo, não entendo,
mas tento e nunca percebo o que se está a passar.
Não consigo parar, sou assim,
sonhador, aquele que sonha a dor,
não é explicável a poesia em mim
mas sei que lhe tenho amor,
ou se não é amor, é vício,
ou se não é vício é sensibilidade,
pois sinto o amor sofrendo.
Mas sorrio à vida e a abraço,
sem egoísmo, abrindo espaço,
nesta maneira a que digo vivendo
para que, depois de uma vida de experiências,
de memórias re-vividas,
de lágrimas e sorrisos,
de paixões e ódios,
te possa dizer:
sou humano,
assim vivo e assim irei viver.
Agora e para sempre,
antes de nacer,
depois de morrer,
agora e para sempre,
amar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Vamos descnfiar,
desconfiar do ar que respiramos,
vamos, vamos desconfiar
do amor, de amar.
Vamos deconfiar do que vemos,
dos sorrisos, das perfeições.
Vamos desconfiar dos espelhos,
vamos desconfiar do que escrevo,
desconfiem e pensem.
Vamos confiar na desconfiança,
confiemos na exoberância
e na ignorância,
vamos desconfiar da confiança.
É agora, pensemos em pensar,
pensamos na mudança,
pensemos e reflectimos,
e avançamos aos bocadinhos,
e desconfiamos dos nosso pés.
Desconfia de ti, mais um bocado,
não acredites, aliás, desacredita,
desacredita no que te irrita,
não desconfies, confia,
acredita, mas absorve a desconfiança,
e não confies.
Confia em mim, não confies,
anda a passo cuidado,
desconfia tanto até andares desordenado.
Confia, desconfia até ficares todo baralhado.
Não confies,
pensa,
não confies,
achas que é?
Desconfia mas é.

O Arrependimento

Podera eu não ser quem sou, não ter este nome desonrado, este coração que bombeou com demasiada força e pressionou a cabeça... Oh! Devia eu ter sido castrado à nascença! Devia era nem ter nascido... maldito encontro que foi do quando e onde... parecia estar à espera de mim este destino, esta tragédia! Oh! Tragédia! Como és a estratégia de Belzebu usada quando estamos deitados no conforto do acto contra a Natureza! Queria eu ter sido comum... tantos que por aí andam ambicionando o protagonismo pelo poder e eu, somente entregue ao amor cego, sem ambições... determinado sem ambições, vejo-me numa tragédia, condenado à desgraça e a uma vida sem escolhas, sem honra, sem oportunidades... completamente esquecido por Deus e pelos homens como se a morte fosse mais do que aquilo que se diz... de um corpo sem espírito... e grande espírito que fora... nunca recusando os pedidos de ajuda, sempre dando de mim, sem nunca ter fugido à lei, sem nunca ter espreitado o crime... simplesmente fiquei cego neste meu coração puro e foi o suficiente para cair no abismo, entre trambulhões de medo e desepero... da irracionalidade do sentimento que escolheu antes de entender as consequências... como se possuído estivesse pelo Destino... agora, agora vivo o Destino... e sem destino para viver.

domingo, 15 de maio de 2011

Enciclopédia Das Nações

Chacinas nas terras de ninguém,
onde ninguém governa mas é governado.
Chaves do contraste do além,
o sentimento não dá para ser falado.
Cheira a morte onde não há cadáveres,
só se sente almas onde não há vivos.
Chagas são verdades nestes terrenos,
onde as mães engravidam para devorarem os seus pequenos.
Crianças suicidam-se pela fome,
dos tantos pedregulhos afiados que se consome.
Cemitérios são as refeições dos homens
que são ensinados a assassinarem desde jovens.
Catacumbas do paraíso é nome do inferno
nesta cultura destinada ao eterno.
Conquistadas terras pela sua divisão,
quase zombies por não actuarem de coração.
Criados e servos da morte são vossos destinos,
se chegarem a velhos serão logo comidos.
Contados como lendas pela Humanidade,
parecendo não ser real esta verdade.

Chega o herói que salva inutilmente a população
mas ele o faz pelo orgulho e pela esperança de uma nova Nação.
Corajoso, chegou, para enfrentar as tempestades,
para trazer vida e luz às terras de Hades,
Condenado ao sacrifício do corpo e da mente,
alimentadando-os com o seu próprio sangue.
Crucificado em seu propósito,
mudou as mentalidades dessa gente.
Cravos foram criados pela a água do seu suor
em terras desertas mas floridas por um sonhador.
Carregou tudo e fez mais do que o seu melhor,
alimentado e morto pelo amor.
Cuidado de mudar um mundo,
assim o conseguiu e desapareceu moribundo.
Calhou escrito como início da História,
sofreu, lutou, morreu e ficou sem honra da memória.
Crê-se num presente sem passado,
o herói morto vê-se vilão, sentir-se-ia fracassado.

Dá-se então um novo capítulo,
a letra "D" é o seu vínculo.

Dinheiro é a nova desgraça,
nova história,
novos vilões,
novos heróis
aparecem por mais que se faça.

