A inocência é a universalidade dos seres vivos, é nela que está a beleza da ignorância de quem vive acreditando.

A minha inocência foi esta:


Francisco Sarmento

Este blogue encontra-se concluído para que outro aconteça agora: http://poemasdesentir.wordpress.com/

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

E se eu morrer pelas minhas próprias mãos,
e se perguntarem porquê a minha morte
é porque não conheceram a minha vida.

E não sei o que é que pior,
os que nos amam matarem-nos sem saber
desfazerem-nos para seu belo prazer.

Estou exausto, tão exausto...
só quero voltar para onde não me lembro...
As minhas lágrimas não param,
a garganta está tão tensa que os gritos
berram-se mudos,
levem-me daqui....
Sinto-me só e tenho medo...
sou aborto falhado
apaixonado pelo desumano.
apetece-me gritar
a loucura deste mundo,
mas não posso chorar
porque não quero sentir-me vazio,
sem sentimentos,
vagueando sem andar,
desprezando todas as formas de felicidade...
como eu desejava ser normal!
dava tudo para ser normal...
mas não há espaço para mim,
o ar que respiro é pesado
e sufoca-me...
morri antes de morrer
e só me iludo por cada dia que passa,
já não há nada para mim,
o fim está perto...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Não posso chorar porque se o fizer surge das lágrimas um reflexo meu nojento e vergonhoso. Gigante, até me fazer sombra, até me rodear, até me devorar... penetrando no meu peito para desmembrar a minha alma. Tenho medo... mãe, tenho medo que o sol desvende a minha pele... a minha pele de velho rancoroso, covarde o suficiente para não ter posto um fim à sua vida e viveu-a negando o que a todos nos une, o amor. Tenho medo destas noites em que me castigo por ter vivido mais um dia... um dia não haverá mais carne para desfazer... não haverá mais provas físicas em como estou vivo...
tenho raiva de mim... que merda de espelho é este que não se parte!? É o inferno!?... Mas não estou amaldiçoado, sou a maldição, se quisessem desfazê-la teriam de me fazer desaparecer... mas este céu!? Onde está o céu com mais estrelas do que vazio? Estou farto disto! Ah! Ao menos podia fazer eco mas não! Não! É claro que não! Já estão todos em silêncio a fazer o meu luto! Claro! Ah! Se ao menos os mortos pudessem falar quantos vivos se calariam!...
Olhem para mim... o cúmulo do altruísmo! Ofereci as minhas lágrimas e já não há água em mim! Agora só sou uma carapaça seca da velhice... isso, fujam da aberração que eu sou... Mas no inferno serei eu quem irá governar! Ah! Vemo-nos lá!
Estou farto disto. Desliguem as luzes, acabou o espectáculo. Com licença.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

à roda, à roda à roda, 
parado e sem parar,
os meus pensamentos giram sobre mim
como um tornado de chamas,
não posso mexer-me,
se me mexo diante do mundo
essas chamas penetram
nas minhas veias nervosas
e carbonizam o meu peito,
mas se ficar muito tempo parado,
o meu sangue congela
e o meu coração deixa de bater...
não sei o que fazer...

bem-vindos à minha auto-estima.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Amo-te,
o que há mais forte que isto no mundo?
Quero deitar-me no teu caixão,
eternamente ao teu lado,
contigo coser estrelas no universo
e narrar histórias nunca antes imaginadas.

Sentir os teus lábios
é como chegar aos portões do paraíso
com um passe V.I.P.,
felicidade imensa impossível de sonhar.

Dizer que te amo é frustrante,
tão ínfimo em relação ao que sinto por ti
que senão me beijasses preferia ser mudo,
pois sentiria a insignificância das palavras,
negando a minha alma
em revoluções espiritualmente sanguíneas,
divorciado cirurgicamente de ti.
Morte tão certa da minha alma
que os porquês não existiriam,
porque o caos estava a formar-se
tendo como final o meu fim.
São colhidos os cravos vermelhos,
vermelhos da nossa terra, nosso sangue,
e esquecidos os cravos brancos,
é a ausência da paz do povo,
escravos da própria Pátria.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Todos admiram a lua,
anseiam a sua presença
para se iluminarem,
mas do outro lado da lua,
na face escura e escondida,
há um verdadeiro ser
a chorar tristeza.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sou distraído porque o mundo não tem argumentos válidos suficientes para ter a minha atenção.
O verdadeiro amor está na linguagem gestual.
peace
Sou poesia imensa,
tão banal e pouco intensa,
às vezes ainda acerto
quando sou honesto.

