São fantasmas as palavras
que um dia nos vieram prometer,
acções reinantes e subjugações
sem nunca se entreter
e trabalhar com boas intenções.
São calúnias as que se ergam
mártires de ninguém,
abafados pela sombra
calados pela opressão,
criminosos sem crime
se a nós houver coração,
se a nós existir Humanidade,
se a nós o brilho vier de dentro,
se a nós não nos abalar o medo,
se a nós não nos couber o martírio,
nós, que alguém somos,
haveremos de ser ninguém
porque não há acções,
a indiferença provoca infertilidades
sobre o que é ou poderá ser
e uma são todas as verdades
fracas, abaláveis, falíveis
onde há almofadas para adormecer
impalpáveis, irrealizáveis
que a inteligência há-de sempre prever
inconcebíveis, instáveis e substituíveis, renováveis
e servidoras de uma só nação
de um qualquer que se mete na frente
sem saber existir no planeta,
na História, não nasceu deus
mas deus se quer fazer
sem nunca estar contente
vai concebendo o nosso mundo
a seu belo prazer...
A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.
A minha inocência foi esta:
Francisco Sarmento
Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/
segunda-feira, 9 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
Entre Beijos - Embriaguez Fundamentalista
Olá menina,
eu
sou o senhor doutor
de sonhos,
eu
sopro
e faço vento,
eu
sou razão sentimental
eu
amo
eu
afecto
o céu
com
a
minha
alegria,
eu
sou
fantasma
da
felicidade,
eu
tenho
colheres
e
como
todos
os
dias
pão,
eu
conto
sem
mão
e
hoje
não
preciso
de
ninguém
só
a ti
exactamente
aqui
e
aqui
e
aqui
eu
sou
o avacalho
de
nuvens
no
céu
no
mar
e
na
terra
eu
sou
o
nevoeiro
de
árvores
e
tenho
mil
e
uma
partículas
desordenadas
a
culpa
é
tua
e
do
meu
pé
que
treme
e teme
o chão
que
tu
pisas
eu
descomprimo
o
sentimento
e
também
sou
água
do
fogo
que
desvanece
na
noite
de
lua
cheia,
eu
sou
corpo
pra
preencher
toda
a
tua
poesia,
eu
sou
o
poeta
que
te
escreve
na tua pele
na
nossa
aglomeração
sem
saber
já
estou
a
escrever
na minha pele,
porque
tu
e
eu
somos
um só coração
e
todas
essas merdices clichés
não
tenho
palavras
prefiro
te
beijar
para
ver
se
é
real
ainda
hoje
acordei
e
pensei
qual
de
nós
é
meu,
porque
já
me
confundo
com
tudo
é
amor
é
qualquer
coisa
inexplicável
sobre
o
vapor
do
bafo
da
tua
boca
que
é
horrivelmente
belo,
cheira
muito
mal
mas
eu
gosto
só
porque
é
teu.
Topas?
Eu
sou
a
frenética
poética
da
paixão
quando
te
toco
só
existe
uma
razão
no
mundo
que
o
torna
humano,
tu
e
eu,
nós.
Estou
com
calor,
acho
que
beijei
o
sol
é
que
fiquei
cego.
Pedaços de Fotografias Rasgadas
Sabes,
eu não jogo bem da cabeça,
sou completamente insano,
porque o planeta gira
num teatro absurdamente desumano.
Milhões de pessoas a morrer à fome
e eu não sei se me apetece comprar
bolachas de chocolate ou baunilha,
mas enfim, vou beber um café,
o que se faz no Parlamento
faço eu na esplanada
para queimar o tempo
já que não se faz nada.
Sou louco
mas é por conviver com loucuras,
porque há guerra em nome da paz.
Eu até me queixava mas não tenho tempo
a escravização existe desde o momento
em que o despertador toca,
quem precisa de fumá-las
se a fome nos dá a Nossa Senhora da Moca?
Eu sou defensor da democracia
e da liberdade de expressão
desde que tenham a minha opinião.
Quem contradia
com um pedaço de pão na mão
depois de tantos dias a passar fome?
É a Nossa Senhora da Caridade
da Nossa Senhora da Igreja Covarde
servidora de Deus Nosso Senhor e Nosso Dinheiro.
Nós matamos e crucificamos
e no meio de tudo isto,
há o álcool e o sexo
onde sempre vamos
esquecer os actos mundanos.
É claro que sou louco,
porque tudo o que está mal
está a ser considerado normal
pouco a pouco.
Meus senhores eu apresento-vos a evolução,
o poder dos homens existe
mas o dinheiro é que está na nossa mão,
há quem goste de xadrez, quem goste de jogos virtuais,
nós não, nós gostamos de brincar com vidas reais,
hoje iremos ali à Somália explorar um bocadinho mais.
Sois tão obcecados com contas bancárias
que confundes pessoas com algarismos,
não tendes mentalidades primárias
mas tendes na vossa visão estigmatismos.
Sem ofensa, mas não passais de um mortal,
e a um imortal lhe interessa a morte,
porque não sedes racional
e deixais a vossa corte?
Vós iluminais o mundo de escuridão,
sendo vós a luz mas esqueceis
que nós estamos no escuro
e conseguimos ter melhor visão
(réis, sempre à procura
de metade de seis).
Agora falemos de mim,
o que interessa dizer?
Não tenho importante importância
para exportar poder.
Lá se vai uma chaminé,
um fumo, uma coisa ali ao pé
da fábrica desintoxicadora
dos ares e ambientes amadora.
Ainda bem que sou um cérebro pensante,
desmovimentado ainda assim andante,
escrevo escrevo escrevo escrevo
muita coisa irritante
que não me sai da veia mas sim do nervo.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Tangas E Mangas
Há aquelas mulheres que merecem o respeito do coração
e há aquelas que são cadelas
que se acham belas donzelas
mas são desprezadas abaixo da escravização.
Nós, os homens, somos todos iguais
só porque há burras que escolhem os gajos que estão a mais!?
Nepia, não fales à toa,
limpa mas é esse esperma no cantinho da tua boca,
tu é que tens tanta fama de perna como de puta louca.
Sê bem-vinda à realidade, isto não é um conto de fadas,
tu é que decoras um gajo com músculo
que só serve para te dar chapadas.
Tu é que vais atrás do coro manhoso
de um príncipe encantado
mas depois chama-lo merdoso
por te ter desprezado
quando viu uma gaja boa e olhou para o outro lado.
Mulheres como tu não são consideradas gentes,
são prémios dos homens,
objectos irreverentes de usar e deitar fora
quando começam a criar desordens.
Por isso decora:
se quiseres continuar como essas espécies de mulheres
faz a posição que o teu homem adora,
não é por causa disso que andas sozinha agora?
E depois dizes que ele não te merece,
mas então qual é que é a tua prece?
Ah! Já sei!
Andas aí a rodar à GT
à procura de quem mereça as tuas mamas?
Não sei para quê, toda a gente as vê.
Diz-me lá, procuraste o principezinho em quantas camas?
Não o achaste em nenhuma parte
porque só andaste com gajos que fazem do sexo uma arte.
E depois admiras-te por te acharem um mero anexo para o abate.
E, cá para mim, a coisa funciona assim:
ele tá-se a cagar para ti
porque há mais vacas como tu
que viram sempre o cu,
és namorada de um namorado
que fode numa outra morada
e tu nem sequer dás conta de nada.
Podes vir com insultos
e tumultos, tu nem sequer
sabes o quão sujos
são os nomes nas tuas costas.
Tu és um jogo de apostas
onde basta um par de notas
que tu te encostas e roças,
tu até já o fazes inconscientemente
que a coisa acontece assim muito rapidamente.
Tu não és uma mulher, és uma dama,
uma peça de xadrez,
o amor do teu gajo é só da cama,
tu é que não o vês.
Estás sempre a ser encornada
porque nessa relação
és a única pessoa apaixonada
mas isso não é traição.
Pois então,
cadela que é cadela
anda só atrás de cão?
Ah já entendi!
É aquela história macabra
em que tu és a cabra
há espera do príncipe real
para te transformar em princesa
mas enquanto não encontras o tal
vais deixando mais uma pila tesa.
humm... agora vejo...
tu no sonho e eles no desejo...
bué-da fixe...
tu na fantasia e eles no fetiche...
o único espaço que ele quer conquistar é na tua vagina
não no teu coração,
a ironia é que vens falar com mania
mas a tua personalidade está no teu rabão.
A tua lista já é um rolo,
ainda por cima
só consegues foder no patamar do bartolo.
Da vida é só isso que te vale
que a verdade não se cale
sobre quem não tem miolo
como esse teu cérebro feito de bostas
de tal maneira que já se considera um dom.
terça-feira, 26 de junho de 2012
A Minha Casa
O que esconde um sorriso?
Será que é verdadeiro
numa criança cuja a existência
é a de um objecto
para espancamento
dentro de uma casa em decandência,
quero dizer,
para onde vão as lágrimas
se os esgotos estão entupidos?
E ainda não entendi se há tecto
ou se o sol não quer entrar
porque está escuro,
já nem olho por cima de mim
porque nesse universo há um furo,
uma escapatória, uma ilusão
que ilude a ilusão que se tornou a realidade
de uma solidão que não encontra o sentido
neste labirinto que se tornou a verdade,
estou completamente perdido,
não sei o que é verdadeiro,
desconfio,
já desconfio da minha desconfiança
porque as minha janelas são espelhadas por dentro
e não inspiram confiança,
sempre que me olhava por elas
rachavam pelo meu centro,
estilhaçavam por todo o meu corpo
e dissolviam-se nos meus músculos
consumindo cada oportunidade
de um sorriso na realidade.
Que casa é esta?
Onde a sociedade se torna desonesta
porque armários não são para guardar,
são para esconder,
corredores infinitos
cheios de vazio onde o oco
de uma voz tão feroz
em suores hirtos
que inundam pouco a pouco.
E se eu for infeliz?
Foda-se,
esta casa nem fui eu que a construí
mas no entanto pertenço tanto aqui
como estas paredes húmidas,
de pele a cair tão devagar...
já não reconheço...
será maldição?
Eu sou a contradição
enquanto estiver vivo...
Será que é verdadeiro
numa criança cuja a existência
é a de um objecto
para espancamento
dentro de uma casa em decandência,
quero dizer,
para onde vão as lágrimas
se os esgotos estão entupidos?
E ainda não entendi se há tecto
ou se o sol não quer entrar
porque está escuro,
já nem olho por cima de mim
porque nesse universo há um furo,
uma escapatória, uma ilusão
que ilude a ilusão que se tornou a realidade
de uma solidão que não encontra o sentido
neste labirinto que se tornou a verdade,
estou completamente perdido,
não sei o que é verdadeiro,
desconfio,
já desconfio da minha desconfiança
porque as minha janelas são espelhadas por dentro
e não inspiram confiança,
sempre que me olhava por elas
rachavam pelo meu centro,
estilhaçavam por todo o meu corpo
e dissolviam-se nos meus músculos
consumindo cada oportunidade
de um sorriso na realidade.
Que casa é esta?
Onde a sociedade se torna desonesta
porque armários não são para guardar,
são para esconder,
corredores infinitos
cheios de vazio onde o oco
de uma voz tão feroz
em suores hirtos
que inundam pouco a pouco.
E se eu for infeliz?
Foda-se,
esta casa nem fui eu que a construí
mas no entanto pertenço tanto aqui
como estas paredes húmidas,
de pele a cair tão devagar...
já não reconheço...
será maldição?
Eu sou a contradição
enquanto estiver vivo...
sábado, 23 de junho de 2012
A Crónica Do Poder Crónico
Meus Senhores,
mandei organizar esta conferência de empresa para vos informar da lista de mortos. Antes de mais, devo acrescentar os meus pêsames a todos os que estão para morrer em breve na lista e os que já morreram. Agora o mais importante, a resposta à pergunta que todos têm feito nestes últimos dias: quem vai ser o último a morrer? Pois bem, cidadãos, serei eu. Visto que não podemos pôr nenhum ser humano fora da lista, devo ser eu o último a morrer. Em primeiro lugar, porque fui eu que fiz a lista das sentenças. Em segundo lugar, porque sou eu que mando matar e, como vocês devem imaginar, não é nada fácil mandar matar, às vezes é preciso sermos nós a ter de disparar o gatilho porque há coisas que me ultrapassam (felizmente é só isto) como a cambada de incompetentes sem profissionalismo nenhum que nem a burocracia sabem fazer e, como devem calcular, eu - que preciso de dormir as minhas dez horas por dia - tenho de me levantar mais cedo, tenho de me vestir logo de manhã, tenho de sair à rua logo de manhã, tenho de entrar num carro logo de manhã, ir até ao Terreiro do Paço logo de manhã, que são exactamente quinze minutos e fuzilar eu próprio as pessoas da lista, ainda tenho de as ouvir berrar histericamente, o que, como já devem ter percebido, não é nada saudável para a minha cabeça. E para concluir, a minha função é mandar matar, e só posso morrer quando não houver mais nenhum ser humano para mandar matar. Na verdade, serei a penúltima pessoa a morrer, porque tenho de mandar alguém matar-me, como devem imaginar não posso mandar matar-me a mim mesmo, tem de ser alguém com patente mais baixa, inferior. Mas esse, também já o escolhi: nada mais, nada menos, que o meu filho. O que me levou a tal conclusão foi que não há ninguém mais melhor que eu e sinto que são nos meus órgãos genitais que está a esperança e salvação da Humanidade. E quem será a mulher que terá a honra de partilhar os genes para a continuação da nossa espécie, perguntam vocês, e eu respondo, que será um óvulo modificado geneticamente para que o meu futuro filho possa, como um das funções principais, ser fisicamente igualzinho a mim e assim possa criar uma estátua minha. Eu que estão a questionar-se como é que o meu futuro descendente vai aprender a construir uma estátua. Pois bem, também pensei nisso, será, neste caso, um livro. Agora vocês perguntam-se como é que o meu futuro filho aprenderá a ler, também já tinha pensado nisso, será, sem tirar nem pôr, eu. Agora os senhores estarão a pensar como poderei ser eu se consto na lista para morrer e eu respondo assim: ressuscitar. Criámos, meus senhores, um aparelho totalmente eficaz que ressuscita depois de três segundos morto. e portanto, voltarei à terra para continuar matar. E agora, meus senhores, devo anunciar-vos que todos terão este aparelho convosco, para eu poder continuar a mandar matar como exige a minha profissão, mas não se preocupem, vocês ressuscitarão para eu voltar a mandar matar-vos e depois de mortos, ressuscitarão para eu poder voltar a mandar matar-vos e assim sucessivamente.
Obrigado e até à próxima.
Preto e Branco?
Estou sentado no sofá
a ver o mundo a acontecer pela tv,
estou do lado de cá
aconchegado,
sem questionar o porquê,
só vejo factos e acontecimentos
preocupações banais,
erros considerados normais,
mas não vejo momentos
a não ser este prato de todos os dias,
vejo guerras como se fosse cinema
às vezes mudo o canal
porque o coração torna-se um problema
questionando irracionalidade animal
mais sangrenta a humana
que não se contenta em matar
não é amor, é vício o poder de poder torturar
que por amor à paz deve castigar,
quanto mais sei mais questiono:
se este mundo tem dono,
condenou-nos ao abandono?
Mas à parte disso,
vejo a fé num sorriso,
numa risada,
numa conquista,
num grito de liberdade,
numa ajuda,
vejo actos tão simples não divulgados,
são os pregos para buracos
onde escapa o vazio
nesta máquina do mundo poluída,
condicionados por esta vida
que pode ser tudo
se por todos lutares,
pode ser uma vida cheia
se houver lugares
preenchidos por amor
que de sempre em sempre semeia
porque o amor cresce naturalmente...
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Colagens
Não uso o baralho todo
nem bato bem da cabeça,
dou-te toda a razão
e ainda sou eu a acabar a tua frase,
porque o que dizes
já estou farto de ouvir,
na verdade não me fartei
usei apenas um expressão
porque eu já sei
a que horas contas
as mesmas palavras
e demonstras
um sabedoria previsível
onde estamos todos incluídos,
não é totalmente plausível
mas tu fazes a tradução
da minha dicção
que só a ti é perceptível.
Mas como és tu incrível,
quem te inventou?
Precisamos de mais vindos
de onde te fizeram,
não sei se erraram
ou se quiseram,
mas se foi erro
então eu também quero errar
mas não vergo linhas
para continuar
porque não sei contar
quantos contos hei-de contar,
vem mais um pedaço
para eu despejar,
como admiro
estas asas de aço
que visto, firo
e resisto
com mais sorrisos sinceros
que iluminam
olhos escuros
porque eu sou feito de furos
que não me dominam.
nem bato bem da cabeça,
dou-te toda a razão
e ainda sou eu a acabar a tua frase,
porque o que dizes
já estou farto de ouvir,
na verdade não me fartei
usei apenas um expressão
porque eu já sei
a que horas contas
as mesmas palavras
e demonstras
um sabedoria previsível
onde estamos todos incluídos,
não é totalmente plausível
mas tu fazes a tradução
da minha dicção
que só a ti é perceptível.