Ditadas pessoas pela sociedade,
que criticam a realidade.
Desgraçadas populações que toleram
as opressões que se impuseram.
Divulgando informações erradas,
precisam de atenção nas mentes encalhadas.
Dedicam-se insistentemente à competição
pelo poder que anseiam e nunca lhes dará razão.
Deduzam-se no espelho exterior
com medo da solidão que lhes causa dor.
Devoram-se no trabalho e se pisam
sem lembrarem-se da união que precisam.
Dívidas construídas pela esperança,
escravos durante anos em sonhos de criança.
Disturbadas mentalidades de filosofias
que agora se suicidam por não verem novas vias.
Desesperados até que acordem,
vão lutando contra a desordem.
Desiludidos por não verem um novo herói,
que os salve da miséria e do absurdo que são.
Deparam-se da realidade em que estão,
nesta sociedade onde há mais que um vilão.
Desesperados pelo herói que ainda não apareceu,
gritam e revoltam-se pensando que ele já morreu.
Desfrutam-se os tempos de espera,
em que o herói não aparece e que ninguém venera.
Denominam-se todos heróis mas a verdadeira cura
são os anti-heróis que virão para o fim da ditadura.
Desta sociedade em que vivemos, na opressão,
quem ganha e ganhará sempre é a nossa voz, a voz da razão.

sábado, 14 de maio de 2011

Calma e Paciência

Quase quase quase me perdi
pela de fora que entrou em mim
e me fez gritar sem fim.

Mas a tempo e com tempo
tive um ataque de lucidez
pois na raiva do momento
jurei não acontecer outra vez.

Talvez me teriam chamado louco
por nadar contra corrente
sem estar preparado em fazer-lhe frente
e ser levado por ela pouco a pouco.

Talvez eu tenha tido essa loucura
para me aperceber da realidade,
essa lei dos contrastes foi a minha cura
para manter limites à minha sensibilidade.

Não desisti, apenas tenho de ser inteligente
porque se me atiro sem saber usar um pára-quedas
acabo por ser comido por essa gente
e a fazer todas as suas merdas.

Devo fazer como na Batalha de Aljubarrota
trazer-me e não uma gigante frota,
pois sabemos como é que uma guerra se comporta
e antes de abrir a boca a minha mente já estará morta.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Por aqui e por ali
acontecem novos por cá,
sem perceber o que vi
por nunca ter passado por lá.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Sou A Nossa Voz

ATENÇÃO: "Se acha" é "se encontra".

Os meus poemas são
de um lunático
que se acha no meio de ouvidos,
de um apático
que se acha no meio dos sentimentos,
de um sonhador
que se acha no meio da realidade,
de uma criança
que se acha no meio da birra,
de um alérgico
que se acha no meio da mentira,
de um calado
que se acha no meio da ira,
de um psicotapa
que se acha no meio da má infância,
de uma escapa
que se acha no meio da poesia,
de um sábio
que se acha no meio da ignorância,
de um amor
que se acha no meio do ódio,
de um esperançado
que se acha no meio da morte,
de um sorriso
que se acha no meio da sorte,
de um ignorante
que se acha no meio da sapiência,
de um ansioso
que se acha no meio da paciência,
de um animal
que se acha no meio da fome,
de um soldado
que se acha no meio da sobrevivência,
de um anormal
que se acha no meio do comum,
de um revoltado
que se acha no meio do desespero,
de um um
que se acha no meio do nenhum,
de um diferente
que se acha no meio da igualdade,
de um falso moralista
que se acha no meio da verdade,
de um poeta
que se acha no meio do papel,
de uma morte
que se acha no meio da vida,
de uma solução
que se acha no meio do problema,
de uma gaveta desarrumada
que se acha num quarto arrumado,
de uma pena branca
que se acha no meio do fardo,
de uma iluminação
que se acha no meio da escuridão,
de um ouvinte
que se acha no meio do paleio,
de uma agulha
que se acha no meio do palheiro,
de uma imaginação
que se acha no meio do verdadeiro,
de um último
que se acha no meio do primeiro,
de um ninguém
que se acha no meio da fama,
de um acontecimento
que se acha no meio do improvável,
de uma contradição
que se acha no meio da ligação,
de uma sombra
que se acha no meio do sol,
de uma mãe
que se acha no meio da infertilidade,
de uma lágrima
que se acha no meio do sorriso,
de um maneta
que se acha no meio do público,
de uma memória
que se acha no meio do esquecimento,
de uma inocência
que se acha no meio da culpa,
de um esquecido
que se acha no meio da Constituição,
de um faminto
que se acha no meio da riqueza,
de um excluído
que se acha no meio da estatísctica,
de uma paz
que se acha no meio da vingança,
de um preguiçoso
que se acha no meio da revolução,
de um pacífico
que se acha no meio da destruição,
de uma penúria
que se acha no meio da penúria,
de um estranho
que se acha no meio da amizade,
de uma gota de água
que se acha no meio do deserto,
de uma grito
que se acha no meio do silêncio,
de uma realidade
que se acha no meio do impossível,
de um amigo
que se acha no meio da solidão,
de um hipócrita
que se acha no meio da crítica,
de um barco
que se acha no meio do fundo do mar,
de uma revolta
que se acha no meio da opressão,
de um segredo
que se acha no meio da descriminação,
de uma excepção
que se acha no meio do óbvio.

