Mantém o olho aberto,
o ouvido alerta,
a boca fechada,
deixa-os falar,
deixa-os fazer,
eles vão apostar
e eu aposto que eles vão perder.
Palavras correm o mundo
o planeta é redondo,
dão a volta e voltam,
no fundo, elas se revoltam
e viram-se contra o monge.
Cuidado, más intenções
encontram mil razões
para criticar,
más intenções, más pessoas,
desprezam opções e fazem escolhas
para o prazer e sem pensar.
Escória, andam às manadas
desde que tenho memória,
canibais e facadas,
é sempre a mesma história.
Nunca se amam,
é apenas o interesse,
solidões que andam
juntas pelo mesmo preço.
E vendem-se,
e vendem os amigos,
em menos de nada
tornam-se inimigos
numa grande cagada
para salvar os seus umbigos.
Não confies nem te fies
se ouvires alguém falar mal abertamente,
fecha os ouvidos e ainda mais a tua mente.
A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.
A minha inocência foi esta:
Francisco Sarmento
Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Poesia da Vida
Este é o eco infinito,
uma memória presente
de uma lembrança ausente,
uma voz tornada mito.
Como uma brisa arrepiante,
arrepia-me a alma só de pensar em ti
e uma lágrima anseia ir avante
pela certeza de não te ter aqui.
Não soube, algures, viver a vida
nessa imensa paz
duma última despedida
que nem isso a morte me traz.
Morreu, e só consegui ir à janela,
o meu lar tornou-se pesado,
tornara-se irrespirável como uma cela
onde se pressente o final de algo.
Pela primeira vez conheci a vida
e o que ela nos dá e tira,
sou pobre, sou feliz,
porque dinheiro não me dá o que sempre quis.
São os amigos verdadeiros,
as mulheres que nos amam,
os desconhecidos que sorriem e se espantam
e os meus poemas inteiros.
É a Poesia da vida.
Da gente que chora e sorri honestamente,
que se entrega com amor sem pedir nada em troca,
que nós queremos e amamos verdadeiramente,
que com desprezo e desprezo o dinheiro se invoca,
porque é um dos meios, não um fim,
que sem prostituição, entregam-se a mim
com toda a verdade, e vivemos um momento,
sem haver ilusão, somos nós realidade
mesmo que vá com o tempo.
O dinheiro poderia vingar a minha vida,
poderia dar-me poder e prazer tocável infinito,
poderia comprar a admiração dos outros pelos objectos,
tanto poderia ser que haveria de ser passado esquecido
baseado em ilusões, no fundo nada seria certo
nem sequer o meu próprio afecto,
talvez me tornasse uma personalidade desinteressante
rodeado de gente interesseira agarrada à minha carteira
a alimentar a minha angústia constante.
Nasci a querer antes o amor da amizade,
que cria prazos às minhas tristezas,
que faz-me rir de verdade
e são momentos feitos de certezas,
são eles que me tornam mais forte
como comida para o organismo,
com eles não preciso da sorte
e isto é apenas um eufemismo
porque em questões de fatalidade
são eles que me ajudam a moldar
a minha própria personalidade,
antes que eu soubesse amar
já eles me amam,
conseguem-me interpretar
e nunca se cansam,
nunca desistem de me ver sorrir,
se eu chorar, eles sabem fazer-me rir,
e não tenho nada mais do que amor para lhes dar,
e nunca me sinto a mais porque é essa amizade
que eles querem, a que só tem verdade,
e eu não sei ter outro tipo de amigos
que se possa chamar amigos,
senão aqueles que me fizeram crescer,
viver, são meus abrigos,
unidos sem dimensão de espaço nem tempo,
a qualquer hora são bem-vindos
nas minhas mãos largas para os amar,
mãos sem dinheiro, têm espaço para os abraçar.
Quem tem dinheiro tem tudo,
menos o que é importante,
aquilo que a vida se baseia,
o amor real, certo e autónomo,
isso conquista-se pelo que somos,
e quem não é, vive um incómodo,
uma comichão que quanto mais se coça
mais se alastra pelo corpo,
que se disfarça fazendo troça,
porque a pergunta é:
quando estiver morto
alguém chora?
Alguém fará luto?