Mas como és tu incrível,
quem te inventou?
Precisamos de mais vindos
de onde te fizeram,
não sei se erraram
ou se quiseram,
mas se foi erro
então eu também quero errar
mas não vergo linhas
para continuar
porque não sei contar
quantos contos hei-de contar,
vem mais um pedaço
para eu despejar,
como admiro
estas asas de aço
que visto, firo
e resisto
com mais sorrisos sinceros
que iluminam
olhos escuros
porque eu sou feito de furos
que não me dominam.
terça-feira, 19 de junho de 2012
[O Título És Tu Que Escreves]
O que vos é normal é indiscutível
mas quando há uma realidade contraditória
aos vossos olhos é sempre impossível,
é sempre a mesma história...
espero na esperança de ver o fim
enquanto escrevo estes pares de versos,
tomara que fosse tão simples assim
mas sentimentos submersos
são vozes berradas nas bordas
de um corpo às voltas a si próprio
sem saber onde cair morto
questionando se o planeta
é mesmo assim ou é do ópio...
mas deixemos essa treta
e vamos ao que interessa,
mais uma vez estamos a ter esta conversa.
Esse olhar a mim não me engana,
podes vir com aldrabices,
só estás é a dar cana,
mas eu não estou para chatices,
faz o que quiseres,
já cansei, fiz de tudo e agora não sei,
deves gostar de me ver sofrer,
não tens noção,
não consegues perceber
as facadas no que dás no meu coração?
Não sabes o quanto estou a enlouquecer,
de mãos na cabeça sem saber mais o que fazer.
Tornas-te uma ferida na minha alma,
tem cuidado, está a ficar em crosta
e ficarei apático em relação a ti,
mesmo que infecte eu tive a dignidade de ficar aqui,
exactamente aqui, bem ao teu lado,
mas eu continuo a lutar pelo nosso Fado
em nome dos nossos laços
mesmo que novos dias sejam fracassos,
morreremos unidos,
por mais que me possas magoar
continuarei sempre a amar-te.
Eu sei e nós sabemos que a culpa não foi tua,
nós lutámos, esforça-mo-nos mesmo que cada dia seja escasso,
mesmo que um dia a nossa casa seja a rua
temos o nosso amor que me acalma em cada teu abraço.
Acima de tudo eu te agradeço
porque o teu amor não tem preço,
ensinaste-me a perder,
a conquista a mim não me diz nada,
maior luta é a de sobreviver
e cada dia é-me uma nova chapada.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Espelho Meu, Sou Só Eu?
Dizem que o mundo é redondo
mas eu vi um canto em cada pessoa,
e pior, vi pessoas engolidas por um canto,
nem conseguia perceber se o vazio estava nelas,
se o vazio eram elas
ou se elas é que estavam no vazio.
Não foi o silêncio,
não foi a falta de palavras,
foram as palavras a mais,
o paleio frio enganador
revelador da dor
da ausência de amor.
A personalidade é insuficiente
e o indivíduo fica dependente
dum vício necessário de demonstrar
algo irreal, um ser ou ter,
acabando por soletrar
na covardia de parecer.
Porque o que deixou de ser
era o que foi parecer,
então o espanto
de alguém ser tanto
que parecia um homem
nunca deixou de ser criança
num canto qualquer da desordem
da agonia e amargura
que se quer esconder na esperança
de alguém ter a cura
ou uma mão honesta e mansa
cheia de encher o vazio
de uma realidade
daquele que nunca conseguiu ser frio.
Espelho meu, espelho meu,
será que sou só eu?
mas eu vi um canto em cada pessoa,
e pior, vi pessoas engolidas por um canto,
nem conseguia perceber se o vazio estava nelas,
se o vazio eram elas
ou se elas é que estavam no vazio.
Não foi o silêncio,
não foi a falta de palavras,
foram as palavras a mais,
o paleio frio enganador
revelador da dor
da ausência de amor.
A personalidade é insuficiente
e o indivíduo fica dependente
dum vício necessário de demonstrar
algo irreal, um ser ou ter,
acabando por soletrar
na covardia de parecer.
Porque o que deixou de ser
era o que foi parecer,
então o espanto
de alguém ser tanto
que parecia um homem
nunca deixou de ser criança
num canto qualquer da desordem
da agonia e amargura
que se quer esconder na esperança
de alguém ter a cura
ou uma mão honesta e mansa
cheia de encher o vazio
de uma realidade
daquele que nunca conseguiu ser frio.
Espelho meu, espelho meu,
será que sou só eu?
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Primeira Impressão
Julgaste-me na primeira impressão,
ouviste falar do meu nome
e achaste conhecer-me
antes de me conheceres em primeira mão.
Pois então,
como me conheces se nunca conversaste comigo?
Sabes se o cão que falou de mim é meu amigo?
A matemática de deduções é perigosa
como me conheces se nunca conversaste comigo?
Sabes se o cão que falou de mim é meu amigo?
A matemática de deduções é perigosa
quando se ergue só numa linha de reflexões rigorosa,
porque quando se odeia,
odeia-se a pessoa e tudo o que ela faz
e quando a acção é boa, as intenções são más.
Não é esse o pensamento que o ódio semeia?
Não sei onde cair morto,
falo dos poemas da minha alma que tu desprezas
para mais tarde leres com calma as minhas rezas,
e à medida que me torno uma mera memória
os meus poemas tornam-se mais vivos.
Morri, não há nada mais a escrever,
é o fim da minha história,
adormecido num caixão sem adjectivos
porque não me quiseste ler
mas no entanto estranhaste
alguém ter falado de mim no funeral,
não me conheceste assim,
afinal, era irreal o que pensaste.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
A Máquina do Mundo.
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus.
Vida-em-três-idades.
A criança trabalha, a criança trabalha, a criança trabalha e a criança trabalha!!!
A-criança-trabalha-na-escola-para-mais-tarde-trabalhar-melhor.
A-criança-trabalhará-melhor-e-será-alguém!
A criança trabalha, a criança trabalha, a criança trabalha e a criança trabalha!!!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Vida-em-três-idades!
O adulto trabalha, o adulto trabalha, o adulto trabalha e o adulto trabalha!
O adulto trabalha para a família trabalhar melhor!
O adulto trabalha para viver para trabalhar melhor!
O adulto trabalha, o adulto trabalha, o adulto trabalha e o adulto trabalha!
O Homem trabalha!
O Homem trabalha!
O Homem trabalha!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Vida-em-três-idades!
O idoso trabalha, o idoso trabalha, o idoso trabalha e o idoso trabalha!
O idoso trabalha solidão!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O idoso morreu.
O idoso morreu, o idoso morreu, o adulto morreu e a criança morreu!
A criança não está a sonhar!
O adulto não está sustentar!
O idoso morreu sem aproveitar!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Vida-em-três-idades.
Temos de trabalhar!
Temos de trabalhar!
Temos de trabalhar ou morremos a tentar!
Trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha
trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha!
Descansar para trabalhar!
Comer-beber-respirar-e-mijar!
Necessidades básicas para o Homem trabalhar!
São os nossos direitos à roda do trabalho!
Trabalho! Trabalho! Trabalho! Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha
trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus.
Vida-em-três-idades.
A criança trabalha, a criança trabalha, a criança trabalha e a criança trabalha!!!
A-criança-trabalha-na-escola-para-mais-tarde-trabalhar-melhor.
A-criança-trabalhará-melhor-e-será-alguém!
A criança trabalha, a criança trabalha, a criança trabalha e a criança trabalha!!!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Vida-em-três-idades!
O adulto trabalha, o adulto trabalha, o adulto trabalha e o adulto trabalha!
O adulto trabalha para a família trabalhar melhor!
O adulto trabalha para viver para trabalhar melhor!
O adulto trabalha, o adulto trabalha, o adulto trabalha e o adulto trabalha!
O Homem trabalha!
O Homem trabalha!
O Homem trabalha!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Vida-em-três-idades!
O idoso trabalha, o idoso trabalha, o idoso trabalha e o idoso trabalha!
O idoso trabalha solidão!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O idoso morreu.
O idoso morreu, o idoso morreu, o adulto morreu e a criança morreu!
A criança não está a sonhar!
O adulto não está sustentar!
O idoso morreu sem aproveitar!
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
O Homem trabalha.
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, tripalium, três paus!
Instrumento-tortura, crucificar-escravo, ficar-cruz-pregado!
Trabalha, trabalha, trabalha. Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Vida-em-três-idades.
Temos de trabalhar!
Temos de trabalhar!
Temos de trabalhar ou morremos a tentar!
Trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha
trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha!
Descansar para trabalhar!
Comer-beber-respirar-e-mijar!
Necessidades básicas para o Homem trabalhar!
São os nossos direitos à roda do trabalho!
Trabalho! Trabalho! Trabalho! Trabalho!
Traball, traballo, trabalho, tripalium, três paus!
Instrumento-para-subjugar-animais-forçar-escravos-a-aumentar-a-produção!
Trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha
trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha!
A Cidade de Deus
Aos jovens que vão pisar o chão
que esteve por baixo dos meus pés,
quando já nada restar de mim,
deixo-vos o que eu vi e senti
destas ruas e lares
que eram mais ou menos assim:
Cobre uma nuvem gigantesca e espessa sobre o Rio Tejo.
Não conseguimos ver o céu que está para lá da nuvem...
tão glorioso, tão apaixonante e viciante... tão confortável...
tenho saudades desse céu...
se é como a minha imaginação conta quando olho a nuvem.
Tenho tantas saudades desse céu libertador,
de um ar tão leve que mesmo estando na rua
sentimo-nos em casa, no nosso lar..
Saudades... nunca o vi ou senti.
Mas quando olho para essa nuvem tenebrosa
ergue-se em mim uma luz,
como se eu fosse o próprio sol desse céu tão perfeito e distante...
A nuvem, quando nos cai em cima, rouba-nos a esperança...
Essa nojenta chuva ácida, que nos corrói tornando-nos em ódio...
e sem querermos acaba por ser contra nós que batalhamos...
Menos àqueles que possuem guarda-chuva,
que podem fugir para lá do horizonte do nosso horizonte...
esses, esses que podem, esses que possuem, esses poucos
que nem valem uma milésima de nós...
Mas o que é preciso para fazer desaparecer essa nuvem?
Parece intocável... por mais que a tentemos agarrar, ela escapa-se...
Parece encoberta... todos os pertencentes desta terra
acreditam que é mesmo assim o nosso céu,
cinzento, oscilando somente entre o preto e o branco, monótono...
Mas porque nunca viram o céu, o verdadeiro céu...
O céu que nos é direito inato...
e que nos foi roubado para agradar uma dúzia de pseudo-deuses,
que se acham poderosos e superiores mas que morrem da mesma maneira que nós.
Também nos roubaram a consciência.
Desconcientes, menos quando chove. Quando chove,
eles reclamam, eles sentem a turba, o nosso animal,
que provoca terramotos em qualquer terra,
mas os coitados, com mais esperança que sapiência,
acham que o nada que fizeram é tudo,
não sabem conduzir o animal,
só querem sentir e pertencer-lhe...
é a fome do ódio e a ânsia de vingança
deste nosso desespero arrastado...
tantos séculos de arrasto...
já está nas nossas veias,
acabando por se tornar em veneno,
essa ganância por resultados:
nada, absolutamente nada.
Essa chuva ácida,
essa maldita e eterna chuva ácida
dessa maldição de nuvem,
apodrece as nossas belas flores,
derruba as nossas estátuas,
desfaz os nossos monumentos,
rouba as cores da nossa Bandeira,
enrouquece o nosso Hino,
corrompe a nossa Língua...
já não reconheço a nossa Pátria,
vivemos numa Pátria sem memória...
A origem da nuvem está no motor das fábricas,
fábricas essas que se alimentam do desespero dos nossos
para que as suas chaminés possam expelir a fórmula da nuvem...
E assim conseguiram criar um motor para fazer rodar o mundo,
porque o planeta está corrompido, por si só, no seu modo natural, já não roda...
era necessário electricidade, mas está estática,
dá para senti-la à nossa volta, até faz comichão,
mas o pior: é invisível...
foram as fábricas, que se alimentam da morte dos homens,
que lhes devora as almas, e é do esforço desses homens sem vida,
que tão monotonamente fazem girar a carcaça pêrra do nosso planeta.
Mas quantos se ergueram perante a fatalidade...
agora jazem enterrados, e são mortos, e são histórias esquecidas...
transformam-se em pedras... em pedras da calçada.
A nossa calçada é feita dessas nossas pedras.
Mas todos estão tão preocupados em olhar em frente
que não reparam no que pisam, nas pedras, nos mortos nossos...
Não temos consciência de que essas pedras são feitas de almas.
que esteve por baixo dos meus pés,
quando já nada restar de mim,
deixo-vos o que eu vi e senti
destas ruas e lares
que eram mais ou menos assim:
Cobre uma nuvem gigantesca e espessa sobre o Rio Tejo.
Não conseguimos ver o céu que está para lá da nuvem...
tão glorioso, tão apaixonante e viciante... tão confortável...
tenho saudades desse céu...
se é como a minha imaginação conta quando olho a nuvem.
Tenho tantas saudades desse céu libertador,
de um ar tão leve que mesmo estando na rua
sentimo-nos em casa, no nosso lar..
Saudades... nunca o vi ou senti.
Mas quando olho para essa nuvem tenebrosa
ergue-se em mim uma luz,
como se eu fosse o próprio sol desse céu tão perfeito e distante...
A nuvem, quando nos cai em cima, rouba-nos a esperança...
Essa nojenta chuva ácida, que nos corrói tornando-nos em ódio...
e sem querermos acaba por ser contra nós que batalhamos...
Menos àqueles que possuem guarda-chuva,
que podem fugir para lá do horizonte do nosso horizonte...
esses, esses que podem, esses que possuem, esses poucos
que nem valem uma milésima de nós...
Mas o que é preciso para fazer desaparecer essa nuvem?
Parece intocável... por mais que a tentemos agarrar, ela escapa-se...
Parece encoberta... todos os pertencentes desta terra
acreditam que é mesmo assim o nosso céu,
cinzento, oscilando somente entre o preto e o branco, monótono...
Mas porque nunca viram o céu, o verdadeiro céu...
O céu que nos é direito inato...
e que nos foi roubado para agradar uma dúzia de pseudo-deuses,
que se acham poderosos e superiores mas que morrem da mesma maneira que nós.
Também nos roubaram a consciência.
Desconcientes, menos quando chove. Quando chove,
eles reclamam, eles sentem a turba, o nosso animal,
que provoca terramotos em qualquer terra,
mas os coitados, com mais esperança que sapiência,
acham que o nada que fizeram é tudo,
não sabem conduzir o animal,
só querem sentir e pertencer-lhe...
é a fome do ódio e a ânsia de vingança
deste nosso desespero arrastado...
tantos séculos de arrasto...
já está nas nossas veias,
acabando por se tornar em veneno,
essa ganância por resultados:
nada, absolutamente nada.
Essa chuva ácida,
essa maldita e eterna chuva ácida
dessa maldição de nuvem,
apodrece as nossas belas flores,
derruba as nossas estátuas,
desfaz os nossos monumentos,
rouba as cores da nossa Bandeira,
enrouquece o nosso Hino,
corrompe a nossa Língua...
já não reconheço a nossa Pátria,
vivemos numa Pátria sem memória...
A origem da nuvem está no motor das fábricas,
fábricas essas que se alimentam do desespero dos nossos
para que as suas chaminés possam expelir a fórmula da nuvem...
E assim conseguiram criar um motor para fazer rodar o mundo,
porque o planeta está corrompido, por si só, no seu modo natural, já não roda...
era necessário electricidade, mas está estática,
dá para senti-la à nossa volta, até faz comichão,
mas o pior: é invisível...
foram as fábricas, que se alimentam da morte dos homens,
que lhes devora as almas, e é do esforço desses homens sem vida,
que tão monotonamente fazem girar a carcaça pêrra do nosso planeta.
Mas quantos se ergueram perante a fatalidade...
agora jazem enterrados, e são mortos, e são histórias esquecidas...
transformam-se em pedras... em pedras da calçada.
A nossa calçada é feita dessas nossas pedras.
Mas todos estão tão preocupados em olhar em frente
que não reparam no que pisam, nas pedras, nos mortos nossos...
Não temos consciência de que essas pedras são feitas de almas.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Humanozinho
Insónias com tonturas,
não sei se foi de dar voltas na cama
ou se do planeta que não pára de rodar,
e no meio da noite e das loucuras
há uma voz que me chama,
um substantivo que não consigo pronunciar
mas é imensamente apelativo,
não sei se real, se da minha mente,
mas de repente achei-me dependente
de um sentimento que não me larga
e não me deixa seguir em frente.
Essa voz nasce na noite clara
deixando-me despreocupado de tudo,
barulho torna-se silêncio, fiquei surdo,
focado só na voz que não mostrou a cara.