Palavras minhas onde tu és achado,
descrevi a minha vida e a minha pessoa.
Somos mais iguais do que diferentes,
não há tu e eu e outro e aquela, há nós,
por isso ouve com atenção:
quando falo uso a nossa voz.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pena Da Morte

Com as circuntâncias que foram apresentadas, perdoaram a minha cumplicidade de um crime muito antes de ser practicado. A maior confusão é dar resposta à pergunta: "De quem é culpa?". Bem, terei eu de resolver os meus (que não meus são) problemas sobre caminhos do qual nunca pus o pé ou poderia eu desprezar esses que me amam e influenciam vendo-os a cair na desgraça todos os dias (se não fosse eu humano nem pertencesse à Vida) ou os que estão à minha volta e conhecem tais votos pela minha boca não vivendo a história (mas uma história contada nunca é sentida) e darem abraços e dizerem frases que não animam gentes de lágrimas. Não é assim tão matemático, mas certamente há esperança ou alguém teria morrido e, se existe esperança quer dizer que algo ainda pode ser feito. Então, eles, pensando que mais nada poderão fazer têm somente pena. Ter pena é dar uma pistola a uma criança porque ela quer, é dar uma moeda a um mendigo em vez de arranjar-lhe trabalho, são meras atitudes, não actos...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Viver É A Nossa Causa - Revolução Individual

Saio de casa
à descoberta dum novo caminho,
de mala às costas,
vou sozinho,
com uns pares de cadernos e canetas,
não levo a minha pessoa,
memórias ou outras tretas.

Na direcção sem destino,
nesta aventura conquisto
o que não tenho visto,
como quando era pequenino
que não via acima da minha altura,
agora, ver para além do limite,
viajar na vida é a minha cura.

É fazer uma pausa
- viver é a nossa causa -
estar acima do que nos foi incutido
e elevar o que realmente tenho vivido.

Não tenho substantivo,
chama-me o que tu quiseres,
é-me completamente relativo.

Sem minutos, horas ou dias,
gosto muito de estar aqui,
tiremos uma fotografia para ti
que vou pôr-me nas vias
que ainda não vivi.

Em cada cidade ou aldeia,
saio com nova muda de roupa:
entro estranho, saio amigo,
mas sempre de uma nova maneira.

Sem objectivo para o futuro
sem lembrar o passado
mas sempre viver o presente
e assim me vou tornando puro.

Não ando a fugir à tortura
nem ao fisco,
até porque nestes novos tempos
nem sequer me apelam de Francisco.

O planeta roda,
sou uma célula nele perdida por aí
sem saber quantas vezes o planeta rodou
ou o que anda a acontecer e o que já mudou.

Tudo o que sei é de mim,
as pessoas que conheci,
os lugares onde dormi,
menos o tempo que já vivi.

Na minha mente já passou tanto tempo
que tenho de fazer um esforço
para me lembrar de cada momento.

Um dia voltarei ao meu lar,
com um diferente olhar,
mais crescido, mais vivido,
como assim era no início
em que se dizia que viver
era um vício.

Não é remédio, é a cura
para uma vida rotineira,
para quando te sentes uma máquina,
tudo o que fazes é de mente apática
e não aproveitas nada à tua volta
porque andas com a mudança automática.
Tomas logo partidos,
a desconfiança torna-se guarda-costas
contra os desconhecidos
e nem sequer sabes se deles gostas.
Foges do amor com medo da dor
e depois dizes que o mundo é escala de cinzentos
mas nunca tentaste encontrar uma nova cor.
Nem sequer pensaste nisso,
não estás num funeral,
assim sem razão,
manda mas é vir dum riso.
Não é sono, é cansaço.
Não é calma, é cansaço.
Não é por favor, é cansaço.
Não é passividade, é cansaço.
Não é tolerância, é cansaço.
Aproveita agora para dar mais que um passo
porque quando eu estiver mais descansado
vou fazer de mim o teu fardo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cidadãos Queixosos Incompetentes

Não me tratam como ser humano
nem sequer me sinto em Portugal,
um país desenvolvido?
Só se for para os ricos
porque aqui os da penúria
nem sequer têm chance,
se arriscam levam com uma série de bicos.
O problema
é que os que sentem
ficam sentados em vez de se levantarem
e gritarem que não gostam.
Nem sequer há a união,
todos se encostam.
No discurso todos levantam a mão
mas quando saiem vai cada um para seu lado.
Dizem que não percebem de política
mas os seus votos podem ser-me um fardo.
Depois claro se me revolto
dizem que a minha mentalidade está paralítica.
Mas para chegar a esse estado
é porque o corpo é escravizado
e quem é o culpado?
O povo calado.

A Minha Guerra Mundial

Revoltado,
em guerra com o mundo,
nesta minha trincheira
onde não deixo ninguém entrar
pois o inimigo entrou
e tentou me matar.
Estou seriamente armado,
choro por estar tão irritado,
as lágrimas não me deixam ver,
já estou a diparar para todo o lado.
Em guerra com tudo e todos
a vomitar os nervos de nojo
que tenho desta sociedade
por não ver a Humanidade.
Cada tiro é um grito,
louco por cada disparo,
sou um ser humano,
é subvivência, deixa-me frito.
Há quem mostre um branco pano
mas eu não sou de deixar-me ficar,
não vou desistir, com sangue ou suor,
sozinho, vou continuar a disparar.

