A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.

A minha inocência foi esta:


Francisco Sarmento

Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Lá estava eu,
em plena queda,
de cima para baixo,
da marca das doze horas
directamente para a das seis,
sem passar pelas outras horas
desperdiçando essas oportunidades
para que a vida fosse acontecer.

Lá estava eu,
outra vez, caindo de costas,
olhando as estrelas do céu sem olhar
deixando-me ir na queda, sem pensar.

A vida passa por mim
mas ambos não existimos.

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AGORA TUDO FAZ SENTIDO! Mas estou com sono e quero mesmo mesmo dormir, que se lixe o sentido das coisas, a única razão é a minha cama. Quando dormir tudo e estiver totalmente descansado, cansar-me-ei a retirar o sentido. Mas agora, dormir. Dormir é o que interessa.

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É de manhã, acordei com o despertador pois tenho de acordar. Mas mesmo assim estou com uma insónia.

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Já não consigo aturar mais as minhas palavras. Não tenho paciência nenhuma para isto.
Estou com sono e não sei o que me fez acordar.

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Desconcertei a fatalidade. Assim sou poeta. Mas para lá da alma há um corpo que tenho de lidar.

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No início, cada poema meu era uma tentativa de suicídio, um cartucho de bala usado numa pistola apontada à minha cabeça. São tesouras incapazes de cortar.

..

A vida tem das suas ironias e eu tenho certezas falidas.

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Tudo o que eu quero é a vossa compreensão, um pedaço da vossa perfeição.

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Não se enganem. Toda a minha Poesia não existe. É apenas um momento de silêncio antes de me matar, o silêncio imperceptível que imortaliza o mistério do porquê da minha morte.

..

Está tudo muito bem, muito calmo, nada se passa fora do normal, até que de repente, do nada, aparece a Vida e grita: "SURPRISE MOTHER*****!!!!".
É de arrancar o coração com o susto, não é?

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Leitores sem alma servem poetas sem mãos.
Coitado do homem, viajou trezentos quilómetros de autocarro para chegar a esta linda paisagem e suicidar-se. A merda disto tudo é que se esqueceu das balas em casa e agora não tem dinheiro para voltar a casa. Tem de mendigar. Será que as pessoas vão-lhe, muito caridosamente, dar-lhe dinheiro para ele fazer a viagem de ida e volta e matar-se?
Parabéns Sábio! E que a tua sapiência seja saudavelmente louca. Ou, senão conseguires te encaixar neste mundo loucamente normalizado, então grita, porra! Grita loucamente como se num grito te saíssem todas as palavras e sentimentos, e se não ouvirem a tua liberdade, a Natureza te acolherá. Um grande abraço e felicidades.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

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A coincidência torna muito mais interessante a nossa existência.

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Esse teu amor ganancioso só nos leva à fatalidade das consequências.

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Nada do que vocês leram aconteceu, foi apenas um momento de silêncio.

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Olhos de ouro, coração de prata e corpo de bronze.

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Tenho consciência mas a minha inconsciência não está consciente, o que me lixa nos momentos de pressão.
Há muitas pessoas que me têm em consideração... não sei porquê. Não sei o que devo ter dito ou feito para tal acontecer. Quando era mais novo, acreditava inconscientemente que quando diziam que gostavam de mim estariam a mentir. Mas entretanto percebi que não. Não tenho nada de especial em mim que provoque essas reacções. Acho que é por não ter muito amor a mim próprio (e isto responde ao facto de as pessoas gostarem de mim e ao não saber porquê). Talvez porque a minha vida seja a busca incessante e constante do meu equilíbrio e da minha harmonia. E não só.
Transformo-te sem tentar
com o verbo copulativo
amar.


terça-feira, 25 de junho de 2013

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Às vezes tenho vergonha de existir. Oxalá não fosse humano e não tivesse que lutar contra os meus sentimentos. Quem me dera poder destruir estes fantasmas da minha cabeça sabendo que eles existem e amaldiçoam as minhas decisões. Nem sabes a tortura que é. Se não ouvir música e dançar o seu ritmo estaria louco com tanto ruído. Provavelmente nem estaria aqui. Como tudo seria simples, senão tivessem ejaculado as frustrações de outrém em cima mim quando era novo. Merda! É tão difícil rejeitar o espelho que me rejeita!... apetece-me chorar, mas se choro vou lembrar-me da minha infância e sentir-me-ei uma aberração... tenho vergonha de existir, o medo que me assola zumbe constantemente o meu cérebro sacudindo de mim a vontade de ser feliz. Quando falo com alguém, a minha sombra goza-me berrando. Merda! Tenho vergonha de existir, não houve quem reparasse na minha existência quando eu era mais novo, e agora sou assombrado por isso. E sei, sei tão bem disso mas não sei lutar contra isso. Posso me abstrair, é verdade, mas vai-se acumulando em mim sem me aperceber e tenho medo de explodir. Tenho forças, mas não sei por onde caminhar... alguém sabe? A pressão que se ergue em mim obriga-me a falhar por impulso. Não quero ser mais assim... estou desesperado. Merda! Conheço os meus feitos, as minhas conquistas, mas não lhes sei sorrir nem tenho orgulho. Porque o meu pai nunca me sorriu às minhas conquistas, e pior, desprezou-as e amaldiçoou-as. Não fiz mal a ninguém, não cometi os erros com intenção. Sou contrário ao meu pai, sou boa pessoa, tenho muitos motivos para me orgulhar de quem sou mas não tenho orgulho. Meu pai, esse reles, consumido pela malvadez, destruiu muita gente, enganou outros e tem orgulho demais. Toda a tristeza só me serviu para escrever este texto. Não estou triste e sei o que quero e como lá chegar.

..

Bem, aqui estou eu, a olhar para o nada, sem fazer nada.
Meu amor,
não sei que morte me espera,
mas que morra no teu colo
como uma criança adormecendo
na sua paz inocente,
transportando-se para um sonho.

No dia que eu morrer,
é para acordar deste sonho
sabendo como viver.

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Não escolhemos não sofrer, apenas escolhemos não pensar nisso.

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Palavras sem alma são como peças de roupa sem vida por não terem ser humano.
Gostava de ser pequeno
o suficiente para passear
nos teus lábios e, nos cantos
do teu sorriso, adormecer
e sonhar infinitamente.