O tempo continua e não encontro nada,
procuro nas ruas do meu pensamento,
nada se quer se não em sonhos
que dão satisfação no momento,
no momento da frustração
onde não existe o tempo.
O sol renasce todos os dias
mas eu vejo-o sempre igual,
eu acordo sempre diferente
e é por isso cresço e morro.
Eu vi a voz porque eu preciso.
O sol não, o sol apenas existe...
sábado, 9 de junho de 2012
Hoje o vosso céu é o meu chão
e o vosso chão é o meu céu.
Com os pés a pisar o ar,
de cabeça a apontada à terra.
Porque hoje o que é real é a minha imaginação,
sem qualquer razão ou regra.
Hoje apetece-me andar assim,
substituir as estrelas pelas árvores
e dizer que o extraterrestre é o ser humano,
sou vizinho da Terra, sou seu satélite,
hoje não há céu que me contenha,
porque hoje sou sonhador realista,
caminho por baixo das nuvens
que por baixo de mim estão,
não preciso de estrelas,
estou contrário a tudo,
porque hoje eu sou nada.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Tudo O Que Eu Quiser
Eu tenho um botão que fala comigo,
ele não se chama nem tem nome,
cigarros é tudo o que preciso
só não estou pendente.
frases sem sentido,
cabeça desvairada
a rodas de um pensamento desentendido,
mas quem precisa de entender?
A única coisa que eu quero é escrever.
Não tenho interesse em saber
o que é que o senhor tem a dizer,
até posso escrever em alemão,
o papel é meu e também o meu coração,
portanto não vejo razão
de haver uma justificação,
a não ser que me saibam dizer o que é arte,
ou poema,
porque quem perde tempo a pensar
não está a criar.
ele não se chama nem tem nome,
cigarros é tudo o que preciso
só não estou pendente.
frases sem sentido,
cabeça desvairada
a rodas de um pensamento desentendido,
mas quem precisa de entender?
A única coisa que eu quero é escrever.
Não tenho interesse em saber
o que é que o senhor tem a dizer,
até posso escrever em alemão,
o papel é meu e também o meu coração,
portanto não vejo razão
de haver uma justificação,
a não ser que me saibam dizer o que é arte,
ou poema,
porque quem perde tempo a pensar
não está a criar.
Carta À Humanidade
Eu sou ignorante, porque sou infeliz,
sou preguiçoso porque estou triste,
sou morto porque tenho lágrimas,
mas apesar de tudo,
sou a felicidade desesperada,
sou sonhador lunático,
porque amo quem me ama
e quem me desama,
o meu sonho é incompleto
porque não sonhas o mesmo que eu,
a justiça.
Mas tu tens a certeza que não mudará
sem nunca teres experimentado
e eu estou certo que a evolução está na mudança,
mas temos de estar todos juntos
porque a luta não está no fazer,
está no não fazer, no não pagar os impostos em protesto,
não alimentar este capitalismo cancerisno que nos corrompe a alma.
Todos juntos, se não nos mexêssemos todos,
o mundo pararia e brindava-se o fracasso dos males,
porque nós temos estado a fazer,
mas erradamente...
P.S.:
Abraçarei o meu assassino com toda a força que me restar,
seja ele pessoa, seja ele o tempo, seja ele uma corda...
sou preguiçoso porque estou triste,
sou morto porque tenho lágrimas,
mas apesar de tudo,
sou a felicidade desesperada,
sou sonhador lunático,
porque amo quem me ama
e quem me desama,
o meu sonho é incompleto
porque não sonhas o mesmo que eu,
a justiça.
Mas tu tens a certeza que não mudará
sem nunca teres experimentado
e eu estou certo que a evolução está na mudança,
mas temos de estar todos juntos
porque a luta não está no fazer,
está no não fazer, no não pagar os impostos em protesto,
não alimentar este capitalismo cancerisno que nos corrompe a alma.
Todos juntos, se não nos mexêssemos todos,
o mundo pararia e brindava-se o fracasso dos males,
porque nós temos estado a fazer,
mas erradamente...
P.S.:
Abraçarei o meu assassino com toda a força que me restar,
seja ele pessoa, seja ele o tempo, seja ele uma corda...
Crítica Avacalhada
Esta é a corrida de ser alguém,
o dinheiro cai como a chuva,
cães e gatos,
em copos e pratos,
em factos e desacatos,
são traças e chatos,
hoje apereceram todos cá
para sentir o poder do meu coração,
trezentas mil potências de watts no meu coração,
e faço músicas eternas e efémeras
mas é no esquecimento,
este é o avacalho de rimas
desidratadas e sem trabalho,
tu nem sequer estimas
então vai para um sítio que eu cá sei,
de qualquer das formas eu sou rei
da caneta e prego ao papel
tão suavemente e facilmente
crio pláticos fanáticos
pelo estupidez de conquista sem desafios,
isto é como pôr sombra na escuridão,
é igual a nada,
porque eu escrevo à chapada,
ainda não houve respeito por esta coisa,
chamam-lhe o que quiserem,
isto é a modernidade da letra,
sou muito moderno e uso chupeta,
adivinhem quem sou,
ainda faltam tampões para os ouvidos
e já me chamam de peta,
é o deboche total,
com uma frase tão brutal
e já valho bastante
o suficiente para retirarem deste poema
a frase muito interessante
escasso em tema.
A poesia é o que eu quiser
homem ou mulher,
ou merda o quanto-basta de uma frase tamanho colher
de remédio contra o tédio,
porque é batota estar ébrio,
não bato bem da cabeça
e penso de lado porque sou buéééééé diferente
dessa gente que pensa
mas que não compensa a sociedade
ainda no avacalho falo mais uma outra realidade
e disparo bostas comerciais e tudo o mais,
olhem para mim sou um intelectual demais
e de mais a mais aparecem uns quantos iguais
que fizeram tanto quanto eu faço sentado numa sanita
a fazer um esforço para me sair caganita,
mas hoje até já se aprecia disso,
dão-lhe vários nomes,
até dizem com caridade se tira fomes,
é arte do tudo que faz rigosomante nada,
porque só nos contos de fada é que há final feliz,
eu bem que quis mas hoje prefiro aparvalhar,
caricaturar até à exaustão
ficar a falar até ensurdecer
para piorar ainda mais a situação
vou continuar até depois de morrer,
eu sei que é uma desilusão
mas olha lá a minha cara de preocupado,
encontras? Pois não existe,
não fiques chateado
se quiseres mostro-te umas montras
assim tipo pó coiso facebookianas
onde podes escrever que tens fome
e toda a gente se identifica,
é sem canas
e ainda te consome
a mentira virtual de uma vida que se estica
e pum! rompe-se,
mas que diferença fez?
foi apenas mais um
e como vez, desses temos aos molhos
que com estes meus olhos
vi-os correr à volta de uma rotunda
à procura de uma vida profunda,
mas o profundo é o vazio deles,
por isso andam em manadas
sem opinião de jeito
é só para o intelectual respeito
e concordam no preconceito,
gente destas é o que se pede,
para o demónio é um autêntico filme pornográfico,
qualquer dia ele fica demasiado cansado
porque nós já fazemos assim naturalmente
que ele se nos manipular é só para fazer o bem
e se nós já somos maus por natureza
onde está a beleza do coitado que passa a ser ninguém
porque o ninguém é sempre igual aos outros
partículas brancas de uma tela,
indistinguíveis,
a única diferença é o corpo
que lhes torna sexualmente irresistíveis,
assim se faz mais um aborto,
já devem sair pelo ânus
mas para onde caminhamos?
o dinheiro cai como a chuva,
cães e gatos,
em copos e pratos,
em factos e desacatos,
são traças e chatos,
hoje apereceram todos cá
para sentir o poder do meu coração,
trezentas mil potências de watts no meu coração,
e faço músicas eternas e efémeras
mas é no esquecimento,
este é o avacalho de rimas
desidratadas e sem trabalho,
tu nem sequer estimas
então vai para um sítio que eu cá sei,
de qualquer das formas eu sou rei
da caneta e prego ao papel
tão suavemente e facilmente
crio pláticos fanáticos
pelo estupidez de conquista sem desafios,
isto é como pôr sombra na escuridão,
é igual a nada,
porque eu escrevo à chapada,
ainda não houve respeito por esta coisa,
chamam-lhe o que quiserem,
isto é a modernidade da letra,
sou muito moderno e uso chupeta,
adivinhem quem sou,
ainda faltam tampões para os ouvidos
e já me chamam de peta,
é o deboche total,
com uma frase tão brutal
e já valho bastante
o suficiente para retirarem deste poema
a frase muito interessante
escasso em tema.
A poesia é o que eu quiser
homem ou mulher,
ou merda o quanto-basta de uma frase tamanho colher
de remédio contra o tédio,
porque é batota estar ébrio,
não bato bem da cabeça
e penso de lado porque sou buéééééé diferente
dessa gente que pensa
mas que não compensa a sociedade
ainda no avacalho falo mais uma outra realidade
e disparo bostas comerciais e tudo o mais,
olhem para mim sou um intelectual demais
e de mais a mais aparecem uns quantos iguais
que fizeram tanto quanto eu faço sentado numa sanita
a fazer um esforço para me sair caganita,
mas hoje até já se aprecia disso,
dão-lhe vários nomes,
até dizem com caridade se tira fomes,
é arte do tudo que faz rigosomante nada,
porque só nos contos de fada é que há final feliz,
eu bem que quis mas hoje prefiro aparvalhar,
caricaturar até à exaustão
ficar a falar até ensurdecer
para piorar ainda mais a situação
vou continuar até depois de morrer,
eu sei que é uma desilusão
mas olha lá a minha cara de preocupado,
encontras? Pois não existe,
não fiques chateado
se quiseres mostro-te umas montras
assim tipo pó coiso facebookianas
onde podes escrever que tens fome
e toda a gente se identifica,
é sem canas
e ainda te consome
a mentira virtual de uma vida que se estica
e pum! rompe-se,
mas que diferença fez?
foi apenas mais um
e como vez, desses temos aos molhos
que com estes meus olhos
vi-os correr à volta de uma rotunda
à procura de uma vida profunda,
mas o profundo é o vazio deles,
por isso andam em manadas
sem opinião de jeito
é só para o intelectual respeito
e concordam no preconceito,
gente destas é o que se pede,
para o demónio é um autêntico filme pornográfico,
qualquer dia ele fica demasiado cansado
porque nós já fazemos assim naturalmente
que ele se nos manipular é só para fazer o bem
e se nós já somos maus por natureza
onde está a beleza do coitado que passa a ser ninguém
porque o ninguém é sempre igual aos outros
partículas brancas de uma tela,
indistinguíveis,
a única diferença é o corpo
que lhes torna sexualmente irresistíveis,
assim se faz mais um aborto,
já devem sair pelo ânus
mas para onde caminhamos?
O Comercial Absurdo
Então tudo bem?
Olá o meu nome é violador
venho violar a língua portuguesa
com tanta beleza
que vocês vão me ter amor.
Eu sei eu sei,
eu sou rei em sentenças preconceituosas
e fraseio em falácias ranhosas
para satisfazer a vossa burice.
Autógrafos só para a ignorância
nada de inteligência aqui,
eu sou pela mentira, não pela ciência,
sabem como é, é uma nova corrente
assim para o muito independente de tudo
até da verdade porque eu sou revolucinário,
não sou mudo, classificado como otário
pela gente a quem calha o malmequer.
Comercialóide e tudo o resto,
eu presto pensamento funesto
a quem toda a gente me presta
um altar para a festa.
Mas eu prefiro pedir sexo emprestado,
gosto de variar apesar de pensarem que é para sempre,
mas como vivo bué e ando sempre contente
não gosto de ter uma parceira permanente.
Afinal, só se vive uma vez
e eu não tenho tempo para pedir desculpas,
há mais porcaria a fazer,
obrigado obrigado, eu sei que sou bom,
isto de ser o melhor no meio da desgraça não é para todos,
é só para quem tem dom.
Olá o meu nome é violador
venho violar a língua portuguesa
com tanta beleza
que vocês vão me ter amor.
Eu sei eu sei,
eu sou rei em sentenças preconceituosas
e fraseio em falácias ranhosas
para satisfazer a vossa burice.
Autógrafos só para a ignorância
nada de inteligência aqui,
eu sou pela mentira, não pela ciência,
sabem como é, é uma nova corrente
assim para o muito independente de tudo
até da verdade porque eu sou revolucinário,
não sou mudo, classificado como otário
pela gente a quem calha o malmequer.
Comercialóide e tudo o resto,
eu presto pensamento funesto
a quem toda a gente me presta
um altar para a festa.
Mas eu prefiro pedir sexo emprestado,
gosto de variar apesar de pensarem que é para sempre,
mas como vivo bué e ando sempre contente
não gosto de ter uma parceira permanente.
Afinal, só se vive uma vez
e eu não tenho tempo para pedir desculpas,
há mais porcaria a fazer,
obrigado obrigado, eu sei que sou bom,
isto de ser o melhor no meio da desgraça não é para todos,
é só para quem tem dom.
Carta Leitor
Enfrenta a morte com dignidade, irmão,
e não receies o tempo que ela demore.
Vive, a realidade existe.
Seja ela uma ilusão.
Se a sentires, é porque existe,
mas não vivas em sua função,
vai até onde o olhar não consegue chegar,
e não creies em definições.
Definições são como pratos de ementa,
tudo está, é certo, relacionado,
até no oposto e contrário.
Busca nos espaços das minhas palavras
o mundo que deixei por escrever,
que não conheci,
que não tive vida para conhecer,
traz algo novo ao mundo
e toma o que eu não tive
para que o que não tenhas,
de importante, realmente importante,
possa existir nos próximos que hão-de vir.
Nem sabes, leitor, o quanto amo o mundo,
o quanto amo o segundo que foi,
o segundo que é e o segundo que virá,
porque todos esses segundos são eu,
um novo segundo vem e um novo eu existe.
(Somos nós, os animados, que fazemos o tempo,
porque nós damos-lhe espaço e corpo.)
Deixa-me exprimir o amor que sinto,
sou capaz de beijar o meu sacrifício
se assim for necessário à felicidade do mundo.
E não temo, porque amor que ama,
não mede limites de visão
e tem o universo todo compilado no coração.
Eu sou o amor e a paixão,
e por isso luto ferozmente
contra quem te faz mal,
mas sou impotente,
por isso te escrevo
porque tu me és igual:
ser humano.
e não receies o tempo que ela demore.
Vive, a realidade existe.
Seja ela uma ilusão.
Se a sentires, é porque existe,
mas não vivas em sua função,
vai até onde o olhar não consegue chegar,
e não creies em definições.
Definições são como pratos de ementa,
tudo está, é certo, relacionado,
até no oposto e contrário.
Busca nos espaços das minhas palavras
o mundo que deixei por escrever,
que não conheci,
que não tive vida para conhecer,
traz algo novo ao mundo
e toma o que eu não tive
para que o que não tenhas,
de importante, realmente importante,
possa existir nos próximos que hão-de vir.
Nem sabes, leitor, o quanto amo o mundo,
o quanto amo o segundo que foi,
o segundo que é e o segundo que virá,
porque todos esses segundos são eu,
um novo segundo vem e um novo eu existe.
(Somos nós, os animados, que fazemos o tempo,
porque nós damos-lhe espaço e corpo.)
Deixa-me exprimir o amor que sinto,
sou capaz de beijar o meu sacrifício
se assim for necessário à felicidade do mundo.
E não temo, porque amor que ama,
não mede limites de visão
e tem o universo todo compilado no coração.
Eu sou o amor e a paixão,
e por isso luto ferozmente
contra quem te faz mal,
mas sou impotente,
por isso te escrevo
porque tu me és igual:
ser humano.
O Nós Dois
Vou-te contar uma história,
um, dois e lá mais tarde o três,
era felizes antes de ser uma vez.
Falas-me ao ouvido,
tocas-me suavemente com a tua mão
e eu fico todo fodido
porque não chegámos a finalização.
Deixaste-me com fome,
cheio com essa sensualidade,
ainda mais apetecível
ao dares-me para trás maliciosamente,
já me tens na mão
mas não me importa,
sou eu que te vou possuir,
tu conduzes a história
mas sou eu que escrevo
o que te vai ficar na memória,
não vais conseguir esquecer,
porque virei valente
com tanta paixão
vais abrir o presente
e sentir a surpresa da perfeição.
Não há nada a dizer,
o mundo acontece-nos,
só precisamos do tacto,
os outros sentidos são irrelevantes
nem conseguir chegar ao último acto,
porque eu sou o dono do teatro
e sei os teus focos de luz,
esta é a minha encenação
hoje vamos conhecer o universo
sem tirar os pés do chão.
um, dois e lá mais tarde o três,
era felizes antes de ser uma vez.
Falas-me ao ouvido,
tocas-me suavemente com a tua mão
e eu fico todo fodido
porque não chegámos a finalização.