Descobrimentos: Novos Lugares, Novas Pessoas

Peço licença, menina,
para caminhar consigo
nesta calçada.
Não para estarmos juntos,
só a quero acompanhar
nesta caminhada.
Prometo não a abrandar,
vamos construir uma nova estrada
com o que a menina quiser,
novos horizontes,
novas pessoas,
novos lugares.

Deixe-me fazê-la rir
sabe, olhos diferentes
trazem algo para descobrir.

Peço perdão, minha senhora,
dá-me a sua mão para dançar?
Ria-se comigo na dança da vida
e veja no alto da felicidade,
aprecie no pico desta montanha
o que não viu na cidade
em que a menina anda.

Descubra a harmonia da Natureza,
vamos correr no meio dela,
ver animais, plantas
e tudo o que a torna bela.

Não pergunte quem sou,
faça da minha pessoa
a sua imaginação.

Esqueça as perguntas,
deixe-se levar,
vamos sentir o que é viver,
hoje conquistamos
o céu, a terra e o mar.

Aproveite este sonho
porque quando acordar
vai ver que foi uma ilusão
e que eu não vou voltar.
Estou sem inspiração,
já não sei o que fazer,
leio o que já escrevi
e não me estou a reconhecer.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Lutadores E Soldados: Novos Reforços

Acredita e tornarás possível
mas sê realista no teu sonho para seres credível.
Porque quando ganhas o poder da palavra ninguém te pára,
mesmo que para ti a factura seja muito cara.
Acredita e torna-o real,
porque à tua maneira conseguirás mudar o que sentes que está mal.
Faz-te ouvir, fala com alma de honestidade
e não precisas de morrer como um mártir.
Insiste vezes e vezes sem conta
e não desistas que senão começar foi em vão.
Acredita em ti mesmo e confia-te,
na rua verás como o sol brilha.
Luta para chegar à meta,
eles que digam que é uma ilusão,
mas para ti tem de ser sempre concreta.
Dispara, bate e espeta sem usar nenhuma arma,
luta com todas as forças que, de trunfos, terás o karma.
Não imponhas nenhuma condição à tua vida, ama-a,
leva-a para a cama, deita-te com ela e acorda com ela,
tudo é possível, é a única condição que tem e que a torna bela.
Não jogues com olhos fechados,
se chorares faz de olhos abertos
para que alguém sinta os teus apertos.
Não desistas,
se não tentares mais uma vez não conquistas.
Se te sentires na escuridão,
usa a Natureza à tua mão e ilumina a solidão.
Vê-me, eu, que costumo escrever sobre coisas más,
agora escrevo a dançar e a sentir a música,
com forças de confiança sei que sou capaz.
Sou novo, há muito para descobrir
e por não conhecer as opções todas e ser ignorante
não desisto enquanto não encontrar as curas
de tudo o que me está a ferir.
Parece que faço a revolução toda sozinho mas não,
sei que há muita gente que sente o bater do meu coração,
que nunca leram este poema e dão-me toda a razão.
A toda a malta que se sente numa grande confusão,
um abraço do Francisco Sarmento,
que vos diz que o dia não está cinzento!

Viver Para Morrer - Subviver Sem Viver

Se a vida estiver torta
te garanto que irei pô-la direita
porque acredito que existe sempre a opção de viver.
Isto, em termos de finanças está muito complicado
mas ser escravo do dinheiro, humm....
prefiro morrer a gitar do que sobreviver calado
porque não me vou afundar numa falsa bóia,
vou construir uma caravela e vai-se afundar no ar
para que todos assistam que toda a tolerância
de todos esses egos me lixaram com a sua ganância.

domingo, 1 de maio de 2011

Memórias Dos Velhos Tempos - Outros Tempos

Numa tarde de sol,
junto à janela da sala,
uma cadeira que baloiça
e uma música que embala.
Lendo um livro de 1963,
com os antigos óculos de ler,
sozinho, na minha plena casa.
Era hora de adormecer
para a minha cadela Rifa
que ao meu lado se deitava.
Ela lá durante o sono espirrava,
era do pó no ar da alcatifa.
As paredes da sala de estar
eram armários de prateleiras,
cheias de livros que herdei,
que me faziam viajar.
Bons tempos passei
durante a minha reforma,
anos assim foram
aos quais nunca me fartei.

sábado, 30 de abril de 2011

Aos ignorantes que não querem saber da política, vão à merda.
Aos que votam pelo que tem mais lábia, vão à merda.
Aos que roubam sem necessidade, vão à merda.
Aos que não querem saber da História da nossa Pátria, vão à merda.
Aos que nos chulam, vão à merda.
Aos que nos descriminam, vão à merda.
Aos que nos querem exterminar, vão à merda.
Aos que dizem não ter tempo, vão à merda.
Aos que não arriscam, vão à merda.
Aos categorizados, vão à merda.
Aos da massa, vão à merda.
Aos que não descrevi aqui, vão à merda.
Vão todos à merda
e depois de estarem todos na merda
digam-me se não se preocupam por quem nos anda a escrever os nossos destinos.