Gostava de pôr dois dedos no mar
fazendo ressuscitar montanhas,
desabrochar, assim, flores,
tornando-as receptivas.

Anseio beijar a planície,
criar dilúvios, e provocar
respirações ofegantes ao vento,
eriçando as folhas das árvores.

Descobrir a origem do oceano
na escuridão das suas profundezas,
sentir os seus terramotos
na ravina submersa.


domingo, 23 de junho de 2013

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O preconceito é a ideia que nós temos antes de possuirmos o conceito, ou seja, está entre a burrice total e a realidade.

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Se escrevo poemas com tristeza é porque estou recheado de esperança, caso contrário nem sequer os escreveria, não é?
Há pessoas que não podem ser representadas por artistas quando essas pessoas nem sequer se conhecem a elas próprias. Cujas emoções desfocam as justificações para tais críticas e as nossas partilhas de arte não atingem os corações delas pois vêem em nós, não uma partilha mas um saco espelhado para descarregar.
Ninguém sorriu por mim,
ninguém chorou por mim,
por isso choro por quem
o devia ter feito por mim.

A minha vida
é uma poesia
de versos trocados,
rimas indesejadas
com inversão de significados.
A minha raiva é inocente,
porque é de uma criança triste.

Os meus erros são inocentes,
porque temo tomar decisões.

As fugas na minha vida são inocentes
porque fujo daquele que nunca esteve presente.

O meu sorriso humilde é triste,
porque não chorei abraçado.

Tenho medo de conquistar,
não sei o que está para lá da conquista,
tenho medo...

Sou uma criança ainda,
cujo pai foi seu inimigo.

..

Sou o maior ignorante do mundo, pois não sei sorrir às minhas conquistas.
Who will cry for the little boy, lost and all alone?
Who will cry for the little boy, abandoned without his own?
Who will cry for the little boy? He cried himself to sleep.
Who will cry for the little boy? He never had for keeps.
Who will cry for the little boy? He walked the burning sand.
Who will cry for the little boy? The boy inside the man.
Who will cry for the little boy? Who knows well hurt and pain.
Who will cry for the little boy? He died and died again.
Who will cry for the little boy? A good boy he tried to be.
Who will cry for the little boy, who cries inside of me?

Antwone Fisher

quinta-feira, 20 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Estes olhos brilhantes...

Sonhadores
entre inocência
e ingenuidade.
Olhos sorridentes,
cheios de vontade.

Esta criança é...

a beleza do brilho,
sua essência.
Astro iluminante.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Para sempre asas,
sei que não posso,
não é suposto voar,
mas, menina do meu coração,
levas-me acima das nuvens
sem sair do chão.

Sorrirmos um ao outro
é viajar no nosso interior,
é fazer do corpo 
uma nave espacial,
minha lua, teu sol,
nosso amor especial.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Possuindo Impossível

Há uma catástrofe na minha realidade,
a catástrofe é a única coisa real na minha vida.

As estrelas apagaram-se,
as nuvens transbordam raiva
querendo descarregar mas sem poder.
O chão treme intensamente
mudando a sua orientação constantemente.
Sinto-me perdido,
as lágrimas transformam-me
na criancinha que tinha sido
num passado quase esquecido.
Quanto mais fujo correndo
mais vou ficando criança,
temendo o mundo,
mas, ao mesmo tempo,
parece que estou a morrer,
a dor tira-me o poder de ver
a minha maneira feliz de viver.

A gravidade tornou-me pesado,
estou colado ao chão, esmagado,
com os meus pulmões em pressão
sem conseguirem manter a respiração,
quero chorar, quero gritar, mas não consigo,
estou quase a desistir de lutar
sem saber quem o meu inimigo,
tão cansado, tão exausto,
a minha alma aborta
o meu corpo de consciência morta.
Tão perto do final, mais uma vez,
mas desta vez, o meu olhar brilha
sem esperança, com força,
luto contra mim mesmo,
tentando conquistar o controlo,
tendo certeza que sou eu
o autor da minha realidade,
benefício da minha liberdade,
esforço-me mais um bocado,
sem de contrariar a gravidade
sobre mim exercida,
mas sim controlar essa capacidade
de saber viver a minha vida
pelos meios da felicidade.

Rascunho Sobre Amizade

Amigo,
espero-te aqui,
no lugar da nossa infância.

Esperando a tua lembrança
sobre as nossas recordações,
só me lembro de metade,
a outra metade pertence-te.

Metade da minha vida passada
é tua, confio plenamente em ti,
tu conheces a minha alma nua
por isso não a deixes abandonada.

Vejo-te desvanecer
em fumos inúteis e fúteis,
dançando sobre ilusões
perigosas, feliz Presente.

Guardas promessas
e aguardas que se concretizem,
influenciado com conversas
que experienciem.

Não posso fazer nada,
já conversei contigo,
agora só me resta esperar
magoado para depois me levantar
na tua queda e ser teu amigo.
Tão sincero na escrita
que nem me apetece escrever
exposições de sentimentos.

Há sempre receio,
receio de me expor,
medo de recuperar,
de me abrir e sentir dor.
Em relação à criatividade, dentro do meu crânio está o Universo e no meio um meu olho com 360º de visão.

domingo, 9 de junho de 2013

Nossa Cidade

Nunca deste pela minha presença
por eu estar nos bastidores dos bastidores.

Há tanta gente neste planeta,
tantos gordos, tantos gordos,
não há espaço para todos,
não são humanos, são aberrações,
alimentam-se de bocas
sem fundamentações...

Este mundo é só ruído,
parece que cada um de nós
tem duas bocas, meio ouvido,
e vive sem voz.

Tanta gente morta a ir trabalhar
com os seus sentidos enchidos
de publicidade para comprar
a felicidade temporária.

Gente operária cuja a vida não opera
mas espera espera, às vezes desespera
acabar com esta vida mera,
infértil, só ingira infelicidade que gera.

Onde estão os sonhos da inocência?
Somos mais velhos, somos culpados
por termos consciência e não lutarmos
pelo que nos deixa bem irradiados.

O corpo continuará cansado ao acordar
enquanto a nossa alma não despertar!