Deixaste-me com fome,
cheio com essa sensualidade,
ainda mais apetecível
ao dares-me para trás maliciosamente,
já me tens na mão
mas não me importa,
sou eu que te vou possuir,
tu conduzes a história
mas sou eu que escrevo
o que te vai ficar na memória,
não vais conseguir esquecer,
porque virei valente
com tanta paixão
vais abrir o presente
e sentir a surpresa da perfeição.
Não há nada a dizer,
o mundo acontece-nos,
só precisamos do tacto,
os outros sentidos são irrelevantes
nem conseguir chegar ao último acto,
porque eu sou o dono do teatro
e sei os teus focos de luz,
esta é a minha encenação
hoje vamos conhecer o universo
sem tirar os pés do chão.
Sou Uma Personagem De Tchekhov
Desculpa este meu mundo confuso,
eu... eu já tento evitar falar,
porque todos os sentimentos
estão acontecer ao mesmo tempo...
Não compreendo...
e compreendo porque não compreendo...
os músculos da minha jovem face estão a paralizar...
às vezes dou por mim numa ilusão da minha própria ilusão,
é tudo causa da minha infância...
nunca cheguei a crescer...
ninguém pode avançar quando tem algo por resolver,
algo tão forte como a alma...
tenho tantos buracos e roturas...
E enfio a mão nelas a apalpar o vazio...
procuro cosê-las com ilusões
e já as levo comigo para todo o lado.
O organismo é tão perfeito como uma equação complexa,
o problema é quando há uma série de incógnitas...
quem me dera poder tocar piano,
traduziria tudo que sinto em notas
e vocês ouviriam apaixonadamente sem saberem
o que é que as notas da minha alma quere dizer...
sou ser humano, o que me aconteceu está nas minhas veias,
a merda da opressão... o planeta aperta-se contra mim,
sinto-me sufocado, só quero respirar nos pulmões de outra pessoa...
sou a decadência de um rapaz solteiro
e só sei queixar-me romanticamente
como uma criança que só se cala com chupeta.
Sou uma personagem de Tchekhov.
eu... eu já tento evitar falar,
porque todos os sentimentos
estão acontecer ao mesmo tempo...
Não compreendo...
e compreendo porque não compreendo...
os músculos da minha jovem face estão a paralizar...
às vezes dou por mim numa ilusão da minha própria ilusão,
é tudo causa da minha infância...
nunca cheguei a crescer...
ninguém pode avançar quando tem algo por resolver,
algo tão forte como a alma...
tenho tantos buracos e roturas...
E enfio a mão nelas a apalpar o vazio...
procuro cosê-las com ilusões
e já as levo comigo para todo o lado.
O organismo é tão perfeito como uma equação complexa,
o problema é quando há uma série de incógnitas...
quem me dera poder tocar piano,
traduziria tudo que sinto em notas
e vocês ouviriam apaixonadamente sem saberem
o que é que as notas da minha alma quere dizer...
sou ser humano, o que me aconteceu está nas minhas veias,
a merda da opressão... o planeta aperta-se contra mim,
sinto-me sufocado, só quero respirar nos pulmões de outra pessoa...
sou a decadência de um rapaz solteiro
e só sei queixar-me romanticamente
como uma criança que só se cala com chupeta.
Sou uma personagem de Tchekhov.
O Inferno Que O Inferno Me Apelidou
Ele disse:
com estes olhos verás as desgraças do mundo
mas nada poderás fazer porque estarás a cair com ele.
Não terás forças porque esgotá-las-ás a resistir ao céu,
aos pensamentos destrutivos, sim, tentarás segurá-los,
mas não conseguirás travá-los porque infiltrar-se-ão nas tuas veias
e só poderás dar-lhes o fim se encontrares o fim da tua pulsação.
Morrerás sem nunca teres vivido.
O mundo desmorona-se à tua volta e tu cairás com ele.
Nada poderás fazer.
Só te resta assistir.
O ódio consome-te e desidrata-te.
Não verás o sol.
Nem qualquer outra forma de calor natural.
Tentarás encontrar no desespero alucinante
mas toda a água que beberes será a salgada
e por isso viverás das alucinações.
Todas as conquistas que tiveres serão vazias,
cheias de nada.
Tu és o fim do mundo.
Não tentes, não lutes, não te valerá de nada.
E eu fiz,
meu filho-da-puta,
contra todos esses cabrões eu me ergui,
eu entornei decadências em copos de vidro,
tornei-me mais forte que estas quatro paredes.
Tu troxeste-me o inferno
e eu pus o inferno a temer-me,
a gritar histericamente
apelidando-me de inferno.
Eu sou a nova forma de psicopatia,
o caos tornou-se algo normal
e contra o normal são os psicopatas.
Tenho-vos a todos nas minhas mãos,
na minha campa está a minha alma a berrar o vosso inferno,
seus cabrões, trouxeram as armas da ignorância
mas eu sou tão grande, tão volumoso e tornei tudo real e verdadeiro
que por pensamentos aleatórios vocês me acertaram.
Afastem-se, eu estou prestes a rebentar
e levarei todos os cabrões comigo.
Sim todos esses filhos-da-puta que se masturbaram no meu sofrimento
agora terão a paga!!! Eu ressuscitei!
Jogo sozinho neste mundo
mas eu sou maior que o vosso céu,
eu vou para onde os meus olhos olharem,
eu estou nos cantos de todo o mundo,
nada me escapa!
Quando eu for derrubado,
o mundo desmoronar-se-à
e eu acordarei desta merda de pesadelo,
desta voz que me acompanha,
a voz eterna dos oprimidos
que anseia tornar-se opressor dos opressores,
jamais poderei governar o mundo,
ou o inferno ao que vocês chamam,
comigo, chamarão de paraíso.
Estou só,
atirado num canto escuro do mundo,
no extremo,
tão só... tão pequeno...
chão.. chão? Mas o que é isso?
Não há chão que me suporte,
estou em permanente queda...
não há ninguém que mais me julgue
que eu, eu, que ando com o peso
de uma alucinação, numa pressão
de uma opressão onde não há ninguém
que não me odeie, a toda a hora ouço
a repulsa que o mundo tem de mim...
estou só, sozinho...
até os meus músculos têm nojo de mim...
o meu coração não me quer...
e o meu cérebro odeia-me,
todos os meus neurónios atacam-me,
destroiem-me...
só sei a matemática do sofrimento,
afastem-se de mim, sou um extra-terrestre,
estou a mais,
não há álcool nem droga nem sexo que satisfaçam a minha felicidade,
mas eu juro que sou igual a todos vós,
sou ser humano como vocês...
não fujam de mim por favor...
não me julguem, apenas sou consequência do que me aconteceu...
Que se foda!
Vão todos vocês à merda!
Posso morrer só!
Ponham-me de parte, vão pó caralho!
Seus filhos-da-puta ignorantes!
Quem vocês são para me apontar o dedo!?
Ainda por cima não são os meus actos nem as minhas atitudes que acusam!
É o meu silêncio!
Seus filhos-da-puta merdosos, vocês acusam-me do meu silêncio!?
Com tantos cabrões a destruirem o mundo!?
Vão todos à merda!
Quem disse que eu precisava de vocês?
Posso morrer no apodrecimento,
mas morrerei com dignidade!
Em todos os meus fracassos encontrarão a dignidade!
Eu sou digno de viver, por sofrer!
Eu nunca me esqueço!
Nesta solidão aprendo a amar!
Posso não saber como amar,
mas sei amar! Quantos de vocês podem orgulhar-se disso?
Quantos de vocês, que só amam os próprios músculos?
Eu não preciso de espelho para me ver, estão a ouvir?
Posso morrer só!
Ouçam-me! Eu quero morrer só!...
no colo de alguém...
Como estas lágrimas estão quentes,
afinal ainda amo...
com estes olhos verás as desgraças do mundo
mas nada poderás fazer porque estarás a cair com ele.
Não terás forças porque esgotá-las-ás a resistir ao céu,
aos pensamentos destrutivos, sim, tentarás segurá-los,
mas não conseguirás travá-los porque infiltrar-se-ão nas tuas veias
e só poderás dar-lhes o fim se encontrares o fim da tua pulsação.
Morrerás sem nunca teres vivido.
O mundo desmorona-se à tua volta e tu cairás com ele.
Nada poderás fazer.
Só te resta assistir.
O ódio consome-te e desidrata-te.
Não verás o sol.
Nem qualquer outra forma de calor natural.
Tentarás encontrar no desespero alucinante
mas toda a água que beberes será a salgada
e por isso viverás das alucinações.
Todas as conquistas que tiveres serão vazias,
cheias de nada.
Tu és o fim do mundo.
Não tentes, não lutes, não te valerá de nada.
E eu fiz,
meu filho-da-puta,
contra todos esses cabrões eu me ergui,
eu entornei decadências em copos de vidro,
tornei-me mais forte que estas quatro paredes.
Tu troxeste-me o inferno
e eu pus o inferno a temer-me,
a gritar histericamente
apelidando-me de inferno.
Eu sou a nova forma de psicopatia,
o caos tornou-se algo normal
e contra o normal são os psicopatas.
Tenho-vos a todos nas minhas mãos,
na minha campa está a minha alma a berrar o vosso inferno,
seus cabrões, trouxeram as armas da ignorância
mas eu sou tão grande, tão volumoso e tornei tudo real e verdadeiro
que por pensamentos aleatórios vocês me acertaram.
Afastem-se, eu estou prestes a rebentar
e levarei todos os cabrões comigo.
Sim todos esses filhos-da-puta que se masturbaram no meu sofrimento
agora terão a paga!!! Eu ressuscitei!
Jogo sozinho neste mundo
mas eu sou maior que o vosso céu,
eu vou para onde os meus olhos olharem,
eu estou nos cantos de todo o mundo,
nada me escapa!
Quando eu for derrubado,
o mundo desmoronar-se-à
e eu acordarei desta merda de pesadelo,
desta voz que me acompanha,
a voz eterna dos oprimidos
que anseia tornar-se opressor dos opressores,
jamais poderei governar o mundo,
ou o inferno ao que vocês chamam,
comigo, chamarão de paraíso.
Estou só,
atirado num canto escuro do mundo,
no extremo,
tão só... tão pequeno...
chão.. chão? Mas o que é isso?
Não há chão que me suporte,
estou em permanente queda...
não há ninguém que mais me julgue
que eu, eu, que ando com o peso
de uma alucinação, numa pressão
de uma opressão onde não há ninguém
que não me odeie, a toda a hora ouço
a repulsa que o mundo tem de mim...
estou só, sozinho...
até os meus músculos têm nojo de mim...
o meu coração não me quer...
e o meu cérebro odeia-me,
todos os meus neurónios atacam-me,
destroiem-me...
só sei a matemática do sofrimento,
afastem-se de mim, sou um extra-terrestre,
estou a mais,
não há álcool nem droga nem sexo que satisfaçam a minha felicidade,
mas eu juro que sou igual a todos vós,
sou ser humano como vocês...
não fujam de mim por favor...
não me julguem, apenas sou consequência do que me aconteceu...
Que se foda!
Vão todos vocês à merda!
Posso morrer só!
Ponham-me de parte, vão pó caralho!
Seus filhos-da-puta ignorantes!
Quem vocês são para me apontar o dedo!?
Ainda por cima não são os meus actos nem as minhas atitudes que acusam!
É o meu silêncio!
Seus filhos-da-puta merdosos, vocês acusam-me do meu silêncio!?
Com tantos cabrões a destruirem o mundo!?
Vão todos à merda!
Quem disse que eu precisava de vocês?
Posso morrer no apodrecimento,
mas morrerei com dignidade!
Em todos os meus fracassos encontrarão a dignidade!
Eu sou digno de viver, por sofrer!
Eu nunca me esqueço!
Nesta solidão aprendo a amar!
Posso não saber como amar,
mas sei amar! Quantos de vocês podem orgulhar-se disso?
Quantos de vocês, que só amam os próprios músculos?
Eu não preciso de espelho para me ver, estão a ouvir?
Posso morrer só!
Ouçam-me! Eu quero morrer só!...
no colo de alguém...
Como estas lágrimas estão quentes,
afinal ainda amo...
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Amadora: As Ruas Negras - Parte II
Eu venho da terra de ninguém,
onde há mais ataques de preconceitos
do que roubos ou outras actividades ilegais,
onde não há deveres não há direitos,
todos os da minha terra parecem estar a mais.
Eu venho da terra do nunca,
onde não se encontra esperança nesta espelunca,
traça-se o destino entre a droga e a gravidez,
todos criticam mas não há quem lute contra os seus porquê's.
Eu venho da toca do lobo,
aqui, além de se snifar as grades,
também snifa-se as presas receosas,
expelem o odor a terror tornando-se deliciosas,
bem-vindo às terras de Hades.
Eu venho das terras do deserto,
onde não há afecto há ódio,
aqui o céu é o nosso tecto
e o carácter o nosso pódio.
Eu venho das terras sem chão,
onde há paredes invisíveis como uma prisão
e a primeira decisão é a queda
porque já se come pratos cheios de merda.
Eu venho das terras da escravização,
escravos sem literatura,
com muita experiência de vida
porque metade da comida é ilusão.
Eu venho das terras do acontecimento,
onde os últimos suspiros vão com o vento.
Eu venho das terras da culpa,
Onde vai a bala vai a culpabilização nos telejornais,
o morto inocente é culpado sem conhecer justiça nos tribunais.
Eu venho das terras da anarquia,
simplesmente porque a Constituição Portuguesa aqui é uma ironia
e só vemos senhores ao seu serviço casados com a hipocrisia.
onde há mais ataques de preconceitos
do que roubos ou outras actividades ilegais,
onde não há deveres não há direitos,
todos os da minha terra parecem estar a mais.
Eu venho da terra do nunca,
onde não se encontra esperança nesta espelunca,
traça-se o destino entre a droga e a gravidez,
todos criticam mas não há quem lute contra os seus porquê's.
Eu venho da toca do lobo,
aqui, além de se snifar as grades,
também snifa-se as presas receosas,
expelem o odor a terror tornando-se deliciosas,
bem-vindo às terras de Hades.
Eu venho das terras do deserto,
onde não há afecto há ódio,
aqui o céu é o nosso tecto
e o carácter o nosso pódio.
Eu venho das terras sem chão,
onde há paredes invisíveis como uma prisão
e a primeira decisão é a queda
porque já se come pratos cheios de merda.
Eu venho das terras da escravização,
escravos sem literatura,
com muita experiência de vida
porque metade da comida é ilusão.
Eu venho das terras do acontecimento,
onde os últimos suspiros vão com o vento.
Eu venho das terras da culpa,
Onde vai a bala vai a culpabilização nos telejornais,
o morto inocente é culpado sem conhecer justiça nos tribunais.
Eu venho das terras da anarquia,
simplesmente porque a Constituição Portuguesa aqui é uma ironia
e só vemos senhores ao seu serviço casados com a hipocrisia.
domingo, 3 de junho de 2012
Dormir Acordar
(Não sei definir dormir.
Não me observo quando durmo.
Estive a aproveitar esse momento.
O que significa não reflectir.
Ou se calhar reflicto.
Não sei.
Nunca me lembro quando acordo,
ou se me lembro é de muito pouco.
Álcool. Quando se acorda nada é recordado.
É a perda da consciência.
Baldar à realidade.)
Bom dia meus senhores.
Hoje é um novo dia.
É novo porque acordámos.
Acordar é separar as pálpebras.
E ter consciência de que as abrimos.
Os nossos músculos relaxaram durante horas.
Daí sentirmos um novo dia.
O cérebro também é um músculo.
Por isso também deve acordar.
Preparado para enfrentar o sol.
Se acordar com preocupações passadas,
não acordou, apenas descansou.
E pesa-nos o levantar.
Dormir é descansar totalmente o corpo e a mente
enquanto a alma vagueia pelo seu próprio mundo.
Acordar é tornar o corpo, a mente e a alma num só.
E estar aqui. E agora.
Harmonia. Acordar é harmonia.
Não vos sei dizer o que é acordar com despertador.
É como ressuscitar um cadáver através de choques eléctricos.
O cérebro é ressuscitado, como um objecto electrónico
que, ao ligar a sua ficha à tomada, retoma as suas funções automaticamente.
Acordar é não arrastar o dia anterior nas nossas costas.
Acordar leve. Como a suavidade dos raios de sol matinal.
Acordar é não pensar que se acordou.
Acordei? Acordei? Estou acordado?
É isto, acordar? Abrir as pálpebras?
Será que os meus pés sentirão o chão?
Está tudo no sítio: móveis, livros, roupas...
A minha cabeça está pesada...
Dormi? Não me lembro...
Nem me lembro da última vez que fechei os olhos,
a derradeira vez em que os fechei e adormeci...
Acho que ressuscitei.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Voar. Voar aos mais altos céus
e mergulhar até ao chão por explorar,
flanquear as árvores, acompanhar aves de rapina,
acima das nuvens, chupar uma nuvem com uma palhinha,
cumprimentar o sol, mergulhar do ar para o oceano,
a mais alta velocidade, deixar-me cair,
infiltrar-me na água, às profundezas
e encontrar libelinhas na sua escuridão.