Outrora,
esse tornou-se dinheiro,
e o dinheiro vai,
e o dinheiro vem,
deixou de ser pessoa
para ser um investimento.
Na amizade, sou parte de um sentimento,
é partilhado, criando-se cumplicidade.
Tu tens carro, eu tenho pernas,
vais rápido, eu vou lento
e vou conhecendo
gente de outras terras,
vou lento, lentamente,
mas vou vivendo intensamente,
com gente que me vai aparecendo pela frente.
Porque a humildade faz-me honesto
e vou sorrindo honestamente,
porque o dinheiro não me faz falta,
o que me faz feliz é a minha poesia e a minha malta.
uma memória presente
de uma lembrança ausente,
uma voz tornada mito.
Como uma brisa arrepiante,
arrepia-me a alma só de pensar em ti
e uma lágrima anseia ir avante
pela certeza de não te ter aqui.
Não soube, algures, viver a vida
nessa imensa paz
duma última despedida
que nem isso a morte me traz.
Morreu, e só consegui ir à janela,
o meu lar tornou-se pesado,
tornara-se irrespirável como uma cela
onde se pressente o final de algo.
Pela primeira vez conheci a vida
e o que ela nos dá e tira,
sou pobre, sou feliz,
porque dinheiro não me dá o que sempre quis.
São os amigos verdadeiros,
as mulheres que nos amam,
os desconhecidos que sorriem e se espantam
e os meus poemas inteiros.
É a Poesia da vida.
Da gente que chora e sorri honestamente,
que se entrega com amor sem pedir nada em troca,
que nós queremos e amamos verdadeiramente,
que com desprezo e desprezo o dinheiro se invoca,
porque é um dos meios, não um fim,
que sem prostituição, entregam-se a mim
com toda a verdade, e vivemos um momento,
sem haver ilusão, somos nós realidade
mesmo que vá com o tempo.
O dinheiro poderia vingar a minha vida,
poderia dar-me poder e prazer tocável infinito,
poderia comprar a admiração dos outros pelos objectos,
tanto poderia ser que haveria de ser passado esquecido
baseado em ilusões, no fundo nada seria certo
nem sequer o meu próprio afecto,
talvez me tornasse uma personalidade desinteressante
rodeado de gente interesseira agarrada à minha carteira
a alimentar a minha angústia constante.
Nasci a querer antes o amor da amizade,
que cria prazos às minhas tristezas,
que faz-me rir de verdade
e são momentos feitos de certezas,
são eles que me tornam mais forte
como comida para o organismo,
com eles não preciso da sorte
e isto é apenas um eufemismo
porque em questões de fatalidade
são eles que me ajudam a moldar
a minha própria personalidade,
antes que eu soubesse amar
já eles me amam,
conseguem-me interpretar
e nunca se cansam,
nunca desistem de me ver sorrir,
se eu chorar, eles sabem fazer-me rir,
e não tenho nada mais do que amor para lhes dar,
e nunca me sinto a mais porque é essa amizade
que eles querem, a que só tem verdade,
e eu não sei ter outro tipo de amigos
que se possa chamar amigos,
senão aqueles que me fizeram crescer,
viver, são meus abrigos,
unidos sem dimensão de espaço nem tempo,
a qualquer hora são bem-vindos
nas minhas mãos largas para os amar,
mãos sem dinheiro, têm espaço para os abraçar.
Quem tem dinheiro tem tudo,
menos o que é importante,
aquilo que a vida se baseia,
o amor real, certo e autónomo,
isso conquista-se pelo que somos,
e quem não é, vive um incómodo,
uma comichão que quanto mais se coça
mais se alastra pelo corpo,
que se disfarça fazendo troça,
porque a pergunta é:
quando estiver morto
alguém chora?
Alguém fará luto?
Outrora,
esse tornou-se dinheiro,
e o dinheiro vai,
e o dinheiro vem,
deixou de ser pessoa
para ser um investimento.
Na amizade, sou parte de um sentimento,
é partilhado, criando-se cumplicidade.
Tu tens carro, eu tenho pernas,
vais rápido, eu vou lento
e vou conhecendo
gente de outras terras,
vou lento, lentamente,
mas vou vivendo intensamente,
com gente que me vai aparecendo pela frente.