..

Próximo capítulo: vida incrementada.

sábado, 8 de junho de 2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Apresento-me ao serviço da solidão
para descrever um momento de reflexão.

És o maior?
Onde está o diploma
a dizer isso?
Só te pode confirmar
alguém que seja maior que tu.

Notas escolares
geram notas capitais,
é a promessa dos nossos pais.
Promessas são feitas
a quem duvida.
É rotativo o que possuímos
é transformável quem somos.
Olá! O meu nome é...
não não não!

Devo perguntar-te como estás,
para não parecer egoísta.

Olá! Tudo bem?

Pronto, já soa melhor,
até me torna mais sociável.

Fim.

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Antes de perguntarmos "Porquê" temos de ter consciência do "Quê"

quarta-feira, 5 de junho de 2013

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A vida é um mar de rosas, porque as rosas também têm os seus espinhos.
Vamos ter momentos românticos
sem histórias de namorados,
sem vestes intocáveis
possuindo as nossas almas,
não os nossos corpos.

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Na Natureza é a lei do mais forte. Mas nós, Humanos, chegámos onde chegámos por causa do que tínhamos dentro do crânio.
Novo amanhecer,
reformada alma
proposta a renascer.

Ainda há sono
nesta manhã
de um dia
em sonho.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Ó[p/c/d]io Deambulante

Salva-me além,
trespassa-me salvação,
ando por cima de linhas rectas
desequilibradamente contemporâneas
carregando sentimentos impermeáveis,
não me largo, olho para baixo
e adivinho as consequências da queda,
cedendo a divisão entre a dimensão espiritual
e a razão corporal.

Chaves-mestras
num pequeno ruído
prestes a tornar-se um estouro,
correndo entre olhares sem fechaduras
em portas desenhadas nas paredes
de um traço sem intenção
de existir ao laço incapaz
de entrelaçar por estar tão amachucado
e hirto de tanto ser tocado.

De quem é este quadro?
São precisas quantas drogas
para atingir este estado?
Não confundir nuvens com nevoeiro
tóxico e poluído,
são ilusões a ganhar vida
nos meus passos largos
passando pelos móveis
cuja madeira se torce
e contorce com o toque
nojento da transpiração.

                                                                                                                                                         
Os observadores observam as pessoas, e quem observa os observadores? O tempo.

Fumando Uma Paixão

Devia ter sido cão
e corrido atrás de ti
em vez de ter ficado a olhar,
mas sim, tu acendeste-me o cigarro
e disseste para eu esperar.

Fiquei a fumá-lo
sem sair do mesmo sítio,
mordendo o filtro
com o sorriso,
excitado, berrando
os encantos da felicidade,
e enquanto o fumava
tu passavas por mim
como se fosse nada.

E eu estranhava,
mas acreditei nas tuas palavras,
esperando fielmente de pé firme.

Mais de metade do cigarro tinha ardido
e tu ainda não tinhas aparecido,
comecei a ficar desconfortável
duvidando sem o querer fazer,
o medo de me magoar
por essa paixão deixar-me vulnerável
sem conseguir prever
o quanto me haveria de doer.

O cigarro já estava nas letras
e o desespero tomou conta de mim
procurando, no chão, as cinzas a fim
de juntá-las para ter o cigarro de novo.
Mas, como é óbvio, não consegui,
então continuei a fumar,
desesperadamente a acreditar em ti,
sem que o meu olhar soubesse alcançar
uma mínima parte do mundo exterior.

O caramelo do cigarro já ardia
e os meus lábios queimavam-se,
mas a chama ainda não se tinha apagado,
por isso continuei a fumar
porque dei o meu coração
e agora sabia que ia sair magoado,
fumava apenas para evitar
a dor da paixão que se torna maldição.

Até que o caramelo se apagou
e o fim de algo deu início
a uma história que ainda mal começou.

Jurei-te amar,
sorrir com o teu sorriso
nas nossas vastas conversas picantes..

A qualquer ponto
sabia o que viria
acontecer entre nós,
estava certo disso
e mais feliz que isso,
pela primeira vez
eu queria ser sacrifício,
nesta paixão incessante
em te deixar feliz
sendo eu teu vício.

Miúda,
o coração era o meu músculo mais forte,
fazias pulsá-lo tantas vezes eternas,
com força infinita, a mesma força
que o meu desejo por ti incita.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acreditei ser, a minha luta interior,
uma guerra de mim para mim,
contra o outro eu com medo sem fim
e zangado com o mundo exterior.

Meu ódio contra o ódio meu
envergonhado de ser eu,
entre o futuro e o passado
o destino marcava-me falhado.

Perante tal crença sub-consciente,
vi-me de cabeça cabis-baixa
num corpo onde a alma não encaixa,
sendo eu queda omnipresente.

Mas apercebi-me 
não ser guerra minha,
mas o que se passou
antes da minha liberdade
tomar decisões sozinha.

domingo, 2 de junho de 2013

Paixão Pela Paixão

Apaixonei-me pela paixão,
felicidade infantil de sentir-me igual,
de me sentir mais humano
entre o desejo carnal e sentimental.

Quero apaixonar-me
e pensar nela toda a hora,
sentir o relógio frustrar-me
pela sua demora.

Sorrir ao vê-la,
não ter maior prazer
do que satisfazê-la
pelo meu ser.

Quero sentir a vontade
de desenhar o corpo dela
com os meus poemas,
declarar toda a verdade
do meu amor por ela
sem grandes esquemas.

Quero amar-te intensamente,
irradiar mais felicidade
que o sol em luminosidade
com sorriso pepsodente.

Tua matéria ser minha poesia,
tua personalidade ser-me previsível,
romântico, histericamente intenso:

Hei-de eu ser
total ignorante aos olhos do mundo
porque os teus lábios são meu único saber
e meu conhecimento profundo.


Simples Desejos

Não sei o porquê desta atracção por ti,
esse olhar desejoso de me provar
flameja em mim vontade de te tocar.

Não te digo te amo, não é por aí,
talvez não tenha desígnio,
simplesmente quando mordes o lábio
o meu sangue ferve de fascínio.

Os meus olhos dilatam 
para absorver melhor a tua beleza,
os cantos da minha boca
derretem-se pelos teus encantos
ansiando sentir a tua natureza.