Andar por baixo de água e dançar,
pegar num peixe-balão para fazer dele uma bola de basket,
caminhar entre cardumes.
Voar. Voar por baixo de água,
descansar à sombra de uns pares de corais,
provocar um nevoeiro de areia,
encontrar uma bota de há sete séculos atrás
e calçá-la, substituir as estrelas-do-mar pelas do céu,
saltar com a gravidade da lua,
ser engolido por uma baleia.
Acordar na Antárctida,
com um urso a dar-me duas bofetadas, levantar-me,
ter uma multidão de pinguins especados a olharem para mim,
quebro o silêncio, digo timidamente olá,
não há reacção, um pinguim aproxima-se curioso,
bica-me com jeito a ver se não me quebro como uma estátua,
decido fazer o que os meus antepassados primitivos faziam:
gritar. Levantar os braços e gritar.
E também correr. Correr de olhos fechados.
Um ursinho põe a pata para eu tropeçar.
Tropeço. Caio. Bater com a face no gelo.
Virar-me para cima, deitado.
Ursinho fofinho a olhar para mim.
Levanto-me. Fico de joelhos.
Olho para ele. Admiro-o.
Ele olha para mim com o focinho jovem.
Tão fofo.Dou-lhe uma festinha na cabeça.
Morde-me. Trinca-me a mão.
E eu grito. E todos o pinguins gritam também.
Questiono-me assustado com o bicho.
O bicho olha para mim.
Com voz rouca de velho diz:
Entrega esta mensagem aos da tua laia.
E dá-me um pontapé na canela.
E dói. Dói. Dói. E ele vai-se embora.
Fim.
e mergulhar até ao chão por explorar,
flanquear as árvores, acompanhar aves de rapina,
acima das nuvens, chupar uma nuvem com uma palhinha,
cumprimentar o sol, mergulhar do ar para o oceano,
a mais alta velocidade, deixar-me cair,
infiltrar-me na água, às profundezas
e encontrar libelinhas na sua escuridão.
Andar por baixo de água e dançar,
pegar num peixe-balão para fazer dele uma bola de basket,
caminhar entre cardumes.
Voar. Voar por baixo de água,
descansar à sombra de uns pares de corais,
provocar um nevoeiro de areia,
encontrar uma bota de há sete séculos atrás
e calçá-la, substituir as estrelas-do-mar pelas do céu,
saltar com a gravidade da lua,
ser engolido por uma baleia.
Acordar na Antárctida,
com um urso a dar-me duas bofetadas, levantar-me,
ter uma multidão de pinguins especados a olharem para mim,
quebro o silêncio, digo timidamente olá,
não há reacção, um pinguim aproxima-se curioso,
bica-me com jeito a ver se não me quebro como uma estátua,
decido fazer o que os meus antepassados primitivos faziam:
gritar. Levantar os braços e gritar.
E também correr. Correr de olhos fechados.
Um ursinho põe a pata para eu tropeçar.
Tropeço. Caio. Bater com a face no gelo.
Virar-me para cima, deitado.
Ursinho fofinho a olhar para mim.
Levanto-me. Fico de joelhos.
Olho para ele. Admiro-o.
Ele olha para mim com o focinho jovem.
Tão fofo.Dou-lhe uma festinha na cabeça.
Morde-me. Trinca-me a mão.
E eu grito. E todos o pinguins gritam também.
Questiono-me assustado com o bicho.
O bicho olha para mim.
Com voz rouca de velho diz:
Entrega esta mensagem aos da tua laia.
E dá-me um pontapé na canela.
E dói. Dói. Dói. E ele vai-se embora.
Fim.
terça-feira, 29 de maio de 2012
O Nevoeiro de Lefranq
Eu sou o Vingador!
Todas as minhas veias estão quase a rebentar de tanto matar!
São garras, meus senhores, são garras que tenho nas minhas mãos!
Com elas, trezentos mil homens cairão sem cabeça, estão a ouvir-me?
Eu posso cortar-vos ao meio! Separar as vossas cabeças!
Não me exaltem! Não me provoquem!
Vocês não sabem do que sou capaz!
Eu tenho veneno no meu sangue!
Não se aproximem de mim!
Não se aproximem de mim!
Morrerão de dores se me tocarem!
Não me subestimem!
Eu sou a desgraça das vossas vidas!
Torno-me maior por cada lágrima que o mundo chora!
A desgraça do mundo vem de mim, estão a ouvir-me?
Eu sou a origem da devastação!
Vocês implorarão a minha clemência, a minha piedade, mas só terão a minha alegria!
Nunca se esqueçam disso!
A minha alegria vem do vosso sofrimento!
A minha alegria é o vosso sofrimento!
Não preciso de ninguém!
Três mil anos passarão depois da minha morte
e ainda o mundo estará a recuperar da minha existência!
Mastigo-vos!
Devoro e mastigo as vossas vidas!
Eu crio as vossas desgraças através dos meus pensamentos!
Toda a terra que eu piso torna-se infértil!
O mundo pertence-me, meus senhores!
Tentem!
Tentem passar-me por cima!
Todos cairão mortos!
Todos aqueles que me tentaram passar por cima!
Eu matá-los-ei! Assassiná-lo-ei! E rir-me-ei!
Estão a ouvir-me?
E ri-me-ei tão alto que os pássaros não ousarão levantar voo!
Toda a terra treme à minha passagem!
Temam-me!
Eu assassinei a Morte!
Eu sou a Morte!
Não queiram cair nas minhas mãos!
Eu esmagar-vos-ei!
É suicídio, meus senhores!
É suicídio enfrentarem-me!
Eu sou o colapso do mundo!
Eu sou o caos e o fim do mundo!
Sou eu que assino as vossas desgraças!
Não vale a pena lutarem!
Vocês não passam de personagens na minha mão!
Eu sou o vosso destino!
Engulo-vos!
Os ácidos do meu estômago rompem os vossos tecidos!
Nem os ossos sobrarão!
Vocês cansam-me... a culpa é vossa.
Estas quatro paredes não me deixam viver...
mas eu vou mais longe que isto.
Que a merda destas quatro paredes.
Estaria menos abafado aqui
se não tivesse um cabrãozinho com tiques de puta
a apontar-me o dedo...
Vamos recomeçar o que nunca parou...
Só termina quando eu me concretizar.
Mas todos os que estiveram nas estrelas, esses, que nunca foram estrelas e que caíram, caíram sozinhos. Não nascemos com asas, é o amor dos outros que as cria, esse amor vem de nós e dá-nos um lugar no céu para sermos uma estrela. Esses sim, estão acima do povo, porque nas vivas acções que outrora praticaram foi ao lado dele.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Estou aqui nesta varanda.
A noite já se faz tarde.
Um candeeiro ilumina o caderno.
A música repete-se.
Assim se repetem as palavras...
Procuro o que não encontro.
Algo do género parecido com o que nunca vi.
Não sei por onde procurar,
talvez até tenha passado por mim
e eu não me apercebi.
Não sei descrever.
Não sei se devo continuar
ou esperar que venha ao meu encontro,
às tantas andamos às voltas
e por isso ainda não nos cruzámos.
Eu sou o realista que busca o mistério.
Talvez seja da vida, não sei dizer...
É tudo tão talvez...
Se ao menos me trouxesses o segredo oculto,
estes pés já me pesam de tanto ser realista,
os sonhos já se me acabaram,
já não quero mais ver...
só desejo amar
e adormecer nos braços de quem me ama.
Mas só sei escrever...
Viver pelas palavras que escrevo
mas as palavras que escrevo são do que tenho vivido.
Olhem para mim,
sem fazer nada pela vida,
este governo destrói-me os sonhos,
já nem consigo ir a lado algum.
E vejo tão nitidamente a corrupção,
já só me falta não ter coração para virar terrorista
e enlouquecer num canto qualquer nu
onde as pessoas olhem de lado
e comentem e critiquem e receiem...
Como é que os outros não vêem que nos matam?
Aos poucos vão destruindo a minha alma,
roubam a luz dos meus olhos,
a sinceridade do meu sorriso
e o brilho da minha alma.
Quem critica o desespero
não sabe o que é o sofrimento.
Para chegar à decadência da desgraça
é preciso resistir primeiro até já nada restar.
É assim que o meu tempo passa,
os ponteiros rodam e o mundo desacontece...
A noite já se faz tarde.
Um candeeiro ilumina o caderno.
A música repete-se.
Assim se repetem as palavras...
Procuro o que não encontro.
Algo do género parecido com o que nunca vi.
Não sei por onde procurar,
talvez até tenha passado por mim
e eu não me apercebi.
Não sei descrever.
Não sei se devo continuar
ou esperar que venha ao meu encontro,
às tantas andamos às voltas
e por isso ainda não nos cruzámos.
Eu sou o realista que busca o mistério.
Talvez seja da vida, não sei dizer...
É tudo tão talvez...
Se ao menos me trouxesses o segredo oculto,
estes pés já me pesam de tanto ser realista,
os sonhos já se me acabaram,
já não quero mais ver...
só desejo amar
e adormecer nos braços de quem me ama.
Mas só sei escrever...
Viver pelas palavras que escrevo
mas as palavras que escrevo são do que tenho vivido.
Olhem para mim,
sem fazer nada pela vida,
este governo destrói-me os sonhos,
já nem consigo ir a lado algum.
E vejo tão nitidamente a corrupção,
já só me falta não ter coração para virar terrorista
e enlouquecer num canto qualquer nu
onde as pessoas olhem de lado
e comentem e critiquem e receiem...
Como é que os outros não vêem que nos matam?
Aos poucos vão destruindo a minha alma,
roubam a luz dos meus olhos,
a sinceridade do meu sorriso
e o brilho da minha alma.
Quem critica o desespero
não sabe o que é o sofrimento.
Para chegar à decadência da desgraça
é preciso resistir primeiro até já nada restar.
É assim que o meu tempo passa,
os ponteiros rodam e o mundo desacontece...
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Tenho mais palavras que razões.
Mais caminhos por caminhar
que opções por tomar.
Entre sonhos, por cá se diz,
que relativo é tudo o que eu quis.
Tenho tantas queixas para fazer
que não há tempo para viver.
Metade queixar, metade trabalhar,
intervalado por descansos
sem parar de pensar.
Eu escrevo e as horas passam
aproveitando o tempo morto para descansar.
Mais caminhos por caminhar
que opções por tomar.
Entre sonhos, por cá se diz,
que relativo é tudo o que eu quis.
Tenho tantas queixas para fazer
que não há tempo para viver.
Metade queixar, metade trabalhar,
intervalado por descansos
sem parar de pensar.
Eu escrevo e as horas passam
aproveitando o tempo morto para descansar.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Caiu sobre a foz de um rio.
Foram águas de tristeza.
De uns olhos quaisquer sonhadores.
Mas que sonhos poderemos sonhar se vivemos numa mentira conjunta.
Com realidades individualistas em certezas do passado.
A nascente cresce da montanha.
Quanto mais o riacho desce maior se torna.
Porque mais abaixo há mais pessoas.
E há mais pessoas que choram.
Será falta de árvores e da sua harmonia.
Será a decadência das suas podres folhas que já foram belas.
Será a carência de animais que rugem quando se lhes aproximam.
Será o que interpreto do mundo.
Que é a única pena com que escrevo.
Não conheço outra pena que não a que construí.
Sozinho. E contudo, precisei de outros para construi-la.
Foram águas de tristeza.
De uns olhos quaisquer sonhadores.
Mas que sonhos poderemos sonhar se vivemos numa mentira conjunta.
Com realidades individualistas em certezas do passado.
A nascente cresce da montanha.
Quanto mais o riacho desce maior se torna.
Porque mais abaixo há mais pessoas.
E há mais pessoas que choram.
Será falta de árvores e da sua harmonia.
Será a decadência das suas podres folhas que já foram belas.
Será a carência de animais que rugem quando se lhes aproximam.
Será o que interpreto do mundo.
Que é a única pena com que escrevo.
Não conheço outra pena que não a que construí.
Sozinho. E contudo, precisei de outros para construi-la.
É uma luta constante.
Enterro-me no sofá.
É assim que luto contra a preguiça de viver:
criando sentenças irreais sobre a realidade
que está para além das janelas do meu quarto.
Sei que são erradas.
Tenho a certeza.
Mas o que me faz não sair do quarto é por acreditar nelas.
Mentiras. Sentenças, mentiras e falácias.
O que é certo é este cigarro que agora acendo.
Para satisfazer a ânsia de fumar.
Depois esta certeza de que é cigarro morrerá num futuro próximo.
Desaparecerá. Esfumar-se-à.
E o que fora uma certeza existencial de um cigarro
deixará de o ser para ser uma memória
que se desvanecerá com outras memórias.
E a certeza de ânsia de fumar substituirá a certeza de não ter ânsia de fumar.
E tudo volta a repetir-se.
Isto é a vida de muitos.
Só não é para muito poucos:
os que não têm vida.
Palavras mentirosas e falaciosas...
Enterro-me no sofá.
É assim que luto contra a preguiça de viver:
criando sentenças irreais sobre a realidade
que está para além das janelas do meu quarto.
Sei que são erradas.
Tenho a certeza.
Mas o que me faz não sair do quarto é por acreditar nelas.
Mentiras. Sentenças, mentiras e falácias.
O que é certo é este cigarro que agora acendo.
Para satisfazer a ânsia de fumar.
Depois esta certeza de que é cigarro morrerá num futuro próximo.
Desaparecerá. Esfumar-se-à.
E o que fora uma certeza existencial de um cigarro
deixará de o ser para ser uma memória
que se desvanecerá com outras memórias.
E a certeza de ânsia de fumar substituirá a certeza de não ter ânsia de fumar.
E tudo volta a repetir-se.
Isto é a vida de muitos.
Só não é para muito poucos:
os que não têm vida.
Palavras mentirosas e falaciosas...
Absurdo sou eu,
que escrevo com tudo
e fico com nada.
Penso em ti quando escrevo este poema, sabes?
Escrevo com tudo porque me entrego e te o entrego.
Mas tu não me dás nada.
Porque a tua apreciação resume-se a dizeres-me que gostas.
Uma mera palavra dita.
Que já se esquece antes de ser falada.
E dissipas todo o nevoeiro que é sentimento...
Afinal, não te dei tudo.
Afinal, dei-te um conjunto de palavras organizadas
para que soe bem no teu ouvido.
Mas eu dei tudo.
E não te chegou ao coração.
Sou sincero.
Os meus poemas são mais sinceros que os meu próprios olhos.
E tu... gostas!
Ou sou eu incapacitado como poeta.
Ou és tu deficiente em palavras.
Ou uma terceira opção à tua escolha.
Não procuro elogios,
procuro palavras que completem os meus poemas.
Não procuro perfeição,
procuro estrelas para ocuparem o espaço do meu universo
e que iluminem a sua imensa escuridão.
Enquanto isso,
vou construindo pontes sobre rios que não existem...
que escrevo com tudo
e fico com nada.
Penso em ti quando escrevo este poema, sabes?
Escrevo com tudo porque me entrego e te o entrego.
Mas tu não me dás nada.
Porque a tua apreciação resume-se a dizeres-me que gostas.
Uma mera palavra dita.
Que já se esquece antes de ser falada.
E dissipas todo o nevoeiro que é sentimento...
Afinal, não te dei tudo.
Afinal, dei-te um conjunto de palavras organizadas
para que soe bem no teu ouvido.
Mas eu dei tudo.
E não te chegou ao coração.
Sou sincero.
Os meus poemas são mais sinceros que os meu próprios olhos.
E tu... gostas!
Ou sou eu incapacitado como poeta.
Ou és tu deficiente em palavras.
Ou uma terceira opção à tua escolha.
Não procuro elogios,
procuro palavras que completem os meus poemas.
Não procuro perfeição,
procuro estrelas para ocuparem o espaço do meu universo
e que iluminem a sua imensa escuridão.
Enquanto isso,
vou construindo pontes sobre rios que não existem...
Desconfio das minhas mãos,
olhando para trás,
para os poemas escritos por mim.
Que outrora escrevera como se fosse eu próprio esse poema.
Ou esse mesmo poema fora minha alma.
E agora estão enterrados, esquecidos.
Agora, deixaram de ser poemas vivos
para se transformarem em fósseis de outros tempos.
Abandonados.
Assim como este que escrevo agora.
Com lágrimas emotivas quase visíveis.
Quando chegar ao último ponto final deixar de ser meu.
Deixa de ser eu.
E passa a ser mais um para a colecção vazia.
Que por muitos poemas que tenha será sempre vazia.
Faltas-me tu. Ou algo. Ou alguém.
A colecção de poemas que já só serve para mostrar aos outros.
Principalmente para os que não querem ver.
Ou nunca viram.
Podre de mim, que bem tento.
E no meio destas tentativas falhadas
constato um ciclo vicioso, irónico, ridículo e absurdo.
(E tudo o que é absurdo nunca existe.)
Talvez me espera a máxima ironia de poemas meus conhecidos
aquando de mim morto.
Ou talvez tudo isto seja uma ilusão.