P.S.: Àqueles que continuarem desinteressados façam um favor à nossa História: suicidem-se. Agradecemos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Os Verdadeiros Artistas

São insatisfeitos e felizes,
sonhadores feitos de conquistas
entregam-se à luta árdua
e nunca se deixam incapazes.
Eles são obras da Natureza,
dispertam a luz das mais cegas vistas
pois artistas brilham quando fazem arte,
santos superiores e inconsientes da sua beleza
e pela arte que amam,
quando não florescem
sentem dores de cabeça,
frustração pela mente presa
mas não desistem,
esses artistas que fazem do que são,
almas humanizadas, concerteza...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Virgem Da Morte

Não tinha percepção da vida
e para me tornarem homem deixaram-me numa situação fodida.

De ti só me vou lembrar da tua pessoa
e da tua morte que me deixou à toa
porque ontem estavas de boa saúde
e hoje deixaste-me a gritar por alguém que me acude.
É chocante quando vemos alguém partir de repente,
estar à frente daquele corpo que abraçava,
antes, dizia presente, agora... amava,
vejo rastos da sua alma na sua cara sorridente,
um aperto tão grande por me sentir imputente.

Raiva e ódio dessa morte egoísta,
que não nos deixa despedir,
que leva as almas sem nos avisar,
que assim do nada risca o nosso nome da lista.
Nada mais posso fazer por ti a não ser chorar,
continuar em frente e um dia, talvez, vá ter contigo.
Não consigo dizer que estás a olhar por mim,
não quero a tua morte no meu umbigo.

Se me estiveres a ouvir,
só te quero desejar uma boa morte,
como tua tão boa alma não há-de mais vir,
espero ter eu a mesma sorte.

Os Nosso Vizinhos, As Nossas Guerras Frias

Entro no autocarro, pessoas sérias,
parecendo estarem descontentes
parecendo estarem cansadas,
fingindo serem indiferentes
como se não passasse nada.

A menina sentada sorri para o telemóvel,
querendo fugir ao tempo real:
um autocarro do funeral.

O homem da gravata está direito,
até demasiado, cara de homem,
rapazito é com medo de ser tocado.

O silêncio é de morte,
pessoas olham pela janela fora,
à espera de ir embora.

O autocarro leva todos os dias
as mesmas pessoas e pelas mesmas vias,
eles partilham tempo e espaço
e não se conhecem,
vêm e fingem que se esquecem
dos seus vizinhos...

Ó grande guerra fria,
são estes meus vizinhos estéris?
Porque se perdeu ao que fora um dia
e que agora morreu?
Onde estão as cores
que fazem renascer as nossas flores?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Apetece-me escrever, não sei o que escrever mas como estou com vontade de o fazer vou simplesmente escrever.
Não tenho tema.
Já tenho tema, o meu tema agora é não ter tema. O facto de não ter é que provavelmente este texto não vai ter um grande sentido se não satisfazer o meu desejo de escrever.
Estava a contar quantas vezes já escrevi a palavra "escrever" e com esta vou em sete. Normalmente costumam dizer para não repetirmos a mesma palavra desta maneira mas o facto é que estou a escrever para satisfazer este desejo louco ou maluco ou até mesmo esquizofrénico. Esquizofrénico sim, porque me faz lembrar a palavra "frenético", o que vem mesmo a condizer com este texto em que escrevo freneticamente a palavra "escrever", é claro que não estou a fazer nenhuma obra. Na verdade estou a sentir que este texto está muito simples e algo parecido com vazio mas não estou minimamente preocupado, se for preciso ponho umas florezinhas e pinto o texto só para parecer "cool" ou "fixe" ou outra palavra estrageirista com um significado parecido com um tacho a cheirar a comida mas está vazio.
Sempre que ponho um ponto final e um parágrafo quer dizer que acabei um pensamento e fico à espera do próximo, sem pressas.
Neste momento estou à espera de um outro pensamento, enquanto não surge vou escrevendo esta ideia, às vezes escrever coisas sem sentido originam algo, como não está a acontecer agora.
Bem, já estou satisfeito, só escrevi estupidez.
Um abraço e até à próxima.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Simplesmente Nada

Adeus,
não moro na Amadora,
não fumo,
não tenho 17 anos,
não sou pobre,
tenho água,
tenho eletricidade,
vou onde quero,
faço o quero,
visto o que quero,
não dou valor à amizade,
a minha família não tem problemas,
não tenho esperança,
sou fútil,
sou um inútil,
sou insensível,
tenho um emprego bem seguro e bem pago,
não tenho sonhos porque já os concretizei,
não tenho sequer um problema na vida,
não sou poeta,
enfim,
não me chamo Francisco
e não me orgulho disto
nem luto para melhor.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Sonhadores No Meio Da Guerra

O livro que tenho escrito,
nasceu de um líder de uma ditadura,
nasceu de uma escrava sonhadora,
nasceu, e já havia na terra o orgulho másculo,
nasceu, e já havia na terra o ódio feminino,
nasceu no meio da guerra cujo o sangue foi oprimido.
Criado pela violência física do homem,
criado pela violência psicológica da mulher,
criado pelas festinhas da inveja e do ciúme,
criado pelas falsas bocas,
no entanto, foi criado sozinho,
escravo do sonho e da ilusão,
pois uma criança que não pode crer no real,
vira as costas e cai na desilusão,
porque concerteza lhe faz menos mal.

Fazendo Viver

O próprio pessimismo,
quando abraçado pelo amor,
brilham os seus olhos de lembrança
da felicidade que vive e viveu desde criança.