Porque a humildade faz-me honesto
e vou sorrindo honestamente,
porque o dinheiro não me faz falta,
o que me faz feliz é a minha poesia e a minha malta.
terça-feira, 26 de março de 2013
Tantas descrições sobre amor e paixão,
tantos sorrisos, cumplicidade, discussão
chorar por quem nos tem do coração,
nunca tinham sido da minha compreensão.
Estando longe estive perto
de ter alguém como certo
para partilhar tanto afecto
e ser completamente aberto.
Finalmente entendi,
quem me dera não ter entendido,
desde o dia que a conheci
não a tenho esquecido.
Não tenho parado de pensar
e re-pensar o quanto mudou
e o quanto a idade faz-nos mudar,
nesta história não sei quem sou
mas sei o que quero,
quero-te, sonho-te, desejo-te,
enquanto desespero
porque não vejo-te,
nem ao meu lado
nem na minha vida.
Amor Ímpar
A única coisa que tenho de ti
são poemas escritos por mim...
são histórias de fachada sobre amor
para remediar momentos de dor,
uma charada cada vez mais complexa
em matemáticas de divisão
quando deveria ser uma soma
de dois igual a um,
mas o meu coração entra em coma
por não haver resultado nenhum.
são poemas escritos por mim...
são histórias de fachada sobre amor
para remediar momentos de dor,
uma charada cada vez mais complexa
em matemáticas de divisão
quando deveria ser uma soma
de dois igual a um,
mas o meu coração entra em coma
por não haver resultado nenhum.
sábado, 23 de março de 2013
(.......)
Essa tentativa de construção
de brilho artificial só dá estrilho trivial
que adjectiva prostituição profissional.
Não tenho nada para te dar senão amor,
a única coisa completamente honesta,
tão honesta que provoca dor e pavor
que nos presta mesmo prestando gente desta.
Gente que age como quem nos detesta,
mas sigo em frente, só quando a vejo
é que sinto o quanto a desejo
e pressinto estar doente
por me tornar cego no Presente.
Essa tentativa de construção
de brilho artificial só dá estrilho trivial
que adjectiva prostituição profissional.
Não tenho nada para te dar senão amor,
a única coisa completamente honesta,
tão honesta que provoca dor e pavor
que nos presta mesmo prestando gente desta.
Gente que age como quem nos detesta,
mas sigo em frente, só quando a vejo
é que sinto o quanto a desejo
e pressinto estar doente
por me tornar cego no Presente.
sexta-feira, 22 de março de 2013
domingo, 17 de março de 2013
sábado, 16 de março de 2013
Promessas Subtis
E esperei que olhasses para trás na despedida,
e olhaste, e fiquei feliz e brilhante,
esperando especado, com medo
de perder a oportunidade,
e esperei... e esperei... e esperei...
na eterna ânsia pela tua promessa subtil,
esperei que voltasses, que me amasses
tal como vi o teu olhar desejar os meus lábios,
tal como as tuas palavras faladas sobre amar,
fiquei, no meio da estrada, a olhar, a olhar,
vendo-te ir, cada vez mais longe,
cada vez mais afastada, cada vez mais distante,
como um ponto, que esperei ser uma estrela,
até desapareceres, passando semanas
desfazendo o meu sorriso,
até depois disso esperei,
por uma justificação, por uma resposta,
por um fim, um fim qualquer,
um sinal, um explosão, um grito ao longe
como quem está a acordar!
Algo! Uma coisa ínfima!
E o tempo passou...
e eu fiz luto ao meu sorriso...
e tanto tempo depois,
apareceste dizendo
que a morte pariu o amor
antes de existir entre nós os dois.
e olhaste, e fiquei feliz e brilhante,
esperando especado, com medo
de perder a oportunidade,
e esperei... e esperei... e esperei...
na eterna ânsia pela tua promessa subtil,
esperei que voltasses, que me amasses
tal como vi o teu olhar desejar os meus lábios,
tal como as tuas palavras faladas sobre amar,
fiquei, no meio da estrada, a olhar, a olhar,
vendo-te ir, cada vez mais longe,
cada vez mais afastada, cada vez mais distante,
como um ponto, que esperei ser uma estrela,
até desapareceres, passando semanas
desfazendo o meu sorriso,
até depois disso esperei,
por uma justificação, por uma resposta,
por um fim, um fim qualquer,
um sinal, um explosão, um grito ao longe
como quem está a acordar!