Uma fase passageira.
Como uma nuvem que se ergue no céu.
Uma nuvem passageira que por chorar incomoda a pequenez das gentes.
Eu sou uma nuvem passageira e o céu é o meu mar.
Tenho de me ter mais para chegar mais além do céu.
Mais universal por dentro. Dissolver no ar o que sou.
E ser o que está à minha volta:
o céu e tudo o que ele contém.
O oceano que por baixo de mim está é espelho distorcido.
E tento ver o que está para além dele:
a Realidade.
Os peixes, as plantas marinhas, os mamíferos, as mais pequenas células...
Infinita possibilidade de vidas...
O Possível e o Impossível.
O que aconteceu e o que está para acontecer.
A Vida.
olhando para trás,
para os poemas escritos por mim.
Que outrora escrevera como se fosse eu próprio esse poema.
Ou esse mesmo poema fora minha alma.
E agora estão enterrados, esquecidos.
Agora, deixaram de ser poemas vivos
para se transformarem em fósseis de outros tempos.
Abandonados.
Assim como este que escrevo agora.
Com lágrimas emotivas quase visíveis.
Quando chegar ao último ponto final deixar de ser meu.
Deixa de ser eu.
E passa a ser mais um para a colecção vazia.
Que por muitos poemas que tenha será sempre vazia.
Faltas-me tu. Ou algo. Ou alguém.
A colecção de poemas que já só serve para mostrar aos outros.
Principalmente para os que não querem ver.
Ou nunca viram.
Podre de mim, que bem tento.
E no meio destas tentativas falhadas
constato um ciclo vicioso, irónico, ridículo e absurdo.
(E tudo o que é absurdo nunca existe.)
Talvez me espera a máxima ironia de poemas meus conhecidos
aquando de mim morto.
Ou talvez tudo isto seja uma ilusão.
Uma fase passageira.
Como uma nuvem que se ergue no céu.
Uma nuvem passageira que por chorar incomoda a pequenez das gentes.
Eu sou uma nuvem passageira e o céu é o meu mar.
Tenho de me ter mais para chegar mais além do céu.
Mais universal por dentro. Dissolver no ar o que sou.
E ser o que está à minha volta:
o céu e tudo o que ele contém.
O oceano que por baixo de mim está é espelho distorcido.
E tento ver o que está para além dele:
a Realidade.
Os peixes, as plantas marinhas, os mamíferos, as mais pequenas células...
Infinita possibilidade de vidas...
O Possível e o Impossível.
O que aconteceu e o que está para acontecer.
A Vida.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
À Parte Do Mundo
Não conheço mundo algum.
Só conheço o meu que tanto desconfio.
O meu mundo confuso e desarrumado.
Não sei se isto são cacos do meu mundo.
Ou se cada caco é um mundo.
Sim, acho que tenho mais que um.
Nem sei qual deles é o verdadeiro.
Não sei se estes lençóis são feitos de sonhos.
Não sei se é de mim que desconfio quando desconfio dos outros.
Não sei olhar o mundo senão a janela que ninguém vê.
E passam sempre por ela.
Tanta gente que no comboio vai.
Como eu.
Não sei se pensam.
Mas eu penso.
Pergunto-me se são máquinas...
Tão rotineiras.
Até o repouso delas é rotineiro.
O meu mundo é preto da escuridão.
E o sol aquece o planeta com luz branca.
O preto da escuridão e o branco do sol aglomeram-se no que está fora de mim.
Na realidade.
E vejo o que vejo à minha volta a preto e branco.
Completamente sem sabor...
Metade do que vejo é meu.
A outra metade é do mundo.
Do mundo que é o mesmo mundo dos outros mundos.
É um mundo que ninguém lhe dá cor.
Não somos pintores.
Não somos criadores.
Somos repetições que trabalham oficiosamente repetidamente.
Somos cada um uma tela.
Telas com tintas permeáveis.
Quando a realidade chove essas tintas desaparecem.
E florescem cores originais aos poucos nessas telas.
Mas primeiro tornam-se pretos.
Por causa da humidade da tristeza.
E entendem o mundo no ponto de vista totalmente diferente.
Mais real. Mais original. Mais incomum.
Sim. Tornam-se telas pretas.
E vêem de maneira diferente.
Porque a tela nasceu branca, sem nada.
Um nada com tudo.
Um nada que pode ser tudo - até o impossível.
Um tudo que se converge nalgo.
Mas somos todos iguais.
Ninguém tem a sua própria cor.
Eu tento pintar a minha tela.
Mas a minha palete de madeira só tem madeira.
Eu sei que não tenho as minhas próprias cores.
A ilusão mostra cores invisíveis.
Talvez porque só eu as conheço.
Porque só eu é que me conheço.
E tento pintar a tela.
Ferindo-a. Esburacando-a. Destruindo-a.
Tentando desesperadamente acreditar que vejo.
Mas tudo o que vejo é nada.
Um tudo que é nada porque o mundo que sonhei não aconteceu.
Mas o mundo que sonho é um mundo que não existe.
Um mundo que sinto falta.
Por isso o sonho.
Nem sei porque o sonho.
Nem sei porque estou vivo.
Estou aqui.
Já aconchegado ao meu próprio desespero.
Um desespero sem palavras.
Desespero a saudade de algo que não tenho.
Nem nunca tive.
E por isso não há palavras para isto.
Porque não sei quais são.
Nunca tiveram na minha alma.
É um buraco. Um vazio que arrasto.
No entanto não sou pessimista.
Apenas não conquisto quando acredito que não conseguirei.
Que é quase sempre.
E mesmo que conquiste nunca vale uma festa.
Porque eu fico feliz com as mais pequenas coisas da vida.
Aquele minuto. Aquele milésimo de segundo.
Um sorriso. Nada mais me apraz que um sorriso.
Porque não o tenho.
Tu tens o meu quando sorris.
Não é egoísmo.
É amor e partilha.
Só conheço o meu que tanto desconfio.
O meu mundo confuso e desarrumado.
Não sei se isto são cacos do meu mundo.
Ou se cada caco é um mundo.
Sim, acho que tenho mais que um.
Nem sei qual deles é o verdadeiro.
Não sei se estes lençóis são feitos de sonhos.
Não sei se é de mim que desconfio quando desconfio dos outros.
Não sei olhar o mundo senão a janela que ninguém vê.
E passam sempre por ela.
Tanta gente que no comboio vai.
Como eu.
Não sei se pensam.
Mas eu penso.
Pergunto-me se são máquinas...
Tão rotineiras.
Até o repouso delas é rotineiro.
O meu mundo é preto da escuridão.
E o sol aquece o planeta com luz branca.
O preto da escuridão e o branco do sol aglomeram-se no que está fora de mim.
Na realidade.
E vejo o que vejo à minha volta a preto e branco.
Completamente sem sabor...
Metade do que vejo é meu.
A outra metade é do mundo.
Do mundo que é o mesmo mundo dos outros mundos.
É um mundo que ninguém lhe dá cor.
Não somos pintores.
Não somos criadores.
Somos repetições que trabalham oficiosamente repetidamente.
Somos cada um uma tela.
Telas com tintas permeáveis.
Quando a realidade chove essas tintas desaparecem.
E florescem cores originais aos poucos nessas telas.
Mas primeiro tornam-se pretos.
Por causa da humidade da tristeza.
E entendem o mundo no ponto de vista totalmente diferente.
Mais real. Mais original. Mais incomum.
Sim. Tornam-se telas pretas.
E vêem de maneira diferente.
Porque a tela nasceu branca, sem nada.
Um nada com tudo.
Um nada que pode ser tudo - até o impossível.
Um tudo que se converge nalgo.
Mas somos todos iguais.
Ninguém tem a sua própria cor.
Eu tento pintar a minha tela.
Mas a minha palete de madeira só tem madeira.
Eu sei que não tenho as minhas próprias cores.
A ilusão mostra cores invisíveis.
Talvez porque só eu as conheço.
Porque só eu é que me conheço.
E tento pintar a tela.
Ferindo-a. Esburacando-a. Destruindo-a.
Tentando desesperadamente acreditar que vejo.
Mas tudo o que vejo é nada.
Um tudo que é nada porque o mundo que sonhei não aconteceu.
Mas o mundo que sonho é um mundo que não existe.
Um mundo que sinto falta.
Por isso o sonho.
Nem sei porque o sonho.
Nem sei porque estou vivo.
Estou aqui.
Já aconchegado ao meu próprio desespero.
Um desespero sem palavras.
Desespero a saudade de algo que não tenho.
Nem nunca tive.
E por isso não há palavras para isto.
Porque não sei quais são.
Nunca tiveram na minha alma.
É um buraco. Um vazio que arrasto.
No entanto não sou pessimista.
Apenas não conquisto quando acredito que não conseguirei.
Que é quase sempre.
E mesmo que conquiste nunca vale uma festa.
Porque eu fico feliz com as mais pequenas coisas da vida.
Aquele minuto. Aquele milésimo de segundo.
Um sorriso. Nada mais me apraz que um sorriso.
Porque não o tenho.
Tu tens o meu quando sorris.
Não é egoísmo.
É amor e partilha.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Estou cansado.
Já nada me interessa.
Cansa-me os olhos.
Tudo isto.
Tudo o que está à minha volta.
Mentiras, mentiras e mentiras.
Mentiras que eu vejo.
Mentiras que eu vejo mas mesmo assim continuam a ser mentiras.
A realidade, ao defini-la concluo sempre que é uma mentira.
Na perversidade, no desejo que se tornaram objectivos sociais.
É mentira.
É mentira ser poderoso, é mentira ser alguém para alguém, é mentira o tentar e o dizer.
É tudo mentira.
Uma enfadonha mentira que estou sempre a ver quando não sonho.
E canso-me. Porque já não sonho.
Acabou-se-me a irrealidade feliz e pacífica.
Até estas duas palavras são mentira.
Não estão ao nosso alcance.
Somos mortais.
Só a morte e o passado são reais.
A morte que mata a mentira.
O passado que mentiu e ocultou.
O passado real e aldrabão.
Porque o interpretámos como mal o sabemos fazer.
Até a interpretação dos sentidos é uma mentira.
Uma ilusão de factos baseado em detalhes.
Que massada.
A massada que se queixa e se massa com as massas.
Até a massada é hipócrita.
E a hipocrisia é apenas um jogos de aparências.
Ou por outras palavras, uma mentira.
Só sei que é real os objectos.
E nunca os electrónicos que até esses nos mentem.
Apenas cigarros.
Cigarros que não falam.
Cigarros que no acaso ou sem acaso nos levam ou não à morte.
Os cigarros, que tanto apraz ao fumador.
O fumador, que tem o poder de expelir fumo pela boca.
Um poder sobre-humano.
Imortal.
Sem se lembrar que poderá morrer com o cigarro.
Ou não.
Ou morrerá desafectado pelas toxinas do tabaco.
Que amanhã poderá morrer atropelado.
Ou esfaqueado por um louco.
Ou num acidente de comboio.
Ou numa queda partir o pescoço.
Ou morrer electrocutado.
Ou as infinitas possibilidades para determinar num fim: a morte.
Mas durante esse tempo o fumador fuma.
E quando fuma deixa de ser ser humano.
Passa a ser o fumador.
O fumador que fuma.
Um produto numa prateleira qualquer.
Muito bem categorizado por um acto:
o de fumar, que o torna fumador.
E para mais um fumador de ganzas.
O cabrão do fumador de ganzas.
Que por fumar ganzas deve ser preso,
sem nunca ter feito mal a ninguém.
Porque o fumador de ganzas é carocho.
E os carochos são nojentos e atrofiados.
E portanto devem ser posto atrás das grades ao lado de assassinos profissionais comprados pelo Estado.
Ou então devem ser desprezados e abandonados.
Os carochos.
Mas o que será pior?
O carocho ou o carente?
O carente, que nunca existe em pessoa por sermos todos nós.
Carentes.
Carentes escondidos.
Carentes não assumidos.
Carentes que agradam os outros.
Carentes falsos e mentirosos.
Que vivem na ilusão do ser que o outro pensa desses carentes.
E a ilusão é mentira.
Também é mentira a paixão que não é eterna.
A língua portuguesa morreu.
E por isso vício, paixão, sexo, amor, gula, obsessão... é tudo igual.
E quem pensa correctamente é diferente.
Ou quem simplesmente pensa.
Ou quem usa os sentidos.
Os sentidos que absorvem factos.
Factos que não se argumentam.
Factos que se alteram.
E eu vejo os factos.
Os implícitos e os explícitos.
Mesmo que não os veja.
E critico os cegos, os surdos e os que falam.
Enraiveço-me.
Por o serem.
(Por terem boca.
Mas eu também tenho boca.
Uma boca que fala.
E que fala. E que fala.
E que fala. E que fala.
E que fala. E que fala.)
Que o são porque assim foram ensinados.
Ensinados como humanos personalizáveis que somos.
E eu sou hipócrita.
Porque critico.
E também porque não faço.
Mas tenho consciência.
E por isso sou o dobro da hipocrisia.
Sou um mentiroso que acusa e critica as mentiras que o mundo se tornou.
Sou um mentiroso diferente.
Porque acusa a mentira social.
E tenho razão.
Talvez mais quando me chamo mentiroso.
Porque espero.
Sem saber o que esperar.
Mas ironicamente espero.
Mas também vagueio.
Na dúvida e na desconfiança.
A pisar o chão muito cuidadosamente.
Não quero perturbar ninguém que não perturbe o sistema.
Como todos os intelectuais que passam as tardes em conversas e críticas sobre o País.
Mas quando piso com firmeza é sempre na altura em que vou falhar.
Porque não há chão, há ilusão.
Há a miragem.
E eu sei.
Mas agora tenho a certeza.
Porque caí.
E só me apercebi quando me aleijei.
Apesar disto já sabia da ilusão.
Mesmo exactamente antes de pisar.
Aqui.
No meu sub-consciente.
Mas é quase involuntário.
Não me consigo controlar.
Como se já estivesse a cair antes de pisar o buraco iludido de chão.
E digo que é previsível.
Mas continuo. E queixo-me.
E não consigo controlar.
Isto sim é sobre-humano.
E natural também.
Ou nada. Ou relativo.
Tão relativo que mais vale fumar.
Um cigarro.
Ou beber água.
Ou ir à casa-de-banho.
Ou qualquer outra coisa qualquer.
Já nada me interessa.
Cansa-me os olhos.
Tudo isto.
Tudo o que está à minha volta.
Mentiras, mentiras e mentiras.
Mentiras que eu vejo.
Mentiras que eu vejo mas mesmo assim continuam a ser mentiras.
A realidade, ao defini-la concluo sempre que é uma mentira.
Na perversidade, no desejo que se tornaram objectivos sociais.
É mentira.
É mentira ser poderoso, é mentira ser alguém para alguém, é mentira o tentar e o dizer.
É tudo mentira.
Uma enfadonha mentira que estou sempre a ver quando não sonho.
E canso-me. Porque já não sonho.
Acabou-se-me a irrealidade feliz e pacífica.
Até estas duas palavras são mentira.
Não estão ao nosso alcance.
Somos mortais.
Só a morte e o passado são reais.
A morte que mata a mentira.
O passado que mentiu e ocultou.
O passado real e aldrabão.
Porque o interpretámos como mal o sabemos fazer.
Até a interpretação dos sentidos é uma mentira.
Uma ilusão de factos baseado em detalhes.
Que massada.
A massada que se queixa e se massa com as massas.
Até a massada é hipócrita.
E a hipocrisia é apenas um jogos de aparências.
Ou por outras palavras, uma mentira.
Só sei que é real os objectos.
E nunca os electrónicos que até esses nos mentem.
Apenas cigarros.
Cigarros que não falam.
Cigarros que no acaso ou sem acaso nos levam ou não à morte.
Os cigarros, que tanto apraz ao fumador.
O fumador, que tem o poder de expelir fumo pela boca.
Um poder sobre-humano.
Imortal.
Sem se lembrar que poderá morrer com o cigarro.
Ou não.
Ou morrerá desafectado pelas toxinas do tabaco.
Que amanhã poderá morrer atropelado.
Ou esfaqueado por um louco.
Ou num acidente de comboio.
Ou numa queda partir o pescoço.
Ou morrer electrocutado.
Ou as infinitas possibilidades para determinar num fim: a morte.
Mas durante esse tempo o fumador fuma.
E quando fuma deixa de ser ser humano.
Passa a ser o fumador.
O fumador que fuma.
Um produto numa prateleira qualquer.
Muito bem categorizado por um acto:
o de fumar, que o torna fumador.
E para mais um fumador de ganzas.
O cabrão do fumador de ganzas.
Que por fumar ganzas deve ser preso,
sem nunca ter feito mal a ninguém.
Porque o fumador de ganzas é carocho.
E os carochos são nojentos e atrofiados.
E portanto devem ser posto atrás das grades ao lado de assassinos profissionais comprados pelo Estado.
Ou então devem ser desprezados e abandonados.
Os carochos.
Mas o que será pior?
O carocho ou o carente?