Momentos esses que não têm tempo,
pois tempos ninguém se lembra,
por ser profundo o momento
mais no coração do que na memória.

História essa não é escrita,
mas dita por uma boca convicta,
pois certeza tenho que a vivi
ou me não chamaria vida.

É certo sim,
pois dizem ter certeza da morte,
e o que é a morte sem a vida?
Então vivo, é certo,
como humano que sou,
como tudo o que vivi passou,
como sinto o que quero
e só por isso,
dou vida e realismo a tudo o que venero.

Sou feito dessas crenças
pois nelas me fio ao tomar opções,
desde que acredite e saiba responder
quando trazem dúvidas e questões.

Esta minha juventude de descobertas
as perguntas são demais
e as respostas não são certas.

Todas as minhas certezas
foram por mim achadas
e as certezas dos outros
somente me são relacionadas.

Só serei adulto
quando estiver construído o meu culto,
e por não o ser,
vou pensando a experimentar
para o meu ser eu achar.

No entanto,
quando tiver filhos e mulher,
juventude, parte do meu ser,
em mim vai continuar,
pois pelo significado que lhe dei,
jamais a deixarei de amar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ignorantes Tolerantes

Ver alguém a chorar e dizer que há alguém bem pior,
que não vale a pena chorar ou sofrer,
para se conformar com o que pode estar melhor,
olhem só a Cinderela, a madrasta dela também dizia o mesmo,
até que apareceu uma fada mostrando que essa frase era nada,
que piada, as crianças que a viram, agora adultas/máquinas levam esta chapada,
por deixarem de lutar porque nunca se puseram a pensar
sobre o que está mau e pode-se melhorar,
pois só a morte não se pode mudar,
eu até duvido que não dê,
não há conhecimento que diga ser impossível,
no máximo dos máximos pode-se dizer que é plausível
e eu não aplaudo à tolerância ignorante,
porque teorias dessas não fazem a prática,
muito antes pelo contrário,
números são da matemática
mas foram vidas humanas que os escreveram.
E de estatística não nos puseram a todos,
ou era duvidosa ou se esqueceram.
E os fatos que se fazem da nossa voz
não nos entendem porque nunca viveram a vida de todos nós
mas no entanto escrevem a nossa Constituição
e acabamos por ficar para último,
sendo nós a solução remediada,
injustiça, silêncio e escravidão.
Maior parte dos povos que lessem este poema
diriam que eu acertei na descrição deste tema,
mas o facto é que não fazem a revira-volta,
é esta a hipocrisia que me revolta,
estão sempre à volta na mesma rotunda,
dizem que é por medo
mas eu prefiro erguer a minha razão
do que estar sempre a olhar para o chão e ser corcunda.

Anedota Incompreensível

Tenho andado a nadar em sonhos e ilusões,
afogado por pedras agarradas às desilusões
que me afundam para debaixo de água,
onde o silêncio das memórias à nossa volta
como quem se aproxima da morte
cujos os pulmões asfixiam cheios de mágoa,
num mundo completamente aparte, submerso,
onde são poucos os que saem dispersos,
vivos como eu para escreverem novos versos,
versos ou uma cana de ar, como lhe quiserem chamar,
sei que dos poucos que chegaram à superfície
muito poucos não se atiraram do precipício
e desses poucos só um é que compreende o que estou a dizer,
sou eu, é tão insano e macabro que até parece fictício.
Pois então, há que se entreter no meio da solidão,
e eu e a minha consciência sentamo-nos e começamos a conversar
para tentar arranjar uma solução
mas não passa de um desvio da escuridão
visto que chegámos a nenhuma conclusão.
Ando tão perdido que descrevi o que não era o meu objectivo,
estou baralhado, penso demasiado mas é só metade do que sinto,
o que é que eu posso dizer?
Sentir é viver.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Para Ti, Minha Mãe

Eu acredito, por acreditar escrevo
e tenho esperança que alguém pegue no meu papel da mesma maneira que o peguei: com alma.

Deixa-me acreditar, pois certezas não as consigo sustentar,
deixa-me sonhar para fugir às realidades de luzes fundidas,
deixa-me parar, não quero me desorientar,
abre uma porta e mostra-me o que está do outro lado dela,
necessito de algo novo, algo que eu possa estranhar e descobrir,
não me deixes desistir, se eu chorar dá-me uma paisagem para sorrir,
não me proíbas nem obrigues, deixa-me aprender a andar,
cair faz parte da aprendizagem, não quero passar a vida a gatinhar.
Deixa-me cair na solidão para me lembrar que tenho amigos,
dá-me uma oportunidade, se eu falhar, dá-me mais chaves,
porque se calhar esta chave não pertence nesta fechadura.
Dá-me esperança, sem ela não posso lutar.
Dá-me zanga, para me lembrar que há alguém que continuo a amar.
Se eu morrer, não deixes a minha alma sofrer,
que morra somente o meu corpo, se me vires morto com um sorriso
é porque a minha vida foi um álbum de fotos que quando eu abria sorria.
No final saberei que o que tu me deste foi quase nada,
que toda a minha vida, minhas conquistas e meus falhanços,
foram pedras que eu próprio pus na minha caminhada.

sábado, 9 de abril de 2011

Dedicação Ao Meu Irmão João

Este é o João,
o lutador que faz de mim um guerreiro,
a pessoa que sempre me alegra ver,
o sonhador que me faz brindar a vida,
o estilo que me faz sentir foleiro,
a vida que estou sempre a aprender,
a luz que me deixa com os olhos a brilhar,
as lágrimas que me dão revolta,
o sorriso que me faz atrofiar.