Sei que também tens sentido
e não arriscas pelo que outros vão dizer,
mas esta história somos só nós os dois
que a vamos viver.

Simplifica a equação,
amplifica a satisfação
intensifica a acção
e fica comigo
que sou eu a razão.

sábado, 1 de junho de 2013

Estou farto de escrever,
e também estou bêbado,
o meu objectivo é escrever sobre a felicidade,
mas não o sei fazer.

Felicidade é ouvir música
e sorrir de olhos brilhantes
é dar uma gargalhada com vontade,
mas isto não tem a mesma profundidade
que os meus desabafos,
se estou feliz apetece-me fazer tudo
menos dar na escrita.

Que chatice...

Agora que sei o que é paixão,
aprendi a destingui-la da solidão.
Aprendemos a pronunciar
palavras através da audição.

Em que momento começámos a falar
ao mesmo tempo em total confusão?

Porque deixámos de ouvir?

Talvez porque é a pensar
que passamos a existir
e falamos para o demonstrar
sem sequer reflectir.

É barulho por nada
em concordância
com a ignorância
do resto da manada.

Governados
pela inteligência,
liberdade em abstenção
são direccionados
à desgraça individual
e da sua Nação.

Além da Caneta

Paz e harmonia,
encontro-vos na Poesia,
em cada poema
que dou por acabado,
fica combinado.

Poesia, minha salvação,
sou transporte de sentimentos
para o papel, criança refugiada
de terras ditatoriais
em contos de fada felizes e irreais,
verdadeiras opções e impulsos
chegam à folha no momento,
mutilada por qualquer porquê
que não meu, não consigo
escrever sem ser eu,
ou eu inverso
nas vezes que peço
algo que eu não sei
no meu verso.

És de mim para mim,
para que eu seja livre
do meu próprio medo
e não encontre o fim.

São as folhas dos meus poemas
ligaduras no meu interior,
vazios meus ganham outro valor,
são funcionais e tu nem sabes disso,
leitor.
Andas nisto há mais tempo que eu,
sou pequeno e mas consigo ver o chão,
não confundas escala com escola da vida,
nasci ontem mas passei a noite acordado
e aprendi a acreditar em mim na escuridão,
não sei muito mas sei como chegar,
que impedimentos me impedem de alcançar.
Sempre que olho para o céu é para sonhá-lo 
e nunca conquistá-lo como um troféu.
Estou certo que estou certo
mas acredito que esteja errado,
assim consigo saber para que lado
o chão fica mais perto
e me eleva universalmente,
não quero ser maior nem melhor
comparativamente, quero me expandir, 
no amor e na dor descrever
o que estou a sentir.

Manadas - Crianças Culpadas

A caminho do pôr-do-sol
para chegar lá no final da história
numa tela de uma criança cujo desenho 
possui mais imaginação do que tinta.

Não sabe o que é dinheiro,
enquanto o desconhece sabe sonhar,
sem grandes detalhes para imaginar,
não é para ser feliz mas é verdadeiro.

Em tom de brincadeira imagina
guerras sem sangue, romances simples,
fadas mágicas, egocêntrico heróico
que a todos traz felicidade.

Coitado do adolescente,
nunca conseguiu seguir em frente,
sem encarar bem a realidade
ainda é a criancinha a imaginar
ser protagonista dos outros
fazendo de tudo para o ser,
sendo substituído, sem se aperceber, 
tornando terceiros personagens principais
da história por ele vivido.

Talvez não foi amado, 
talvez foi amado demais,
seja o que for que tenha sido
o coitado ficou encravado no passado
procurando nas massas o encaixe,
desejando ser idolatrado sem usar o seu raciocínio.
Procura comprar o amor com a aparência
sem opinião própria mas por escrutínio
da moda e grupos sem valor
caídos na tendência que tende
o amor de outros mas não lhe atende.
Nem entende o porquê,
relações falsas têm aqui a sua raiz,
porque a paixão pelas calças
encaixa-se na perfeição do que o preço diz,
vão pelo preço com apreço,
acreditando em palavras comerciais
para bater o coro entre a carência
e a mente cujo o sexo é o seu foro. 
Relações assassinadas à nascença
por conhecimentos aparentes,
a aparência é a primeira impressão
e o primeiro caminho para a desavença
de sentimentos divergentes
tendo a sua razão em duas pessoas diferentes
aparentemente iguais e tudo o mais.

Brincam às posses na ingenuidade,
não passam de criancinhas, coitadas, 
com esta idade e ainda tão distantes da realidade,
inventando tantos contos de fadas,
acreditando que possuindo vão ser heróis idolatrados,
mas só crianças como estas se sentirão invejadas.

Posses são como o dinheiro,
coisas inanimadas são esquecidas primeiro,
convencidos mas vencidos sem discussão
pelos que são amados por quem são.
Os cães também conhecem a expressão animada.

Manhãs de Sol

Numa noite amanhecida vi o sol chegar,
em arrepios de frio
a esperança gélida e adormecida
tentava-se libertar.

Presa em grades de medo,
brincava com a areia do chão
nas noites sós em segredo
até a manhã pôr fim à ilusão.

Com um sopro o pó levantava-se
e ganhava a forma dos sonhos,
deixava de ver as quatro paredes
e de sentir frustrações e transtornos.

Mas a manhã acorda e as pessoas também,
rapidamente tudo desaparecia,
o pó voltava a ser pó sem poesia
que não devia nada a ninguém.

Perguntava-me se ele morria de dia,
se me via, porque não me falava,
ou simplesmente me ignorava,
enganava-me de qualquer modo,
por ironia.

Criança não conhecia outro mundo
ou o mundo à nossa volta,
vivendo no submundo
onde os raios-de-sol arrefecem a revolta.

Nos escombros da mente,
nas ruínas dos neurónios,
mantinha-se de joelhos
esperança incandescente.

O Amor tem vários heterónimos
nas histórias individuais,
há também os crimes anónimos
praticados pelos que estão a mais.

Em que categoria se enfia a esperança?
Ou é amor à vida a nossa fiança?