O carente, que nunca existe em pessoa por sermos todos nós.
Carentes.
Carentes escondidos.
Carentes não assumidos.
Carentes que agradam os outros.
Carentes falsos e mentirosos.
Que vivem na ilusão do ser que o outro pensa desses carentes.
E a ilusão é mentira.
Também é mentira a paixão que não é eterna.
A língua portuguesa morreu.
E por isso vício, paixão, sexo, amor, gula, obsessão... é tudo igual.
E quem pensa correctamente é diferente.
Ou quem simplesmente pensa.
Ou quem usa os sentidos.
Os sentidos que absorvem factos.
Factos que não se argumentam.
Factos que se alteram.
E eu vejo os factos.
Os implícitos e os explícitos.
Mesmo que não os veja.
E critico os cegos, os surdos e os que falam.
Enraiveço-me.
Por o serem.
(Por terem boca.
Mas eu também tenho boca.
Uma boca que fala.
E que fala. E que fala.
E que fala. E que fala.
E que fala. E que fala.)
Que o são porque assim foram ensinados.
Ensinados como humanos personalizáveis que somos.
E eu sou hipócrita.
Porque critico.
E também porque não faço.
Mas tenho consciência.
E por isso sou o dobro da hipocrisia.
Sou um mentiroso que acusa e critica as mentiras que o mundo se tornou.
Sou um mentiroso diferente.
Porque acusa a mentira social.
E tenho razão.
Talvez mais quando me chamo mentiroso.
Porque espero.
Sem saber o que esperar.
Mas ironicamente espero.
Mas também vagueio.
Na dúvida e na desconfiança.
A pisar o chão muito cuidadosamente.
Não quero perturbar ninguém que não perturbe o sistema.
Como todos os intelectuais que passam as tardes em conversas e críticas sobre o País.
Mas quando piso com firmeza é sempre na altura em que vou falhar.
Porque não há chão, há ilusão.
Há a miragem.
E eu sei.
Mas agora tenho a certeza.
Porque caí.
E só me apercebi quando me aleijei.
Apesar disto já sabia da ilusão.
Mesmo exactamente antes de pisar.
Aqui.
No meu sub-consciente.
Mas é quase involuntário.
Não me consigo controlar.
Como se já estivesse a cair antes de pisar o buraco iludido de chão.
E digo que é previsível.
Mas continuo. E queixo-me.
E não consigo controlar.
Isto sim é sobre-humano.
E natural também.
Ou nada. Ou relativo.
Tão relativo que mais vale fumar.
Um cigarro.
Ou beber água.
Ou ir à casa-de-banho.
Ou qualquer outra coisa qualquer.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Confusões
Palavras cheias de nada,
por aqui e ali ainda se ouvem críticas,
todos falamos e comentamos
o que se anda a passar,
sentados criticando
que ninguém faz por mudar.
Acendo um cigarro,
penso para os meu botões
o que hei-de fazer pelos outros
mas primeiro tenho de me fazer
apesar de não encontrar razões
para ajudar estes loucos
e que mais valia deixá-los apodrecer.
Mas tudo bem,
não façamos por quem não mereça,
mas também eu sou quem,
na verdade só sei de mim
e mesmo assim
não sei quando devo sentença
porque o ponto de vista
é a falha de quem se apela altruísta.
Estou numa confusão tal
que pensar no suicídio
considera-se algo normal
em circunstância
de martírio.
Mas à contradição
me acrescento
por crer que há sempre solução
e é por isto que não comento.
Nunca chego a conclusão alguma
encontro sempre mais uma
excepção perdendo-me num labirinto
tão grande que em termos de memória
tem o mesmo efeito que muito vinho tinto.
Acendo mais um cigarro
enquanto o comboio dá sinal de entrada,
estou sentado na estação
à espera dele, à espera do quê?
Porquê? E tudo começa a desenvolver
para me perder e obrigar-me na relatividade
que se torna a tudo o que chamam de viver.
Mas que pachorra tenho em pensar
é como andar de comboio,
no final acabo por morrer
por ser esquecido e desaparecer,
ridículo sou eu que estou aqui sem prazer
para ser levado por um comboio cheio de anormais
que me julgam um ser estranho,
que me avaliam e fazem apostas
para adivinhar de onde venho.
Mas que paciência eu tenho,
mais vale acender um cigarro
que tanto me apraz
para ter de acender outro
depois porque o tempo passou
e o que ficou, ficou para trás.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
A Esperança Espera
As pedras do riacho
que ali estão
são feitiços que acho
na solidão.
Onde passa a água
passa o tempo
na pedra parada
que o vento trespassa
como um sentimento
que à pedra ultrapassa
com esperança de ter sorte
nas próximas vazas.
"Talvez ganhe um par de asas
sem ser entregue pela morte",
pensa a pedra esperançada
admirando o céu
enquanto tudo o que faz...
é rigorosamente nada.
E a pedra
deixa-se dissolver
pela água que passa
como o tempo...
deixa-se corroer
pelo vento que trespassa
como um sentimento...
É assim que se desgasta
a pedra da pobre casta
que à esperança se entrega
num nada feito que assossega
para que a espera não a desespere
tornando relativo todos os sonhos
que ela tiver.
Aonde estás, acção?
O que não é preciso ter é esperança
mas sim determinação
porque o tempo avança
acumulando à pedra
sonhos e sonhos por realizar
enquanto o peixe
não reza, aliás, até despreza
desprendendo-se de sonhos
porque sabe que fazer é completar.
Acreditar é para quem duvida,
quem concretiza é quem está certo.
E o peixe contra a corrente nada
e nada encontra na sua frente
senão mais um arrastão
mas enquanto avança
vai ganhando mais razão,
nada tanto que se cansa
mas a força está no coração
e substitui qualquer músculo.
Concretizar a acção
é retirar o sonho dum crepúsculo,
nesse quadro onde o horizonte
inalcançável é pintado pela esperança.
A mesma esperança
que se alimenta de sonhos
por concretizar...
O peixe tem de lutar
porque...
o que é gratuito
é para a alma prostituta
que assim desfruta
com o intuito
de agradar,
mas isso é uma fruta
que apodrece
quando descobre o que é amar.
que ali estão
são feitiços que acho
na solidão.
Onde passa a água
passa o tempo
na pedra parada
que o vento trespassa
como um sentimento
que à pedra ultrapassa
com esperança de ter sorte
nas próximas vazas.
"Talvez ganhe um par de asas
sem ser entregue pela morte",
pensa a pedra esperançada
admirando o céu
enquanto tudo o que faz...
é rigorosamente nada.
E a pedra
deixa-se dissolver
pela água que passa
como o tempo...
deixa-se corroer
pelo vento que trespassa
como um sentimento...
É assim que se desgasta
a pedra da pobre casta
que à esperança se entrega
num nada feito que assossega
para que a espera não a desespere
tornando relativo todos os sonhos
que ela tiver.
Aonde estás, acção?
O que não é preciso ter é esperança
mas sim determinação
porque o tempo avança
acumulando à pedra
sonhos e sonhos por realizar
enquanto o peixe
não reza, aliás, até despreza
desprendendo-se de sonhos
porque sabe que fazer é completar.
Acreditar é para quem duvida,
quem concretiza é quem está certo.
E o peixe contra a corrente nada
e nada encontra na sua frente
senão mais um arrastão
mas enquanto avança
vai ganhando mais razão,
nada tanto que se cansa
mas a força está no coração
e substitui qualquer músculo.
Concretizar a acção
é retirar o sonho dum crepúsculo,
nesse quadro onde o horizonte
inalcançável é pintado pela esperança.
A mesma esperança
que se alimenta de sonhos
por concretizar...
O peixe tem de lutar
porque...
o que é gratuito
é para a alma prostituta
que assim desfruta
com o intuito
de agradar,
mas isso é uma fruta
que apodrece
quando descobre o que é amar.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
Eles são vampiros,
sugam-nos o sangue
e a vontade de viver.
O Povo observa a lua
em esperança e por sonhos
mas a lua é mentirosa
e os políticos vão enchendo as estrelas
com ilusões e fantasias
e muitos de nós desistem,
cabis-baixos, sem mais olhar para o céu
enquanto eles lutam pelo réu,
mas a lua está a ficar cheia
e os nossos lobisomens
já não querem ser mais homens,
transformaram-se em lobos
para vingar as lágrimas desesperadas
e vagueiam nas sombras das ruas
com vontade de devorar a carne,
com sede de sangue
vão-se descontrolar.
Os vampiros transformam-se
quando querem
mas os lobisomens
são mais fortes
porque têm de serem exitados
e quando se transformam
só param depois de várias mortes
desses filhos-da-puta
que os apelidam de cães do inferno
mas a verdade é que eles vão trazer
o que conquistámos em tempo
e vão assinar e assassinar
por cada momento
em que a tristeza e a apatia
veio para festejar a hipocrisia
de trinta e oito anos de democracia
de uma ditadura mascarada
com várias caras
alimentadas pela corrupção,
alimentada pela ignorância.
Um dia a guerra será declarada,
o Povo ouvirá a sirene
e vai como foi a armada,
nenhuma bala
cala a voz de um Povo
que fala e ergue voz.
Dispostos a morrerem
por tudo porque nada têm,
sem sangue nas veias
entrarão e entranhar-se-ão
enquanto os políticos
mais uma vez se vêem
ao tratarem o Povo
abaixo de cão.
Cairá sobre nós uma guerra civil
para trazer o sangue
que não houve
no falhanço do 25 de Abril.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Não consigo dormir
porque sonhos não me deixam a sorrir,
com medo que ele entre
a qualquer momento,
porque eu sei,
sinto-o a chegar...
Nem dou pelo tempo passar
quem quis ser, onde quis estar,
não sei quê viver,
porque estou a pensar
somente escrevendo por escrever
apenas por rimar.
E não consigo parar,
porque não tenho tema
e assim degrada-se a merda do poema.
Mas eu estava a escrever?
Epá, esqueci-me...
também já não quero saber...
porque sonhos não me deixam a sorrir,
com medo que ele entre
a qualquer momento,
porque eu sei,
sinto-o a chegar...
Nem dou pelo tempo passar
quem quis ser, onde quis estar,
não sei quê viver,
porque estou a pensar
somente escrevendo por escrever
apenas por rimar.
E não consigo parar,
porque não tenho tema
e assim degrada-se a merda do poema.
Mas eu estava a escrever?
Epá, esqueci-me...
também já não quero saber...
Foda-se, estou me a cagar,
é só rabiscos e rabiscos por acabar
tudo porque me ponho a vaguear
na confusão que se tornou a reflexão
quando bombeado pelo coração,
porque o sentimento não sente a razão,
e fico na ilusão que a escuridão oferece
mas nem assim há imaginação que me preze
e sento-me na canto da solidão
à espera mas a minha alma não esquece...
é só rabiscos e rabiscos por acabar
tudo porque me ponho a vaguear
na confusão que se tornou a reflexão
quando bombeado pelo coração,
porque o sentimento não sente a razão,
e fico na ilusão que a escuridão oferece
mas nem assim há imaginação que me preze
e sento-me na canto da solidão
à espera mas a minha alma não esquece...
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Não quero mas falho
e no auge da pressão
ponho as mãos na cabeça
e berro gritando "tudo pó cara***"
porque o coração não pensa
apenas sente e é influente
na ilusão da avença
de um mundo que em frente
torna o cérebro dormente
pois nada tem parecença
com o que imaginei
mas eu sei.
Mas não é por saber
que consiga entender
porque vivo o que sinto
mas mesmo assim não consinto
que o que é real
seja real quando está tudo mal.
Talvez porque não é como se queira
mas o facto é que pratiquei o acto
a que devo chamar asneira
porque o resultado
não foi o que quis
e o fado torna-se fardo
que não é feliz.
e no auge da pressão
ponho as mãos na cabeça
e berro gritando "tudo pó cara***"
porque o coração não pensa
apenas sente e é influente
na ilusão da avença
de um mundo que em frente
torna o cérebro dormente
pois nada tem parecença
com o que imaginei
mas eu sei.
Mas não é por saber
que consiga entender
porque vivo o que sinto
mas mesmo assim não consinto
que o que é real
seja real quando está tudo mal.
Talvez porque não é como se queira
mas o facto é que pratiquei o acto
a que devo chamar asneira
porque o resultado
não foi o que quis
e o fado torna-se fardo
que não é feliz.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
O Mistério Da Aranha
Vou-vos contar uma história. Uma história real, minha. Teria eu entre os meus quatro, cinco anos. E acordava todas as manhãs mais cedo. Ainda todos dormiam. Já o sol se erguera. Muitas vezes acordava a sangrar do nariz. Mas sempre com vontade de ir à casa-de-banho. E era o que eu fazia quando acordava: ir à casa-de-banho e voltar para a cama. No quarto onde eu dormia dormia também a minha irmã, noutra cama. Tínhamos a varanda nesse quarto, na parede contrária à porta que dava para o hall, que por sua vez era o núcleo das divisões da casa. As portas de vidro que separavam a varanda do quarto estavam tapadas por uma longa cortina laranja, com padrões de flores num estilo antigo. Um laranja vivo. Um laranja que me parecia deixar o quarto harmoniosamente quente. Ainda me lembro de estar deitado, numa manhã tardia, na cama da minha irmã - a cama mais próxima da varanda e consequentemente a mais afastada da porta para o hall - de olhos acordados, virado para essa cortina e a reflectir, nesses meus quatro, cinco anos de vida, sobre os padrões da cortina, a mesma cortina que eu olhei quando acordei de um pesadelo que voltei a ter anos mais tarde. Mas esta não é a história que vos quero contar.
Tal como escrevi, nesse quarto, nessa idade, entre esses acontecimentos de me levantar mais cedo, num sol já acordado, os da casa ainda a dormir, eu acordava. Muitas vezes a sangrar do nariz mas sempre com vontade de ir à casa-de-banho para depois voltar para a cama. Não sei quando, estou certo de que não fora no início, mas sei que algures foi nessas tantas vezes. Uma vez, acordei, como sempre fizera, para ir à casa-de-banho. E eis que, quando chego à porta do meu quarto, do outro lado está uma simples aranha, no hall, frente à porta da casa-de-banho. No início não lhe dei atenção. Mas o mistério tem nome porque acabamos, mais tarde ou mais cedo, de nos apercebermos da sua presença. E já eram manhãs demais, seguidas, que aranha estava no mesmo sítio, ali no chão, à frente da porta, no meio do nada e, de alguma forma, pressentia o seu olhar fixo em mim quando a via. E comecei aperceber-me que ela estava sempre lá, como que à minha espera, para desaparecer na casa-de-banho. Quando finalmente achara muito estranho tais acontecimentos repetidos, decidi tentar apanhá-la. Das primeiras vezes que tentei, tentei a correr, porque a andar ela ia para a casa-de-banho consoante o meu passo. E consoante o passo da minha corrida, ela escapava-se sempre para a casa-de-banho para desaparecer. Depois de algumas tentativas de apanhá-la correndo tentei de outra forma: indo ao seu encontro em passos muito lentos e silenciosos mas obtivera o mesmo resultado que das outras vezes. Até que me fartei de tentar caçá-la e num dia, naquele dia que iria ser o último dia que haveria de vê-la, fui a correr irritado ao seu alcance, mas ela voltou a desaparecer na casa-de-banho e nesse dia, irritado, decidi procurá-la em todos os cantos da casa-de-banho, até por baixo do tapete procurei, mas não a vi. Nunca mais a vi. Sabia, naquela altura, que ninguém haveria de testemunhar que o mistério da vida iria surgir em nevoeiros na minha vida tão cedo, na ingénua idade. De facto, apercebo-me agora que esse mistério surgiu na etapa das idades em que estamos a construir a nossa concepção do mundo, nos meus quatro anos... Não acredito em coincidências. Acredito na lógica, na consequência, no efeito, no resultado e naquilo que não consigo ver: o mistério. Por isto vos conto esta minha história que ainda hoje me deixa pensativo. Porque é algo que não consigo resolver e sinto que é um aviso. Uma premonição. O que é que a aranha significava? E porque é que ela estava ali? E porque é que ela fugia sempre que eu me aproximava? Fugia ou escapava? E porquê para a casa-de-banho? A casa-de-banho... era o meu objectivo... porque ia ela para o meu objectivo? Porque é que ela desaparecia sempre que eu atingia o meu objectivo? Porque não iria ela para outro lado? E se fosse para outro lado, eu iria? Desviar-me-ia do meu caminho? Mas o meu principal objectivo não deixara de ser a casa-de-banho para ser a aranha? Então já seria um desvio de pensamento? A minha irmã... estava atrás das minhas costas a dormir... uma pessoa que amo... será que seria esse o meu desvio? O desprezo aos que amo?
São tudo perguntas que só poderei responder quando a morte me vier buscar... até lá, vou vivendo.