Algo! Uma coisa ínfima!
E o tempo passou...
e eu fiz luto ao meu sorriso...
e tanto tempo depois,
apareceste dizendo
que a morte pariu o amor
antes de existir entre nós os dois.
terça-feira, 12 de março de 2013
Nós e o Amor
Neste momento,
não há espaço nem tempo,
apenas um momento momentaneamente infinito,
naturalmente mais natural do que tenho escrito,
mais sincero, mais igual ao que sinto,
é acção, tornando real o quão real são
as palavras do meu coração
completando-me ao realizar a minha paixão.
Honestidade máxima, acção sem prática,
sem meios nem metades, sem ciência,
apenas eu e tu, e a nossa existência.
não há espaço nem tempo,
apenas um momento momentaneamente infinito,
naturalmente mais natural do que tenho escrito,
mais sincero, mais igual ao que sinto,
é acção, tornando real o quão real são
as palavras do meu coração
completando-me ao realizar a minha paixão.
Honestidade máxima, acção sem prática,
sem meios nem metades, sem ciência,
apenas eu e tu, e a nossa existência.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Canibais Democráticos
Não sei ser inocente
desde o momento
em que o tempo não pára,
indo sempre em frente,
entre um pedido de desculpa
e não ter essa cara
está algures uma culpa,
desde o meu silêncio nas tuas atitudes
às críticas sobre ti feitas a alguém,
o que interessa não é que mudes
mas quando falo me sinta bem.
Porque falo, logo existo,
em voz democrática
num pensamento implacável
com a minha ignorância
sobre atitudes de terceiros.
Não quero ser amigável,
não tem importância
ser amigo de amigos verdadeiros,
apenas é carência de afecto
construindo o meu ego.
desde o momento
em que o tempo não pára,
indo sempre em frente,
entre um pedido de desculpa
e não ter essa cara
está algures uma culpa,
desde o meu silêncio nas tuas atitudes
às críticas sobre ti feitas a alguém,
o que interessa não é que mudes
mas quando falo me sinta bem.
Porque falo, logo existo,
em voz democrática
num pensamento implacável
com a minha ignorância
sobre atitudes de terceiros.
Não quero ser amigável,
não tem importância
ser amigo de amigos verdadeiros,
apenas é carência de afecto
construindo o meu ego.
terça-feira, 5 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
Sou
Rio-me. Rio-me por nada.
Para não chorar por tudo.
Apelidam-me de maluco,
parvo, estúpido, em meios-elogios,
mas o que sinto tem de ser mudo
berrando forçosamente pensamentos frios,
porque o silêncio germina reflexão
e o olhar desvia-se do coração,
dos olhos de outrém, em direcção ao além,
para que a lágrima caia para o lado,
como quem cospe, espirra ou tosse,
porque se a lágrima se mantém,
reflectirá o que tenho pensado,
fosse como fosse,
tristeza nunca convém
à desonestidade e a quem
não quer ver a realidade.
Para não chorar por tudo.
Apelidam-me de maluco,
parvo, estúpido, em meios-elogios,
mas o que sinto tem de ser mudo
berrando forçosamente pensamentos frios,
porque o silêncio germina reflexão
e o olhar desvia-se do coração,
dos olhos de outrém, em direcção ao além,
para que a lágrima caia para o lado,
como quem cospe, espirra ou tosse,
porque se a lágrima se mantém,
reflectirá o que tenho pensado,
fosse como fosse,
tristeza nunca convém
à desonestidade e a quem
não quer ver a realidade.
Rir por nada para não chorar por tudo.
Tenho uma chama
a chamar por ti,
em sonhos a murmurar
como se estivesses aqui.
É fogo posto, sua incendiária,
era suposto ser livre de tocar no teu rosto
e não ser uma história imaginária.
Alimentada a chama
pelo teu nariz de Pinóquio,
mas também era ilusório,
a matéria dele
não era madeira verdadeira.