O meu irmão é-me divino,
consegue transformar-me em assassino
que faz fugir qualquer cretino só com o olhar.
Se os políticos estiverem contra o meu irmão
eu queimarei a Constituição,
e vocês dar-me-ão razão
pois eles estarão contra os bons da população.
Aqui fica o aviso a quem lhe tocar,
não se metam com ele,
é que a seguir venho eu
para fazer perguntar quem é que morreu.
Ele é tecido do meu coração,
se me o tiram transformo-me em morto-vivo,
tornar-me-ei vingativo e provocarei a destruição
que os exércitos nunca conseguirão.
Vocês sabem como é o manbo,
atrás de uma grande pessoa
está sempre um grande invejoso,
atrás do meu irmão estão cem,
dele sinto-me orgulhoso!

->[Estas palavras não são só minhas,
são de todos os irmãos,
porque quando vemos o sofrimento do irmão,
tentamos satisfazer a revolta com o fechar da mão.]<-

Quem ele é? É mais que alguém.
Alguém que me dá ar para gritar
o nome de quem precisa e não tem.
Ele é o Pypoka,
aquele que dá-me uma lição de vida
tão grande que até fico com uma ganda moca.
Ele é adrenalina que escorre nas minhas veias
que entra na minha pulsação
quando as coisas estão muito feias.
Ele é músculo das minhas pernas
que me faz andar com segurança.
Ele é a esperança e a luta
que me faz cuspir a fruta
quando tenho o direito a ter melhor.
Faço continência a tamanha experiência e inteligência,
este é o meu hino do meu homem-mor.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Gritos Loucos - Desabafo

Estou farto de não ser uma pessoa, mas uma consequência, estou farto de ser um número, um caso e não uma vida, estou farto de gritar e a minha voz ser abafada. Estou farto de dizerem que acham bonito o que digo e escrevo mas não lutam. Estou farto da miséria que as leis me entregaram, estou farto desses tribunais sem justiça, estou farto da amizade inimiga, estou farto da incompetência dos humanos e da sua democracia falsificada, estou farto dos que se queixam e têm mais do que eu, estou farto de ver pessoas que conseguem comer enquanto vêem na televisão outros a morrerem, estou farto do dinheiro que só traz problemas, estou farto do meu vizinho que me rouba, estou farto das pessoas que não valem a ponta de um corno. Estou revoltado com esta merda toda que só me lixa a cada dia que passa. Não há Humanidade, não há amor, não há compaixão, não há alma, não há fé, não há luta, não há confiança, não há inteligência, não há consciência, não há nada que eu me possa orgulhar de ser um ser humano, pois são estas as merdas que escrevo nos meus poemas, que tento que as pessoas me leiam uma vez que não me ouvem, mas dizem que gostam e eu não vejo nada a mudar. Estou farto de não ser levado a sério. Estou farto de estar farto e a partir de hoje, eu não irei desculpar, não irei tolerar, não vou morrer nem criar uma bomba, para que me ouçam, para que mudem. Se eu não conseguir, o próprio tempo vos dará prazo. Eu sou vítima, e quem é o culpado? Eu próprio por não mudar um planeta que já gira sem sentido? Aqueles que sem se aperceberem, ao escreverem as leis escrevem o meu destino? As amizades falsas? A família na lama? As lágrimas que não passam disso? MAS QUE PORRA DE BURACO É ESTE QUE VEJO NO CHÃO ONDE DURMO?? Que portas fechadas são estas que não me deixam escolher?? Que vida é esta sem água?? Que apatia é esta que me rodeia?? Que egoísmo é este?? Que gentes são estas que não têm personalidade?? Que humanos são estas que não têm consciência que nos matam?? Que desumanos nos transformaram iguais a eles?? Quem me roubou a vida antes de nascer?? Que sociedade é esta de egos e umbigos?? Que dinheiro é este que afasta as estrelas?? Onde estou? Não entendo...
Será que sou único que sente esta merda? Sou o único que está mal na vida? Sou o único que nasceu para morrer sem viver? Sou o único que está farto? Sou o único que já nem quer ver notícias? Sou o único que nada contra a corrente? Sou o único que sempre que abre os olhos chora? Sou o único que sonha desilusões? Foda-se!!! Estamos todos na merda e ninguém luta?? Mas para que é que o planeta gira se não existimos?? Qual é a importância de querermos ser se não podemos?? Para que raio escrevo?? Porque não nos matamos todos?? Já nem sequer existe alma!!! Quem nos roubou a alma?? É essa a pergunta... Quem nos robou a alma...

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Santinho

Dia santo, santinho dia
que eu acordei e não adivinhei o que viria,
qual o tempo que estaria em cima de mim.
Seria sol ou inverno?
Chuva não foi, a música não pingava,
apesar disso havia sempre aquela nuvem que ameaçava
mas a luz do sol não deixou,
inteligente foi pois não bazou.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Manifestações

Venho, venho à rua porque já estou farto,
farto de trabalhar demais e o dinheiro não chega ao final do mês,
farto de ver o outro bem na vida e eu não encontrar comida para os meus porquês.
Ergo, ergo a minha voz bem alto nas manifestações,
não os conheço de lado nenhum mas estamos unidos pelas mesmas razões:
obrigar os culpados e criadores destes problemas a encontrar soluções.