Tal como escrevi, nesse quarto, nessa idade, entre esses acontecimentos de me levantar mais cedo, num sol já acordado, os da casa ainda a dormir, eu acordava. Muitas vezes a sangrar do nariz mas sempre com vontade de ir à casa-de-banho para depois voltar para a cama. Não sei quando, estou certo de que não fora no início, mas sei que algures foi nessas tantas vezes. Uma vez, acordei, como sempre fizera, para ir à casa-de-banho. E eis que, quando chego à porta do meu quarto, do outro lado está uma simples aranha, no hall, frente à porta da casa-de-banho. No início não lhe dei atenção. Mas o mistério tem nome porque acabamos, mais tarde ou mais cedo, de nos apercebermos da sua presença. E já eram manhãs demais, seguidas, que aranha estava no mesmo sítio, ali no chão, à frente da porta, no meio do nada e, de alguma forma, pressentia o seu olhar fixo em mim quando a via. E comecei aperceber-me que ela estava sempre lá, como que à minha espera, para desaparecer na casa-de-banho. Quando finalmente achara muito estranho tais acontecimentos repetidos, decidi tentar apanhá-la. Das primeiras vezes que tentei, tentei a correr, porque a andar ela ia para a casa-de-banho consoante o meu passo. E consoante o passo da minha corrida, ela escapava-se sempre para a casa-de-banho para desaparecer. Depois de algumas tentativas de apanhá-la correndo tentei de outra forma: indo ao seu encontro em passos muito lentos e silenciosos mas obtivera o mesmo resultado que das outras vezes. Até que me fartei de tentar caçá-la e num dia, naquele dia que iria ser o último dia que haveria de vê-la, fui a correr irritado ao seu alcance, mas ela voltou a desaparecer na casa-de-banho e nesse dia, irritado, decidi procurá-la em todos os cantos da casa-de-banho, até por baixo do tapete procurei, mas não a vi. Nunca mais a vi. Sabia, naquela altura, que ninguém haveria de testemunhar que o mistério da vida iria surgir em nevoeiros na minha vida tão cedo, na ingénua idade. De facto, apercebo-me agora que esse mistério surgiu na etapa das idades em que estamos a construir a nossa concepção do mundo, nos meus quatro anos... Não acredito em coincidências. Acredito na lógica, na consequência, no efeito, no resultado e naquilo que não consigo ver: o mistério. Por isto vos conto esta minha história que ainda hoje me deixa pensativo. Porque é algo que não consigo resolver e sinto que é um aviso. Uma premonição. O que é que a aranha significava? E porque é que ela estava ali? E porque é que ela fugia sempre que eu me aproximava? Fugia ou escapava? E porquê para a casa-de-banho? A casa-de-banho... era o meu objectivo... porque ia ela para o meu objectivo? Porque é que ela desaparecia sempre que eu atingia o meu objectivo? Porque não iria ela para outro lado? E se fosse para outro lado, eu iria? Desviar-me-ia do meu caminho? Mas o meu principal objectivo não deixara de ser a casa-de-banho para ser a aranha? Então já seria um desvio de pensamento? A minha irmã... estava atrás das minhas costas a dormir... uma pessoa que amo... será que seria esse o meu desvio? O desprezo aos que amo?
São tudo perguntas que só poderei responder quando a morte me vier buscar... até lá, vou vivendo.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A Última Carta - A Morte No Natal
que se foda...
para ser sempre
um mundo que nao gira
a minha alma está vazia...
eu nunca voltei ao início porque eu nunca sai de la
afinal, o planeta roda e gira mas nada mudou
nada de nada
mas ainda me pergunto se mereço
porque a unica conquista que tive foi a taça dos fracassos
mas fui esquecido e abandonado num beco qualquer que fecharam sem terem reparado que eu estava lá
e fiquei lá, preso, no escuro, sem saída, num sufoco e nem eu me consigo abraçar
e o meu peito encolhe... encolhe de dor
e agacho me como se fosse uma planta a murchar porque a dor consome-nos o coraçao
e morremos ali... apodrecidos... para desaparecermos lentamente, entre invernos e veroes, acabando por sermos absorvidos pela terra gelada e crua
e nem temos sequer direito a uma campa
e no entanto, o mundo continua a girar...
e nós rodamos parados
mas para quê tar de pé,? que os outros se elevem, se erguam... eu afundo-os todos com as minhas lágrimas
a minha dor tira-lhes o ar e eles deixam de respirar...
a minha dor é velha...
uma velha bruxa...
amaldiçoada...
um virus..
um parasita..
nao da para fugir
so ha uma escaporia que ando a tentar evitar, enquanto nao atravessar a porta vou correndo
mas ela acaba sempre por me apanhar
e quando eu penso que a deixei para tras...
ela surge mais forte e mais aguda...
a minha dor... eu nasci com o coraçao dorido...
sao tudo ilusoes
sonhos que se tornam em desilusoes
facadas, cada sonho esfaqueia o meu coraçao
e o meu coraçao bombeia esburacado espirrando sangue por todo o lado
e é em dias de folga que me maravilho com o mundo...
mas nao sao esses dias que sustem
porque a dor trata logo de me afundar...
até la vou fingindo que a dor nao me afeta
para ninguem se afastar de mim
mas mais tarde ou mais cedo o mundo fica chocado
achando que conhece a realidade
mas a realidade nunca é o que queremos
nem o que sonhamos
quem me dera ser uma personagem e encenar o meu próprio fim...
mas o tempo passa e eu vou ficando para tras
deixando os outros me pisarem
porque até o meu corpo se tornou pesado
e quanto mais cansado mais pesado fica
os sonhos... os sonhos...
nada mais
estou cansado...
a minha vida está a esgotar se
mas quem se interessa também
o mundo continuara a rodar
sempre rodou quando a desgraça me esfaqueava
haveria agora de parar de girar?
claro que nao
nao houve nem uma alma
foi tudo contra
como se uma conspiraçao se tratasse
mas ela aproxima se...
mais uma vez falha
o sol nao devia erguer-se
por respeito
mas o mundo gira
e fico para tras
um dia nao sera faca
um dia sera a ceifa
e ai..
o impacto chocará e chorará e a culpa vai se abater sobre aqueles que se perguntarem porque
ironias de vida
estou abraçado à desgraça e agora afundo-me
esperando que o sufoco me mate
sozinho
sempre sozinho
no mar de lagrimas so necessito de nao me mexer
ela trata do resto...
do que falta
é só esperar que atinja o pico
que tudo se torna automatico
um tudo do nada
e de repente explode destribuindo a dor que guardei sobre os que me rodeiam...
eles nao me ouvem porque esperam o acto
mas nao quero saber
a dor que me devore
e depois quando chegar... chegou
e que o tempo dissolva as minhas palavras...
cansado... so desejava dormir eternamente e viver um mundo bem diferente
mas sonhos são sonhos...
Morte
Estou à espera da tua chegada,
enquanto desespero o mundo
mas eu agora percebo a tentativa falhada
de completar a nossa própria morte,
será esperar como eu que ela me venha buscar
porque essa é a esperança que me mantém
de olhos abertos, ja nada me
contém na flor da vida...
Foi um crime ter sido parido
foi um crime terem deixado me viver...
Egoístas, mas eu não ganhei nada...
fartei-me, cansei-me
o tempo toca mas nada aparece
para satisfazer o resto da voz
para uma última prece...
enquanto desespero o mundo
mas eu agora percebo a tentativa falhada
de completar a nossa própria morte,
será esperar como eu que ela me venha buscar
porque essa é a esperança que me mantém
de olhos abertos, ja nada me
contém na flor da vida...
Foi um crime ter sido parido
foi um crime terem deixado me viver...
Egoístas, mas eu não ganhei nada...
fartei-me, cansei-me
o tempo toca mas nada aparece
para satisfazer o resto da voz
para uma última prece...
Resignação
O tempo passa
e eu passo o tempo sem
pensar, sem achar o tempo
em cada momento que passa.
E sinto-me paralisado,
não sei se o meu corpo fracassa
ou o tempo é que está parado,
de facto, nem reparo que passa por mim,
porque eu estou sentado no sofá,
sem perceber se tudo é assim,
de uma maneira pouco satisfatória
e pergunto-me se sou capaz
de avançar porque a minha memória
diz que é sempre a mesma história.
E espero ser apanhado
por alguém que decida subir o meu prédio,
alguém que me faça sentir amado
e que me mostre que a vida não é um tédio.
Porque eu fartei de procurar
e encontrar mais motivos
para me sentar
em vez de andar a suar
e são mais pingas de lágrimas
do que suor
porque tentar
só me leva para pior
e estou farto de chorar.
Que se foda,
se o tempo me quer levar
eu também já me tou a cagar pa esta merda toda,
que o mundo avance sem mim
ou que eu recue sozinho
bebam eles a vida
que eu afogo-me em vinho,
que se foda.
Vão à merda
não me enxerguem a cabeça
não me fodam o resto da minha calma,
eu não estou resignado
apenas tento segurar a alma
para que não fuja deste corpo cansado,
saiam de ao pé de mim,
não vos quero ver nem ouvir
não tenho culpa,
vocês é que andam a parir
e não anseio mais sorrir...
e eu passo o tempo sem
pensar, sem achar o tempo
em cada momento que passa.
E sinto-me paralisado,
não sei se o meu corpo fracassa
ou o tempo é que está parado,
de facto, nem reparo que passa por mim,
porque eu estou sentado no sofá,
sem perceber se tudo é assim,
de uma maneira pouco satisfatória
e pergunto-me se sou capaz
de avançar porque a minha memória
diz que é sempre a mesma história.
E espero ser apanhado
por alguém que decida subir o meu prédio,
alguém que me faça sentir amado
e que me mostre que a vida não é um tédio.
Porque eu fartei de procurar
e encontrar mais motivos
para me sentar
em vez de andar a suar
e são mais pingas de lágrimas
do que suor
porque tentar
só me leva para pior
e estou farto de chorar.
Que se foda,
se o tempo me quer levar
eu também já me tou a cagar pa esta merda toda,
que o mundo avance sem mim
ou que eu recue sozinho
bebam eles a vida
que eu afogo-me em vinho,
que se foda.
Vão à merda
não me enxerguem a cabeça
não me fodam o resto da minha calma,
eu não estou resignado
apenas tento segurar a alma
para que não fuja deste corpo cansado,
saiam de ao pé de mim,
não vos quero ver nem ouvir
não tenho culpa,
vocês é que andam a parir
e não anseio mais sorrir...
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Essa gente diz que a minha geração é mimada. É? É que se nós somos a desgraça, vocês são a vergonha. Vocês não souberam usar a democracia e acima de tudo, para além de vocês terem deixado levarem-se pela decadência da democracia da nossa Nação, vocês ensinaram-nos a levar-mo-nos pela decadência. A vossa geração não é nenhuma geração lutadora, a revolução 25 de Abril aconteceu por causa do Ultramar, e não foram vocês que o criaram, foi o Salgueiro Maia e os seus companheiros mais próximos. E não venham com merdas e engulam este sapo ao pontapé, sabem porquê? Porque vocês nunca souberam pensar, nunca souberam usufruir da liberdade de expressão, DE FACTO, É A SEGUNDA VEZ QUE A TRÍADE DO FMI VEM CÁ, E QUEM ESTÁ VIVO PARA TESTEMUNHAR ISSO? VOCÊS! Vocês é que não deram pevas para a corrupção! A culpa da merda da pobreza e da desgraça está unicamente em vocês! É exclusivamente de vossa culpa de não sabermos usar a liberdade de expressão, sabem porquê? Porque vocês também nunca a souberam usar! E a pergunta é... SE VOCÊS NUNCA A SOUBERAM DESDE O 25 DE ABRIL, COMO É QUE NÓS SABERÍAMOS USAR? Vocês que criticam a minha geração dizendo que ela é mimada, mas isso é tudo MERDA! É só desculpas, porque vocês é que nos pariram! Falam da opressão? Eu vos digo o que é a opressão de hoje, a opressão de hoje é bem pior, porque ela existe, só que não a vemos e como não a vemos, não conseguimos lutar contra ela! Porque se diz estarmos em democracia mas vocês é que deixaram que se criasse este ambiente de terror, de opressão, a minha geração fala-vos dos abusos de autoridade e quem se preocupou com isso? Agora não é? Agora é que se preocupam com isso? Agora que já vos atinge porque saíram à rua não é? Agora que passou a estar directamente relacionado convosco não é? Como sempre foi não é verdade? Como sempre foi! Mas deixem que vos diga: é a minha geração que vocês apelam de mimada que vai fazer a diferença, porque nós é que estamos a comer com os vossos erros, NÓS É QUE VAMOS CÁ FICAR, nós é que estamos a lutar contra o governo por nós próprios, nós é que vamos comer a merda que vocês e os vossos políticos cagaram! Nós somos os mimados!? Mas vamos ser nós que iremos ser os glóbulos brancos contra a corrupção! Miséria? Falam da miséria antes do 25 de Abril? Não me admira, faz parte de uma ditadura. MAS NÃO NUMA DEMOCRACIA. 25 DE ABRIL? SERÁ A GERAÇÃO MIMADA QUE LHE DARÁ SIGNIFICADO! HATERS GONNA HATE! .|. Eu tenho 18 anos, mas pelos vistos sei muito mais que muita gente e tenho mais colhões que muita gente! Tomem, fiquem com esta música da geração mimada: http://www.youtube.com/watch?v=3Xaj-5RFwfw
domingo, 22 de abril de 2012
A Primeira Vez
Poemas? Vocês não entendem
quantas lágrimas dissolvidas
em sangue se compreendem...
Escrevo palavras belas...
belas? Se soubesses
quantas telas de guerra
onde estive colocado,
fardado e armado,
mas eu era criança
não um soldado
e o chapéu era demasiado largo
tapava-me a cara,
e tinha ninguém a cargo
na escuridão para me orientar,
por cada som alto
eu dava um salto
e começava a chorar,
mas ninguém me abraçava
ninguém me pegava
estava ali sozinho
ainda mais criança que menino,
tremia de nervos
de quatro anos servos
por ter sido capturado
por um amor mal-tratado
começara a deixar de sorrir
porque a sociedade
tinha-me aldrabado,
farto do que andava a ouvir,
que a verdade é um pai que ama
e não era isso que eu estava a sentir
por cada vez que era espancado
e ainda era obrigado a sorrir,
sem saber o que dizer na rotina
porque tinha medo de o ver tresloucado
e não percebia o que o deixava irritado
por isso comecei a ficar calado
ficando aliviado de não estarmos perto
um do outro e já estava a ficar louco
porque a opressão era um sufoco
e o ódio e amor eram insolúveis...
esta foi a primeira tentativa
de tentar descobrir se a minha alma ainda estava viva...
sábado, 21 de abril de 2012
Condenado À Vingança Falhada
Eu prometi que um dia
cada lágrima chorada
seria o sangue que se derramaria
nos corpos desse bando
de filhos-da-puta,
enquanto vou tentando
ser alguém e fazer algum bem
a quem mal me fez e mal tem
e talvez saia daqui sem ganhar
não quero saber eu vou morrer
a lutar, a gritar, a espernear,
mesmo abafado, sufocado
com tanta dor,
desprezado pelo amor,
eu vou avançar
nem que seja a rastejar
apedrejado, insultado,
que o mundo caia em cima de mim
eu é que sou dono do meu fado,
que eu tombe, não cairei calado
eu vou fazer um frenesim.
Não, eu não sou o melhor,
de facto até fico bem pior
por cada acto mas eu tento
a cura que o tempo
não traz, talvez eu seja incapaz,
mas eu já desgastei trinta sofás
longe de estar em paz
com promessas de vingança
de uma criança sem esperança
mas o tempo não se cansa...
e tudo o que eu represento
não passam de memórias horríveis,
sem sentido e falho,
porque o que vivo
é o que tenho vivido
e só me apetece mandar pó caralho
mas não posso
porque o meu coração vai também
porque não tenho nada meu,
é tudo nosso, e se o amor vai
então a minha alma morreu...
cada lágrima chorada
seria o sangue que se derramaria
nos corpos desse bando
de filhos-da-puta,
enquanto vou tentando
ser alguém e fazer algum bem
a quem mal me fez e mal tem
e talvez saia daqui sem ganhar
não quero saber eu vou morrer
a lutar, a gritar, a espernear,
mesmo abafado, sufocado
com tanta dor,
desprezado pelo amor,
eu vou avançar
nem que seja a rastejar
apedrejado, insultado,
que o mundo caia em cima de mim
eu é que sou dono do meu fado,
que eu tombe, não cairei calado
eu vou fazer um frenesim.
Não, eu não sou o melhor,
de facto até fico bem pior
por cada acto mas eu tento
a cura que o tempo
não traz, talvez eu seja incapaz,
mas eu já desgastei trinta sofás
longe de estar em paz
com promessas de vingança
de uma criança sem esperança
mas o tempo não se cansa...
e tudo o que eu represento
não passam de memórias horríveis,
sem sentido e falho,
porque o que vivo
é o que tenho vivido
e só me apetece mandar pó caralho
mas não posso
porque o meu coração vai também
porque não tenho nada meu,
é tudo nosso, e se o amor vai
então a minha alma morreu...
sexta-feira, 20 de abril de 2012
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