A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.

A minha inocência foi esta:


Francisco Sarmento

Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/
Mostrar mensagens com a etiqueta pedaços do meu ser. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pedaços do meu ser. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Despedida do Poeta (poema para Fernando Pessoa)

O que sinto escrevo.
Os poemas fazem de mim servo.
Pois tenho medo de os ler,
o medo de me voltar a perder.
Na esperança que ouvissem o meu papel,
apenas só quiseram saborear o seu mel.
As minhas ideias são interpretadas
mas a única perspectiva que vêm na frase é a sua beleza,
esquecendo qual a sua natureza.
Se soubesse teria-as queimado,
pois eles que lêem não compreendem o meu fardo.
Morri cansado e a pensar uma última vez assim:
(mais) um poema que escrevi sobre mim...

Poema para Fernando Pessoa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Campainha

A campainha toca não muito alto,
só para certas metas,
apenas para quem tem ouvidos,
apenas para pessoas.

É diferente o resultado,
acabo por ser insultado.
Os fantasmas ouvem o alarme,
mas nem esses ousam falar-me.

Tocam nela com alegria,
não têm olhos pois eu não sorria.

A campainha está a tocar,
os soldados estão-se a preparar,
os alunos vão entrar,
um incêndio a avançar,
os bombeiros a apressar,
um roubo a passar,
os polícias a fazer parar,
a ambulância a acelerar,
alguém que a alguém quer falar,
eu que a paz da solidão ando a procurar.

Alguém sabe do que estou a falar?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sentimentos Cíclicos

A mensagem em branco,
o grito abafado,
o inexistente banco,
as lágrimas invisíveis,
as meras vontades,
as falsas verdades,
os momentos previsíveis,
a almofada molhada,
o sentimento gago,
a ilusória fada,
o fardo cargo,
a lembrança do esquecimento,
a solidão desamada,
o desperdiçado tempo,
a loucura pura,
a morte cura,
a perdida procura,
a maldição do vento
o falso consentimento,
o meu nome?
Francisco Sarmento.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Duas Velas No Quarto

São duas velas no meu mundo
que se acendem durante a escuridão.
Por onde vagueia a podridão
das sombras escuras da solidão
deste meu negro quarto.
Onde o mal grita dores de parto.
Explorei apenas do meu quarto um quarto
e já estou farto.

O fogo ilumina as mentes mortas e pálidas,
onde afasta as pingas de chuva dos infernos que caiem
para cima numa confusão que eu próprio tenho medo de entender,
uma confusão organizada, não consigo perceber.
De uma claridade tão clara que faz parecer escuro.

Duas velas no meu peito, mesmo aqui.

Duas velas se acendem,
quando o amor e o ódio se prendem,
como no mesmo tempo real,
no meu quarto, onde se misturam o bem e o mal.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Procuro Aquilo Que Não Encontro

Escavo a minha cova à...
Procura de uma solução para os meus problemas.
Procura de um paraíso onde haja paz.
Procura de um silêncio para acabar com a confusão.
Procura de uma almofada para chorar.
Procura de um ar para poder respirar.
Procura de uma morte para acabar com as minhas vidas.
Procura de uma cura para as minhas feridas.
Procura de uma pessoa que não existe.
Procura da chave da liberdade para me tirar da prisão.
Mas nada disto encontrei.
Agora já não sei,
enterro o rei da capa cortada,
na minha lapa revive-se a minha vida mais privada,
"Procuro aquilo que não encontro".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu, o Cognome e Eu. (v.s.a.)

Eu, o Desvio do Vento
e o Movimento Contrário ao Tempo.
Eu, Alguém que é Ninguém
e o Boneco Pousado na Prateleira dos "Sem".
Eu, o Poema Nunca Lido
e o Rio Mais Poluído.
Eu, o Dente Substituído por Baixo da Almofada
e o Mais do Menos do Nada.
Eu, a Pessoa que já Morreu
e o Minuto que já Desapareceu.
Eu, a Comida Fora da Validade
e a Desprezada Realidade.
Eu, o Sangue Derramado
e o Coração Apertado.
Eu, o Grito Abafado
e o Nó da Garganta Apertado.
Eu, a Sombra mais Escura da Negra Solidão
e os Olhos que Nunca mais Abrirão.
Eu, a Morte da Calma.
Eu, o Despedaço d'Alma.
Eu, Apenas Eu.

sábado, 18 de setembro de 2010

Necessidades. (ponto final)

Não preciso do dinheiro para comprar.
Não preciso da vida para viver.
Não preciso da morte para morrer.
Não preciso de pessoas para socializar.
Não preciso da roupa para me vestir.
Não preciso da boca para falar.
Não preciso do cérebro para pensar.
Não preciso do ar para respirar.
Não preciso da comida para comer.
Não preciso da água para viver.
Não preciso de não ter para sentir falta.
Apenas preciso do que não preciso.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Facadas Em Terceira Pessoa

Quando te conheci parecias bacano,
mas alguém me avisou, adivinha lá, era um teu mano.
Ajudei-te com os teus amigos,
algo que não tinha nada haver comigo,
mas mesmo assim fiz mais do que faria um amigo.