Vejam, vejam a união do povo a acontecer,
os soldados da vida que querem viver,
soldados da vida que não querem sobreviver,
isto é a democracia a acontecer.

Venho por este meio informar que o povo vai se manifestar,
na Avenida da Liberdade vai marchar,
e vocês, senhores, não têm alternativa
porque não há Pátria sem povo
por isso é bom que agente viva.

Manifestação, na Pátria bombeia o seu coração.
Manifestação, o povo e a sua união.
Manifestação, o voto da razão.
Manifestação, o silêncio está fora de questão.
Manifestação da voz do desempregado que não consegue emprego,
da voz do que trabalha demais e recebe pouco,
da voz do que não tem dinheiro na mão,
da voz do que estuda por um sonho que se torna desilusão,
da voz do que encalhou só lhe resta ficar louco,
da voz do que nem sequer tem água,
da voz do que não tem voz...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Fui acusado de viver para os meus poemas,
fui acusado de viver sempre dos mesmos temas,
mas essa gente que me acusa nunca foi poeta,
porque enquanto a comida dá vida ao corpo
a tinta e o papel dão luz e vida à minha alma,
não sabe que cada poema que escrevo me completa.
Escrevo com toda a minha solidão,
é uma conversa que tenho comigo.
O meu sentimento é de ante-mão,
por isso escrevo o que sinto,
e com o desenvolvimento da reflexão
sentir torna-se mais profundo,
por isso sinto o que escrevo.

domingo, 20 de março de 2011

Ao fundo do túnel há uma luz, é a lua, caminho em sua direcção para mergulhar nas estrelas, sonhos que durante a noite fazem acordar-me e perguntar-me porque é que ainda não adormeci, serão a inconsciência conscienlizada interligada à realidade que não percebo o seu significado e digo que é a vida? Serão recordações que não quis deixar colado no álbum e agora são fantasmas pálidos, iluminados pelo sol da noite? Será o stress que me ataca as veias do nervosismo? Serão falhas do meu cérebro que não quer descansar? Ou não será e eu tenho sono mas não quero dormir? Será que estava a organizar a minha cabeça e fui acordado? Será que foi a luz artificial que entra na minha janela? Será que é a minha cama que está sozinha? Será que fugi à minha rotina nocturna e nem me apercebi? Será que dormir tornou-se um tédio? Será porque eu estou ébrio? Será que não será mas foi? Então o que foi? Foi porque perdi um milésimo das vinte e quatro horas que tinha por dia? Foi porque não escrevi? Foi o que não fiz e devia ter feito? Não fiz a minha cama? Não fiz o jantar que queria? Não fiz a viagem que queria? Não falei com quem queria? Não fiz o queria? E o que é que eu queria? Queria o que não tenho? Queria o que tenho mas mais? Queria o que o outro tem e deixa-me a roer as unhas? Queria para quê? Para ter? Para não dar valor? Para dizer que tenho? Para perder-me em moedas falsas e egoístas? Para ter um carrão sem saber conduzir? Para ter um casarão e viver sozinho? Para ir para o céu e mergulhar nas estrelas? Mas que dinheiro compra as estrelas do céu? O dinheiro da minha espectacular mente que me leva à lua não precisa de moedas e todas essas merdas! Um pequeno momento, um grande sentimento, ilusão...

sábado, 19 de março de 2011

Obrigado E Até Daqui A Nada

Obrigado por marcares a diferença
defendendo a tua luz natural
pois nesta sociedade de luzes artificiais
tu elevas alto a tua presença
lutando pela tua moral.
Obrigado por não seres mais um
daqueles que diz que vai fazer
e fez tanto o quanto fez depois de morrer.
Obrigado por ergueres a tua voz,
votares na tua pessoa
e estares um passo à frente,
com a maioria da mesma cor mas tu és diferente.
Obrigado por escreveres o que sinto e senti,
identifico-me tanto nos teus escritos
que parece-me ter sido eu que escrevi.
Agradeço-te,
estou farto dessas gentes que querem ser protagonistas,
tão homogéneos, tão estereotipados, grandes pseudo-génios,
não passam de marionetas desinteressantes e sem graça,
por ironia, são personagens-tipo de uma farsa.
A ti, que desenhas a tua pessoa nas tuas palavras,
que és diferente dos restos,
parecido com os diferentes
e igual a ti próprio,
um enorme obrigado!
Agora vamos escrever...

terça-feira, 15 de março de 2011

Vou fazer uma pausa,
o que era ar que enchia o peito, agora não passa de comida sem sabor feita para ser mastigada. Por enquanto vou deixar de escrever poemas, os meus perderam o perfume que formava sentimentos no meu peito... agora passei a escrever matérias, objectos, coisas somente físicas. Fartei-me desse poeta apático que detesto, sempre disse que não consigo viver sem escrever mas prefiro ser assassino do meu poeta do que ver um poeta nojento.
Até logo.

Francisco Sarmento.