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Harmonia

Harmonia
Julgas-me por ter errado
sem saberes se foi mal-intencionado.
A hipocrisia realmente existe,
quando gente como tu insiste
em alimentar-se do erro de outrem
sentindo-se acima de alguém.
Fracos de espírito,
não têm conquistas,
escolhem perder tempo
em jogo de boatos satírico
entre demónios artistas
esmiuçando o momento
para gabarem-se invertidamente
acusando quem segue em frente,
gente dessa gente só se dá com essa gente,
à escolha da próxima vítima
mas essas consciências desconhecem
que as suas vítimas deles são eles
enquanto se aquecem uns aos outros
de garras com coração do do lado
para destruir casa haja confusão
e no final dizer que já sabiam
que o outro era um aldrabão.
Espero que compreendas,
não tem a ver com a tua definição de natural
que limita constantemente o percurso considerado normal.

Não existe subir socialmente, mas sim expandir
transversal e universalmente através do ser,
talvez tornando-se imortal depois de morrer,
pois é o amor que o fortalece em cada situação.
Porque acreditamos mesmo sendo ilusão,
porque já sabemos de ante-mão
que o mal consome-se a si próprio
enquanto se ri e a nossa alma se recusa
aceitar a realidade definida por quem se engana,
gente mentirosa movimentada pela certeza
de já estarem por cima de nós logo à nascença,
mas a base abala o mundo deles quando abana,
é só semear por baixo deste cimento
que as plantas insurgirão com o tempo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Love Like Be

I love you baby!!
Oh I love you baby!!
Yeaaaaaaaa.....

Better than
drink a coffee and
smoke a cigarrette
at every morning,
is watching you
drinking my coffee
with a cigarrette
and my shirt set too!

Because, baby,
I love you
more than i can say!!

You see,
i'm singing other language
'cause i'm frustrated
and more happy than i could be!
OooOOooh!
I'm happier than me!!

OooOOooh!
Singing this pseudo-song
like years sixty!!
And is on my bath!
With my shower!
With all my faith
singing badly
for like an hour!
Oooooooh!
So badly!

'Cause baby,
let me show to this tiles
how happy i am
doing a falsetto,
they wanna run miles
away from my echo!!

AND!!

Baby, i don't wanna know
'cause you are the one
who's matter to my world!!
And believe me, girl!!
You are the world!!
OooOOooh!
The world!!
Yes, you are!

I though i couldn't be more stupid
than already am!!
BUT!!
OooOOooh!
Yes, i did!!
Yes, i can!!
OooOOooh!
How life can be so amazing!!

Like i barely manage
to write another language
and sing it worse!
Just to show
how much i love you
like i'm cursed!!
OooOOooh!
Well-cursed!!
OooOOooh!
I love you baby!!

Now that i don't have voice
bring me a tea at your choice!
Thanks!! Or...
me and you, we can do the do!!
And i know you want it too!!

So... this is the end of words.
A Ciência descreve a partícula
e o poeta escreve o seu campo gravitacional.
Envelhecer é,
sobretudo, saudade,
saudade de viver.

Velhice é
limitar a liberdade,
é ser auxiliado
a morrer.

A qualquer idade,
ser velho é, sobretudo,
uma questão de mentalidade.


Quando quero escrever sobre felicidade simplesmente, não me apetece escrever.
Como me possuíste, paixão,
e eu, cego pela tua beleza,
fascinado pela tua filosofia,
tornei-me pela tua bênção
anjo humano.

Contigo não reconheci tristeza
e as profundezas levavam-me ao céu.

Senti-me fisicamente real.
Tinha tudo decorado,
pois eras tu o tudo
na minha certeza 
do nosso destino igual.

Quero-me apaixonar novamente,
estar certo das palavras que escrevo
e escrevê-las repetidamente
sem nunca me sentir preso.

Deixai o amor aos pais e às mães,
aos irmãos e a todas as relações
cujo o amor se torna banal
por ser original e natural.

Paixão é história par,
é sorrir e ressuscitar
a razão de viver
partilhando de puro prazer.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Paixão em Chamas

Finalmente
tornei-me humano,
senti paixão.

Arde a minha carne por ela,
faz-se sempre tarde
não estar na presença dela.
Maldita matemática do tempo
e a sua dimensão espiritual,
não vejo o momento de satisfação carnal
em fusão com o ser sentimental.

Olho para o relógio
e só passaram dez segundos,
quero estar a sós contigo,
aglomerar os nossos mundos.

É disto que preciso,
tornar físico o sentimento
amor, amar com paixão,
com a malandrice dum sorriso
igualada à intenção.

Que se lixe o mundo
e o tudo o que está lá dentro,
tu é que és o meu centro
que foco com olhar profundo.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Homem Furagido

Desconhecido,
não tinha aparência mas era descrito.

Em terra forasteira 
a maior lenda entre gente estrangeira.

Ultrapassou as grades invisíveis,
as barras de ferro, as correntes,
e caminhou no campo aberto
da liberdade preconceituosa
que incrimina, descrimina,
naquele descampado
onde começa a ignorância 
e a liberdade termina
quando um desgraçado
é crucificado.

Homem lutador
transporta a tocha flamejante,
trespassado com flechas de rancor
enquanto vai avante.

A dor aumenta
com a quantidade de passos em soma,
o homem tudo aguenta
quando a sua força desconhece o estado de coma.

É uma história lendária,
provou sermos nós livres,
a nossa prisão é imaginária
quando somos firmes.

sábado, 25 de maio de 2013

Homem sente.
Gato mostra sentimento.
Homem imagina.
Gato observa.
Homem sonha.
Gato dorme.
Homem tem esperança.
Gato espera.
Homem conhece poesia.
Gato conhece gastronomia.
Homem estica o braço.
Gato estica o pescoço.
Homem de duas patas no chão,
mais próximo do céu,
o Gato de quatro patas,
mais próximo da terra,
ambos harmoniosos.

Dias Triunfantes

Não sabia o que fazer
quando me deram vida,
qual seria o propósito de viver
ou viver era o propósito de partida.

Partir para uma situação melhor
sobrevivendo a improvisar
com as regras,
ou viver com o futuro decor
cheio de imprevistos para me desviar
e não acabar rodeado de negas.

Sem livro de instruções
nem sinal de aviso antes de nascer,
surgi no mundo com mais razões
das que eu sei escrever.