Real e verdadeiro
ou ilusório,
tenho esta capacidade
de ser arrogante
por achar a realidade
tão desinteressante,
com números deambulantes
nas equações da vida.

Com incógnitas universais,
e tudo o mais.

Amar

Sou um beijo mal dado,
um lábio a sangrar rasgado
por causa do dente amaldiçoado.

Sou a opção de quem prefere sentir dor
em nome da paixão e do amor
e pede mais um beijo dizendo por favor.

Sou música.

Condimentos Do Amor

Está tudo claro,
claro está que me iludo,
mas é que quando te vejo
fico atordoadamente surdo,
completamente cego de desejo,
não me farto de escrever isto
nem sequer resisto em repetir,
que me interessa a mim
quando me faz sorrir?
Porque sai-me a fluir
tão rapidamente assim
que poderia morrer
sem parar de escrever
sobre ti.
Estou mais para lá
do que para cá,
o sono é pesado
e o café parece-me chá,
és minha adrenalina
sinto-me tão amado
que ainda sou capaz
de analisar esta paz
na retina da vida.

Baseio-me em ti,
meu amor,
para cantar
esta canção
através da
linguagem gestual.
Não há
outra maneira
de demonstrar
algo tão natural.
Façamos em silêncio,
os nossos olhares
revelam palavras
por inventar.

A vida é temporal,
uma partida de Deus
que corre sempre mal,
uma despedida sem adeus
pelas recordações permanecidas
no inferno questionável de quem vai,
deixando dor às almas vivas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Por detrás do sonho
há um pesadelo...
uma luz que desmascara
os rostos inacabados...
são as sombras na face,
são covas nos ossos
de tanto chorar...
pele afogada, olhos inchados,
desfocados pelas suas águas...

Tenho saudades de algo
mas não sei o que é,
estou tão incompleto
que o que faz falta em mim
é mais completo que eu.
Entre as minhas atitudes,
acções, pensamentos,
vive esse meio buraco.
Menos nos momentos
de felicidade, quando
estou feliz tudo está certo,
talvez seja a minha felicidade
que me torna completo...
mas porque estou feliz?
Qual é a matéria,
ou a essência do meu sorriso?
Os dias passam-me pelos dedos
como água... e não espero.
Não há esperança.

Meu Ser

Desejo fazer amor com o mundo
mas não sei onde me enfiar,
sinto-me deslocado,
os meus pés não deviam tocar no chão,
devia ter nascido sem corpo
para melhor amar,
devia ter sido Natureza
para ser possuído por todos.
Quero abraçar o mundo
como se fosse uma criança,
ensinar-lhe que o impossível é ser impossível
e vê-lo adormecer ao meu colo
enquanto sonha o céu...

Ser Poesia

Sou expressão espiritual,
sofro mutações a cada sol matinal.
O meu corpo existe para ser tocado,
é uma prisão cujas janelas são os meus sentidos,
uma próxima definição da liberdade de viver.
Sinto-me turista no mundo,
a cada dia que me lembro do que não vi,
da miséria, da dor e da malvadez do planeta,
vou me sentindo mais longe da realidade,
mergulhado nas teclas de um piano,
entre os agudos inocentes aos graves raivosos
- é a minha máquina de escrever.
O meu coração é ritmo de percussão,
definindo a quantidade de passos
no espaço dos sentimentos.
A minha fragilidade é um violino
quando me sinto sozinho,
é violencelo na escuridão
da minha sombra.
Sou uma flauta reproduzida
do outro lado das montanhas
como um eco a gritar:
"Humanidade à vista! Humanidade à vista!".
Sou a proximidade íntima
de uma viola em coro.
Sou infinito...