Este meu amo-te
não era mais que uma
faca espetada por mim
no meu próprio coração.
Consumiste a minha alma,
infértil e salgada num caldeirão,
mas ainda antes de morrer
quis te dar uma festa na cara
para um último prazer.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Nós Separados
Vontade insatisfeita
a de apareceres na próxima esquina,
mas estas ruas são labirintos,
são a história da nossa cidade
que não nos respeita,
essas mesmas linhas
desencontradas encontram-se
no desencontro das nossas sinas.
Desta vez fiz, fiz com a mesma
vontade que te desejei e quis,
se calhar fiz mal em fazer,
sendo assim,
fiz mal em te querer
tão perto de mim.
Mas porra, nunca os meus olhos
viram tamanha realidade,
beleza além-horizonte,
talvez fosse mera publicidade,
mas desta vez fui até ao monte
tentar encontrar o teu céu,
desta vez atentei a oportunidade
e agora vejo-me no lugar do réu
a discutir comigo próprio
quem é o culpado
desta história de reticências...
Burro...
a de apareceres na próxima esquina,
mas estas ruas são labirintos,
são a história da nossa cidade
que não nos respeita,
essas mesmas linhas
desencontradas encontram-se
no desencontro das nossas sinas.
Desta vez fiz, fiz com a mesma
vontade que te desejei e quis,
se calhar fiz mal em fazer,
sendo assim,
fiz mal em te querer
tão perto de mim.
Mas porra, nunca os meus olhos
viram tamanha realidade,
beleza além-horizonte,
talvez fosse mera publicidade,
mas desta vez fui até ao monte
tentar encontrar o teu céu,
desta vez atentei a oportunidade
e agora vejo-me no lugar do réu
a discutir comigo próprio
quem é o culpado
desta história de reticências...
Burro...
Em Vão
Sentei-me a olhar para o em vão,
e em vão pensei em me suicidar,
mas não, pensei em vão, porque
ao fim e ao cabo, é para lá que todos vão,
em vão, sempre em vão...
vão os segundos, os minutos, as horas,
as pressas, as demoras, e toda a acção.
Em vão, o tempo é nossa mentira,
mas sim a memória de cada momento
é que se mantém e fica.
Em vão, no metro, no trabalho,
os óculos escuros escondendo os olhos,
em vão todo o sofrimento repetitivo,
em vão as palavras mal tratadas.
Tudo vai, e vão as estátuas,
as representações, os esforços
e o legado, em vão.
No final de contas,
ainda antes do início
da matemática,
havia o Karma.
Mas em vão,
como se não existisse,
vão vão, sempre em movimento,
sem eu nunca saber se tem fim
ou se muda, se assisto às mudanças,
vão vão vão, sempre no ir
tal como os segundos imparáveis
e as células e partículas
que o ditam.
Vão... para onde?
O que ficou?
Sim, o que interessa
é o que ficou,
a acção transformativa da razão.
Afinal os que vão, não vão em vão,
mas o que somos hoje,
será no futuro a justificação.
e em vão pensei em me suicidar,
mas não, pensei em vão, porque
ao fim e ao cabo, é para lá que todos vão,
em vão, sempre em vão...
vão os segundos, os minutos, as horas,
as pressas, as demoras, e toda a acção.
Em vão, o tempo é nossa mentira,
mas sim a memória de cada momento
é que se mantém e fica.
Em vão, no metro, no trabalho,
os óculos escuros escondendo os olhos,
em vão todo o sofrimento repetitivo,
em vão as palavras mal tratadas.
Tudo vai, e vão as estátuas,
as representações, os esforços
e o legado, em vão.
No final de contas,
ainda antes do início
da matemática,
havia o Karma.
Mas em vão,
como se não existisse,
vão vão, sempre em movimento,
sem eu nunca saber se tem fim
ou se muda, se assisto às mudanças,
vão vão vão, sempre no ir
tal como os segundos imparáveis
e as células e partículas
que o ditam.
Vão... para onde?
O que ficou?
Sim, o que interessa
é o que ficou,
a acção transformativa da razão.
Afinal os que vão, não vão em vão,
mas o que somos hoje,
será no futuro a justificação.
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