Não vos posso ditar
mas sempre vou registando,
só sei que começa em amar
e o resto vai germinando.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Isto é um castigo,
é um castigo amar a nossa Pátria,
porque somos destruídos por quem não a ama,
por quem a despreza.
Em todas as outras alturas,
surgiu alguém que a amava,
alguém que desafiava o rei,
o ditador, o imperador,
e todos os que seguiam
políticas em vez do povo.
O mesmo povo que povoa a Pátria,
o mesmo povo que constrói a História.
Pensamos no amanhã, mas não no dia seguinte,
falamos de hoje como falámos ontem sobre ontem.
Eles ditam o que nós somos.
A ciência seria para desenvolver
e evoluir a Humanidade.
Mas no sul da Humanidade
morre-se literalmente de fome e desespero,
no Oeste, impera a mão de obra barata
que tem feedback violento quando se exprime,
que é sugado em fábricas capitalistas,
e no Este da Humanidade, descalabra
o sentido da Evolução da Humanidade,
onde o sonho cientista do futuro melhor
se torna utilidade para uma minoria,
ou seja, o pesadelo da nossa evolução,
corrompido o ser com preços na liberdade.
Contudo, a tecnologia evolui,
para quem quer conquistar o mundo:
um rei com coroa de sangue,
um ditador cujo hino
é seu próprio nome,
um parlamento democrático
é uma bolsa financeira.
É esta a nossa Humanidade,
onde o humano é mercado.
Evolui a tecnologia
numa Humanidade sem Humanidade,
somos então uma máquina de auto-destruição.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vai contigo
o abraço que te dei
marcado no meu peito
e um outro abraço insatisfeito
fica comigo porque não te travei.

 .


Acredito.
Seremos livres um dia.
Livres de nós próprios,
saberemos saborear a liberdade
infinita, superar preconceitos
e orgulhos - opostos da evolução,
ouviremos com atenção,
com reflexão. Acredito.
Ganhar consciência.
Sendo livres seremos felizes,
pois conquistámo-la, liberdade.
Não seremos educados,
mas instruídos, sem ditar maneiras
e descobrir modos.
Seremos livres.
Seremos evoluídos.
Tenho a certeza.

sábado, 18 de maio de 2013


Com que traços faciais
escrevi este poema?
O que vêem os meus olhos
vítimas de tudo o que já vi?
Como serão as minhas mãos
a escrever? Tremem ou são firmes?
Quantas vezes já me arrependi
e apaguei? Tortura ou alívio?
Será que perdura ou já esqueci?
Será que escrevi de rajada
ou várias vezes tentei?
Orgulho-me quando é uma mistura 
de palavras esquematizada?
Darei valor senão tiver sentimento,
só qualidade? Será que consigo ler
quando define a minha realidade?
Se for deprimente vejo tristeza
ou esperança? Ou é fatalidade?
Peço crítica ou opinião
ou alguém que partilhe da mesma oração?
Conheces-me?

sábado, 4 de maio de 2013

Carta Ao Leitor

Caro leitor,

esta carta é directamente para ti. Não sou escritor. Não vendo a minha Poesia, partilho-a livremente. São memórias e sentimentos muito fortes. A mim, não me interessa se escrevo demais, o que me interessa é a essência e a profundidade, a intensidade... Não me caducas em categorias, não sou ismos nem dores, não sou nenhum sufixo. Não me sufixes, porque só me sufocas em definições. Roubas-me a liberdade de ser, de poder chegar mais longe, não só para a frente ou para cima, mas sim expandir-me e aglomerar-me como o céu e o ar, que a todo ser humano atinge. Universalidade. Ser poeta não me é profissão nem hobbie, não é definição sequer. Ser poeta é ver e viver de outra maneira. Até mesmo entre poetas há diferenças sobre viver. E por isso esquece usá-la como pronome, adjectivo ou qualquer outra aplicação que possa ter que te tenham incutido. Podes ter lido todos os livros do mundo, podes possuir a cultura total da Humanidade, podes até ser rei do Oculto e da morte, o maior génio de todos os génios, mas meu caro, se não compreendes o que te escrevo então és limitado, para mim, és muito limitado. Porque não compreendes outras hipóteses de viver e por isso não compreendes totalmente o que é liberdade.

Fica a dica,
um abraço sério mas irónico
e um sorriso da dentuça amarelada
da minha alma.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O mundo muda a cada gesto teu,
amigo do meu ser, conhecendo tu
os segredos das minhas alegrias
transformas as lágrimas em rugas de sorriso.

Amigo, são teus gestos,
na sapiência do meu ser,
correspondidos pela sublimidade
do meu olhar e dos pensamentos neles escondidos.

Conheces-me como ninguém,
vulnerabilizando os meus estados de espírito.

Esta é a verdadeira amizade,
a confiança partilhada contigo
vai mais longe que o teu conhecimento
sobre a minha pessoa,
está no amor que me tens
querendo sempre o meu bem
através do teu gesto,
amigo, querido amigo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Cartas No Espelho V

Olá Ser Humano,

que estupidez minha! Então não me avisas que não me tenho despedido!? Podia ser falta de respeito, mas não. É pura distracção. Percebes qual não foi a minha intenção? Temos de falar em intenções. Para que é que raio em vez de discutirmos, gritamos? Oh... pois, o orgulho. Mas não é de orgulho que quero falar. Para perdoarmos alguém temos de compreender as suas intenções no momento que nos ofendeu. Porque são as intenções que estão a ser julgadas pelo ofendido, não a ofensa prática. Enfim... depois de ler isto, apetece-me dizer-te até. Só até, porque não sei se é daqui a cinco minutos ou um ano. Por isso...