Foi então que te pedi ajuda,
a pensar que podia contar contigo,
avisaram-me para ter cuidado,
porque estava a andar em campo minado.
Assim fiquei preparado,
mas na esperança que não ias falhar
comecei a andar.
Quase pisei duas minas,
vi-as e tinham a tua assinatura,
pensei que não era tua porque iria ser uma facada muito dura.
Terceira mina, igual à que já me tinham mostrado.
Por isso estou aqui para te dizer:
aconteça o que te acontecer
eu não quero saber.

domingo, 4 de julho de 2010

Meras Vontades

Tenho fome mas não tenho vontade de comer,
Tenho sede mas não tenho vontade de beber,
Tenho lágrimas mas não tenho vontade de chorar,
Tenho feridas mas não tenho vontade de as curar,
Tenho uma arma mas não tenho vontade de me matar,
Tenho pernas mas não tenho vontade de andar,
Tenho amor mas não tenho vontade de amar,
Tenho cansaço mas não tenho vontade de descansar,
Tenho ouvidos mas não tenho vontade de ouvir,
Tenho amigos mas não tenho vontade de sorrir,
Tenho um poema para finalizar mas não tenho vontade de acabar.

Para Ti, Amor Platónico

Não sei se te amo,
nem se te deva amar.
Vejo-te e nunca te falei,
mas falaram-me e agora já não sei.
Se és ou não,
se crio expectativas e caia na desilusão.
Mas sinto e tenho vontade de apostar,
mas não sei se me hás-de amar.
Ansioso, espero pela tua resposta,
saber se estás desposta.
Quem és? Será que é apenas o amor platónico?
Correspondes ou dás barra?
Mas responde, que é em ti que o meu coração se amarra.


Eu sei, meu amigo,
sei disso, mas prefiro que não o digas,
deixa-me sonhar mais um bocadinho.
Que este é de bom vinho,
e sei, meu amigo, que se beber demais deste fico viciado,
mas repara bem como estou ressacado.
Também sei que esse vinho pode não aparecer ou pode acabar,
mas como é vício, dá-nos felicidade por uns momentos.
E porque o sonho é esperança, a esperança é vida e vivo por uns tempos.
Pode ser que o vinho acabe
ou pode ser que seja eterno
ou pode ser que seja bom,
mas como cá dizem, o que é bom não dura sempre,
e se não durar, então que chore neste caderno
e a esperança assim há-de mudar.
A ressaca é grande e a minha cabeça está cansada,
por isso vou apostar cegamente nesta minha última rodada...
deixa-me sonhar...
deixa-me sonhar...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eu também (ensinamentos de vida)

Eu sou alguém para alguém
quando me diz eu lhe sôo bem,
quando aquele que me diz mal.

Eu sou alguém pois contribuo bem a Portugal.
Sou demasiado quando passo despercebido,
só passo a ser ninguém quando me acho convencido.

Não ouses dar-me por vencido
nem te iludas ao chamar-me vencedor,
não sou ninguém, mas sou lutador.
Sou alguém para alguém que me trata com amor.
Sou alguém quando alguém me dá valor.

Não tenho defenição,
sou inconstante como o tempo,
este, é mais do que Outono ou Verão.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Definições - Amizade

Definição de amizade
atracção para a traição,
Eu contigo confio
e vejo-me no caminho da solidão.
Tão depressa vejo-te um amigo
e no agora passaste a mais um risco.
sozinho não consigo,
mas em ti me arrisco.

Entrego-te o meu coração
e ferido na morte o confisco.
Como uma criança chora depois de um pesadelo.
choro lágrimas de solidão.
No início anjo da guarda,
No final mal tratado como na rua é um cão.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Alma Vadia

Alma,
que é morte inacabada,
que sabe, mas não entende,
que a solidão lhe invade,
que sofre um ardor quente.

Alma,
que não se responsabiliza,
que não quer nem prefer,
que está parada no nada,
que vive escondida,
que todo o dia
perguntam o que é da sua vida.

Alma,
que finge ser calma,
que mente com medo,
que se sente incompreendida.
que, nas costas, leva um penedo,
de penas e lágrimas
descritas em páginas.

Alma,
que cai e não se levanta,
que só luta por sobrevivência,
oh Morte, que me estás na iminência...