Até,

Cartas No Espelho IV

Olá ser humano,

sou poeta, não escritor. Talvez não compreendas o significado de poeta. Um poeta é um ser humano que vê poesia em tudo e todos. Não. Um poeta apercebe-se da Poesia em tudo e em todos. E absorve-a. E transforma-a. E redescobre-a. A minha Poesia é o meu ponto de vista. Antes de eu interpretar a realidade e ter opinião sobre ela, olho-me ao espelho para me entender, para perceber se aquele que surge no espelho sou eu. Se sou real, se realmente existo, porque eu existo em tudo aquilo que penso e reflicto, e para criar um pensamento próximo da realidade tenho de me ver real. Se a minha alma descansa no meu corpo. Ainda não vejo nitidamente, ainda me vejo pelo que não sou. Às vezes torno-me no que não sou por natureza por pensar que sou, mas tudo o que pensamos ser é uma ilusão, se houver, nessa imaginação, a posse, o ter, ou qualquer definição que nos incomode ou acomode. Sou quem quero ser, e amo quem sou. Todos amamos quem somos por natureza. A minha vida tornou-me quem sou, mas também me fez. A sociedade fez-me ser o que não sou, no seu sentido mais malvado, fazendo-me desacreditar, quem realmente sou não me faz bem. Mas todos os meus pensamentos têm origem no meu ser e, ao não sê-lo, não estou a pensar por mim, pois estou ensinado a reprimir quem sou. Mas quando começamos a reflectir por nós próprios, a ter essa iniciativa, sobre nós próprios, após iniciado este processo de transformação, não nos vale de nada querer a sua conclusão, porque temos de conquistá-la. Tenho de me conquistar. Tornar os meus pensamentos em realidade através de mim. No fundo, certezas garantidas pelo meu passado, pelo que a minha vida foi. Bem, esta carta está totalmente desgovernada. Tal como são e tal são as minhas reflexões. Ao leitor, isto está uma grande trapalhada mas ao ser humano, há-de encontrar algures neste texto uma universalidade. Ou não. Depende do ser humano. Mas este sou, não consigo organizar os meus pensamentos e reflexões por estar tudo relacionado e conectado, por esse motivo os meus objectivos, enquanto temas, são estrelas à primeira vista diferentes, até eu desenhar-lhes uma constelação como uma criança junta pontos numerados não seguindo a ordem numérica restringida. Mais um motivo fica aqui escrito.
A história de um rapaz honesto e apaixonado e de uma rapariga demasiado bonita para ter consciência do que faz, tem o seu final no seu prelúdio. O rapaz, sabendo o que queria, reflectia de dentro para fora através dos seus olhos brilhantes quando cruzados com os dela, sendo ela um espelho do que ele reflectia. Nem eu nem esse rapaz sabemos o que está para lá do espelho. Uma imensa escuridão em nome da nossa ignorância. Nem sequer sabíamos que era um espelho, pois é um bocado irónico e difícil perceber que é um espelho quando nos reflecte a nossa própria honestidade. Mas, enfim, prostitui-se a palavra amar.
O ser humano é o ser vivo superior. Menos quando está no deserto sem mantimentos e sem saber para onde caminhar. E também num pântano cheio de bichos venenosos escondidos. E também num lago onde não se vê nada do que está dentro da água, como crocodilos ou assim. Ou a dar uma corrida a fugir de um leão. Mas o cúmulo da era industrial seria uma falha de energia mundial. Aí é que teria piada. No seu próprio habitat, tornar-nos-íamos pequenos e vulneráveis. Só com a lua para nos iluminar à noite, que mesmo assim nem sempre a sacana surgiria. Quem é que saberia sobreviver da terra?

domingo, 28 de abril de 2013

Meu querido amigo,
escrevo-te na solidão para que me ouças na solidão da tua leitura. Para que as minhas palavras sejam melhor absorvidas por ti. Desabafo pela escrita para me esquecer, ou para um dia sorrir quando me lembrar. Tenho que te dizer, quando fui à cozinha, não estava acompanhado pelo silêncio. Voltou a apoderar-se de mim os pensamentos sobre ela. O tempo vai-me afastando dela mas também me vai fazendo aperceber de como tudo foi tão estranho. Surgiram novas perguntas sem resposta. Mas tudo vai dar a uma resposta, independentemente das perguntas, e ambos sabemos que não posso escrevê-la aqui. Esta ferida tem-se cicatrizado mas receio estar a infectar a minha alma... porque... pela primeira vez tive a paixão e fui iludido por ela acabando com o coração despejado. Este veneno, a que vejo muitos darem-lhe o nome de cale para esconder o sofrimento, começa a apoderar-se da minha visão. Começo a questionar o sexo feminino. O que é um rapaz honesto quando é traído tão desprezadamente? Tenho lutado e procurado caminhos que não o comum mas tem sido uma luta difícil. O meu coração foi roubado e não sei criar outro. As veias que teriam o seu fim e início no coração uniram-se sem que o coração se interpusesse entre elas. Tornei-me anomalia. Já não sou natural nem possuo o amor com que fui criado por causa desse lugar vazio agora habitado por veias, que mais parecem teias onde aranhas fazem depósitos de veneno para circular no sangue... Tive vontade de dizer amo-te, sabes, uma vontade enorme de dizer amo-te, tão incontrolável que deixava essas palavras ganharem vida nos meus sonhos, tendo-me dado ela a chave para que lhe pudesse desabafar este desejo, mas depois desapareceu ela deixando-me uma caixa com o meu coração gasto de ter sido abusado, e um bilhete shakesperiano dizendo que nunca me amou... agora, com o meu coração apodrecido insarável, não há espelhos na minha alma que estejam escritos com amo-te, nesta luta minha constante de riscar o amo-te do meu coração, surgindo de novo sobre os riscos, riscando eu por cima outra vez, aparecendo de novo, riscando de novo, uma luta tão desesperada, começada com lágrimas e no fim, com os tecidos do meu coração totalmente desfeitos e despedaçados, não sendo mais do que restos mastigados de carne crua, os meus dentes roem-se de raiva de ter sido tão massacrado por uma mentira. E por ela ter seguido em frente, como se fosse uma psicopata amoral, custando-me o que me custou. Por isto, desconfio instintivamente do sexo feminino e da sua capacidade de sedução, quase que odeio... quem me dera poder distinguir assertivamente em quem confiar mas, infelizmente, foram só os homens que escreveram toda a história da humanidade.

Cartas No Espelho III

Olá ser humano,

se te chamasse leitor teria de me chamar escritor. Mas não sou escritor, sou ser humano. Escritor é aquele que escreve... e há-de ter mais algumas palavras na definição de escritor, tal como: "que escreve como profissão, para poder comer", ou então: "escritor, aquele que escreve", como se eu fosse uma máquina, porque só escrevo, não como, não convivo, não existo, a minha existência é escrever. Como uma máquina de escrever, que por sinal não tem adjectivo funcional. Parece-me que só para os humanos é que é qualificado para possuir adjectivos funcionais, mas as máquinas, cuja a sua existência reside unicamente em ter função, não são merecedoras de adjectivos funcionais. Máquina lavadora de roupa, máquina escritora... entendo que não tenham adjectivos funcionais por que não criam, quem cria são os seres humanos. Mas há uma certa ironia subentendida. Essa não é minha função. Criar. Daí não ser eu escritor nem tu leitor. A não ser que a tua função seja ler, se for esse o caso, não me digas que leste porque não haverás de gostar da minha reacção. Não escrevo por obrigação portanto não lês com obrigação. Aqui está mais uma razão para não te chamar leitor/a.

Cartas No Espelho II

Olá ser humano,

escrevo com a minha Humanidade, e tu és ser humano, não um leitor, porque não escrevo palavras, mas pensamentos e desabafos. Se és leitor, não me leias mais. Toda a minha existência é a Humanidade na minha vida. Minha vida, onde estamos todos, tal como estou eu na vida dos outros, partilhando um elo igual para com o outro, e se não for, então é ilusão. Toda a partilha é amor. Ódio é amor-próprio ofendido. Na minha vida estamos todos e está tudo, até as biliões de pessoas no planeta das quais desconheço a sua existência. Isto porque sou mortal. E porque tenho sentidos, não obstante que não precise de ter os cinco. O que mais nos afecta enquanto população mundial é a indiferença. Agora estamos a falar de mentalidade, e agora, podemos usar a palavra "pessoa/s". E esta indiferença está na instrução, na cultura das pessoas, porque raciocinamos usando a primeira pessoa do singular em vez do plural. Acredito que haja muitas pessoas que, na sua inconsciência, acreditam que o mundo passou a existir no dia em que as mesmas vieram ao mundo. E por isso, a evolução da Humanidade regride. Se entrarmos no porquê desta mentalidade obrigatoriamente teria de falar não de política, mas de políticas. E em relação a isso apenas me vou limitar a dizer que se luta por ideais políticos, melhor, lutava-se, mas nunca se lutou pelos seres humanos, e tão pouco pela nossa pluralidade, o "nós" (nós de eu mais os outros, nós seres humanos, não nós de profissão, de família, de grupo adjectivado). Como prova do que digo sabemos, pela História, quantas vezes a servidão de ideais só prejudicou a Humanidade. Concluindo radicalmente esta carta, espero que percebas, ser humano, que não me fales desta carta com "eu", mas sim com "nós", pois estou certo, que somos diferentes por termos experiências de vida diferentes e que isso seja motivo de coexistência, de conviver, de compartilhar, tal como faço para contigo aqui. E neste coexistência sabermos construir, ou seja, instruirmo-nos em conjunto. Compreendes-me? Bem, desta afastei-me do que te queria escrever sem me afastar. Mas esperemos que a minha próxima carta tenha uma reflexão mais conclusiva de te chamar ser humano e não leitor.

Cartas No Espelho

Olá ser humano,
Não te vejo como leitor/a, leitor é a pessoa que lê, e por isso, antes de seres leitor/a, és pessoa, e antes de seres pessoa, és ser humano. Talvez não estejas a perceber o valor destas palavras, provavelmente não pensaste nisto, por não te parecer importante. Mas todas as palavras são importantes, pois são as palavras que desenham o teu pensamento e a tua imaginação, por definirem realidades ou pelo menos o que os nossos sentidos sentem, ouvem e vêem. Se não houvesse palavra "céu" nem nenhuma palavra que substituísse a definição de "céu", como poderias imaginar o céu se não tivesse nome? Como é que eu poderia falar-te do céu se não houvesse palavra que lhe desse nome? Poderias pensar no "céu"? Não imaginarias da mesma forma, talvez olhasses para cima e pensasses que é simplesmente o Espaço com astros e planetas, e pensarias de outra forma, não pensarias que o nosso planeta, que por cima de ti, que para ti e para a Humanidade haveria um céu. Provavelmente, não imaginas a palavra céu da mesma forma se te dissesse Espaço com astros e planetas. Mas nós não imaginamos de igual forma, cada um imagina os detalhes da tela da sua imaginação, o ponto de vista, se imagina dentro dele ou fora dele, a quantidade de estrelas, a cor delas, os planetas, os cometas... nada disto nos ocorre do mesmo modo na imaginação, e a imaginação é pensamento, e pensamento é criação de uma realidade baseada na realidade e na nossa pessoa, que, de um modo ou de outro, começa e acaba na realidade, mesmo sendo o oposto dela. E isto que acabaste de ler, é o meu pensamento, originado pela minha realidade, da minha observação, e que em certa altura, perdera e ganhara verdade. Se "ser humano" e "pessoa" tivessem o mesmo sentido, o mesmo significado, não haveria duas palavras. Porque as palavras são criadas pela razão mas com a história da cultura ganham alma em nós, e em cada um de nós, mistura-se ou não nas nossas vidas, ganhando uma interpretação, creio ligeiramente, no mínimo, diferente entre uma e outra pessoa. Sinto que, antes de sermos o que quer que sejamos, somos seres humanos, isso é o que nós somos em primeiro lugar, depois ganhamos outros adjectivos, uns pela nossa função, outros pela personalidade, pelas nossas características físicas... Ser humano é um ser vivo que transpôs a sua alma à sua volta, que se desenvolveu porque existiu com a Natureza, que para além do raciocínio, viveu com alma - e ainda vive, nos seus genes históricos, sendo orientado por esses genes, juntamente com os genes que lhe dão as suas características psicológicas e físicas. O Amor, a Alma e o Raciocínio são a base da nossa evolução, é o que sinto. Isso é a Humanidade, a Humanidade que está em nós, caso contrário, cada ser humano que nascesse seria o re-início da evolução da Humanidade. Já me afastei do tema que me levou a escrever-te, ser humano. Poderemos pensar que foi uma introdução, porque na verdade, esta reflexão que te escrevi foi a minha reflexão que originou, não totalmente, o que te vou escrever na próxima carta.